sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Longevidade política | Cartas de Lisboa





Vayechi



The book of Genesis written & Illustrated on an ostrich 
egg featured at the Israel Museum



A nossa parashá e com ela o Sefer Bereishit (Livro do Gênesis) conclui com a passagem do falecimento de José, José o tzadik e o governante no Egito.




D. Isaac Abravanel – 1437-1508


Dom Abarbanel no seu comentário a esta passagem centra-se na longevidade da nomeação de José. O versículo diz-nos que José se apresentou perante o Faraó como um jovem de trinta anos. Tendo vivido até a idade de cento e dez, ele ocupou a sua posição como governante durante oitenta anos.


Nos anais da história, seja em Roma ou em qualquer outro lugar, era inédito que um líder mantivesse numa posição de liderança incontestada por tanto tempo. Este facto, diz Dom Abarbanel, é um testemunho da grandeza de José.


Qual foi o segredo do sucesso de José? Por que é que ele não foi vítima de ciúmes e inveja, como tantas vezes acontece com um líder bem-sucedido? (O próprio Dom Abarbanel foi vítima dessas circunstâncias, muitas vezes na sua vida).


Dom Abarbanel não aborda este ponto nesta parashá, apenas e simplesmente revela o seu espanto com a mesma. No entanto, num comentário anterior onde discute a nomeação inicial de José pelo Faraó, ele aborda esta questão.




José e o Faraó encontram-se pela primeira vez, na sequência dos sonhos do Faraó. Depois de ouvir a interpretação, visão e sugestões de José, o Faraó ficou convencido de que a sabedoria de José era divinamente inspirada.


Ele também estava profundamente ciente de que promover um desconhecido estrangeiro inexperiente para a posição mais elevada no país despertaria tremendos ciúmes. O Faraó pergunta portanto aos seus conselheiros:

"Encontraríamos alguém como este, um homem que tem nele o espírito de D'us ?" 
(Bereshit 41:38)




Ele não promoveu José como sendo o mais sábio ou inteligente, mas sim como tendo as sugestões e perspectivas verdadeiras e corretas.




E foi assim, diz Dom Abarbanel, que os conselheiros de Faraó, aceitaram este compromisso. Eles reconheceram que José não foi escolhido por sua astúcia ou intelecto, mas sim pelo seu compromisso com D'us e a sua fé.


Talvez esta seja também uma lição para todos nós. Quando estamos orgulhosos e próximos da nossa fé e com confiança em D'us, todos os desafios podem ser superados.



Shabat Shalom!

Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

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