sexta-feira, 13 de junho de 2014

Cartas de Lisboa | Parashat...



Shelach


O destino dos espiões enviados para explorar a Terra de Israel é bem conhecido.


Em vez de encorajarem as pessoas e de reforçar a sua fé em D-us, a esmagadora maioria deste tão notável grupo fez exactamente o oposto.




Qual era na realidade a missão dos espiões? E o que é que Moisés não queria que eles tivessem feito? Um exame mais detalhado do pedido inicial de Moisés aos espiões pode esclarecer os sentimentos do próprio Moisés na matéria.

No verso 18 (Bamidbar, Capítulo 13) Moisés declara; "Vocês verão a terra." O tema de “ver” encontra eco mais tarde no Livro de Devarim.




Depois de Moisés ter tomado conhecimento de que não entraria a Terra de Israel, ele mesmo assim pediu a D-us “Deixe-me cruzar e ver a Terra." (3:25)

"Porque o enfoque em “ver” a terra? Como é que se pode beneficiar da terra só por a ver?


O Talmude (Sotah 14) ao examinar a persistência de Moisés em querer entrar na Terra de Israel, pergunta o seguinte. “Porque é que Moisés rezou tao ferventemente para lhe ser permitido entrar Israel? Será que ele apenas queria lá ir para poder comer os seus frutos?”   



De facto, diz o Talmude, “Moisés queria ter a capacidade de cumprir os mandamentos que estavam especificamente ligados à Terra de Israel.”

Na perspectiva de Moisés, a Terra de Israel, era mais um passo na sua relação com D-us, e uma oportunidade para aprofundar esta relação para nela incluir todos os aspectos da sua vida.

Se a vida no deserto nos permitia a oportunidade de cumprir os mandamentos de natureza mais espiritual, viver em Israel, estendia essa possibilidade aos aspectos mais físicos da nossa existência.

Desde a plantação à colheita e tudo o que entre elas ocorre, há inúmeras oportunidades de cumprir os mandamentos de acordo como o desejo Divino.




E esta, diz o Rebe Lubavitcher, era a obsessão de Moisés com o aspecto de “ver”.

Moisés queria transmitir aos seus discípulos, o Povo Judaico no seu conjunto, o elemento de “ver” D-us em todos os aspectos da nossa vida.




O factor que distingue realmente ver algo de apenas ouvir falar de algo é a profunda impressão causada e o sentido de verdade insofismável que é sentida pela pessoa que vê.

Quando meramente ouvimos falar de algo, um tópico ou uma ideia, isso exige atenção e concentração, um esforço continuado para tornar tal conceito uma realidade para nós.

O desejo mais profundo de Moisés era para o Povo Judaico ter a apreciação mais profunda e mais sentida de D-us. Contudo, quando tal não era ainda possível Moisés muda de caminho.

O mantra de todo o livro de Devarim até ao fim da própria vida de Moisés é a mensagem de “Shema Israel", "Escuta Ó Israel."




Ainda que "Shema," o ouvir e contemplar continue a ser a peça central das nossas orações e da nossa relação com D-us, precisamos acima de tudo fazer para que também sejamos capazes de “ver”. Estar imersos totalmente e em sincronia com o que D-us quer de nós.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld

chabadportugal.com






Fontes das imagens:

Ilustração dos 1728 Figuras de la Bíblia

Mordechai Edel

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