sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Cartas de Lisboa | Ki Tetsê




A Parashat desta semana conclui com o mandamento de lembrar Amalek. “Lembrar-se-ão do que Amalek vos fez no caminho quando vocês saíram do Egipto.” (Devarim 25:17)



Este perene inimigo do Povo Judaico, num ataque sem provocação, surpreendeu e lançou-se sobre os vulneráveis e fracos membros do povo quando estes deixavam o Egipto. A secção sobre Amalek constitui a parte final da nossa Parashat. Os versos que imediatamente a antecedem falam de algo completamente diferente, a honestidade nos nossos negócios.




Quando se compram ou vendes bens, as unidades transaccionadas são divididas de acordo com o seu peso. Um negociante desonesto poderia criar duas medidas de peso, uma maior para comprar e uma mais pequena para vender, beneficiando assim ao ficar com a margem entre as duas.


Assim o verso diz “Não terão em vosso poder duas medidas de peso diferentes, uma grande e uma pequena.” (Devarim 25:13). É assim proibido possuir pesos que estejam marcados do mesmo modo, ainda que de facto sejam diferentes.

Numa constatação intrigante, o Midrash diz-nos que não ser cuidadoso com este mandamento e ter duas medidas diferentes abre a porta e cria uma oportunidade para Amalek nos atacar.

Como assim? Porque é que ter duas medidas diferentes é considerado algo tão grave que traga consequências tão severas como a invasão por Amalek?




O Grande Rabi de Lubavitch explica este Midrash e ilustra o modo como estas duas ideias estão relacionadas espiritualmente.


Amalek representa a antítese de tudo o que é espiritual e sagrado. Em vez de inspiração e crença Amalek atira água fria sobre o nosso entusiasmo e tenta constantemente semear a dúvida entre nós. Como é que este objectivo é atingido?

O começo da intrusão de Amalek, diz o Rebe, é o “ter duas medidas”. Não estar satisfeito na nossa busca de bens materiais e ao mesmo tempo saciar as nossas necessidades espirituais com um pequeno olhar na sua direcção. É isto que se chama Amalek. 

Para nos imunizarmos contra Amalek, precisamos de garantir que temos apenas uma medida. Isto é fundamental em matérias de educação, por exemplo. O mesmo interesse e atenção que dedicamos a programas de enriquecimento extra curricular em matérias não religiosas precisam de ser dedicadas à educação Judaica dos nossos filhos. 

Pintura de Alex Levin

Quando agimos deste modo e temos apenas “uma medida” mostrando o mesmo empenho em matérias espirituais e em particular em questões de educação Judaica, temos a garantia que não existe espaço para Amalek, e garantimos um forte, seguro, e saudável futuro Judaico.


Por: Rabino Eli Rosenfeld

Shabat Shalom!

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