segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fabio Gorodski | VARIEDADES, uma narrativa e vários episódios




Um Livro a não perder:



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Fabio Gorodski


Fabio Gorodski é graduado em composição musical (UNESP), mestre em composição eletroacústica (Conservatório Superior de Colónia) e doutor em estética, ciências e tecnologias das artes (Universidade Paris 8). Teve o prazer de trabalhar, colaborar e aprender com Beat Furrer, Edson Zampronha, Flo Menezes, Hans-Ulrich Humpert, Horacio Vaggione, José Manuel López López, e Luciano Berio, entre outros. 

Teve suas obras instrumentais e eletroacústicas executadas em inúmeros concertos no Brasil e na Europa, sendo agraciado com vários prémios. Fez incursões pelas artes visuais – com a concepção e realização de dois videos experimentais apresentados no 'One Minute film & Video Festival' (Suiça) – e pela educação e sensibilização artística – com a participação no projeto multidisciplinar Homenagem a Calder (Conservatório do Pays de Montbéliard, França). 

Seu poema "Coda" ganhou adaptação em curta-metragem no Projeto Cine(Poe)mas 2014, e no mesmo ano o presente livro de contos recebeu a menção honrosa no Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cartas de Lisboa | Pinchas



Pinchas

Iris Wexler painting



A Parsha desta semana apresenta em detalhe as muitas oferendas a serem efectuadas no Templo. Ainda que obviamente muito importantes na rotina do ritual Judaico, não se esperaria encontrar aqui uma mensagem que é a mais universal de todas as muitas mensagens incluídas na Torá.




Ainda assim, é exactamente isso que acontece de acordo com o Rabi Jacó Ibn Chaviv, autor do Ayn Yaakov, o qual viveu em Portugal durante o período da expulsão, e que identifica um versículo da nossa Parsha como a mensagem quintessencial da Torá.




Bamidbar 28:4 "Uma ovelha será oferecida por ti pela manhã e a outra ovelha será oferecida por ti pela tarde”. Este mandamento refere-se ao “Corban Tamid”, a oferenda diária de cada manhã e tarde, diz-nos ele, é o verso mais geral e inclusivo da Torá.



Rachelle Levinstsn painting


Como assim? O que é que nesta mensagem tão simples é tão importante ao ponto de ser considerada a mensagem central da Torá para todos nós?



A resposta é a de que o ponto fundamental é a consistência. Este sacrifício oferecido duas vezes ao dia é referido como o “tamid”, o constante. Todo e cada dia do ano, desde o mais sagrado ao mais mundano, de manhã e a tarde o “Tamid” era oferecido no Templo.


Cada dia trás novos desafios, quer externos, quer ditados pelo ambiente em que nos movemos, ou – e bem mais difíceis – lutas internas que cada um de nós encontra. Aqui a virtude da consistência é de importância extrema.


Na sua vida pessoal o Rabi Ibn Chaviv teve experiências de tremenda e abrupta mudança, como aliás todo o Povo Judaico dessa época. Durante este período em Portugal um dos seus filhos foi convertido à força e o cumprimento, mesmo das partes mais simples dos costumes e rituais Judaicos tornou-se uma questão de vida ou de morte.


Ainda que os altos e baixos da nossa vida não sejam felizmente tão drásticos, continua a ser possível para nós compreender a profundeza da sua mensagem. Independentemente do que nos rodeia e de como nos possamos sentir a cada momento, temos de continuar a nossa tarefa de cumprir a nossa missão de cumprir a Torá e todos os seus Mandamentos todos os dias.



Shabbat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

sexta-feira, 22 de julho de 2016

sexta-feira, 15 de julho de 2016

"LA LOUANGE"



Shabat Shalom!


Yehiel Attias peinture

"LA LOUANGE"
Huile sur toile | 55/65


Fonte e Contacto do Artista:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100005347845067&fref=nf&pnref=story.unseen-section

sexta-feira, 8 de julho de 2016

"Mur de Jérusalem" By Batsheva Bouskila


Shabat Shalom!



Ver mais obras e contacto da pintora:

https://www.facebook.com/batsheva.bouskila?fref=nf&pnref=story

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cartas de Lisboa | Palavras


Shelach




Na Parsha desta semana lemos sobre a história dos espiões. Moisés escolheu doze pessoas para explorar a Terra de Israel. Quando eles regressam e apresentam o seu relatório, tudo parece desmoronar-se. Os espiões discutem o que descobriram, e o Povo Judeu revolta-se contra Moshe e expressa o desejo de voltar ao Egipto!


A questão que preocupa todos os comentadores da Torá é saber exactamente o que os espiões fizeram de errado. Não estavam eles a ser simplesmente fiéis à sua missão ao apresentar o relatório sobre o que viram?


Dom Abarbanel no seu comentário a esta Parsha mostra-nos como nas palavras dos espiões podemos ver as suas verdadeiras intenções.

                                                                                                     
 Moisés pediu aos espiões para se concentrar em três questões principais.



Como são os povos da terra? Fortes ou fracos?

Como são as cidades? São fortificadas e muito povoadas?

Por último, como é a terra? Há frutas? E como são as árvores?


Quando os espiões voltaram, responderam Ao último conjunto de perguntas em primeiro lugar, imediatamente falando sobre as frutas e produtos agrícolas quando isso era a última coisa que Moisés tinha solicitado!



Pintura de Giovanni Lanfranco – “Moses and the Messengers from Canaan”



É aqui, diz Dom Abarbanel, onde podemos ver algumas das influências subtis das intenções negativas dos espiões. Embora eles respondam com verdade às perguntas de Moisés, eles tinham a sua própria agenda.


Esta agenda foi visível na forma como eles apresentaram as suas descobertas. Em vez de responder a cada uma das perguntas de Moisés na ordem em que foram apresentadas, eles respondem ao último conjunto de perguntas em primeiro lugar.


Diz Dom Abarbanel, eles fizeram isto para discutir rapidamente os aspectos positivos e minimizar o seu valor. Sim, o fruto é fantástico, mas não pensem muito nisso, porque é inacessível.


A intenção era colocar as perguntas anteriores, sobre as fortificações e força dos locais, no final, de modo a poder elaborar e salientar estes desafios, fomentando assim o medo.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino 

Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

Lecha Dodi!



Shabat Shalom!


Pintura de Eveline Weil




terça-feira, 28 de junho de 2016

JUDEUS E CRISTÃOS...




…NOS RETÁBULOS DA ESPANHA MEDIEVAL
COMUNHÃO OU CONVIVÊNCIA TOLERADA?



     A convivência entre mouros, judeus e cristãos na Península Ibérica, que decorreu da invasão árabe em 711, passando pela reconquista cristã, está envolta num certo mito de coexistência idílica, de fraternidade multicultural. A verdade, porém, é que as minorias religiosas, quer do lado muçulmano, quer do cristão, eram toleradas num regime de excepção. Como tal, não só não tinham os mesmos direitos da maioria, da qual eram separadas e demarcadas, como estavam sujeitas a todo o tipo de arbitrariedades. Para os judeus esta discriminação era sentida, tanto do lado cristão, onde, por exemplo, no Verão de 1391, nos reinos de Castela e Aragão os massacres atingiram picos de violência inauditos, como do muçulmano; no século XV, no moderado reino mouro de Granada, era imposto aos judeus o uso de uma sineta, o joljol.



Baptismo das Mouriscas, baixo-relevo do altar-mor da Capela Real de Granada


    A conquista do reino de Granada em 1492, por Fernando e Isabel, resultou em conversões forçadas maciças e na expulsão dos judeus de Espanha (com reflexos em Portugal, que quatro anos depois expulsou mouros e judeus). Em breve seria consumada uma nova realidade política e religiosa um rei, um reino, uma religião. Feito este preâmbulo, concentremo-nos no tema deste artigo: judeus e cristãos nos retábulos da Espanha medieval.


Os Retábulos


O Nascimento de São João Baptista, Retábulo com cenas da vida de São João Baptista, Domingo Ram, Aragão (activo entre 1464-1507), The Metropolitan Museum of Art


    Uma das regras da pintura medieval era a sua contemporaneidade, o que a torna num manancial de informação sobre o viver da época. Na Espanha medieval, cristãos, judeus e conversos, trabalhavam juntos na mesma oficina, produzindo retábulos ou ilustrando manuscritos.

     Os retábulos eram pinturas sobre painéis de tábuas, isolados ou em sequência temática e cronológica que enchiam o fundo dos altares. Os cristãos que sabiam ler eram poucos, assim o catecismo tinha de ser reforçado com a leitura de imagens. Toda a Igreja se transformava num grande livro ilustrado.



A Crucificação, Retábulo com cenas da vida de São João Baptista, Domingo Ram, Aragão (activo entre 1464-1507), The Metropolitan Museum of Art



Neste painel dedicado à Crucificação, podemos observar o episódio dos soldados romanos que, depois de crucificarem Jesus, repartiram as suas vestes e fizeram um sorteio para ver quem ficava com o manto. Sem esquecermos o conceito de contemporaneidade na pintura medieval, ao olharmos para estas quatro figuras não temos a percepção de ver soldados, mas antes judeus comuns, com destaque para o ancião.

      Este detalhe exprime a imagem que a Igreja queria dar dos judeus, que podemos sintetizar em dois princípios: tolerância e aviltamento. Santo Agostinho defendeu que os judeus tinham de ser um povo pequeno, pobre e abatido, para lembrar à Humanidade o que acontece quando se rejeita Cristo. Para ser pequeno, pobre e abatido, o judeu tinha de ser aviltado e reduzido à infâmia. Mas tinha de ser tolerado no seio da sociedade cristã, pois só assim podia cumprir a sua função de lembrar à Humanidade o que acontece quando se rejeita Cristo. E, porventura, haveria maneira mais eficaz de o fazer do que acusá-lo de deicídio?!



Miguel Jiménez/Martin Bernat, “Os Profetas Jeremias, Joel e Miqueias”, Retábulo 
de Santa Cruz de Blesa (1483-1487), Saragoça


     A inclusão dos profetas da Bíblia Hebraica na iconografia dos retábulos inscreve-se no pensamento teológico cristão, que estabelece a concordância entre a mensagem do Antigo Testamento, onde os profetas anunciam a salvação, com o Novo Testamento, onde se cumpre a mensagem com o sacrifício de Cristo na cruz.



Jaume Huguet, O Anjo Custódio conduz o Povo Hebreu na Travessia do Mar Vermelho, painel do Retábulo de São Bernardino e do Anjo Custódio (1462-1475), Museu da Catedral de Barcelona


    Numa política de domínio cristão, esta concordância podia ainda ser moldada à vida dos santos, como no caso do Retábulo de São Bernardino e o Anjo Custódio, onde podemos observar o Anjo Custódio conduzindo o povo hebreu na travessia do Mar Vermelho.



Anónimo, Cristo entre os Doutores, séc. XV, Catalunha,
The Metropolitan Museum of Art


    Vários pintores do século XV que trabalharam para a Igreja em Espanha, adoptaram o conceito da vida comunitária no espaço judaico a sinagoga e a judiaria como modelo para representar o antigo Templo e a Terra Santa em pinturas sobre a vida de Jesus ou dos santos; esses judeus contemporâneos foram, em certa medida, substitutos daqueles que viveram durante os primeiros séculos da história da Igreja. Os retábulos são uma fonte riquíssima de informação sobre o interior das sinagogas e do cerimonial que nelas se desenrolava, onde os judeus de Espanha ganham vida, personificando gente de carne e osso.





    “Cristo entre os Doutores” refere-se a um episódio do Evangelho de Lucas (2:41-51), onde se descreve a ansiedade dos pais de Jesus que procuravam o filho adolescente, desaparecido durante as festividades da Páscoa. Ao cabo de três dias encontraram-no, no Templo, entre os doutores. Nesta pintura espanhola, Maria e José parecem implorar ao filho que regresse a casa, enquanto Jesus, inclinado, lhes faz um gesto como que a dizer «só mais um minuto». O Templo é retratado como uma sinagoga contemporânea, com as suas lanternas mouriscas, os judeus sentados a estudar o texto sagrado, ao fundo a Arca Sagrada (Aron Kodesh), e a bimah (pódio para a leitura da Torah), onde Jesus se encontra. Entretanto, escavações na Judiaria de Lorca, uma cidade na província espanhola de Múrcia, puseram a descoberto uma sinagoga que se assemelha à retratada nesta pintura anónima catalã do século XV.



Painéis com cenas da vida de São João Baptista, Domingo Ram, Aragão (activo entre 1464-1507), 
The Metropolitan Museum of Art


    Na Idade Média, judeus e cristãos tinham o hábito de assistir aos serviços uns dos outros, por razões de disputa religiosa. Esta prática de ouvir e julgar os sermões da tribo rival terá contribuído para um certo grau de conhecimento. No caso espanhol, mercê da convivência entre cristãos, judeus e conversos, encontramos em alguma pintura evidências de um conhecimento muito específico da cultura religiosa hebraica.


O Sumo Sacerdote e a Corrente Dourada



Painel de um Anjo a aparecer a Zacarias (Retábulo com cenas da vida de São João Baptista), Domingo Ram, Aragão (activo entre 1464-1507)
The Metropolitan Museum of Art


    O tema cristão aqui ilustrado a Anunciação a Zacarias , retrata Zacarias (pai de São João Baptista) no seu papel de Sumo Sacerdote, em Yom Kippur (Dia do Perdão), sozinho no Santo dos Santos. Zacarias veste uma túnica sumptuosa, donde pendem sinos e romãs, conforme a solenidade do acto e o seu estatuto religioso. Muito do que sabemos sobre o serviço de Yom Kippur no Tabernáculo (mais tarde no Templo em Jerusalém), consta do Levítico (Lev. 16-20), mas há um detalhe na pintura a corrente dourada que deriva de textos bastante mais tardios: o Tratado Talmúdico Yoma e o Zohar (Livro do Esplendor).

     Os textos falam de uma corrente dourada que seria presa à perna do Sumo Sacerdote, enquanto este estava sozinho no Santo dos Santos. Do lado de fora, encontrar-se-ia um outro sacerdote, cuja missão era a de puxar o Sumo Sacerdote, caso ele morresse enquanto cumpria os seus deveres sagrados.
     Terá sido um judeu, quem sabe um judeu convertido ao cristianismo, a incluir um detalhe tão específico no retábulo de Domingo Ram?


Nota: O Zohar, considerado a obra mais importante da Kabbalah, é um comentário místico sobre a Torah e foi escrito ou compilado em Espanha nos finais do século XIII. O entusiasmo despertado pelo Zohar foi partilhado por muitos académicos cristãos do século XVI, como Pico della Mirandola, Reuchlin, Egídio de Viterbo, etc., que acreditavam que o livro tinha provas sobre a verdade do Cristianismo.


Artigo elaborado por
Sónia Craveiro
Muito obrigada

Fig.1 – Capa de “Uneasy Communion – Jews, Christians and the Altarpieces of Medieval Spain”, editado por Vivian Mann

Fontes:

MAALOUF, Amin, “O Leão Africano”, Bertrand Editora;
“O Retábulo do Paraíso”, Serviço de Educação, MNAA;

“Bíblia Sagrada – Marcos 15:24”, Editora Paulus;


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Cartas de Lisboa | Beha'alotecha‏


Beha'alotecha

Yoram  Raanam 


Há setenta e cinco anos na data de hoje, 17 de Sivan, o Rebe saiu de Lisboa
 para Nova Iorque.


O Rebe by Michael Khundiashvili


O Rebe, Rabino Menachem Mendel Schneerson, De Abençoada Memória, tinha chegado em Lisboa apenas alguns dias antes. Tendo obtido passagem no navio português, o Serpa Pinto, chegou a Portugal como ponto de paragem na sua jornada para a liberdade.



Navio Serpa Pinto


Um dia antes da partida, o Rebe registou no seu diário a análise de uma secção do Talmude da perspectiva do Misticismo Judaico.



O Talmude diz: "Ben David (Mashiach) não virá até que se procure peixe para uma pessoa doente sem tal encontrar" (Sanhedrin 98)


O foco começa imediatamente nas palavras "Ben David" (literalmente, “filho de David”), o futuro líder do Povo Judeu, que será um descendente do rei David.


Por que é que o Talmude não usa o próprio nome Mashiach? Diz o Rebe, embora "Ben David" certamente se refira a Mashiach, o seu uso neste contexto deve nos ensinar algo.


Para tal ilustrar, o Rebe compara o significado literal de ambos os termos. O nome "Mashiach" significa "o ungido" e "Ben David" significa “o filho de David”.


Ser “ungido” é um reflexo dos méritos próprios e qualidades individuais. Presumivelmente é um conjunto de traços positivos de caráter positivo que tornam, desde logo, a escolha merecida! O nome de “o filho de David”, contudo, não nos diz nada sobre o indivíduo em questão. Tudo o que nos permite saber é que este indivíduo é um descendente de David.



Rei David by Gerard Van Honthorst 


É precisamente por esta razão, diz o Rebe, que este termo “Ben David” é usado. A solução para o estado da doença que o Talmude descreve é ​​a vinda de "Ben David."

Em hebraico, a palavra "Chole" (חולה) descreve uma pessoa doente. O valor numérico desta palavra é 49. No Misticismo Judaico o número 49 representa o maior e mais profundo nível que uma pessoa pode atingir na sua busca pela espiritualidade e na sua relação com D-us.

A "porta 50" está além da capacidade de seres mortais conseguirem atingir por conta própria. (Ilustrando esta ideia, é a recente contagem de 49 dias que antecederam o Festival de Shavuot. Embora a Torá tenha sido dada no 50º dia, só contamos até às 49, o último nível é-nos dado pelo próprio D-us.)

Isto é o que leva à doença espiritual, a um desejo e sentimento constantes que não podem ser atingidos.

A solução, portanto, é a vinda de "Ben David." Ao contrário da palavra Mashiach que descreve um certo nível de grandeza, o nome "Ben David" denota apenas a qualidade de estar totalmente dedicado e imerso na nossa missão e propósito neste mundo.

Não é mais talento ou ambição pessoal que está faltando à "pessoa espiritualmente doente". A chave e o "remédio" para inaugurar um mundo perfeito e belo é a qualidade mais básica e elementar da humildade e devoção.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino

Eli Rosenfeld
chabadportugal.com