sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cartas de Lisboa | Shabat




Yitro


" Yitro" | Pintura de Silvia Rubinson



Na parsha desta semana iremos ler os Dez Mandamentos. Incluido nesta famosa lista está o Mandamento número quarto, o qual nos implora que nos lembremos do Shabat.

No Kiddush que recitamos cada sexta-feira á noite para inaugurar o Shabat, definimos do que é que estamos exatamente a recordar:


1) A Criação por D-us de todo o mundo em seis dias.


"O Jardim do Éden" |  Pintura de  Erastus Salisbury Field



2) A liberdade que nos foi dada através do Êxodo do Egito.


“Exodo”  | Pintura de Ernest Descals



Dom Abarbanel, no seu comentário, questiona esta premissa:

Não seria mais apropriado para lembrar os dias da Criação constantemente contar e marcar esses mesmos dias, ou seja, de domingo a sexta-feira?

Como é que o Shabat, o único dia em que D-us não criou, é o que nos faz lembrar da Criação?


Explica Dom Abarbanel, que o descanso de D-us no Shabat não foi uma pausa no seu envolvimento neste mundo, mas sim uma mudança no modo do seu envolvimento criativo.

Enquanto nos seis primeiros dias foi necessário criar de novo, (ou seja "algo do nada") a partir do Shabat a energia criativa de D-us começou a assumir uma nova forma. Não mais focada na criação de entidades que anteriormente não existiam, mas sim na canalização continuada da sua energia para os seres recém-criados.

Na realidade o Shabat não é o primeiro dia em que D-us não criou, mas sim realmente o primeiro dia deste "estilo" da criação, que é o que continua até hoje. Envolvimento recorrente constante de D-us na criação e sustentação do nosso mundo.



“Comemorando o Shabat” | Pintura de Steve Karro



Com isto em mente, Dom Abarbanel explica a nossa forma de descanso, a nossa observância do Shabat. Assim como D-us não deixou de criar no Shabat, apenas mudando a sua forma de criação, a nossa observância do Shabat deve ser semelhante.

Shabbat lembra-nos o Êxodo, pelo fato de que nós somos agora pessoas livres, com a opção de parar de trabalhar quando assim o decidirmos.

No entanto, diz Dom Abravanel, que este é apenas o primeiro passo. Enquanto é certo que o Shabat nos proporciona um dia de repouso do nosso trabalho regular, é o passo seguinte que é o coração e a alma do Shabat.



“Amidá” | Pintura de David Kessel


É uma oportunidade semanal para mudar o trabalho e o enfoque da nossa vida, um dia em que nos é proporcionado descansar de todas as coisas que nós normalmente chamamos de trabalho, e trabalhar tão duro quanto pudermos no nosso estudo e na nossa dedicação à nossa Torá.



“Shabat” | Pintura de Lili Fijalkowska


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld


chabadportugal.com




Fonte das imagens:
http://womenofthebook.org/artists/silvia-rubinson/
http://fecomciencia.com.br/documentario-em-video-raizes-da-religiao/

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