sexta-feira, 3 de março de 2017

Cartas de Lisboa | O que na verdade possuímos




Teruma




A Parashá desta semana abre com as instruções de D-us a Moisés a respeito da Mitsvá de construir o Mishcan. O Mishcan, ou Tabernáculo, era a estrutura temporária que serviu como precursor do Templo em Jerusalém.





Antes de receber a lista detalhada de todos os pormenores que seriam úteis na construção do Mishkan, há uma instrução geral. "Fala aos filhos de Israel, e faz com que eles tomem para Mim uma oferta, de cada pessoa cujo coração o inspira à generosidade" (Shemot 25: 2)

O Rabino Avraham Saba questiona a escolha de palavras da Torá.

Por que é que a Torá usa a palavra "tomar" quando as pessoas estão de facto a ser convidadas a "dar"?

A resposta, diz o Rabino Saba, é uma lição geral para nós sobre Torá e Tzedaká, a perspectiva Judaica sobre filantropia.




A primeira coisa a reconhecer, é que o que temos e o que temos acumulado, vem de (e, portanto, pertence a) D-us.

Como escreve o Rei Davi em Tehilim: "A terra e tudo quanto nela existe é do Senhor" (Tehilim 24:1)

Devemos reconhecer, diz o Rabino Saba, que somos meramente guardiões dos nossos recursos. Estamos encarregados do seu uso para garantir que qualquer pessoa em necessidade é ajudada. Devemos reconhecer que o que cada um de nós possui é verdadeiramente devido às bênçãos recebidas de D-us.

É por isso que, diz o Rabino Saba, neste caso o versículo usa a palavra "tomar" e não "dar". Tudo neste mundo que nós acumulamos não é verdadeiramente para nós mesmos ou mesmo o nosso. Apenas tem a aparência de o ser.

A única coisa que podemos tomar, e verdadeiramente possuir para a eternidade, é o que damos. Ao dedicar algo a um propósito que nos transcende ou uma boa acção ou Mitsvá, esses sim são actos de aquisição. Esses actos de bondade, de Tzedaká e Torá tornam-se uma parte de nós para sempre.



O que damos é o que realmente possuímos.



Shabat Shalom!

Cortesia do Rabino 


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


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