quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O nosso riquíssimo património ao abandono!!! :(



SALZEDAS


Freguesia portuguesa com cerca de 770 habitantes pertencente ao concelho de Tarouca e situada na margem direita do rio Varosa, região do Alto Douro.


Distando cerca de 10 km de Tarouca (sede do concelho), a freguesia de Salzedas é formada pelas povoações de Cortegada, Meixedo, Murganheira, Covais de Cima, Salzedas (Vila) e Vila Pouca. Situada na margem direita do rio Varosa tem como principal actividade a agricultura (azeite, vinho, baga de sabugueiro, milho, centeio, batata e árvores de fruto).

A sua origem remonta ao século XII, tendo aí sido construído o Mosteiro cisterciense de Santa Maria de Salzedas, que chegou a ser um dos maiores e mais ricos mosteiros portugueses.



Vista aérea de Salzedas com o mosteiro


Em redor do Mosteiro de Salzedas e da Ponte e Torre da Ucanha, ambos monumentos classificados, emergem a céu aberto os vestígios de uma antiga judiaria (também conhecida como bairro do Quelho).



Mosteiro de Stª Maria de Salzedas


A Judiaria de Salzedas é um conjunto maioritariamente habitacional, com marcas da ruralidade em que foi gerada, evidenciadas por alguns pisos térreos com a função de curro para animais, e onde a parte residencial é limitada aos pisos superiores.




É possível visualizar vestígios de alpendres em madeira, representativos da tradicional irregularidade própria dos materiais mais antigos, bem como pequenos corpos avançados nos pisos superiores. Estes tinham a função de aumentar ligeiramente o espaço interno, à custa de uma sobreposição com o espaço público, também muito reduzido, formado e organizado em apertadas e sinuosas artérias de comunicação.







A maior parte das edificações ao longo da Rua da Senhora do Arco, Rua da Ramalha, Rua do Carvalho e Praça António Pereira de Sousa, estão também dispostas de modo semelhante contribuindo para a homogeneidade do conjunto. 






No interior de um conjunto arquitectónico urbano mais vasto, existem ruínas com inscrições e elementos de simbologia judaica, que podem atestar e testemunhar a presença de Judeus em tempos remotos.




Este conjunto, em vias de classificação, desenvolve-se a partir de curiosos arruamentos e apresenta-se como um dos mais autênticos e importantes exemplares da arquitectura vernacular, de carácter urbano, representando um excelente retrato do que seria uma urbe medieval. De traçado muito irregular é moldado pelas construções que o compõem e permitem a passagens de uns para outros através de invulgares passadiços, integrados nas arquitecturas.






Nas vizinhas do Mosteiro de Salzedas e da magnífica Ponte e Torre da Ucanha, ambos monumentos classificados, emergem a céu aberto os vestígios de uma antiga judiaria. Sobreviveram aos séculos, e, de forma necessariamente críptica, aos 300 anos em que vigorou o Tribunal do Santo Ofício.






Os tempos de hoje porém são-lhe mais do que nunca adversos. Pior do que a estafada falta de verbas, que não falharam quando se tratou de cobrir o país de inúteis e idiotas estádios de futebol usados uma só vez, é a ignorância total de quem (des) governa. 

Estes pólos de riquíssima tradição que seriam a galinha dos ovos de ouro noutras regiões/países mais bem governadas, estão aqui muitas vezes ao desbarato. E contudo, o turismo alimenta-se cada vez mais da cultura e da diferença e necessariamente do bem sem preço que são os documentos em pedra do nosso valioso património.




Fontes:

(Por Caeiro)


Google Earth

(Por Manuela Gonzaga)

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