sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cartas de Lisboa | Beshalach



Beshalach


Pintura de Myriam  Yugoslavia - Crossing the  Sea


Como separar as águas …

Para entender bem a razão pela qual o mar foi separado, precisamos de perceber antes do mais a razão pela qual o mar foi criado.

Por que razão criou D-us o mar? E já que estamos nesta linha de investigação, porque é que D-us criou o mundo? Qual é o propósito da Criação?

A filosofia hasídica traça o propósito da Criação a uma fonte específica: o desejo Divino de disfrutar de um lar no nosso mundo físico.

Antes da Criação nada existia a não ser D-us. O que D-us queria era criar um lugar onde a Sua presença não fosse trivialmente vista ou reconhecida, e ainda assim, onde Ele pudesse sentir-se confortável e bem-vindo.

O primeiro passo nessa direcção requer uma intensa ofuscação Divina. Se a Sua existência fosse aparente para todos neste nosso mundo, que valor teria o nosso esforço em O buscar e em O ouvir?

Através da Criação D-us escondeu de nós a Sua presença. Depois deu-nos a Torá como instrumento para O encontrar. Através do cumprimento do que D-us espera de nós ou seja, dos Mandamentos que nos permitem que a Luz Divina brilhe através do véu da Criação de modo a ser vista e sentida por todos.

Com isto em mente podemos voltar à cena do êxodo em que os nossos antepassados se encontraram tendo apenas o mar pela frente. Agora, como naquele momento, o desafio é claro. Quando os Egípcios estavam atrás de nós e o mar à nossa frente, o que é que fazemos?



Pintura de Frederick Arthur Bridgman


E aqui é importante recordar o propósito da existência deste mundo. Se a Criação existe para nos permitir buscar a D-us e escolher seguir os Seus desígnios, então claramente que nada na Criação nos pode deter!

Nesse momento quando os Judeus se encontravam face a uma barreira de água que parecia intransponível, eles conseguiram ver através dela directamente para a Sua fonte. Eles não olhavam para a realidade física de uma massa líquida mas sim para o facto de que existe uma outra dimensão da realidade que D-us criou.

A esse nível, e com uma perspectiva Divina, o mar e a terra seca não são realidades fundamentalmente diferentes. Cada uma é apenas um veículo para nos permitir cumprir o desígnio Divino de ser reconhecido neste mundo.

Quando nos ligamos ao poder desta profunda verdade todos os nossos desafios e obstáculos mundanos desaparecem e até mesmo o mar pode ser transformado em terra seca.



*Este Shabat é Yud Shevat, o Décimo dia do mês de Shevat, data do falecimento do anterior Rebe de Lubavitch em 1950, bem como o dia em que o Rebe assumiu a liderança do Chabad. Estas ideias foram discutidas pelo Rebe neste dia em 1974.



Cortesia de
Rabino Eli Rosenfeld


chabadportugal.com
Shabat Shalom!

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