sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cartas de Lisboa | Ki-Tavo


Parsha Ki-Tavo


"Um coração para reconhecer, olhos para ver, e ouvidos para ouvir." (Devarim 29: 3)




Em 1492, o Rabino Isaque Abohav chegou ao Porto, com muitos judeus que tinham sido expulsos de Espanha.

Num sermão poderoso sobre o versículo acima, o Rabino Abohav oferece uma visão fascinante sobre a perspectiva judaica do corpo e sua finalidade.



Num ser humano saudável, ver e ouvir são naturais e constantes. Raramente se dá atenção especial a estas capacidades. Não é normal perguntar por que vemos ou por que ouvimos. O mesmo pode ser dito sobre o bater do coração.





No entanto, como com a simples navegação, a única maneira de chegar a um destino, é ter um destino para começar. Não é possível fazer coisas e ser bem-sucedido sem termos metas ou direcções.


- Qual é o objectivo do ser humano,  qual é o nosso objectivo?


A resposta, diz o Rabino Abohav, é através de uma melhor compreensão de quem somos.
Na história da criação, o ser humano é criado em dois actos. O corpo formado a partir da terra e uma lufada Divina que nele entra - homem, corpo e alma.





Esta entidade dupla, muitas vezes tem opiniões divergentes e agendas particulares. Enquanto o corpo anseia pela gratificação imediata, a alma vê além do que é aparente.





- Como é possível unir estas forças opostas?


 O Rabino Abohav diz que a resposta é detalhada para nós na mais famosa de todas as bênçãos judaicas, o "Birchat Cohanim."




Esta bênção tríplice fornece o roteiro, um processo em três passos para a parceria entre o corpo e a alma.

A bênção começa com um simples desejo de "ser abençoado".  Esta é tradicionalmente entendida como uma bênção para todas as nossas necessidades materiais. A alma não pode funcionar sem um corpo saudável.







No entanto, é a segunda parte da bênção que lhe fornece o foco. Ao viajar no caminho do sucesso físico, pedimos a D-us para "brilhar", para nos fornecer uma luz e um caminho, para não nos perdemos no mundano.

Só então, poderemos alcançar a última parte da bênção, a bênção de "paz".



A verdadeira paz não é negar os desejos de um, em favor do outro, mas sim em encontrar complementaridades e encontrar a paz na realização de um objectivo comum.


Estes são o coração, olhos e os ouvidos, de que fala o nosso verso. Exemplificando a verdadeira função, de um corpo e alma vibrantes, guiados pela Torá.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


Imagens retiradas:


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