quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Curiosidades Judaicas | Marialva e o seu Castelo








O Castelo de Marialva, na Beira Alta, localiza-se na vila de Marialva, Freguesia e Concelho de Mêda, Distrito da Guarda, em Portugal.






No topo de um penedo granítico, em posição dominante sobre a vila e a planície cortada pela antiga estrada romana, encontra-se estrategicamente colocado na região fronteiriça do rio Côa (Ribacôa). Um verdadeiro complexo medieval, cujas suas raízes mergulham no passado histórico de Portugal, ligando-se ao trágico destino dos Távoras.



Vista da vila de Marialva a partir do Castelo


Mais uma viagem por terras de Portugal. Desta feita e apenas para conhecer mais um local, e porque estávamos de passagem decidimos parar nesta tão linda terra. Marialva. Confesso que esta paragem foi impulsionada pelo Castelo. Como amantes desta nossa história tão rica, não lhe resistimos.  

Mas temos pontaria, fomos conhecer mais uma terra de judeus. Destes, pouco consegui apurar, apenas casas, marcas cruciformes e um fly dado pelo colaborador da loja do castelo, onde assinalava, “ a Casa dos Judeus” (fora do Castelo e que é utilizada como bilheteira e loja do mesmo).  





A Casa dos Judeus


Já dentro do castelo, uma casa assinalada como a “casa da judia”. Quanto a factos concretos, apenas os Távoras, mas mais história e nomes…Nada L



A Casa da Judia (assinalada como nº 13 no mapa do castelo)




Mas valeu a pena, foi muito emotivo calcar ruas e ruelas pisadas em tempos pelos nossos antepassados. Evidentemente recorrendo a alguns conhecimentos sobre o nosso povo nestes tempos tão longínquos, fomos permitindo que a nossa imaginação nos levasse para aquela era.

Na ausência de muita informação sobre os nossos, deixo-vos com a história deste castelo.




O Castelo Medieval




D. Afonso Henriques (1112-1185) encontrou a povoação abandonada. Para incentivar o seu repovoamento e defesa, passou-lhe Carta de Foral, garantindo privilégios não só aqueles que por iniciativa régia ali se estabeleciam na ocasião, mas a todos os que assim o fizessem no futuro. Embora esse documento não apresente data, acredita-se que tenha sido passado posteriormente a 1158, admitindo-se a data de (1179). Acredita-se que a primitiva feição de seu castelo remonte a esta fase, a partir da observação das características construtivas do aparelho da muralha e de uma das torres.

Na transição para o século XIII, o rei D. Sancho I (1185-1211) prosseguiu as obras de edificação do castelo, ampliando-lhe os muros que passaram a envolver a vila. O seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223), confirmou-lhe o foral (1217).






Em 1296 D. Dinis (1279-1325) partiu de Castelo Rodrigo à invasão de Castela, reivindicando as terras além do Côa, que efetivamente vieram a ser incorporadas a Portugal pelo Tratado de Alcanizes (1297). Nesse contexto, Marialva incluía-se no rol das povoações atendidas por aquele monarca, e assim lhe foi procedida a reconstrução do castelo. Este soberano instituiu, em 1286, a feira mensal de três dias, oferecendo privilégios a quem ali praticasse o comércio, visando o mesmo objetivo de incentivo ao povoamento. À época, a vila já se espalhava extramuros, na direção Norte.

Quando da crise de 1383-1385, Marialva e seu castelo tomaram o partido do Mestre de Avis.

No século XV, D. Afonso V (1438-1481) concedeu-lhe o título de condado tendo D. Vasco Fernandes Coutinho recebido o título de conde de Marialva (1440).

No século XVI várias intervenções foram promovidas: por D. Manuel I (1495-1521), que passou o Foral Novo à vila (1515), pelo Infante D. Fernando (irmão de D. João III (1521-1557) e marido de D. Guiomar Coutinho, filha do último conde de Marialva), e por D. Sebastião ainda sob a regência de D. Catarina d'Áustria (1557-1562). Desta última intervenção é testemunha a data de 1559, inscrita na muralha.











 

 






 

 

Podia continuar a partilhar mais fotos, mas o resto fica para ser visitado por todos vós. Boa visita J


Fontes:


Fotos de Manuela Videira, Rafael e Carlos Baptista

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Marialva

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A todos os meus estimados leitores desejo:




Shabat Shalom 
V’ Shana Tova Umetuka!


Litografia de David Yohanan

Cartas de Lisboa | Nitzavim‏




Nitzavim


Na porção desta semana da Torá, pode ler-se um verso bem descritivo de grande beleza:


"Este mandamento que eu hoje te ordeno, não está escondido de ti, nem está muito longe." (Devarim 30:11)




O que significa que a Mitzvá não está nem escondida nem longe? A que Mitzvá nos estamos a referir?


Na sua análise da nossa Parsha, Dom Abarbanel esclarece este enigmático versículo. A interpretação convencional considera este versículo como referindo-se à Torá na sua totalidade. De acordo com Dom Abarbanel, no entanto, esta é uma descrição clara de uma Mitzvá muito específica, a Mitzvá de Teshuvá, o mandamento de voltar a D-us.


É especificamente sobre essa ideia, a possibilidade de reparar os nossos erros e reparar nosso relacionamento com D-us, que o versículo se debruça.


Aprender qualquer nova disciplina ou ideia, requer um processo de duas etapas, a aquisição do conhecimento e depois a sua implementação. Ambas as etapas podem estar repletas de desafios e de dificuldades. Teshuva por outro lado, é extremamente simples, tanto no conceito como na execução.


É por isso que, diz Dom Abarbanel, a Torá descreve a sua simplicidade, de duas maneiras diferentes. Não é "longe", o conceito e ideia é simples, não é preciso procurar muito o para descobrir, nem está "escondido" não é difícil de implementar.





Teshuvá é tão simples como reconhecer que estamos no caminho errado, inverter a marcha e e dar a volta para a direcção correta. Nestes dias que antecedem Rosh Hashaná e Iom Kipur, vamos todos tentar o nosso melhor para regressar aos nossos valores e princípios judaicos, à Torá e às Mitzvot.


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld


chabadportugal.com



Fonte das Imagens:

http://www.frankfurlong.com/paintings/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Criação | Shabat Shalom!




''Mais do que o povo judeu cuidou do Shabat, foi o Shabat que cuidou do povo judeu''.

(Asher Tsvi Guinber lider Sionista 1956-1927).


Pintura de Patrick Kramer


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Cartas de Lisboa | Vaetchanan‏




Vaetchanan




"A partir de aí procurarás o Senhor vosso D-us e encontrá-lo-ás se O procurares com todo o teu coração e toda a tua alma." (Devarim 04:29)



Este é um verso da nossa Parsha claro. Se buscarmos D-us, vamos seguramente encontrá-Lo.


O que precisa de ser esclarecido é a expressão "de aí." A que é que o verso se refere? A que local ou que situação se refere?


Muitos comentaristas entendem a expressão "de aí" como uma situação em que erramos. A Torá estaria portanto a incentivar uma pessoa que fez más escolhas para retornar a D-us.


Dom Abarbanel questiona esta premissa. O verso seguinte diz: "Quando estiveres em perigo... voltarás para D-us."


Que sentido faria ter ambos os versos a descreverem a mesma experiência?


Assim, explica Dom Abarbanel, "de aí" significa algo completamente diferente. É uma referência diz ele, aos membros do Povo Judeu forçados a deixar publicamente a sua fé. É para essas pessoas que o versículo chama "A partir de aí você procurará D-us."


É por isso que, diz Dom Abarbanel, o verso continua "com todo o teu coração e toda a tua alma." Embora limitados na sua capacidade de expressar em comportamentos os seus compromissos mentais, D-us garante-lhes que Ele ouvirá o chamamento do seu coração e da sua alma.


Vamos honrar todos aqueles que permaneceram fiéis a D-us com o coração e alma fazendo o que eles queriam fazer mas não conseguiram. Exibindo orgulhosamente a nossa identidade Judaica ao estudarmos a Torá e ao executarmos os Mitzvot.


Shabat Shalom!




Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld

chabadportugal.com

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Árvore das Lágrimas | Cartas de Lisboa





Devarim - Tisha B'av
B”H




Árvore das Lágrimas


O dia Nove do mês de Av marca o aniversário da destruição do Templo em Jerusalém.


Embora seja um momento de luto e tristeza, é também um momento de resiliência. Um momento em que nos lembramos do nosso passado e olhamos para a frente para um futuro radioso.


O livro de Echá (Lamentações) descreve-nos Jerusalém em perigo mas termina com um apelo à ação - ao retorno e à reunião do Povo Judeu com D-us.


Este tem sido o padrão de resiliência seguido pelo Povo Judeu ao longo da nossa história. Numa peça escrita de grande poder e com enorme carga emocional, o Rabino Abrão Sabá conta-nos a sua "destruição" pessoal em Portugal.


"Por decreto real, a minha biblioteca no Porto foi confiscada ... arriscando a minha vida mantive comigo um manuscrito, o meu comentário à Torá ... o meu bem mais precioso.


Ao chegar a Lisboa, - que seja reconstruída rapidamente e nos nossos dias – espalharam-se aterrorizantes notícias. Quem pegasse em textos judaicos ou objetos religiosos seria morto.


Fora de Lisboa, juntamente com dois companheiros Judeus, cavámos um buraco. E debaixo de uma oliveira eu enterrei o trabalho da minha vida.



Era uma linda oliveira, salvaguardando as minhas ideias e pensamentos sobre a Torá. Para mim, era uma árvore de lágrimas."



Depois de ter sofrido o rapto e a prisão dos seus filhos, o Rabino Sabá chegou eventualmente á segurança em Marrocos.


"Lá eu decidi reescrever de memória o meu comentário da Torá. Para ser capaz de compartilhar o que havia sido perdido, e para restaurar a coroa à sua antiga glória."


O Rabino Sabá não desistiu. Depois de tudo o que tinha sofrido, ele começou mais uma vez a registar os seus ensinamentos da Torá para compartilhar com todos nós.


No entanto, às vezes, na reconstrução do seu comentário, ele escreve: "Eu tinha uma bela explicação para esta passagem difícil, mas não me lembro o que era ..." Muitos dos seus preciosos ensinamentos permaneceram escondidos debaixo de uma oliveira em Portugal.


Aqui em Portugal, ao lermos as palavras do Rabino Sabá e ao sermos inspirados pela sua sabedoria, temos também a esperança de poder transformar a árvore de lágrimas numa árvore de alegria.



Shabat Shalom!

Cortesia de Rabino
Eli Rosenfeld
chabadportugal.com







Fontes das imagens:

https://en.wikipedia.org/wiki/Devarim_(parsha)
http://gigantesdafloresta.blogspot.pt/2011/11/oliveira-milenar.html
http://www.artsandactivities.com/AA0414.html

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O dia de hoje na história judaica | 29 Tamuz 5775




Falecimento de Rashi (1105)



Rabi Shlomo Yitschaki, conhecido como "Rashi", faleceu em 29 de Tamuz, 
no ano 4865 da era judaica. (1105 EC).


Rashi nasceu em Troyes, França, em 1040. Os seus comentários sobre a Torá, Profetas e Talmud são universalmente aceites como um instrumento fundamental para a compreensão destes textos, tanto para eruditos como para estudantes.


Casas antigas com estrutura de madeira na Rua Emile Zola, Troyes.
(Bairro antigo desta cidade mas já posterior à época do seu nascimento)


Diversos comentários foram feitos sobre seus próprios comentários. Nas suas famosas "Palestras sobre Rashi", o Rebe demonstrou repetidamente como o estilo de Rashi, de "significado simples do texto", abrange muitas camadas de significado, sendo que algumas vezes  resolve dificuldades profundas no texto e apresenta interpretações novas e inovadoras com uma simples escolha de palavras ou apenas parafraseando uma passagem do Midrash.



Ler mais sobre Rashi:




Pintura do Rashi:
http://shesileizeisim.blogspot.pt/