sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Porção Semanal:


Mishpatim



Qual é a ligação entre processar alguém legalmente e animais perdidos? Esta é uma das muitas perguntas colocadas por Dom Abarbanel sobre a Parsha da Torá desta semana. 

Ainda que a Parsha lide com um grande número de tópicos, muitos deles apenas vagamente relacionados, Dom Abarbanel no seu comentário concentra-se na localização específica de cada lei retirando lições e ideias da própria estrutura da Parsha. 


O capítulo 23 começa com instruções aos juízes, instruções que governam a sua abordagem a questões de litígios e outras questões de tribunal. Uns versos depois, a Parsha parece divergir ao mencionar a necessidade de ajudar a devolver um animal perdido ou eextraviado, voltando à matéria inicial logo a seguir. 


Qual é a ligação entre estes dois tópicos? E que poderemos aprender pelo facto de que são abordados juntamente? Dom Abarbanel explica que a referência na Torá a perdido ou extraviado tem a ver não apenas com animais, que obviamente precisam da ajuda ou de serem devolvidos mas contem uma outra mensagem.

Naturalmente que os juízes na sua sede de justiça precisam de se concentrar nas reivindicações e evidências apresentadas, filtrando a verdade do meio de todas elas. Mas tal não é suficiente, diz Dom Abarbanel.


Um juiz ao inspeccionar os documentos que lhe são apresentados tem de estar alerta para os que estão perdidos ou extraviados. Tal como um animal perdido ou extraviado precisa de ser gentilmente guiado, o mesmo se passa no seio da justiça.



Muitas vezes, apenas escutar não é suficiente. Se um juiz vê alguém que precisa de ajuda para articular ou apresentar o seu caso, ele deverá ajudar.


E esta, diz Dom Abarbanel, é a razão para a justaposição dos dois tópicos. A Torá está-nos a dizer que objectos perdidos podem assumir muitas formas distintas e não apenas formas físicas. Até mesmo uma potencial reivindicação legal tem de ser considerada de forma cuidadosa para garantir que nada será perdido para o seu legítimo dono.

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