segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O desenvolvimento intelectual através da leitura.



A Alegada Maior Agilidade Intelectual dos Judeus em Relação aos Cristãos.


Sefer Torá


Não existe provavelmente nenhuma crença religiosa que não afirme a sua superioridade. O judaísmo não é diferente neste aspeto. Os seus crentes sempre se assumiram de alguma forma como superiores, porque transportam consigo o fardo de serem supostamente descendentes de um grupo de eleitos, escolhidos por Deus. Se isto pode aumentar a auto estima dos crentes, não os torna intelectualmente mais ágeis.
 
A partir do século XIX, nomeadamente em Portugal e Espanha, muitos historiadores têm atribuído ao judaísmo uma maior capacidade de estimular as capacidades intelectuais dos seus crentes. Em abono desta tese apontam uma série notável de escritores, cientistas, comerciantes e banqueiros judeus.
 
É um facto que ao contrário dos católicos, os judeus sempre foram estimulados a lerem e a interpretarem os textos sagrados, o que estimulou o desenvolvimento das suas competências intelectuais. A Igreja Católica, e em especial a Igreja portuguesa, sempre foi avessa à difusão da cultura letrada e ao estudo dos textos sagrados pela população. Ao crente pouco mais se pedia do que obedecesse aos padres, e seguisse o que estes lhe diziam. Os próprios padres católicos nunca primaram pela sua cultura ou conhecimento da religião. A maioria desconhece a Bíblia e os grandes pensadores da Igreja Católica.
 
A prova da importância que teve os estudos bíblicos, para a difusão da literacia, está nos países protestantes. Como é sabido, o estudo dos textos sagrados, promovido depois do século XVI pelos cristãos evangélicos (protestantes), acabou por produzir uma verdadeira revolução nas regiões onde se implantaram. O aumento da literacia acabou por estimular o desenvolvimento económico destas regiões, que facilmente suplantaram aquelas onde os católicos predominavam.
 
 
Existe um outro fator a considerar. O judaísmo na Europa foi sempre uma religião minoritária, sendo os judeus sujeitos a duras condições de existência. Ao longo dos séculos os seus crentes foram confrontados com críticas que colocavam em causa os fundamentos da sua religião, obrigando-os de certa forma a desenvolverem o espírito crítico e argumentativo. O facto de se dedicaram a atividades económicas que proporcionava grande mobilidade terá ajudado a reforçar estes estímulos intelectuais.
 

Sefer Torá
Pintor:

 Michel D'Anastasio



Fontes:

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