sexta-feira, 21 de março de 2014

Cartas de Lisboa | Shemini


Shemini


Muitas das leis de kashrut são-nos ensinadas na parsha de Shemini.


Um animal kasher é definido como tendo "um casco rachado que é completamente dividido em dois cascos", e ao mesmo tempo que “regurgita a sua ruminação” (Vayikra 11:3)


Exemplo: Vaca, Cabra e Ovelha


Do mesmo modo, peixe kasher é reconhecível por duas marcas de identificação, já que a Torá nos diz que todos os peixes kasher têm “guelras e escamas". (Vayikra 11:12)


No que toca a aves, contudo, a coisa é mais complicada. Em vez de nos dar os indicadores do kashrut das aves, a Torá dá-nos uma lista. "De entre as aves, considerem os seguintes … que não poderão ser comidos." (Vayikra 11:13)

A Torá continua listando todos as aves que não são kasher deixando as restantes, aquelas que não estavam na lista, como sendo kasher.

Dom Abarbanel questiona esta abordagem. "Porque é que a Torá não nos dá as marcas de kashrut para as aves como faz para os peixes e animais?”

De facto, Dom Abarbanel cita o Talmude (Chulin 59a) onde se descrevem certas características das aves kasher. Não são aves de rapina diz o Talmude, e as aves kasher têm uma parte do seu sistema digestivo a moela com uma fina camada superficial que pode ser retirada e tem um dedo do pé extra.



Se este é o caso, porque é que a Torá decide não menciona estes sinais e nos deixa simplesmente usar uma lista?


Dom Abarbanel reconhece que talvez a Torá quisesse apenas usar marcas que fossem obviamente visíveis em contraste com as aves kasher que requerem análise de comportamento e diferenças internas.

O Rebbe Lubavitcher oferece uma abordagem diferente em relação à necessidade de usar uma lista e das razões porque a Torá identifica as aves kasher deste modo.

Ao contrário de marcas óbvias que podem ser sempre identificadas, uma lista requer que a tradição desta informação seja passada de geração em geração.

Para se saber quais são as aves kasher e as que não são kasher é necessário aprender e ensinar esta lista. Na realidade, diferentes comunidades em pontos diferentes do mundo, têm listas de aves que são diferentes dependendo das suas tradições.

Ainda que independentemente, o conhecimento e o estudo sejam vitais, a continuidade do Judaísmo depende também da transmissão da tradição oral de uma geração para a outra.


Ao  nos dar a lista, a Torá recorda-nos a importância da tradição e da ligação de tudo o que fazemos para a manter, tal como fizeram os nossos líderes e mestres de todos os tempos; de geração em geração.


Shabat Shalom!

Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld


chabadportugal.com




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