sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Cartas de Lisboa | Veiará




Vaeira


Dez

As Dez Pragas que atingiram o Faraó e os egípcios durante o Êxodo são bem conhecidas. Quando o Faraó recusou o pedido de deixar o Povo Judaico sair do Egipto, ele e o seu povo foram punidos severamente.

Muitos comentadores explicam os detalhes do mecanismo de cada praga como a consequência directa de actos de brutalidade cometidos pelos egípcios. O Rabi Abraão Sabá, no seu comentário no Tzor Hamor, concentra-se no significado do número dez.

Porque especificamente este número? O que tem este número dez que o torna tão central neste episódio?



O Faraó explica, que não se limitou a desencadear a guerra contra uma minoria de entre os seus cidadãos. A sua intenção mais profunda era a de negar o papel de D-us na criação. Nisto, de acordo com este comentário, se revela a importância do número dez.




No livro de Gênesis, pode ler-se que D-us criou o mundo através das suas "Dez Afirmações". Por exemplo, "que haja luz" não se trata de meramente uma descrição do que a seguir ocorreria, mas sim o próprio acto de criação a ser efectivada através das palavras Divinas.

Ao negar estas "Dez Afirmações", o Faraó visava eliminar D-us da criação e por consequência o seu envolvimento neste nosso mundo.

Neste contexto, as Dez Pragas tornam-se não apenas um veículo de punição pelos horrendos actos que foram praticados, mas também a reafirmação da existência de D-us. As leis básicas da natureza que se afiguravam supremas para o Faraó foram sistematicamente subalternizadas.




Se o Faraó representa a negação de D-us e as Suas Dez Afirmações, o Povo Judaico, representa o oposto. 




De facto, o Zohar diz-nos que os Dez Mandamentos que D-us nos encarregou de cumprir tem exactamente esse papel, e nos dão exactamente o enquadramento para afirmar o Divino.


O Rebbe de Lubavitch explica que ainda que as Dez Afirmações de D-us, sejam uma expressão clara do constante envolvimento de D-us neste mundo, por vezes o seu papel torna-se difícil de discernir.

Por esta razão, D-us deu-nos os Dez Mandamentos, para que nós nos lembremos de forma constante da existência e do papel de D-us, encorajando-nos ao mesmo tempo a fazer a nossa parte no aperfeiçoar deste mundo até que se torne um espelho claro desta verdade.


Com a cortesia do
Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

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