segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A Judiaria de Vila Real




VILA REAL


Cidade portuguesa na região de Trás-os-Montes e com cerca de 25.000 habitantes.


Em 1096, o conde D. Henrique atribui foral a Constantim de Panóias, como forma de promover o povoamento da região, desabitada logo depois da invasão árabe. Em 1272, como novo incentivo ao povoamento, D. Afonso III atribuiu o foral para a fundação -sem sucesso- de uma Vila Real de Panoias, fundação que apenas acontece em 1289, por foral do rei D. Dinis. 





A localização privilegiada, no cruzamento das estradas que iam do Porto para Bragança e de Viseu para Chaves, permite um crescimento sustentado. Assim sendo, Vila Real de Panóias, construída entre muralhas, inicia uma expansão progressiva para nordeste e norte do seu núcleo urbano fora das mesmas logo que se verifica haver condições de segurança para o fazer.

Esta expansão terá lugar ainda durante o séc. XIV, altura em que a comunidade judaica vê finalmente criada a sua Judiaria por carta de julho de 1392.



A Judiaria de Vila Real


A Judiaria de Vila Real situava-se no Arrabalde, não muito longe do arruamento mais tarde conhecido por Praça Velha (onde se estabeleceu a primeira praça fora de muralhas), com as Portas da Vila a norte e limitada a uma única rua: a Rua da Judiaria (hoje Rua Nova).



Rua Nova de Vila Real


A comunidade judaica de Vila Real participou activamente no comércio local, quer com estabelecimentos permanentes, em que dominam as actividades de alfaiate, sapateiro, ourives e gibiteiro, quer como almocreves e algibebes e, sobretudo, como frequentadores da feira de Vila Real com importante repercussão na fazenda real, já que a sua presença correspondia a 3000 réis anuais.



Rua Nova ou Rua da Judiaria de Vila Real


Existem muitos documentos dos séculos XV e XVI que testemunham a sua presença hebraica, entre os quais, um aprazamento de 1480 relativamente a uma cavalariça por trás da Judiaria, "na Viella que vay pera o Peno do Agurinho", que certamente será o poço [pego] ou a fraga [pena] do Agueirinho; ou, num outro prazo de 1456, uma referência ao “Jazigo velho dos judeus”.

Como no caso de Lamego e outras povoações portuguesas, a Judiaria vila-realense estendia-se até ao Rossio, ou melhor, a Judiaria promoveu o aparecimento de um novo Rossio (actual Largo de O Vilarealense, Rua Heitor Correia de Matos e parte das ruas adjacentes), o segundo arruamento com este nome em Vila Real. O primeiro, também no Arrabalde, é agora chamado do Tabolado.



Actual Largo de O Vilarealense


Após a expulsão dos Judeus, em 1496, aqueles que ficaram e os que se deslocaram (cristãos-novos) fixaram a sua actividade na Rua Direita (a segunda deste nome), cuja designação mais antiga é a de Rua dos Mercadores. O antigo Largo do Rossio era muito mais amplo do que o actual, abrangendo às actuais Rua Heitor Correia de Matos, Largo de O Vilarealense e parte das ruas adjacentes, sendo primitivamente conhecido por Rua Escura.




 Fontes:


(Por Caeiro)

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