sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cartas de Lisboa | Peixe‏




Korach



Todos nós sabemos as implicações de ter um peixe fora da água. Mas o que dizer de um peixe dentro de água?





Esta questão é de fato sujeito de um debate talmúdico no contexto referente às leis de imersão na Mikvá.






De acordo com a Lei Judaica, nada pode separar ou interpor-se entre o indivíduo ou objecto que está a ser imerso e o corpo de água onde está a ser imerso.

E os peixes?



Em Junho de 1941, o Lubavitcher Rebe estava em Lisboa. Um dia antes de embarcar no Serpa Pinto a caminho de Nova Iorque, o Rebe abordou este assunto.




Enquanto é certo que os peixes são uma parte muito importante da vida em Portugal, o Rebe estava neste caso a abordar um tema central no judaísmo - a vinda de Moshiach.


Se é certo que a vinda de Mashiach inaugura uma era de paz e prosperidade, a descrição do Talmude dos momentos anteriores à sua chagada, pinta um retrato de um mundo em caos.




"O filho de David (Mashiach) só virá, quando se procurar peixe para uma pessoa doente e nenhum for encontrado" (Talmude Sinédrio)






Em vez de abundância e felicidade, descreve-se um mundo de escassez e desafios. Como pode ser isso?


O Rebe, ao escrever em Lisboa, examina esta passagem talmúdica, à luz do pensamento chassídico e dos seus ensinamentos. O que emerge não é uma descrição de uma sociedade em colapso, mas uma de ambição espiritual e de beleza.


Um peixe submerso em água é um peixe conectado com a sua fonte de vida e vitalidade. Isto é de acordo com a Cabala o objectivo do ser humano, estar conectado com D-us, e completamente envolto por espiritualidade.


É aí que o debate talmúdico anterior entra em jogo. Um peixe na água é considerado como uma entidade separada, em cujo caso invalidaria uma imersão por limitar o alcance da água, ou não?


O Rabino Shimon ben Gamliel, diz que não. Um peixe na água é realmente uma parte integrante da existência marítima e não pode portanto criar uma separação que invalide a imersão.


No que respeita ao "peixe humano" a ambição de ser completamente conectado com D-us e absorvido em Sua aura, é exactamente o mesmo, a meta é a de estar completamente conectado com D-us.


No entanto, diz o Rebe, a Halacha, a decisão prática tomada de acordo com a Lei Judaica, é que os peixes não são completamente uma parte do mar e podem, portanto, invalidar a imersão.


Isto diz o Rebe, é o significado da declaração talmúdica na sua essência. "A procura de peixe" é uma alusão ao nosso desejo de ser completamente um com o nosso Criador. No entanto, "nenhum será encontrado", ou seja na era pré-Mashiach não é completamente possível ser-se totalmente espiritual.


No entanto, o estar incompleto, a incapacidade de completamente nos unirmos com D-us, é de acordo com a abordagem do Rebe, uma referência a um mundo que está quase nessa fase.


Não é um mundo a escorregar para o caos mas sim um mundo à beira de grandeza. No limiar de cumprir o sonho da humanidade e criar um mundo perfeito, onde estar em sincronia total com D-us, já não é só a nossa ambição mas sim a nossa realidade.



 Shabat Shalom!


* Este Shabat, o Terceiro de Tamuz marca o vigésimo primeiro Yahrtzeit, - aniversário de falecimento - do Rebe. A vida e os ensinamentos do Rebe estão repletos do anseio e da esperança pela vinda de Mashiach. Que possamos merecer a sua chegada imediatamente.


Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld


chabadportugal.com



Fonte das Imagens:




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