terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sionismo - Parte I



Fundador do Sionismo Moderno 
 
Theodor Herzl (18601904)
“Pai do Sionismo”  
 
 
 
O uso do termo “Sionismo” surgiu durante um debate em público realizado na cidade de Viena, na noite de 23 de Janeiro de 1892, cunhado por Nathan Birnbaum, um escritor judeu local que fundara em 1885 a revista “Selbstemanzipation!”  (Autodeterminação!).
 
No entanto, o assim chamado “Pai do Sionismo” foi o jornalista e escritor austríaco Theodor Herzl, autor do livro “Der Judenstaat” (O Estado Judeu).
  
O Sionismo é um movimento político e filosófico que defende o direito à auto determinação do povo judeu e à existência de um Estado judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel (Eretz Israel).
 
O Sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe-se à erradicação da Diáspora Judaica com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.
 



O termo “Sionismo” é derivado da palavra “Sion” (em hebraico: ציון), que em hebraico quer dizer elevado. Originalmente, Sião ou Sion era o nome de uma das colinas que cercam a Cidade Santa, onde existiu uma fortaleza de mesmo nome. Durante o reinado de David, “Sião” se tornou um sinónimo de Jerusalém ou da Terra de Israel. Em inúmeras passagens bíblicas, o povo israelita é chamado de “filhos (ou filhas) de Sião”.
 
 
No Livro de Isaias, o nome de Sião figura diversas vezes como equivalente para todo aquele que crê no Deus de Israel:
 
 

 
Trechos do livro de Isaías oriundo dos manuscritos do Mar Morto


“Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa”. (Isaias, 62-1).
 
O chamado “Sionismo Moderno” se articulou e se desenvolveu especialmente a partir da segunda metade do século XIX, em especial entre os judeus da Europa Central e do Leste Europeu, que viviam sob a pressão das perseguições e massacres sistemáticos provocados pelo antissemitismo crônico destas regiões.
 
O século XIX foi uma época de irrupções nacionalistas em todo mundo. Gregos, italianos, polacos, alemães e sul-americanos, entre outras nações, estabeleceram seus movimentos nacionais em busca de singularidade política, étnica e cultural. Seguindo estes modelos, o Sionismo foi o mais recente dos processos de renascença nacional a despertar na Europa.
 
O Sionismo também pode ser considerado como uma reação ao crescente assimilacionismo provocado pela integração dos judeus da Europa Central aos povos e comunidades onde se encontravam estabelecidos, solapando (segundo os críticos) as bases culturais e religiosas fundamentais do Judaísmo tradicional.


 Precedentes do Sionismo
 
São considerados precedentes do Sionismo (ou “Protossionistas”) alguns pensadores e religiosos judeus que expressaram em obras escritas o desejo ancestral do povo judeu em retornar às suas raízes históricas através da volta para sua terra de origem. Por outro lado, o nacionalismo judaico é decorrência direta dos diversos movimentos nacionalistas que surgiram no Ocidente a partir do Iluminismo e das revoluções Francesa e Americana.
Os primeiros protossionistas foram membros do clero judaico, como os rabinos Judá Alkalai; Naftali Berlin (o “HaNatziv”); Tzvi Kalisher; Samuel Mohiliver e Isaac Jacob Reines.
 

 
Nas fotos, à esquerda o rabino Judá Alkailai e à direita o rabino Naftali Berlin.
 

Nas fotos acima temos: à esquerda o rabino Tzvi Kalisher, no centro o rabino Samuel Mohiliver e à direita o rabino Isaac Jacob Reines.
 
Pela narrativa religiosa e tradicional, o Sionismo surgiria logo após a Queda do Segundo Templo e a consequente expulsão da maioria dos judeus dos territórios do antigo Reino de Israel, entre os anos 66 e 135 d.C. A oração “no ano que vem, em Jerusalém”, recitada todo os anos durante o Pessach, expressa esta vontade, transmitida através das gerações, de retorno à Terra de Israel como condição precípua para a vinda do Messias e do estabelecimento de uma nova ordem, onde as esferas sagrada e terrena passariam a conviver em um único plano.
A “Nostalgia de Sião” se manifestou claramente nos discursos de diversos místicos judeus surgidos ao longo dos séculos de duração da Diáspora, desde David Alroy (“falso messias”), no século XII, até Sabbatai Zevi, no século XVII, passando pelos poemas de Yehudah Halevi e por uma infinidade de místicos.
 

David Alroy (foto não encontrada),assim a foto da esquerda é a de Sabbatai Zevi e na foto da direita o poeta, Yehudah Halevi.
 
 
No século XIX, o britânico George Eliot publica o romance “Daniel Deronda” (1876), que descreve a vida de um homem que se dedica à busca da criação de um centro nacional para os judeus. Mas seriam Leon Pinsker, médico polaco e Moses Hess, escritor alemão, aqueles que mais se celebrizariam como os precursores do Sionismo naquele século.
 
 
Na foto da esquerda temos o médico polaco, Leon Pinsker e na foto da direita o escritor alemão, Moses Hess.

Fontes:


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