quinta-feira, 9 de outubro de 2014

JUDEUS DA ÍNDIA




Do reino de Salomão até ao 
longínquo Malabar


Judeus de Cochim, princípios do século XX



   A chegada de judeus à Índia perde-se no tempo. Acredita-se que as comunidades mais antigas que se estabeleceram na Índia foram as do Malabar. Assim, os judeus «malabares» ou judeus de Cochim são considerados o grupo mais antigo de judeus da Índia, reclamando as suas raízes à época do rei Salomão. 

     Vivendo principalmente do comércio, os judeus fixaram-se sobretudo em povoações costeiras, sob a protecção dos senhores locais. A tez da pele e a sua compleição física demonstram que ao longo do tempo houve mescla com a população autóctone. No processo de integração desenvolveram o dialecto judeo-malayalam, que deriva da língua local, o malayalam. 






     O viajante e escritor Benjamín de Tudela (Tudela, 1130-Navarra, 1173), no seu famoso Livro de Viagens fala de Kollam, na costa do Malabar, referindo-se aos cerca de mil israelitas que ali viviam, como sendo muito escuros, benevolentes, e conhecedores da Lei de Moisés. 




Judias «brancas» de Cochim, Malabar



     Segundo algumas fontes, a presença de judeus sefarditas em Cochim era uma realidade já no século XIV. Outras, porém, admitem esta presença só depois da expulsão dos judeus de Espanha e de Portugal no século XV. Seja como for, estes judeus ficariam conhecidos por judeus «paradesi», significando «forasteiros», ou judeus «brancos» (dada a sua tez clara e por falarem uma língua estrangeira), por oposição aos judeus da terra, os judeus «malabares» («pretos»). A distinção desde logo instalada entre judeus «paradesi» («brancos») e judeus «malabares» («pretos»), conduziu a divisões no interior da comunidade judaica. Embora não se referissem a si próprios como divididos em castas, a separação entre «brancos» e «pretos» tornou-se tão rígida, que até há pouco tempo a união entre indivíduos destes grupos era inadmissível.

     A distinção para além de social era também económica, já que os judeus «brancos» (uma minoria) eram mais abastados: eram proprietários, operavam no grande comércio e ocupavam uma posição de relevância na ligação entre os senhores locais e as outras entidades políticas, nomeadamente europeias; os judeus «pretos» (a maioria), mais pobres, dedicavam-se ao pequeno comércio ambulante. Estes últimos, entre 1952 e 1955 emigraram em massa para o recém-formado Estado de Israel. 




Mapa de Cochim, Atlas Português, 1505



     Com o assentamento dos Portugueses em Cochim (1503), acorrem à cidade muitos judeus, cristãos-novos e outros grupos, movidos pelo interesse nos negócios. Entretanto, com a introdução do Tribunal do Santo Ofício no Oriente, em 1560, abate-se uma repressão terrível sobre os judeus, os cristãos-novos e os nasrani, um grupo etno-religioso devoto de São Tomé, que se tinha convertido ao Cristianismo ainda nos primórdios da fé cristã.




Sinagoga Paradesi, Cochim



     Uma das medidas da Inquisição Portuguesa foi a destruição da Sinagoga dos Judeus Malabares. Todavia, o rajá local, reagindo à intolerância e à prepotência do Tribunal do Santo Ofício, cede um terreno contíguo ao seu palácio a um grupo de judeus provenientes de Cranganor. É lá que em 1565 aqueles judeus acabam por edificar o seu bairro. Dois anos mais tarde, em 1567, edificariam a sinagoga Paradesi, ou dos estrangeiros, que continua aberta ao culto até aos dias de hoje.




Judeus Bene Israel



     Os Bene Israel (Filhos de Israel), comprovadamente descendentes dos Cohanim, por testes realizados ao ADN, em 2002, estabeleceram-se há muitos séculos na região de Maharashtra. Mesclaram-se de tal forma com a população local que eram considerados uma casta interna do Maharashtra, os Shanwar Teli (aqueles que extraem o óleo de sésamo e não trabalham ao sábado), vindo a ser descobertos como judeus pelos seus «irmãos» de Cochim, só no século XVIII.


     No século XIX os Bene Israel deslocaram-se para grandes cidades como Bombaim, Poona ou Deli, sendo uma das minorias a que a administração colonial britânica recorreu para o governo do país. De resto, a sua participação na sociedade indiana viria a revelar-se prolífica. 



 Hagadá de Poona






     Esta Hagadá de Pessach de 1874, escrita em hebraico e marathi (a língua do Estado de Maharashtra), pertenceu a judeus Bene Israel de Poona. As cenas da Hagadá descrevem judeus indianos preparando as matzot para Pessach e a récita da história da libertação do cativeiro do Egipto, durante o seder.




Ruby Meyers/Sulochana (1907-1983)



No dealbar do século XX, foram muitos os Bene Israel que se tornaram figuras de vulto na indústria cinematográfica indiana, como actores, produtores e realizadores. Um dos grandes sucessos do cinema mudo de Bollywood foi Sulochana, nome artístico de Ruby Meyers, a actriz mais bem paga do seu tempo.

     Outro exemplo do grau de excelência atingido pelos Bene Israel é o grande poeta Nissim Ezekiel. 





DILEMA

Quanto mais me
afasto da loucura
na direcção do equilíbrio
e da razão,
mais me aproximo
da berma da loucura.
Devo surpreender-me:
mercador de paradoxos,
aliado da dialéctica?
Tremo com intimidações –
não de imortalidade.
Ou mudas, dizem eles,
ou morres de sanidade.

Nissim Ezekiel (1924-2004)




Tykkun ha-Olam (Reparar o Mundo), Siona Benjamin



      Siona Benjamin é uma artista originária de Bombaim, também da comunidade Bene Israel, actualmente a viver nos EUA. Siona cresceu no seio de uma família judaica, numa sociedade predominantemente hindu e muçulmana, tendo sido educada em escolas católicas e zoroastristas. O trabalho da artista expressa esta multiculturalidade, com as suas semelhanças e as suas diferenças, num caminho que aponta para um convívio harmonioso entre as diferentes culturas e que está imbuído de Tikkun (reparar), um conceito judaico sobre justiça social.

     Actualmente a maior comunidade de judeus a viver na Índia é a dos Bene Israel, estimada em cerca de 5 000 membros. Algumas famílias emigraram para os EUA e o Canadá. A maioria, cerca de 60 000, vive em Israel. 




Ketubá, Bombaim, 1911



       Nesta ketubá está registado o contrato de casamento de Rivkah bat Binyamin e de Shalom bar Aharon, um casal de judeus da comunidade baghdadi de Bombaim. O termo “baghdadi” concerne a judeus oriundos maioritariamente de Bagdade e da Síria, mas também de outras partes do Império Otomano, falantes de árabe. Os baghdadi começaram a chegar à Índia nos finais do século XVIII, nalguns casos como comerciantes, noutros como refugiados. Estabeleceram-se especialmente em Calcutá (então capital da Índia Britânica), Poona e Bombaim. 




Membros da Comunidade Judaica de Calcutá no derby Viceroy’s Cup, 1937



     Ao contrário dos Bene Israel e dos Judeus Malabares, a generalidade dos baghdadi, consciente do lugar que ocupava na sociedade europeia colonial, não se interessou por aprender as línguas regionais. Deste modo, aprendiam apenas algum hindi para poderem comunicar no dia-a-dia com os indianos, mas entre si e nos negócios comunicavam em árabe e inglês. No contexto colonial britânico, muito segregacionista, a classe alta dos baghdadi frequentava os clubes britânicos, que por sua vez excluíam os indianos, independentemente da sua classe social.





David Sassoon (sentado) com os filhos (da esquerda para a direita), Elias David, Abbdalah David, e Sassoon David Sassoon, Bombaim, 1858



     A diáspora baghdadi prezava muito a vida comunitária, procurando conciliar os negócios com a observância religiosa. Famílias de grandes comerciantes, como os Sassoon, os Ezra, os Elias, ou os Gubay, praticavam a filantropia. Os Sassoon, por exemplo, uma das famílias mais ricas do mundo no século XIX, foram responsáveis pela construção e manutenção de sinagogas, hospitais, escolas, etc.,. As mulheres formaram Ligas Femininas que davam assistência a famílias carenciadas; envolveram-se directamente na educação de raparigas; já no século XX criaram centros para o apoio a refugiados às perseguições nazis, e fundaram a WIZO (Women’s International Zionist Organisation), que recolhia fundos para o Estado de Israel e promovia a ida de grupos de jovens que faziam a aliyah para Israel.




Sir Sassoon David (1849-1926)



     Em 1911, a Coroa Britânica concedeu a Sassoon David (neto do patriarca David Sassoon) o título nobiliárquico de baronete, em reconhecimentos dos bons serviços prestados na Índia. Após a independência da Índia, a maioria dos baghdadi emigrou para a Grã-Bretanha, a Austrália, o Canadá, e Israel. 




Rapaz Bnei Menashe, celebrando *Hoshaná Rabá, Manipur



     Os Bnei Menashe (Filhos de Manassés) reivindicam a sua ascendência a uma das Dez Tribos Perdidas de Israel, quando forçadas ao exílio pelo império assírio há mais de 2 700 anos. Os ancestrais terão vagueado durante séculos pela Ásia Central e pelo Extremo Oriente até se terem fixado no Nordeste da Índia, em Manipur, ao longo da fronteira com Burma e o Bangladesh.

     Durante o exílio continuaram a praticar o Judaísmo, cumprindo o Shabbat, as regras de alimentação casher, e celebrando as festas religiosas. 

      Nos anos mais recentes, a organização Shavei Israel foi responsável pela aliyah para Israel de mais de 2 000, dos cerca de 9 000 membros da comunidade Bnei Menashe. Segundo Michael Freund, presidente e fundador da Shavei Israel, a intenção é levar todos os Bnei Menashe para Israel. 




Michael Freund com jovens Bnei Menashe no Dia da Independência de Israel



     A integração dos Bnei Menashe em Israel tem sido um êxito: esforçados e trabalhadores, sustentam as suas famílias, servem no IDF e criam crianças felizes. No vídeo abaixo podemos ver imigrantes Bnei Menashe numa visita a Jerusalém.




Bnei Menashe New Immigrants Visit Holy Sites in Jerusalem




Rabino indiano toca o shofar, LIFE MAGAZINE, 1958



     Foi feliz a história da diáspora judia na Índia. Mas o chamamento para Israel é mais forte. Hoje, em Israel, os judeus indianos mantêm uma identidade muito forte, com uma ligação à terra onde viveram durante dois mil anos e que nunca os discriminou. 




Desenho tradicional indiano



*Hoshaná Rabá (Grande Súplica) – sétimo dia da festa de Sukkot, em 21 de Tishrei





Este trabalho é mais uma preciosa contribuição da nossa

Sónia Craveiro,
a quem incansavelmente agradeço.


 Muito obrigada J



Fontes:


Mais sobre a pintora Siona Benjamin:


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Cartas de Lisboa | Sukkot



A Sucá e as Quatro Espécies

















Um feriado. Dois Mitzvot especiais.



Durante o Sucot, comemoramos o feriado comendo e passando tempo na Sucá, numa estrutura temporária ao ar livre; que, na verdade, dá o nome ao feriado.




Além disso, também cumprimos o Mandamento das Quatro Espécies, reunindo o Lulav, Etrog, Hadassim e Aravot, e agitando-o em conjunto de acordo com as normas tradicionais.





Dom Abarbanel vê estes dois Mitzvot como a combinação perfeita de dois aspectos distintos deste feriado. A primeira,  a Sucá, que é uma lembrança dos tempos passados, com as paredes da Sucá que nos cercam por todos os lados, comemorando o modo como D-us protegeu o Povo Judeu após o Êxodo do Egito.




Por contraste, o Mitzvah das Quatro Espécies permanece enraizada no presente. Trazendo juntamente essas diferentes Espécies, imita um conjunto de uma colheita, e o sentimento de gratidão a D-us pela Sua graça que é muita, aqui e agora, neste preciso momento.




Com isso em mente, a nossa observância do Sukkot assume um duplo nível de conexão com D-us. É tanto uma celebração da nossa ligação histórica com Ele como a Sua amada Nação, e uma valorização atual de tudo o que Ele nos continua a oferecer hoje.


Chag Sameach!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com



Pinturas pela ordem de entrada:
1ª Shoshannah Brombacher
2ª Mikhail Zarovny
4ª Lisa Marie Dole Skinner

domingo, 5 de outubro de 2014

Joshua Benoliel





O Primeiro Repórter Fotográfico em Portugal



Joshua Benoliel (Lisboa, 1873-Lisboa, 1932)



     Joshua Benoliel foi fotógrafo e jornalista. Considerado o criador da reportagem fotográfica em Portugal, introduziu o conceito de mobilidade e operacionalidade, em detrimento da imagem estática e da cenografia característica das imagens de estúdio. Com a sua câmara fotográfica transmitiu-nos uma imagem da realidade nacional, registando todos os grandes momentos históricos da sua época que se desenrolaram na fase de transição entre a Monarquia e a República. Para além de retratar personalidades de um e outro regime, captou, com um notável sentido humanista, instantâneos da população.

     Em 1898 publica as primeiras fotografias, como amador, na revista Tiro Civil. Simultaneamente participa em várias exposições de amadores fotográficos. 



Varinas de Lisboa



Aguadeiros no Chafariz da Esperança



Drogaria da Estrela



Equipa da Associação de Futebol de Lisboa,
Campo da Feiteira, Benfica, 1911



Teatro e Marionetas, Lisboa, 1910



Vendedora de Figos    

                                     

Banhistas no Estoril



    Trabalhando para numerosos jornais e revistas, tanto no âmbito nacional como no internacional, em 1903 inicia a sua actividade no jornal O Século, no suplemento Illustração Portugueza, para a qual realizará centenas de reportagens. Entre elas, as reportagens sobre a família real portuguesa.




Família Real numa passagem pela Mouraria, 1908



     Em 1908 realiza a reportagem sobre o Regicídio. Em 1909 acompanha D. Manuel II na sua viagem pela Europa e em 1910 realiza a reportagem sobre a implantação da República. 




Le Calvaire d’une Reine (O Calvário de uma Rainha), Lisboa, 1908




José Relvas proclama a República da varanda da CML



«Estão eleitas as constituintes: A eleição em Lisboa.»





   A imagem anterior mostra a segunda página do artigo «Estão eleitas as constituintes: A eleição em Lisboa» publicado na revista semanal Illustração Portugueza (com o jornal O Século), em 5 de Junho de 1911. No canto inferior direito, Joshua Benoliel destacou Carolina Beatriz Ângelo (à direita), a primeira eleitora portuguesa, e Ana Osório de Castro (à esquerda), presidente da Liga das Sufragistas Portuguesas. 






     A 28 de Maio de 1911 Carolina Beatriz Ângelo, invocando a sua qualidade de chefe de família, uma vez que era viúva e mãe, tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Porém, o governo republicano determinaria em Julho de 1913 que só teriam direito a voto cidadãos do sexo masculino, maiores de 21 anos e alfabetizados. 



Portugal na I Guerra Mundial



Embarque do Corpo Expedicionário Português para a Flandres,
Cais de Santa Apolónia, 1917



Enfermeiras Portuguesas de partida para França, 1917



     Entre 1916-1917 realiza diversas reportagens sobre os preparativos e a partida do contingente português para a I Guerra Mundial.




Bernardino Machado junto das tropas portuguesas, em França



     Em Novembro de 1917 acompanha o Presidente da República, Bernardino Machado, na sua visita às tropas portuguesas na frente, em França.


       Enquanto membro da Comunidade Israelita de Lisboa, Joshua Benoliel foi director da Sinagoga Shaaré Tikvá. Foi igualmente um bibliófilo consagrado, tendo recebido as palmas da Academia Francesa. Em 1915 participa na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, onde obtém a Medalha de Ouro. Em 1929 recebe a Ordem Militar de S. Tiago de Espada, por proposta do presidente Carmona e realiza a reportagem fotográfica da visita do Chefe de Estado de Espanha. Em 1930 é-lhe concedida pelo rei de Espanha, Afonso XIII, a Ordem de Mérito Civil. 



Joshua Benoliel, 1909-1910



    Joshua Benoliel nasceu e morreu súbdito britânico. Mas viveu sempre em Portugal, que fotografou incansável e apaixonadamente. 

Quando lhe perguntavam: «Ó velhinho, mas afinal tu és monárquico ou republicano?», ele respondia:  «Homem, eu cá sou fotógrafo!»



Este artigo foi elaborado e oferecido por
Sónia Craveiro
Muito obrigada


Beijinhos J



Fontes:

DICIONÁRIO DO JUDAÍSMO PORTUGUÊS, EDITORIAL PRESENÇA

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Cartas de Lisboa | O Fechar da Porta




Yom Kipur | Neila



Os momentos finais do Dia de Kipur são marcados pela oração de Neila. À medida que o sol se põe e que o dia se esvai, evocamos a força extra que estes últimos momentos nos trazem.


 
O que significa a palavra Neila e porque motivo é uma oração tão poderosa?

 A palavra Neila está relacionada com "fecho", como uma porta que é fechada. Mas qual porta?




O Talmude diz-nos que há duas possibilidades: uma opinião diz que esta era a porta do Templo Sagrado; depois do Cohen Gadol ter terminado o serviço, no final do dia, esta porta seria fechada.




Outra opinião, referindo-se à porta do Céu, é como que a "porta que se fecha" quando o dia chega ao fim.





Visualizando uma porta a fechar-se, a imagem das portas do Céu movendo-se até se fecharem, pode ser poderosa de um ponto de vista emocional. Não é à toa que durante Neilá, mesmo a pessoa mais estoica se emociona.




O misticismo judaico e a filosofia chassídica, oferecem uma outra perspectiva sobre o "fechar da porta".

Ao invés de fechar a porta, deixando-nos do lado de fora, Neilá representa um fechar de porta que nos coloca do lado de dentro.

Explica o Rebe: Neilá é uma altura em que estamos a sós com D’us, com a porta para todas as influências externas e distrações firmemente fechada e atrás de nós.




Com isso em mente, o ponto alto do Dia de Kipur, assume uma dimensão completamente diferente.

Não apenas de um último momento de desespero, com uma porta fechando-se à frente dos nossos olhos, mas de um momento de serenidade e de confiança.

Durante Neilá a própria essência da nossa Neshama está "fechada", totalmente concentrada e unida com D'us, e nós completamente perdoados.


-Gmar Chatimá Tová!-
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Fontes das imagens:

The Neilah Jew
Revista Morashá
Portas em Safed | Pinterest

quinta-feira, 2 de outubro de 2014