terça-feira, 24 de dezembro de 2013

E porque já não falta muito...



TU BISHVAT

O ROSH HASHANAH DAS ÁRVORES


“Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, metendo nele o machado, porque dele comerás, pelo que não o cortarás…” (Deuteronómio 20:19).


     A Torah ensina-nos a proteger as árvores, especialmente as frutíferas, já que providenciam alimento. No entanto, em tempos de emergência é permitido o abate de árvores não frutíferas - “Somente a árvore que souberes que não é árvore que dá frutos que se comam, essa poderás destruir e cortar, e construirás baluarte contra a cidade que fizer luta contra ti até à sua rendição” (Deuteronómio 20:20)



Cheder Feminina (Escola Elementar Judaica), Laskarzew w Lubelskiem, 1920


   No Judaísmo a árvore que dá fruto é comparada ao homem frutífero, ou seja, àquele que não vive só para si, mas produz e providencia alimento para o próximo. O melhor exemplo é o professor que tem a responsabilidade de ser uma árvore frutífera, de produzir frutos doces, saudáveis, e, principalmente, que contenham a semente que levará por diante esta cadeia de conhecimento e de conduta. 




    Tu Bishvat (o décimo quinto dia do mês de Shevat do calendário hebraico) marca o início do novo ano agrícola em Israel, quando “A estação das chuvas já passou” (Talmude da Babilónia, Rosh Hashanah, 14 a) e os frutos das árvores amadureceram, prontos a serem colhidos.

     O 15 de Shevat é mencionado pela primeira vez na Mishnah, como o dia para o pagamento anual do imposto (dízimo) sobre as árvores de fruto. O imposto era chamado bikkurim, que significa “primeiros frutos”. Desde então, o 15 de Shvat é mencionado várias vezes nos Talmudes da Babilónia e de Jerusalém, não como uma festividade, mas como um dia regular de cobrança de impostos. 



Cortejo de Tito com os despojos de Jerusalém, Arco de Tito, Roma


   Após a destruição do Segundo Templo em 70 da EC pelos Romanos, quando a esmagadora maioria dos Judeus foi obrigada a partir para a Diáspora, o 15 de Shevat passou a lembrar Eretz Israel, com nostalgia e saudade. A tradição de comer frutos de Israel começou então, ainda nos inícios da Idade Média. 



O Cabalista, 1933, Moshe Castel


    Nos finais do século XVI, os cabalistas de Safed criaram uma cerimónia especial – “Tikkun” - para a véspera de Tu Bishvat; utilizando o seu modelo de Haggadah de Pessach, compilaram uma colecção de textos (passagens bíblicas, citações do Talmude, Midrashim), que louvam a terra de Israel e os seus frutos. Assim, o tempo de saudade de Israel transformou-se num tempo de aprendizagem sobre a Terra Prometida e os seus frutos. 



Pioneiros de Vilna, em Rohovot, 1925


    No século XIX os pioneiros sionistas que começaram a fixar-se na Palestina (ainda sob domínio otomano), encontraram uma terra arruinada, desertificada e praticamente estéril. Trabalhar a terra tornou-se um ideal. Deram então início a uma plantação maciça de árvores, com vista a vencer a desertificação. Mas a ligação oficial entre Tu Bishvat e a plantação de árvores, foi escrita pela primeira vez no manifesto de uma conferência de professores, que teve lugar em Zichron Yaakov, no ano de 1908, com a colaboração do Fundo Nacional Judaico (Keren Kayemet LeYisrael). 



Ben Gurion, Primeiro Ministro de Israel, em Tu Bishvat, no ano de 1949


   Em Tu Bishvat de 5709 (14 de Fevereiro de 1949), o Knesset reuniu pela primeira vez em Jerusalém. Desde então festeja o aniversário no Dia do Ano Novo da Árvore, e os seus membros participam em cerimónias de plantação de árvores por todo o país. 



Abertura das cerimónias de Tu Bishvat em Beersheva, Janeiro de 2013


   Actualmente, Tu Bishvat é um dos feriados mais populares em Israel. Na fotografia acima podemos observar alunos de várias escolas da região de Beersheva (“a capital do Negueve”) na abertura das celebrações do Ano Novo da Árvore, cantando “Hatikvah”, o Hino Nacional de Israel, numa iniciativa do Fundo Nacional Judaico - Keren Kayemet LeYisrael (KKL/JNF). 



Plantando árvores em Tu Bishvat, Comunidade Abayudaya, Uganda


   Na diáspora Tu Bishvat também é celebrado com entusiasmo e dedicação. Através desta simples cerimónia, os judeus em todo o mundo põem em práticas as lições da Torah, fortalecem laços de afecto com Israel, e fazem do nosso planeta um lugar melhor para viver.

      Terminamos este artigo com um pequeno vídeo sobre a criação de floretas no Deserto do Negueve – “Growing Forests in the Desert”. 



Com os agradecimentos à nossa
Sónia Craveiro,
Que nos presenteia com mais uma das suas obras.

Muito obrigada,
 
Bjs



Fontes:

TORÁ, A Lei de Moisés, editora & livraria Sêfer, São Paulo, Brasil

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