quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Curiosidades Judaicas | Mais a norte na nossa Sefarad!



A lei de Moisés em Trás-os-Montes



Foto de Nick – Trás-os-Montes


Sobre os judeus de Trás os Montes muito se tem dito e até fantasiado, parecendo-me mais correcto dar crédito aos estudos bem documentados e alguma tradição oral que chegou até ao século XX.

É do senso comum que Carção, no conselho de Vimioso, é terra de descendentes judeus. A este pequeno polo de comércio podem juntar-se mais três aldeias transmontanas. Duas no concelho de Vinhais, Moimenta e Rebordelo. E Lebução no concelho de Valpaços. A origem judaica de muitos dos seus habitantes foi descoberta durante a segunda Grande Guerra Mundial, de que já estariam marcadas no mapa para extermínio por Hitler, caso invadisse Portugal. Embora Torre de Moncorvo fosse um centro importante, aquelas três alfeias, tal como Carção, são terras de negócio, quer de comércio tradicional, quer de produtos agrícolas.



2-Edifício onde se irá situar o museu judaico de Carção - Foto de Nick
3- Moimenta, Vinhais - Foto de Raul Coelho



4- Rebordelo - Marco de propriedade com a Estrela de David - Rebordelo, Trás-os-Montes - Foto de Rafael Baptista


Conforme refiro em “Memória de Maria Castanha”, Rebordelo, nas décadas de setenta e oitenta tinha os três maiores e mais temidos “peleiros da castanha” ou armazenistas/ajuntadores. 



5 e 6- Lebução - Edifício identificado como sinagoga clandestina e
marca cruciforme - Foto de Rafael Baptista


A este propósito, o contista moimentano, Jorge Tuela (pseudónimo de Isaque barreira), passou a conto o dito “bem-aventurados são os que não têm contas com os de Moimenta, Rebordelo e Lebução”. Nesta última localidade, na primeira metade do Séc. XX havia um dos maiores negociantes de cavalos de Trás-os-Montes, o Messias, amigo do meu avô materno, Manuel Deimãos. Hoje os estudos e congressos judaicos estão na moda porque respinga a dinheiro nos projectos de rotas das judiarias e das sinagogas.

Ainda bem que assim é, pois vimos dinheiro tão mal empregue, que este pelo menos visa em ensinar-nos quem fomos, para melhor sabermos quem somos, Investir na nossa história e cultura, é dinheiro muito bem aplicado. ZD

Mirandela não pode ficar de fora, havendo alguma tradição de judeus nesta cidade, e mais em Carvalhais e na Torre Dona Chama.



Mirandela - Aguarela de Julio F. Rodrigues


Numa viagem que realizei à cidade de Mirandela no ano de 2010, recebi do posto de turismo local a indicação da possível localização da antiga Judiaria da cidade.
A Judiaria ficaria situada no que é actualmente as Ruas do Toural e do Rosário, incluindo a Travessa do Quebra- Costas. ZD

Eis as fotos das respectivas ruas:





A Judiaria ficaria muito próxima da actual Câmara Municipal de Mirandela 
Fotografias de Carlos Baptista


Mirandela tem uma das sete maravilhas da gastronomia nacional, a alheira, que a nossa tradição cola, de forma não sustentável, a sua criação aos judeus. Haja audácia para na nossa região se produzirem produtos kosher (produtos produzidos segundo o preceito judaico) tais como este popular enchido, o azeite, o queijo e o vinho.


 
As alheiras de Mirandela não são kosher por lhe terem adicionado carne de porco e por serem produzidas também por outras carnes e produtos que não obedecem aos preceitos judaicos. 




O mesmo se aplica aos outros produtos aqui mencionados, a menos que sejam vendidos numa loja da especialidade, ou numa outra com um espaço próprio para os mesmos e todos eles terão que ser identificados com o respectivo selo, ou marca confirmando a sua origem. ZD




Bragança na criação de infra estruturas culturais e artísticas, passa por Mirandela à velocidade de um comboio pendular, enquanto nós não vamos muito além dos movidos a carvão. E assim, Bragança que aplaudimos, já está a construir um “Centro de interpretação Judaico”, com o projecto do arquitecto Souto Moura. Sobre a história dos judeus em Trás-os-Montes temos como grande especialista o moncorvense, António Júlio de Andrade. 

Arquitecto vai projectar espaço que ficará num edifício contíguo ao Centro de Arte Contemporânea Graça de Morais, da sua autoria.



Será este o espaço dedicado à cultura sefardita e ficará junto ao Centro de Arte 
Contemporânea Graça Morais.




Sobre a palavra “marrano”, o Capitão Barros Basto, autor da obra “Resgate” dizia que a sua etimologia está na língua hebraica: “mar” que significa “amargamente” e “anuss” que significa “forçado”. Ou seja, os judeus são um “povo amargamente forçado” a errar pelo mundo, desde que o Templo de Salomão foi arrasado pelos romanos. Na Idade Média sempre que o número de judeus superava a dezena (minyam, ZD) era criada uma comuna ou aljama com uma sinagoga.




Por: Jorge Iage
In:jornal.netbila.net



Fonte do texto:



Todo o texto ou palavras em itálico, assim como as imagens, foram acrescentadas ao artigo original por Ziva David..


Fontes das imagens:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2008124 

Nenhum comentário:

Postar um comentário