sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Cartas de Lisboa | Bo



Parashat Bo



O calendário judaico é lunar, baseando-se nos continuados ciclos da lua. Ainda que isto nos permita definir os dias e os meses, o que dizer sobre os anos? Quando é que é o momento natural para a conclusão de cada ano e o início do ano seguinte?


Na parashah desta semana, um verso diz-nos o seguinte: “Este mês será para vós o começo de todos os meses.” Shemot (12:1)




"Este mês," refere-se ao mês de Nissan, o mês no qual teve lugar o Êxodo do Egipto. Dom Abarbanel, no seu comentário sobre esta parashah, oferece-nos uma visão fascinante sobre o modo como o Povo Judaico marca a passagem do tempo.




Cada dia, explica ele, tem um início e uma conclusão natural, definidos claramente pelo completar dos períodos de noite e  dia. O mesmo acontece com o mês lunar, já que o completar de um novo ciclo lunar é a medida que usamos para aferir da passagem de outro mês.

Contudo, como é que um conjunto de ciclos lunares forma um ano? Isto, explica Dom Abarbanel, é ao que a Torá se refere neste verso. 

O mês de Nissan não é o começo natural do nosso calendário mas sim um começo de natureza transcendente. Entrosado na nossa forma de contar o tempo está a constante lembrança do mês do Êxodo.

De facto, na Torá não existem nomes para os diferentes meses. O primeiro mês é o de Nissan, o mês da redempção do Egipto, o segundo mês é o segundo a contar da redempção do Egipto e assim por diante.

O modo como cada mês é referido e contado, serve de lembrança constante do nosso princípio como nação e do cuidado e protecção Divina para connosco.



Este tema é também evidente, diz Dom Abarbanel, nos nomes que que são usados actualmente pelo Povo Judaico. Os nomes, Nissan, Iyar, etc., são nomes que foram introduzidos pelo Povo Judaico durante o exílio na Babilónia. A razão pela qual estes nomes continuam a ser usados, explica ele, é para nos lembrar da redempção também desse exílio. Ainda que tenhamos estado exilados na Babilónia, D-us trouxe-nos de volta a Israel.




Neste sentido, quer o método original da contagem dos meses, quer os nomes que usamos actualmente, são uma recordação constante das redempções do passado e uma nota de esperança ao olharmos em frente no sentido da redempção final com a vinda para breve do Moshiah.


Cortesia do
Rabino Eli Rosenfeld
 chabadportugal.com
Shabat Shalom!



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