sábado, 15 de fevereiro de 2014

Em busca dos nossos antepassados, e hoje vamos até:




Barcelos


Cidade portuguesa da região do Minho com cerca de 20.600 habitantes.


Cidade portuguesa no Distrito de Braga, região do Norte e sub-região do Cávado. O município é limitado a norte pelos municípios de Viana do Castelo e Ponte de Lima, a leste por Vila Verde e por Braga, a sueste por Vila Nova de Famalicão, a sudoeste pela Póvoa de Varzim e a oeste por Esposende.



Ponte do Rio Cávado


Em 1177 Barcelos recebeu pelas mãos de D. Afonso Henriques a carta foral e em 1227 a cidade começava a chamar mais população.


A existência de um bairro exclusivo para Judeus em Barcelos aparece documentada em 1369 e estaria situado nas proximidades do Hospital, no eixo que ligava o Lugar da Cruz à Praça da Vila.

Possuía uma sinagoga e portões em cada extremidade. O edifício da Sinagoga situava-se no lado poente, num local actualmente ocupado pelo edifício da Câmara Municipal. Num dos arrabaldes da povoação estava o cemitério judaico, cujo local já não se consegue identificar.



Câmara Municipal de Barcelos


A Judiaria de Barcelos ficava na Rua Nova, que passou a chamar-se Rua dos Lanterneiros e atualmente é a Rua do Infante D. Henrique.



Localização da judiaria barcelense


Aquando da Conversão a comunidade era pequena. Dois de seus membros eram vistos como Rabinos: Mestre Thomáz da Victória e Isaac Cohen, ambos casados e com grande descendência. Os outros eram Francisco Netto e a esposa Velida Ruiva, Micol e Junca Montezinho, Velida e Isaac Rua, Rica e Mosén Montezinho, os castelhanos Benvinda e Junca Bencatel; Salomão Pés e sua esposa Mazaltov (filha do Rabino Cohen) e o casal Orovida e Santo Fidalgo – personagens deste ensaio genealógico. A estes judeus se integravam um grupo de cristãos-novos, como a família dos “Piolhos do Rabo”, vinda de Guimarães; dos “Salta em pé”, os “Cains” e as irmãs tripeiras de Vitória Braga.
A impressão é que os descendentes destes troncos judaicos se tinham integrado no projeto da nacionalidade e religião única. Mesmo percebendo a hostilidade local, basta destacar alguns apelidos dados ao membro da comunidade para sentir este desprezo. Junte-se aos apelidos já citados, mais o “Capado” (Henrique Gonçalves, filho de Salomão Pés e neto do Rabino Cohen), os “Pintadiabos” (família de João Pires Nunes), dentre outros.


Porém sessenta anos depois desta Conversão forçada e observado o prazo da tolerância para a inserção, a Inquisição prendeu 23 cristãos-novos de Barcelos. Pelos depoimentos é possível constatar que ainda restavam traços do Judaísmo nestas pessoas.
Quase todos ainda, “guordava ho sábado milhor q. pudia”, “assendia as suas candeias” e vestiam, “camisas lavadas”.

Lembravam-se do Yom Kippur (Dia do Perdão), “não comendo senão hua vez a noute”. Jejuavam várias vezes, o jejum da Rainha Esther e, “o da destruição do tempollo de Jerusalém” (o 9 de Av). Observavam o Pessach (Páscoa). Guiomar Fernandes casherizava (fazia a comida de acordo com as leis alimentares judaicas), “desnervava a carne”.
Todos acreditavam que “não era vyndo o mexias”Maria Zores acrescentava que “avia de vir ate ho anno de sessenta”.


SHEMTOV ben ABRAHAM, de BARCELOS,

avô de Joaquim (Nabuco), de Sérgio, de Francisco (Buarque de Hollanda)....



Este Título (termo usado em genealogia para designar o estudo de um ramo familiar) e é dedicado aos descendentes brasileiros de um modesto judeu da cidade portuguesa de Barcelos, que se converteu ao catolicismo em 1497, continuou em Portugal e deixou grande descendência que se estendeu ao Brasil. É uma linhagem católica, mas onde podem ser identificados os seus primos que continuaram judeus noutras terras mais tolerantes.




Fontes:

GoogleMaps

Um comentário:

  1. Ziva,passei por estes lugares,lindos! amei conhecer mais sobre a história que permeou a vida judaica.

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