sexta-feira, 24 de junho de 2016

Cartas de Lisboa | Beha'alotecha‏


Beha'alotecha

Yoram  Raanam 


Há setenta e cinco anos na data de hoje, 17 de Sivan, o Rebe saiu de Lisboa
 para Nova Iorque.


O Rebe by Michael Khundiashvili


O Rebe, Rabino Menachem Mendel Schneerson, De Abençoada Memória, tinha chegado em Lisboa apenas alguns dias antes. Tendo obtido passagem no navio português, o Serpa Pinto, chegou a Portugal como ponto de paragem na sua jornada para a liberdade.



Navio Serpa Pinto


Um dia antes da partida, o Rebe registou no seu diário a análise de uma secção do Talmude da perspectiva do Misticismo Judaico.



O Talmude diz: "Ben David (Mashiach) não virá até que se procure peixe para uma pessoa doente sem tal encontrar" (Sanhedrin 98)


O foco começa imediatamente nas palavras "Ben David" (literalmente, “filho de David”), o futuro líder do Povo Judeu, que será um descendente do rei David.


Por que é que o Talmude não usa o próprio nome Mashiach? Diz o Rebe, embora "Ben David" certamente se refira a Mashiach, o seu uso neste contexto deve nos ensinar algo.


Para tal ilustrar, o Rebe compara o significado literal de ambos os termos. O nome "Mashiach" significa "o ungido" e "Ben David" significa “o filho de David”.


Ser “ungido” é um reflexo dos méritos próprios e qualidades individuais. Presumivelmente é um conjunto de traços positivos de caráter positivo que tornam, desde logo, a escolha merecida! O nome de “o filho de David”, contudo, não nos diz nada sobre o indivíduo em questão. Tudo o que nos permite saber é que este indivíduo é um descendente de David.



Rei David by Gerard Van Honthorst 


É precisamente por esta razão, diz o Rebe, que este termo “Ben David” é usado. A solução para o estado da doença que o Talmude descreve é ​​a vinda de "Ben David."

Em hebraico, a palavra "Chole" (חולה) descreve uma pessoa doente. O valor numérico desta palavra é 49. No Misticismo Judaico o número 49 representa o maior e mais profundo nível que uma pessoa pode atingir na sua busca pela espiritualidade e na sua relação com D-us.

A "porta 50" está além da capacidade de seres mortais conseguirem atingir por conta própria. (Ilustrando esta ideia, é a recente contagem de 49 dias que antecederam o Festival de Shavuot. Embora a Torá tenha sido dada no 50º dia, só contamos até às 49, o último nível é-nos dado pelo próprio D-us.)

Isto é o que leva à doença espiritual, a um desejo e sentimento constantes que não podem ser atingidos.

A solução, portanto, é a vinda de "Ben David." Ao contrário da palavra Mashiach que descreve um certo nível de grandeza, o nome "Ben David" denota apenas a qualidade de estar totalmente dedicado e imerso na nossa missão e propósito neste mundo.

Não é mais talento ou ambição pessoal que está faltando à "pessoa espiritualmente doente". A chave e o "remédio" para inaugurar um mundo perfeito e belo é a qualidade mais básica e elementar da humildade e devoção.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino

Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


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