quinta-feira, 8 de março de 2012

Os Judeus em França






A comunidade judaica, estimada em cerca de 500 000 pessoas, implantou-se em solo francês há muitos séculos. Os primeiros indícios de sua presença datam do século I. Outros fluxos migratórios, quase sempre motivados por perseguições, tiveram origem na Espanha e em Portugal, nos séculos IX, X e XV ; na Alemanha, Europa central e oriental, Turquia e Egito nos séculos XIX e XX ou, mais recentemente, na Argélia, Tunísia e Marrocos, entre 1957 e 1964.



Os judeus adquiriram os mesmos direitos que os outros cidadãos franceses na época da Revolução. Uma igualdade, no entanto, desrespeitada pelo regime de Vichy… Essa história movimentada deixou suas marcas como testemunha, na paisagem e no patrimônio francês.
 

 

O itinerário dos « Judeus do Papa »

Começamos nosso périplo pela região sul. Expulsos da Provença e do Languedoc no século XIV, os judeus acabaram encontrando refúgio em Avignon, a terra dos Papas.



Sinagoga de Vaucluse nas fotos laterais.





A atual região de Vaucluse também acolheu uma importante comunidade judaica nos bairros conhecidos por« carrières ». Seu papel econômico, político e intelectual foi considerável na região.



Em Cavaillon, a sinagoga-museu e o museu judaico lembram a época em que os « judeus do Papa » eram protegidos, mas deviam permanecer isolados em áreas específicas. Os homens, proibidos de exercer certas profissões, eram obrigados a usar um chapéu amarelo. Em Isle sur la Sorgue, outro importante centro histórico da comunidade judaica, pode-se admirar as magníficas rodas d’água desta verdadeira Veneza provençal. Já em Pernes les Fontaines, avista-se a construção chamada « os banhos judeus », antes da visita às quarenta fontes do vilarejo. Enfim, a sublime sinagoga de Carpentras relata a história da implantação da comunidade israelita na região.


Fotos da sinagoga
de Cavaillon



A imagem à direita, é de um forno que fica por debaixo da sinagoga e onde cozem  as chalot,



 
 
 
A magnífica sinagoga de Cavaillon foi reconstruída em 1772, com o nome de Contadine. A sinagoga era dividida em três níveis: o mais baixo era usado para o ritual de lavagem das mãos, netilat iadaim, além de abrigar um forno para assar matzot, os pães ázimos de Pessach. Contrastando com essa simplicidade funcional, os níveis superiores tinham luxuosa decoração em estilo rococó. É muito interessante ver esse tipo de construção, em vários andares, para as funções comunitárias; especialmente em Carpentras, onde, por trás de uma estreita fachada, muito simples, encontra-se verdadeiro complexo, com vários edifícios.

 


Comunidades alsacianas                                                                                 Sinagoga de Alsácia

                                                                      



Na Alsácia, a primeira comunidade israelita constituiu-se por volta do ano 1 000. No entanto, a forte influência da Igreja na região foi responsável pela exclusão dos judeus, durante vários séculos, da vida social. As perseguições foram frequentes entre os séculos XIV e XVI e, em 1550, as comunidades urbanas de Estrasburgo, Rosheim, Sélestat, Obernai, Colmar, Mulhouse e Molsheim estavam totalmente extintas ! Elas se recontituiram somente a partir do século XVIII, após a Revolução. Hoje, as cidades de Estrasburgo, Colmar, Haguenau, Struth, Marmoutier, Erstein, Obernai, Bouxwiller ou ainda Ingwiller propõem visitas organizadas do patrimônio judaico : sinagogas, museus, cemitérios ou antigas construções.

Essencialmente concentrada na região parisiense, na Alsácia e na região mediterrânea, a comunidade israelita possui um rico patrimônio cultural e religioso. Hoje existem os museus, monumentos, lugares de memória e bairros judeus da França.

Judeus de Paris
 
A memória da cultura judaica está gravada em incontáveis pontos da capital. A visita pode começar pelas ruas de comércio do Marais, como a rue des Rosiers, ou pela região do 9° arrondissement, entre as ruas du Faubourg Montmartre, Richer e Trévise, onde degusta-se excelentes produtos casher. A história do povo judeu está relatada no Museu de Arte e História do Judaismo e no museu de Arte Judaica, etapas obrigatórias deste trajeto. Quanto às sinagogas, há mais de cem na capital ! Caso tenha que escolher uma, opte pela Grande Sinagoga de Paris, na rue de la Victoire, ou pela sinagoga da comunidade Ortodoxa de Paris, situada na rue Pavée. Enfim, não se deve esquecer os memoriais, que lembram episódios trágicos da história do judaismo : o do Martir Judeu Desconhecido, no 4° arrondissement, ou o Memorial de Drancy, na região Seine-Saint-Denis.



O Marais bairro judaico


A história do Marais tem estreita relação com aquela dos judeus em Paris, pois boa parte da colônia judaica francesa, apesar das perseguições e expulsões em várias ocasiões, estabeleceu-se nesse bairro desde a Idade Média. Tristes lembranças da época da ocupação nazista estão presentes em vários lugares do Marais. A memória de atos de fraternidade e bravura está perpetuada na placa da “Allée des Justes”, ao lado do Memorial ao Mártir Judeu Desconhecido, indicando que tal rua, anteriormente chamada “Grenier sur l’Eau”, mudou de nome “en hommage aux justes qui sauvèrent les juifs durant l´occupation” (“em homenagem aos justos que salvaram os judeus durante a ocupação”). Ultimamente, a comunidade judaica do Marais tem se concentrado nas proximidades da rue des Rosiers, onde existem restaurantes típicos, casher (preparados segundo regras da religião judaica ou não), e sinagogas. Aliás, os pães pita recheados de falafel, vendidos em balcões que se abrem para a rua, são deliciosos!



 O Pós-Guerra e a recuperação do bairro do Marais

 Sinagoga












No pós-guerra, pouco a pouco os sobreviventes da população original do Marais foram retornando e reabrindo suas lojinhas e ateliês. A França estava, entretanto, exaurida; não havia dinheiro para nada, e pouco foi feito para se conservar os antigos e belos imóveis do Marais.
Sua recuperação começou somente em 1969, amparada por uma lei de proteção do patrimônio histórico e cultural da cidade. Os imóveis do Marais foram restaurados, com o compromisso de serem mantidas as suas linhas originais, e valorizaram-se enormemente, o que provocou muita gritaria em razão do aumento dos aluguéis.




Fontes:
 




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