quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Curiosidades Judaicas | Chaves



A Cidade de Chaves

Cidade portuguesa da região de Trás-os-Montes erguida no vale do rio Tâmega.


À época da invasão romana da península Ibérica, os romanos construíram fortificações, aproveitando alguns dos castros existentes pela periferia. Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de município no ano 79 d.e.c., advindo daqui a antiga designação “Aquæ Flaviæ” da atual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico de flaviense.



Ponte Romana de Chaves | Ponte de Trajano -  P/ S Pimenta
Ponte Romana de Chaves (Séc. I - II) também designada, Ponte de Trajano, foi construída entre fins do século I e o início do século II d.C. A par do desenvolvimento das termas, constitui um dos melhores legados romanos da antiga Aquae Flaviae, que prevalece até aos nossos dias, resistindo a históricas cheias, e às fortes correntes do rio Tâmega.


A partir do século III a chegada de Suevos, Visigodos e Alanos deu cabo da colonização romana. O domínio bárbaro durou até que os mouros, oriundos do Norte de África, invadiram a região no início do século VIII.






Com os árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado pelo cristianismo, o que causou uma azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas a noroeste, com inevitáveis destruições. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI. A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Galiza e Leão que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quarto do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Galiza e Leão, a resgatou, mandou reconstruir, povoar e cercar novamente de muralhas.



Foto no texto: Guarita do Castelo de Chaves e esta, o Castelo


Já aqui prosperava uma importante Judiaria, cuja Sinagoga se situava num edifício entre a Travessa da Rua Direita, e a Rua 25 de Abril, onde se lê em antiga inscrição na soleira da porta o nome "Salomon". O edifício existe, de grande portal encoberto e em degradação (aqui chamado "casa de rebuçados da espanhola"), em lugar cimeiro do típico casario das "muralhas novas". Porém, a judiaria de Chaves ainda não foi definitivamente localizada.



Travessa da Rua Direita - Chaves



Edifício da Rua 25 de Abril (não consegui confirmação em relação ao mesmo)


Em 1434 a comunidade de Chaves recebeu uma carta de privilégios e pagava à coroa uma taxa de 31.000 reis.

Depois da expulsão dos Judeus de Portugal existiu uma importante comunidade "Marrana" em Chaves.

Quando os Marranos de Portugal retomaram o contato com o judaísmo no século XX, alguns cripto-judeus de Chaves regressaram ao judaísmo. Em 1930 estabeleceu-se um comité de "Novos Judeus" comandado pelo antigo marrano Augusto Nunes. Porém, com o estabelecimento da ditadura em 1932 a atividade judaica entre os marranos locais esmoreceu.





Em 25 de julho de 2013 foi apresentado mais um número da revista "Aqua Flaviae" subordinado à temática "A presença cristã-nova em Chaves no período filipino (1580-1640) " autoria de Jorge José Alves Ferreira. Este trabalho fornece uma valiosa informação sobre a presença da comunidade judaica em Chaves, retirando-a da penumbra para a tornar atrativa na sua Judiaria da zona histórica onde estaria localizada. Mais concretamente a investigação diz respeito a um conjunto de conhecimentos sobre a comunidade judaica de Chaves relativamente à localização geográfica, ao Tribunal do Santo Ofício, à vivência quotidiana dos cristãos-novos, com destaque para práticas religiosas, teias relacionais, família ou mundo do trabalho.




Recentemente a câmara municipal de Chaves estabeleceu um protocolo com entidades israelitas para a fundação dum Centro de Estudos Judaicos.

Em Monforte de Rio Livre, antiga vila localizada na atual freguesia de Águas Frias do município de Chaves e que foi sede de concelho até 1853, existem vestígios de presença judaica.



Fontes:
Por Caeiro

Google Maps

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