sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cartas de Lisboa | Matot





Matot


Ruben e Gad | Gravura de Arthur Boyd Houghton


No final da parsha desta semana (Capítulo 32), pode ler-se a questão do pedido feito pelas tribos de Ruben e Gad.



Dado que eles tinham mutos animais com grande necessidade de terra e pastagens eles pediram permissão para se radicarem no outro lado do Rio Jordão em vez de entrarem na Terra de Israel propriamente dita. O seu pedido foi atendido por Moisés depois de lhe terem assegurado que ainda assim não deixariam de ajudar o resto da nação a estabelecer-se em Israel.

Nesta imagem de satélite, o Rio Jordão aparece perto do centro como uma linha vertical que liga o Mar da Galileia, ao norte com o Mar Morto, ao sul.






O que perturba muitos comentadores é o que se segue. O verso 33 diz: “Moisés deu aos descendentes de Gad e aos descendentes de Ruben e a metade da tribo de Manassés, o filho de José, o reino … as cidades dos territórios circundantes.”

Porque é que a tribo de Manassés se vê agora incluída juntamente com as tribos de Ruben e Gad, ainda que não tenha feito o mesmo pedido?


O Tzror Hamor, Rabi Abrão Sabá explica que a resposta está nas próprias palavras usadas no verso que refere a Manassés como o filho de José.

Quando José sentiu que o seu fim estava a chegar, ele instruiu os seus irmãos a esperar até à altura do Êxodo, e levar nessa altura os seus restos mortais na jornada na direcção da Terra Santa. José queria permanecer no Egipto com o Povo Judaico enquanto o exílio durasse.



Yosef | Pintura de Shoshannah Brombacher



José, que é universalmente referido como “Yosef Hatzadik” – José o Justo [Santo] pela sua constante consciência da presença Divina mesmo nas mais difíceis circunstancias como era o caso da estadia no Egipto.

Tanach ensina que "Tazdik yesod olam" – o Justo é o alicerce do mundo, (Mishlei – Provérbios 10:25).  Foi a presença de José no Egipto que inspirou os Judeus durante a escuridão e a amargura do exilio.



Assim, continua o Tzror Hamor, é essa a razão pela qual metade da tribo de Manassés (uma parte dos descendentes de José proporcional às duas tribos que pediram para ali viver) foi incluída com aqueles que ficaram do outro lado do Jordão.





Uma vez que eles iriam viver fora da Terra de Israel propriamente dita, Ruben e Gad necessitavam da protecção espiritual e da inspiração trazida pelo espirito de José, o Tzadik que permanece connosco em todos os exílios.


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com



Imagens:

Que termine rápido esta guerra, pelos nossos filhos e pelos deles!




Shabat Shalom!


Hoje o pensamento vai para esta força de defesa.

O famoso momento em 1967, quando os paraquedistas IDF libertaram Jerusalém. Podemos ver o Monte do templo e o Rabbi Shlomo Goren, Rabino Chefe da IDF naquela altura, nesta pintura de Guela, soprando um Shofar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Curiosidades Judaicas | Distrito de Viseu



Penedono


Vila portuguesa no Distrito de Viseu, Região Norte e sub-região do Douro, com cerca de 1 000 habitantes.


Penedono envolve um majestoso castelo medieval, à sua sombra existem muitas evidências da presença de cristãos-novos e que vão desde marcas cruciformes dos umbrais das portas a outros elementos arquitetónicos.



Castelo Penedono


Embora não esteja provada a existência de um bairro judeu anterior, sabe-se que em 1569 foram iniciados os processos de acusação de judaísmo contra os naturais de Penedono. Cristãos-novos de apelidos como Rodrigues, Henriques, Fonseca, Gomes, Lopes e Pinto foram vítimas desses processos.

O número de processos inquisitoriais por judaísmo é superior ao de Trancoso, sendo que os mesmos foram iniciados posteriormente (1619) e decorrido até 1739. Para além dos mesmos apelidos de Penedono ocorrem aqui também os Dias, Oliveira, Navarro e Mendonça entre outros. Na freguesia de Castainço aconteceram igualmente muitos processos.

Sintomáticas do ambiente fomentado contra os cristãos-novos são também algumas histórias e lendas populares.




Fontes:



domingo, 13 de julho de 2014

O dia de hoje na história judaica | 15 Tamuz 5774




Rabino Chaim ben Moisés ibn Attar



Falecimento do famoso erudito de Torá e místico Rabi Chayim ben Attar (1696-1743), autor do comentário Ohr HaChayim sobre a Torá. Nascido em Marrocos, viveu e ensinou em Algiers, Itália, Acco e Jerusalém, onde se estabeleceu um ano antes de seu falecimento. Contam-se muitas histórias sobre sua grandeza e santidade, e sobre as repetidas tentativas mal-sucedidas feitas pelo Rabi Israel Báal Shem Tov para chegar à Terra Santa para o conhecer, na crença de que juntos, eles poderiam trazer Mashiach e a Redenção final.


Chaim ben Moisés ibn Attar também conhecido como o Ohr ha-Chaim após seu comentário popular sobre o Pentateuco, foi um talmudista e cabalista, nascido em Meknes, Marrocos, em 1696 e morreu em Jerusalém, Israel 07 de Julho de 1743.


Em 1733, ele decidiu deixar seu país natal e estabeleceu-se na Terra de Israel, na altura, sob o Império Otomano. No caminho, ele foi detido em Livorno pelos membros ricos da comunidade judaica, que o convidaram a ficar e onde lhe estabeleceram uma yeshiva.




Muitos de seus alunos conseguiram através dos fundos que angariaram e lhe ofereceram, a quantia suficiente para imprimir sua obra Ohr ha-Chaim.









Ohr ha-Chaim Hakadosh Synagogue


O rabino era recebido com grande honra para onde quer que ele viajasse. Este facto devia-se ao seu amplo conhecimento, intelecto aguçado e devoção extraordinária. Em meados de 1742 ele chegou a Jerusalém, onde ele presidiu a Midrash Beit Knesset Yisrael.




Um de seus discípulos foi o rabino Haim Yosef David Azulai, que escreveu sobre a grandeza de seu mestre:






"O coração pulsava com Attar Talmud, ele arrancou montanhas como uma torrente irresistível, a sua santidade era a de um anjo do Senhor, por ter cortado toda a conexão com as coisas deste mundo."



Chaim ben Moisés ibn Attar está enterrado no
Monte das Oliveiras, em Jerusalém.




Fontes:

http://www.israelholyplaces.com/Chaim%20Ben%20Attar
http://hirhurim.blogspot.pt/2007_10_01_archive.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Chaim_ibn_Attar#See_also

sábado, 12 de julho de 2014

Cada um seleciona o que mais ama e deseja carregar na sua vida!




Shavua Tov!



Pintura de Michael Zlatopolsky




Curiosidades Judaicas | Seia




SANTA MARINHA



Freguesia portuguesa na região da Beira pertencente ao concelho de Seia, com cerca de 1.000 habitantes e que faz parte da área urbana do município.




Santa Marinha foi vila medieval e sede de concelho, extinto na reforma administrativa de 1836. Em 1150 recebeu o seu primeiro foral, sendo concedido o segundo por D. Manuel I em 1514.

A presença judaica nesta vila destaca-se pelo seu elevado conjunto de sinais, marcas e cruciformes atribuídos aos Judeus ou cristãos-novos.



Casa judaica de Santa Marinha (Seia)
Clique na imagem para aumentar


A Judiaria de Santa Marinha abrange o conjunto de sinais e marcas, arquitetura e património construído em que se incluem solares, espaços públicos, o Pelourinho, bem como o edifício da antiga Câmara e Cadeia. 




Pelourinho Santa Marinha (Seia)


A tipologia arquitetónica das habitações dos mercadores tradicionais da judiaria é muito variável, notando-se a dupla funcionalidade das casas: para residência, para arrecadação e loja/oficina e, possuindo, nalguns casos, pátio.



Casa residência/oficina (loja) Manuelina






 A foto desta casa de Santa Marinha, serve apenas para mostrar como seriam estas habitações "multiusos", não tenho qualquer indicação que tenha pertencido a um judeu ou cristão-novo.





Numa das casas medievais que apresenta diversos cruciformes e outras marcas; e é possível ver um armário como sendo um Hekhal/Aron Ha-Kodesh. De resto, outra das casas existentes no lugar de Casal de Santa Marinha existe uma casa que possui o pentagrama e cruciformes. (Sem foto disponível)




Fontes:


Por Caeiro


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cartas de Lisboa | Pinchas



Pinchas



A parsha desta semana apresenta a lista dos sacrifícios apresentados no Templo em Jerusalém nos Dias Santos e no Rosh Chodesh.


Em cada um destes dias tão especiais lê-mos esta lista na sinagoga, o que faz a parsha Pinchas a parsha que de toda a Torá é a mais frequentemente lida.

Mais ainda, todas as semanas na oração de Shabat durante Musaf recitamos versículos desta parsha Pinchas os quais comemoram a oferenda de Musaf.




Claramente deve haver algo de muito relevante na listagem destes sacrifícios. Mesmo nos dias de hoje em que o Templo não está em actividade. Dom Abarbanel no seu comentário examina alguns destes versos e deixa as seguintes perguntas.


1) Porque é que a oferenda de Shabat é composta de apenas dois cordeiros ao passo que as dos Dias Santos requerem várias quantidades de carneiros e touros?


2) O oferenda diária do “Tamid”, também consistia na oferta de dois cordeiros, um de manhã e outro à tarde. Assim sendo, a oferta extra que tem lugar no Shabat (Musaf) é exactamente a mesma que as ofertas diárias. Que significado tem isto?





Estes detalhes, a especificação apenas de cordeiros, as quantidades, e o paralelo com a oferenda diária, dão-nos, de acordo com Abarbanel, uma perspectiva sobre o significado profundo do Shabat.

A palavra em Hebraico para cordeiro é “keves” a qual tem as mesmas letras que a palavra “kovesh”que significa reger. O Shabat comemora a criação e a autoridade Divina sobre o mundo. Uma das crenças centrais no Judaísmo é que a Criação não é apenas um evento que ocorreu num momento singular mas que o envolvimento de D-us no mundo é constante e contínuo.

Para simbolizar isto, a oferenda de Shabat é paralela à oferta de “Tamid” – a oferta continua. 

É por isso é que dois cordeiros são oferecidos. Um para nos lembrar dos seis dias da criação e o outro para nos enfocar no presente, enfatizando que D-us está sempre connosco.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi

Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


Imagens:

Steve Karro | Blessing-on-the-moon
Menashe Kadishman | keves

L´Chaim IDF!


Shabat Shalom!

















Pintura de Michael Zlatopolsky

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Menachem Mendel Schneerson


O Rebe


O Rebe by Michael Khundiashvili



Menachem Mendel Schneerson (em hebraico מנחם מנדל שניאורסון, em russo, Менахем Мендел Шнеерсон] (Nikolayev, 18 de abril de 1902 – Nova Iorque, 12 de junho de 1994), conhecido por seus seguidores como O Rebe, foi um conhecido rabino ortodoxo, o sétimo e último Rebe do movimento Chabad Lubavitch.

Nascido no dia 11 de Nissan pelo calendário hebraico, filho de Chana Schneerson e do rabino Levi Yitschac Schneerson, cabalista e Rabino Chefe da cidade de Dniepropetrovsk, na Ucrânia, Menachem Mendel fez seus estudos na sua própria casa, depois de ser considerado uma criança-prodígio pelos professores de seu colégio.



Seus pais, Chana Schneerson e do rabino Levi Yitschac Schneerson 
Foto retirada da Chabad


Na educação do jovem, toda a ênfase era dada ao estudo das Escrituras Sagradas. Porém o seu pai consentiu que Menachem Mendel também aprendesse ciências, Matemática e idiomas. Aprendeu inglês, italiano, francês, latim e georgiano, além do ídiche familiar. No dia do seu Bar-mitzvá, já era considerado um prodígio pelos seus conhecimentos sobre o Talmude, e as suas opiniões eram muitas vezes levadas em consideração por rabinos muito mais velhos. Durante a adolescência, correspondeu-se com as maiores autoridades judaicas da época.


Em 1923, Menachem Mendel encontrou-se pela primeira vez com o Rabi Yosef Yitzchok Schneersohn, na época chefe do movimento chassídico Chabad Lubavitch. Rabi Yossef Yitzhak liderava a luta para manter vivo o judaísmo na recém-criada União Soviética, enfrentando as perseguições do governo soviético. Escolas, sinagogas e todas as instituições religiosas haviam sido fechadas. Líderes judaicos eram aprisionados, exilados ou executados. Menachem Mendel juntou-se a Yossef Yitzchak em missões secretas, que se destinavam a apoiar as instituições perseguidas pelo regime comunista.



Menachem Mendel e Rabi Yosef Yitzchok Schneersohn By Carl Braude


No verão de 1927, Rabi Yossef Yitzchak Schneerson foi preso pelas autoridades comunistas e condenado à morte. Coube então a Menachem Mendel, "o Rebe" da nova geração, a organização de um movimento mundial para pressionar as autoridades soviéticas. O movimento pretendia que fosse comutada a pena de morte e que autorizassem Rabi Yossef Yitzchak a deixar o país e emigrar para os Estados Unidos.


Em dezembro de 1929, Menachem Mendel casou-se com a segunda filha de Rabi Yossef Yitzhak, Chaya Mishka, em Varsóvia. 




O casal mudou-se, em seguida, para Berlim, onde Menachem Mendel ingressou na Universidade para estudar Matemática e Filosofia. Mas, em 1933, com a ascensão do nazismo, o casal mudou-se para Paris, onde continuou os seus estudos na Faculdade de Engenharia da Sorbonne, até 1938.

Em 14 de junho de 1940 o exército nazi ocupou Paris. Menachem Mendel e sua esposa fugiram para Vichy; de lá para Nice e depois, Lisboa. Nesse ínterim, Yossef Yitzchak Schneerson foi finalmente libertado pelos soviéticos e partiu para Nova Iorque. Logo, conseguiu permissão para que seu genro e filha entrassem nos EUA e, assim, em 23 de junho daquele mesmo ano, o casal estabeleceu-se na América. 



O Rebe’s Home


Durante algum tempo, Mendel trabalhou como engenheiro para a Marinha dos Estados Unidos, no esforço de guerra. O seu trabalho foi classificado como "secreto".



Como milhões de outros judeus, Menachem Mendel perdeu parte de sua família no Holocausto: seu irmão mais novo, Dov Ber, sua avó e muitos outros familiares. Sua esposa Chaia Mushka também perdeu a irmã com o marido e o filho adotivo, todos exterminados no campo de concentração de Treblinka.



Quando o Rebe Anterior faleceu, em 28 de janeiro de 1950, os sobreviventes do movimento Lubavitch de todo o mundo voltaram-se imediatamente para o seu genro. Os chassidim imploraram-lhe que ele aceitasse a liderança. Menachem Mendel recusou, repetidas vezes, alegando que se conhecia bem demais para imaginar que servisse para o cargo.

Quando uma delegação de chassidim idosos foi com uma petição aceitando-o como seu Rebe, ele colocou a cabeça entre as mãos e começou a chorar. "Por favor, me deixem" – suplicou ele. "Isso nada tem a ver comigo." Após um ano de episódios como esse, finalmente aceitou o cargo. Assim mesmo, havia uma condição:

"Eu ajudarei" – anunciou o Rebe – "mas cada um de vocês terá de cumprir sua própria missão. Não esperem ficar pendurados nas franjas de meu talit."


By Carl Braude


No seu primeiro discurso como líder do movimento afirmou: 

"Os três amores do nosso povo - o amor a Deus, o amor pela Torá e o amor pelo nosso semelhante - são na realidade um único e mesmo amor". 

Com esta afirmação visava disseminar o judaísmo e abraçar no seu seio todo e qualquer judeu, não importando de onde viesse ou que tipo de ideias tivesse. Ensinava que vivemos num mundo onde as ações são de extrema importância; por isso rejeitava o isolacionismo religioso.

"O Rebe" celebrizou-se por suas campanhas de caridade e de estímulo à prática das mitzvot (mandamentos religiosos). Ao longo de mais de 50 anos à frente do movimento Chabad-Lubavitch, Rav. Schneersohn tornou-se uma das figuras judaicas mais célebres do século XX.

Em 1953 fundou a organização feminina Lubavitch. Acreditava que as mulheres não podiam ser mais impedidas de estudar a Torá a níveis mais elevados. A seu ver, podiam estudar mesmo os seus aspectos mais místicos, insistindo em que o papel das mulheres era igual - e em muitos casos mais importante - do que o dos homens.



The female division of the Young Shluchot Conference poses in front of 770 Eastern Parkway, the Lubavitch World Headquarters, in Brooklyn, N.Y.


Amparado no exemplo de seu sogro, "O Rebe" foi um interlocutor decidido nas negociações pela libertação dos judeus soviéticos oprimidos. Sob sua liderança foram estabelecidas redes clandestinas de chassidim que proviam dinheiro, comida, vestimentas, estudos e apoio espiritual para os milhões de judeus soviéticos.

Seguindo as ordens de Rav. Schneersohn, milhares de "shluchim" (emissários) do movimento Chabad-Lubavitch percorreram o mundo, fundando sinagogas, centros cívicos e instituições de caridade.



By Ofer Yom Tov


Em 1992, aos 92 anos, o Rebe sofreu um derrame, vindo a falecer dois anos mais tarde.



O túmulo do Rabbi Menachem Mendel Schneerson à esquerda 
e o túmulo do Rabbi Yosef Yitzchak Schneersohn à direita.


Logo a seguir, os deputados norte-americanos John Lewis, Jerry Lewis e Newt Gingrich apresentaram um projeto de lei para outorgar ao Rebe a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos. O projeto foi aprovado por unanimidade como homenagem ao Rebe por sua destacada e permanente contribuição ao desenvolvimento da educação, moralidade e caridade nos EUA e no mundo.



Passagem por Lisboa


Navio Serpa Pinto

Entre os muitos refugiados que passaram por Portugal e Lisboa na fuga do Shoah estava o grande tzadik, o Rabino Menachem Mendel Schneerson, que mais tarde viria a ser o 7º Lubavitcher Rebbe. O Rebbe viajava da França com a sua mulher a Rebetsin Chaya Moussia, filha do 6º Rebbe.


Ver mais sobre esta passagem por Lisboa:




Fontes: