domingo, 21 de julho de 2013

Desabafos de uma aprendiz!



Estes desabafos são respostas a algumas questões e desentendimentos que tenho vindo a observar entre judeus!!!

Onde assisto ao fomentar da desunião entre judeus Sefarditas e Askenazim e que tenho lido comentários que em nada abonam (no meu pobre entender), a nosso favor!

Para mim somos todos judeus, cada um com a sua herança, mas todos temos uma coisa em comum e que deveria ser suficiente para nos unir: A Torah!

E ainda algumas questões colocadas em forma de reclamação, mas que já deveríamos ter a maturidade de as saber aceitar, como esta por exemplo:

Porque é que no judaísmo não aceitam que um homem se converta ou faça o retorno sem que a sua esposa o faça também, ou vice-versa? (penso ser permitido apenas na vertente Reformista)

-Para não facilitar o desaparecimento da nossa essência; a nossa tradição. Tem a ver com a educação dos nossos filhos, com a continuidade, tem a ver com o FUTURO. Ou vamos educa-los com duas religiões? Ou vamos ainda obriga-los a ouvirem discussões teológicas que só servirão para a desunião da família? Ou simplesmente baralha-los e afasta-los de qualquer uma das duas????

É bem verdade que existem alguns, que já nascem judeus, são educados dentro da tradição e depois…não cumprem e até exigem que os outros o façam…bom, talvez em nome deles próprios, para aliviarem os seus pobres espíritos de uma culpa que não é só deles…é de todos. É de quem não soube ensinar, é dos que não os quiseram aceitar e que os tentaram proibir de ser quem são, é daqueles que se preocuparam mais com as palavras que com as acções, é dos que nada fizeram e é acima de tudo dos que se preocuparam a culpabilizar os outros pela sua falta de coragem, pela sua falta de fé e força vontade.

Não devemos e não podemos querer ser judeus apenas em nome dos nossos antepassados, temos que ter a noção das barreiras que vamos ter que ultrapassar e a começar por nós próprios que somos a maior e a mais difícil de transpor.

Temos que saber que fazer o retorno ou converter é nascer de novo e começar do zero, é aprender a ouvir, a ver, a entender e a perguntar muito. É esquecer hábitos antigos e ganhar novos, é aprender a pensar e a amar mais e melhor, é ter a coragem de recomeçar.

Este novo querer ser judeu só porque sim… é muito triste. Palavras, palavras, vontades superficiais, forças obscuras de mentes perturbadas. Oh, pobre Portugal judaico…que destino será o teu?

Do que é que andam à procura? De serem judeus, ou de serem apelidados de judeus, de serem judeus ou de um justo reconhecimento? E como? Se tudo o que dizem e fazem vai contra a Torah? E para quê, já agora? Para fazerem a tão merecida justiça? Desta forma? A sério?

Ahhhh, tenho más notícias para vos dar: Ser judeu não é fácil!

Ser judeu, é ter a capacidade de se dar, ser judeu é querer agir pela tradição e não adquirir um título por uma qualquer moda, ou por um orgulho de não termos o que os nossos perderam e ou o que lhes roubaram com violência. 
Ser judeu é abdicar do facilitismo e enfrentar com fé, é um querer infinito de percorrer o caminho que escolhemos e esse caminho tem que estar ligado à Torah, SEMPRE!

Ser judeu não é uma política, nem pode ser uma guerrilha entre fracassados e perdidos nas frustrações que a vida nos deu.

 Não transformem algo tão belo e tão sério numa feira de vaidades.

Se querem honrar e fazer justiça ao que nos foi arrancado, lutem, mas com tino, mudem essas mentes baralhadas e distantes da realidade judaica. Tentem primeiro crescer espiritualmente, preparem-se com pequenas acções diárias…comecem por vós essa mudança tão necessária.

Serão só os “outros” os culpados? Não nos deixamos todos ficar na nossa área de conforto por tantos anos e sempre caladinhos e escondidinhos? Não fomos também nós, que nos deixamos vencer pelo medo? Esperámos tanto tempo porquê? Porque não nos unimos há mais tempo?
E agora queremos tudo de uma vez e de mão beijada? Não pode ser! É impossível, lá diz o ditado: Depressa e bem…há pouco quem.

Para todas as mudanças é necessário criar uma base que se chama Educação. Para crescermos de forma salutar temos que descobrir em primeiro lugar o que é que queremos ser, no que é que acreditamos e se temos aptidão para cumprir com o objectivo a que nos propomos. E aqueles que depois desta tarefa decidam continuar, então comecem a agir em conformidade, deixem as guerrinhas medíocres, as acusações, esta arte maléfica de mal dizer -  Lashon Hara -  para trás. Ergam essas cabeças e orgulhem-se da vossa escolha, mostrem ao mundo quem somos e com orgulho, através das vossas boas acções.

Parecem crianças: Óh mãe…foi ele que começou, ele bateu-me primeiro e agora eu só lhe dei um soco por vingança…e isto todos os dias para o resto das vossas vidas????? Helloooooo!!!! Cresçam por favor!


Que Hashem nos ajude a todos!




Ziva David


2 comentários:

  1. Diariamente, antes de começar a tefilá de shaharit, há uma parte introdutória logo após "Vatitpalel Hannah", em que declaramos que vamos começar a rezar shaharit, e essa mesma declaração finaliza com as palavras "Hareni mekabel alai mitzvat assé veahavta lereahá camôha, vahareni OHEV COL EHAD miBnei Israel kenafshi umeodi" (eis que aceito o mandamento positivo amarás o teu próximo como a ti mesmo, e eis que AMO A CADA JUDEU como a minha alma e com toda a minha força. O problema é que, infelizmente, se reza sem a cavaná adequada, depressa demais...quando alguém reza, deve fazê-lo com intenção, não apenas com a boca mas sentindo com o coração. Uma palavra apenas dita com cavaná (intenção) vale mais do que 1000 ditas da boca para fora. Bem-haja!

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