sexta-feira, 8 de abril de 2016

Cartas de Lisboa | Tzaria





Tazria


Esta semana a Parsha discute em grande detalhe o fenómeno da “Tzara’at”, uma condição semelhante com a lepra mas doença provocada por causas espirituais que não causas médicas.




A Torá descreve-nos todo o processo desde o diagnóstico até ao período de cicatrização e recuperação. Há, no entanto, uma parte da Lei que se destaca como sendo contra-intuitiva.
Miriam Shut Out from the Camp
 (watercolor circa 1896–1902 by James Tissot)





O versículo descreve que o início de manifestação de Tzara’at numa pequena área do corpo pode ser motivo para impureza ritual. No entanto, se posteriormente ela se espalha cobrindo todo o corpo "da cabeça aos pés... Ele é ritualmente puro." (Vaicrá 13:13)

Qual é a razão para esta fascinante Lei? Não deveria a propagação de algo problemático tornar o problema ainda mais sério em vez de o resolver?

O Tzror Hamor, o Rabino Abraão Sabá, cita algumas hipóteses para explicar a situação.

A primeira analogia é com um rio. Um rio pouco fundo pode espalhar-se e parecer muito grande e impressionante. No entanto, é um rio com reservas de água mais profundas que realmente tem poder de permanência.



Painting by Yoram Raanan


Outra perspectiva que menciona é a vitalidade do corpo. Quando apenas uma pequena área é afectada as outras partes do corpo tem de trabalhar para compensar a área atingida. No entanto, quando o corpo inteiro é coberto, as propriedades iguais da tzara’at em todo o corpo dizem-nos que este está a trabalhar em conjunto e em harmonia.

O que está claro de tudo isto é que as coisas não são necessariamente o que aparentam. O Talmude, no tratado Sanhedrin 97ª, inspira-se nesta lei ao descrever como o mundo nos pode parecer antes da Era Messiânica. Um mundo que pode parecer totalmente irreparável, é um mundo que pode ser mais facilmente transformado para o bem.

Quando confrontados com um desafio ou um obstáculo gigantesco, não podemos ser intimidados pelas aparências, mas devemos estar prontos para seguir em frente, e para descobrir as soluções e ter esperança renovada no nosso futuro.



Shabbat Shalom!
Cortesia do Rabino

Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


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