quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mais uma vila com "Gente da Nação".




FREIXO DE ESPADA-À-CINTA



Vila portuguesa com cerca de 2.100 habitantes, situada na região de Trás-os-Montes.



Supõe-se que a vila seja bastante anterior à fundação do reino de Portugal, pelo menos ao tempo dos árabes ou ainda à época de ocupação romana. É uma terra que se desenvolve desde o início da nacionalidade. Tem foral entre 1155/57 outorgado por D. Afonso Henriques onde se fazia referência ao castelo. D. Sancho II, em 1240, elevou Freixo à categoria de Vila, como recompensa de os seus habitantes se terem defendido heroicamente das invasões do rei de Leão, ao contrário dos de Alva (anterior concelho), que se renderam sem resistência.



No início do século XVI era uma poderosa praça de guerra cercada de muros e dotada de três torres mestras, das quais actualmente só resta uma, de granito, facetada e heptagonal exemplar único na Península Ibérica: a denominada Torre do Galo ou do Relógio. Em 1512 D. Manuel concedeu ao concelho um novo foral.

Fólio do foral manuelino da vila de Freixo de Espada à Cinta, datado de 1512.




O nome da vila é de origem desconhecida, sendo objecto de diversas interpretações. Segundo a lenda, o rei D. Dinis, aquando fundou a povoação, descansou neste local e colocou o seu cinto com a espada no tronco dum freixo, adormecendo à sua sombra. Seja como for, a povoação do Freixo está dominada pela torre que este rei-poeta ordenou construir no século XIV para a defesa do reino.


Freixo de Espada à Cinta albergou uma importante comunidade judaica, reforçada logo a seguir com a chegada dos Judeus expulsos dos reinos de Espanha em 1492, encontrando como primeira porta de entrada a fronteira terrestre isolada de Freixo de Espada à Cinta.



Um possível Aron Kodesh, numa casa de Freixo.



Anos mais tarde, durante o século XVI, o Freixo será a porta de saída para uma parte destes judeus/cristãos-novos para as Índias e as Américas. Assim sendo, encontram-se naturais desta vila entre os navegadores do mar índico e dos missionários da China e do Japão, entre os mercadores ou entre os conquistadores da Nova Espanha e descobridores de minas no Brasil, no México ou Peru.



Brasão de Freixo Espada-à-Cinta



Estes movimentos migratórios de judeus contribuíram para o grande progresso e engrandecimento de Freixo de Espada à Cinta nos séculos XV-XVI.

E será das remessas de capitais desses emigrantes, redes de contactos e investimentos feitos nos descobrimentos Além-Mar que veio o dinheiro para a construção daquelas impressionantes obras públicas e luxuosas moradias de Freixo de Espada à Cinta.


Na cidade velha há cerca de 150 portais ogivais e janelas de estilo manuelino. Para além da decoração típica deste estilo, nas moradias quinhentistas existentes, todas com portadas de granito (material nobre e caro), uma porta larga, em arco, comercial para o piso térreo e outra mais estreita de serventia para o piso habitacional, profusão decorativa..., existe uma quantidade imensa de simbologia judaica, mormente cruciformes.





Com um tecido económico, dominado pela burguesia de raiz judaica, sem descender directamente das grandes famílias aristocráticas, não é de estranhar que não abundem os exemplos heráldicos, que para além dos referentes à vila restam seis exemplares espalhados por edifícios particulares ou religiosos.




Dentre essas moradias da Judiaria de Freixo de Espada-à-Cinta destaca a chamada Casa dos Carrascos, cujo nome procede da família proprietária, com a simbologia heráldica fixada no arco de granito da porta comercial: três ramos daquela árvore, truncados, cada um com quatro galhos, num total de doze, em alusão às doze tribos de Israel. Este feitio decorativo repete-se noutras moradias da vila.



Casa dos Carrascos em Freixo de Espada à Cinta


A janela do segundo andar desta casa está decorada com uma rosácea de seis pontas (como o hexagrama judaico) em meio da data de 1557 e da palavra Zuzarte indicando o nome original da família construtora, elementos simbólicos que indiscutivelmente mostram ter sido casa mandada construir por gente de nação hebraica.



Fontes:
(Por Caeiro)
(Fotos de Vitor Oliveira)

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