segunda-feira, 23 de junho de 2014

Curiosidades Judaicas | Concelho de Portalegre




Carreiras



Vista parcial da aldeia de Carreiras (Portalegre)

pelo olhar de José Almeida.



Carreiras, é uma freguesia portuguesa do concelho de Portalegre, na região do Alentejo, com cerca de 600 habitantes.

A aldeia de Carreiras, com mais do que provável origem medieval, terá sido terra de acolhida de alguns Judeus vindos da Judiaria de Castelo de Vide, estabelecendo-se aqui como cristãos-novos.



Rua Nova (Carreiras, Portalegre)



É muito provável que o local da Judiaria de Carreiras estivesse na zona da Rua Nova, como em qualquer povoação da Portugal onde existiam Judeus.


















Desde tempos recuados que existem em Carreiras os apelidos Carvalho e Pereira, muito comuns a Judeus portugueses obrigados à conversão. Até ao século XX as mulheres costumavam entrar na igreja pela porta lateral, tal como nas sinagogas, enquanto os homens entravam pela principal.



Igreja de São Sebastião e adro (Carreiras, Portalegre)




Ainda se conserva na tradição popular a quadra:


"Adeus porta pequeninha
Por onde as mulheres se servem!
E por causa das mulheres
Tantos delitos sucedem..."


Travessa do Cimo da Rua (Carreiras, Portalegre)


E esta foi mais uma aldeia por onde passaram os nossos antepassados. Como podem verificar, muito pouco há para contar sobre este pedacinho de terra, mas não consigo resistir à partilha deste testemunho. À medida que vou pesquisando sobre a presença judaica no nosso país, cada vez mais acredito que há ainda muito por descobrir!


Mas fico sempre com uma sensação de vazio, descobrimos os locais, podemos ver provas vivas que deixámos para trás, como Aron Kodesh, mezuzot, cartas forais, frases inscritas nas pedras, um sem fim de marcas cruciformes, etc., mas...

Onde andam hoje os descendentes dos filhos destas terras? Bom, sabemos que  alguns continuam sem saber quem são, outros continuam a não querer saber quem foram, outros partiram e não voltaram e por fim, uma pequena percentagem;  os que sabem e que procuram provar as suas origens dando-nos a conhecer que afinal muitos ainda andam por cá. Enfim, temos que ser pacientes.


Deixo-vos agora com mais algumas aguarelas de João Salvador Martins
a partir de fotografias antigas de Carreiras (Portalegre).



Casas Nogueiras | Arco da Fonte Nova | Fonte Nova




Chaminé na zona da Fonte Nova | Rua de Baixo 






Fontes:

Por Caeiro


Aguarelas de Carreiras:
De João Salvador Martins
GoogleMaps

domingo, 22 de junho de 2014

Bach!


Laila Tov!


Pintura de Nathan Brutsky


Curiosidades Judaicas | Vertente Norte da Serra da Estrela





GOUVEIA

 

Postal antigo com vista parcial de Gouveia



Gouveia é uma cidade portuguesa, no Distrito da Guarda, situada na vertente norte da Serra da Estrela. Nesta cidade existiu uma comunidade judaica bem organizada.

Em 1083 D. Fernando I, Magno, Rei de leão e Conde de Castela, integrado no movimento chamado da Reconquista Cristã retomou Gaudela aos Mouros. O primeiro foral de Gouveia foi concedido no ano de 1186 por El-rei D. Sancho I e confirmado por D. Afonso II em Coimbra em 1217.



D. Sancho I e D. Afonso II de Portugal



Porém, esta carta foral desapareceu, como tantas outras. Não se colocando a dúvida da concessão do foral por D. Sancho I, apesar do seu “desaparecimento”, este está relacionado com uma Carta Régia datada de 15 de dezembro de 1481, que determinou a remessa à Corte de todos os forais, a fim de se proceder à respetiva reforma, sob pena de perderem validade. Tal revisão ainda se encontrava por fazer quando D. Manuel I subiu ao trono - situação que levou os munícipes a solicitarem novamente essa revisão, agora nas cortes de Montemor-o Novo de 1495. Nessa altura, o rei impôs, em 1497, o envio à Corte dos forais que ainda não tinham sido entregues, nomeando para tal uma Comissão.  Esta, por exemplo, é uma carta foral  já Manuelina e do ano 1514.



A Judiaria de Gouveia


A judiaria de Gouveia, rodeando a cidade a oeste, ter-se-ia desenvolvido com orientação sul-norte. Iniciada com uma pequena comuna tendo cerca de 50 Judeus em meados do século XV, no final da centúria, seriam quase 200 famílias. Encontravam-se aqui os Adida, Abenazo, Baruc, Faravam, Navarro e Sacuto.


Os Judeus que habitavam Gouveia estiveram sempre ligados ao trabalho da lã, atividade clássica desde há muito nesta cidade. Localizada nas proximidades da Estremadura espanhola, depois da data de expulsão dos Judeus de Espanha, a vinda dos refugiados provocou o desenvolvimento da indústria de lanifícios, praticado então de jeito muito rudimentar, tendo-se modernizado e intensificado o trabalho dos lanifícios. Nomeadamente utilizando engenhos movidos a energia hidráulica, que provinha das ribeiras caudalosas da vila. 



Homenagem aos operários dos lanifícios



Aliás, os judeus espanhóis expulsos construíram no outono-inverno de 1496 uma sinagoga que não chegou a ser inaugurada por causa da ordem de expulsão do Rei Manuel a I de dezembro desse ano. Porém, em 1967 foi encontrada uma pedra pertencente a essa sinagoga numa casa da Rua Nova em plena judiaria de Gouveia. Nessa pedra pode ler-se: 

«A glória desta Última casa será maior que a primeira; Diz o "Hashem" (Senhor) dos Exércitos: a casa da nossa santificação, da nossa glória, e os resgatados pelo Senhor, voltarão e regressarão a Sião em alegria.»



Rua Nova, Gouveia
(não consegui identificar a casa em questão L)


A judiaria de Gouveia englobava toda a parte oeste da cidade, e tem como principais pontos a chamada hoje em dia Rua da República, as Escadas do Ouvinho, a Rua das Flores, Travessa de Santa Cruz.




Fica para a história a força e o ódio, que no período entre 1525 e 1530, fomentado por D. João III atingiu, tornando conhecido este episódio relatado por Meyer Kayserling:

«Em Gouveia foi encontrada em pedaços uma imagem de Maria, muito adorada pelo povo. Este sacrilégio, atribuído aos cripto judeus da cidade, levou à prisão de três deles, que foram soltos após alguns dias. A massa enfurecida acusou os judeus de suborno. [...] O inquérito contra os cripto judeus libertados foi reiniciado por insistência dos moradores. Falsas testemunhas depuseram contra os acusados e, como ficou provado mais tarde, devido a acusações caluniosas, morreram na fogueira como hereges e profanadores de imagens sagradas.»




Vista de Gouveia 1925 | óleo sobre tela 31 x 40 | cm. Museu 
Abel Manta Gouveia, Portugal





Fontes:


Por Caeiro


sábado, 21 de junho de 2014

Excelente semana para todos vós!





Nenhum trabalho, por mais humilde que seja, 
desonra o homem.



Pintura de Alex Levin

O dia de ontem na história judaica - 23 Sivan 5774




Jeroboam faz uma barricada a Jerusalém

(797 AEC)


Rei Salomão com os planos para o seu templo.




Após o falecimento do Rei Salomão em 797 AEC, Jeroboam ben Nebat, membro da tribo de Menassê, incitou dez das doze tribos de Israel a revoltarem-se contra o filho e herdeiro de Salomão, Rehoboam. 

Gerard Hoet, a profecia de Aías a Jeroboão, 1728.



A Terra Santa foi dividida em dois reinos: “O Reino de Israel” ao norte, com Jeroboam como rei e Samaria como capital; e ao sul o “Reino de Yehudá” com sua capital Jerusalém, onde Rehoboam reinou sobre as duas tribos (Yehudá e Beniamin) que permaneciam leais à casa real de David.



O centro espiritual do país, porém, permaneceu Jerusalém, onde estava o Templo Sagrado construído por Salomão, e onde todo judeu era obrigado a fazer uma peregrinação três vezes por ano nos dias festivos de Pêssach, Shavuot e Sucot. 



Considerando isso uma ameaça à sua soberania, Jeroboam colocou, a 23 de Sivan, obstáculos nas estradas para impedir a peregrinação do povo a Jerusalém. Ele introduziu a adoração de dois ídolos na forma de bezerros de ouro, que ele consagrou nas fronteiras norte e sul de seu reino.



Os bezerros de ouro de Jeroboam



As barricadas permaneceram no lugar durante 223 anos, até que Hosea ben Elah, o último rei do Reino Norte removeu em 15 de Av de 574 AEC. A esta altura, as dez tribos que ali residiam já tinham sido expulsas da terra numa série de invasões por diversos reis babilónios e assírios.

A última dessas invasões ocorreu em 556 AEC, quando Shalmanessar da Assíria conquistou completamente o Reino de Israel, destruiu sua capital, exilou o último dos israelitas que ali morava, e restabeleceu o país com povos estrangeiros de Kutha e Babilónia. Estes povos, mais tarde conhecidos como “Samaritanos” – assumiram uma forma de Judaísmo como religião, mas nunca foram aceites como tal pelos judeus; mais tarde, construíram seu próprio templo no Monte Gerizim e se tornaram inimigos ferrenhos dos judeus. Nunca mais se ouviu falar das “Dez Tribos Perdidas de Israel”, e esperam a chegada de Mashiach para se reunirem com o povo judeu.


Fontes:


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Rachem - Bring Our Boys Back



Shabat Shalom!






























Pintura retirada do Pinterest


Cartas de Lisboa | Korach



Korach




Korach, o personagem central desta Parsha é bem conhecido por ter instigado uma rebelião contra Moisés e Aarão, os líderes do Povo Judaico. O que é menos conhecido, é claro, são as causas subjacentes a este desacordo.


Trata-se simplesmente de uma história de inveja e de descontentamento ou há algo mais profundo?


No Tzror Hamor, Rabi Abraão Saba, que viveu em Portugal entre 1492 e 1497, baseia-se no Midrash e no Zohar para nos oferecer uma análise mais íntima da visão do mundo que caracterizava Korach.

O Midrash diz-nos que uma das queixas de Korach tinha a ver com o Tallit e os seus Tzitzit, a vestimenta de quarto cantos e as suas franjas.




(De facto, a secção da Torá imediatamente antes da historia de Korach é a secção que refere os Tzitzit, e que se inclui na oração do Shema.)


O Tallit, diz o Rabi Saba, representa o mundo e tudo o que ele contém. As franjas e os nós por sua vez lembram-nos da nossa missão.

O nosso mundo é composto de tantos níveis e detalhes, que pode parecer desconectado – as coisas muitas vezes parecem não ter razão ou significado óbvios.


Apertar os nós, criar um conjunto de conexões é o mandato do Povo Judaico.


Ligar tudo o que encontramos ilustra que tudo tem o seu lugar e a sua razão na visão Divina de um mundo maravilhoso.


Korach, contudo, diz o Rabi Saba, não viu estas ligações. A sua perspectiva era de que o que superficialmente podemos ver é tudo o que existe, desse modo negando o papel de D-us no funcionamento deste nosso mundo.


Saber o erro de Korach é muito mais que uma questão do estudo da história. É um chamamento e uma lembrança da nossa obrigação de criar um “mundo conectado”.



A realidade em que cada um de nós pode relacionar-se com D-us e revelar a verdadeira essência e ligação íntima de todas as criações.


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


Por favor, clique aqui para prometer uma Mitzva em honra dos jovens sequestrados:
Please click here to pledge a Mitzva in honor of the kidnapped boys:




Bring Back Our Boys


Imagens:

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dia 27 de Junho 2014 pelas 21 horas.






Curiosidades Judaicas | Alfândega da Fé




SAMBADE


Freguesia do concelho de Alfândega da Fé, na região de Trás-os-Montes, com 475 habitantes.




Em Sambade viveu uma comunidade judaica. Segundo a investigação que deu origem ao livro,

 "Os Marranos de Trás-os-Montes: Judeus novos na diáspora: O caso de Sambade"





Esta aldeia albergou no século XVII "uma laboriosa comunidade de cristãos-novos que tornavam florescente a indústria de tecidos de linho, lã e seda, comunidade que foi desmantelada pela Inquisição numa verdadeira operação de limpeza étnica". De facto, na aldeia de Sambade ainda há hoje uma zona chamada de Bairro dos Judeus ou de Bairro Novo.



Fugidos de Sambade, os marranos fizeram-se judeus novos e na diáspora ajudaram à construção do mundo moderno. Na França, como professor da universidade de Paris e renomado investigador do Centro de Estudos Espaciais, Jacques Blamont apresenta-se como descendente direto de uma das famílias fugidas de Sambade há quase 400 anos. Foto: Jacques Blamont



Em Vancouver, Canadá, o famoso arquiteto Richard Henriques, no museu que construiu da sua família, reclama a herança dessa gente que de Trás-os-Montes partiu e foi dar vida a chãos da Jamaica e outras terras das Índias Ocidentais.




Fontes:


Por Caeiro