sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cartas de Lisboa | Vayeira




O “Amarrar de Isaque” a Akeidat Yitzchak, é uma história repleta de emoção e intriga, em que Abraão encontra o teste mais difícil a que terá de fazer face.


"Por favor, leva o teu filho, … trá-lo … como uma oferenda …" (Bereishit 22:2)




As instruções que D-us dá a Abraão são claras, Abrão deverá oferecer o seu filho Isaque como um Corban, isso é como um sacrifício a D-us. O que se segue é a longa sequência de eventos que se sucedem à medida que Abraão tenta cumprir estas directivas.


“ O Teste à fé de Abraão”

Quando Abraão se apronta para cumprir estas instruções, uma voz dos Céus interrompe-o dizendo-lhe para parar. 

“Não lhe faças nada já que Eu agora sei que tu és temente a D-us …” 
(22:12-13)

Abraham Sacrificing Isaac by Laurent de La Hyre, 1650


Depois de ter dado provas da sua inquestionável devoção, a Abraão é-lhe dito que garanta que nada de mal aconteça a Isaque.

O que a seguir acontece é contudo intrigante. O verso continua, "O anjo de D-us chamou Abraão uma segunda vez” (22:15). Desta vez para elogiar Abraão pela sua dedicação e para reiterar a constante bênção Divina que uma grande nação emerja de entre os seus descendentes.

O Tzror Hamor coloca a questão da necessidade de uma segunda intervenção. Porque é que Abraão precisa que lhe falem duas vezes? Não foi a primeira vez suficiente? E se ainda faltava passar mais alguma informação não teria sido possível faze-lo tudo da primeira vez?

O Tzror Hamor explica que a repetição da mensagem era necessária para apaziguar o conflito interno que assolava Abraão.

Por um lado, as ordens iniciais de D-us foram claras e concisas, mas a ordem para parar foi igualmente clara. Abraão estava preocupado com a possibilidade de que o seu cumprimento da segunda ordem fosse fruto dos seus sentimentos pessoais. Se calhar ele estava a privilegiar o segundo grupo de instruções, uma vez que estas levavam à conclusão que qualquer pai desejaria.

Assim diz o Tzror Hamor, uma segunda intervenção foi necessária para garantir a Abraão que o ele seguir as instruções que depois lhe foram dadas, não era o resultado de uma autojustificação fruto da sua própria agenda. Em vez disso, era a sequência do verdadeiro desejo Divino de que Isaque se tornasse o pai do Povo Judaico.


Cortesia de:
Rabino Eli Rosenfeld


chabadportugal.com

Shabat Shalom!

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