quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Alexandre Herculano (1810-1877)




O primeiro grande historiador da Inquisição em Portugal



Lisboa, Palácio da Inquisição, Rossio (reedificado pelo arquitecto Carlos Mardel,
após o Terramoto de 1755). Gravura aguarelada do séc. XIX. Museu da Cidade, Lisboa



     «Liberal convicto, por cuja causa se exila (1831-1832), se faz militar, jornalista, deputado (1840-1841), é por vocação um poeta, escritor e historiador. A polémica causada pela sua História de Portugal, IV vols. (1846, 1847, 1850 e 1853) leva-o a dirigir a sua investigação histórica num sentido anticlerical e polemista, defendendo simultaneamente a legitimidade da crítica histórica e o próprio ideal do liberalismo, onde o papel da Igreja tinha uma dimensão diferente.» É assim que começa o texto dedicado a Alexandre Herculano no Dicionário do Judaísmo Português, e é a partir dele que vamos falar desta grande figura da nossa História.

     Herculano nasceu numa família de reputados carpinteiros e pedreiros. O avô materno, Jorge Rodrigues de Carvalho, foi mestre-de-obras da Casa Real, e deve-se-lhe, entre outras obras, a escadaria da Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa. Foi numa casa construída por este avô, perto do Palácio da Ajuda, que Herculano viveu a partir de 1839, quando o rei D. Fernando, marido de D. Maria II, o nomeou bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda.



Busto de Alexandre Herculano.
Escultura em terracota de Teixeira Lopes, 1877.



     De seu nome completo Alexandre Herculano Carvalho de Araújo, o futuro autor de Eurico, o Presbítero nasceu em Lisboa no dia 28 de Março de 1810 (a poucos meses do início da terceira invasão francesa), no Pátio do Gil, propriedade, entretanto desaparecida, que fora construída junto à Rua de S. Bento por um seu tio-avô, António Rodrigues Gil.
     Filho de um funcionário público de inclinações liberais, Teodoro Cândido de Araújo, recebedor da Junta dos Juros, Herculano viria a relembrar, quando gozava já de ampla reputação como escritor e historiador, que nascera numa “classe obscura e modesta” e que nela queria morrer. No entanto, ele e a sua irmã Maria da Assunção, dois anos mais velha, viveram uma infância e primeira adolescência sem dificuldades económicas, numa casa com uma pequena capela privada, jardim, árvores de fruto e horta. 


Alexandre Herculano. Litografia de Ferting. Séc. XIX.
Casa de Sarmento, Guimarães.



        Entre os 11 e os quinze anos, Herculano frequentou o Colégio dos Padres da Congregação do Oratório de S. Filipe de Néri, que lhe ensinaram latim, grego, francês e filosofia, mas que também o tornaram um cristão convicto e um profundo conhecedor da Bíblia. Os seus estudos de Humanidades, que visavam a frequência posterior da Universidade de Coimbra, foram abruptamente interrompidos em 1826. O pai cegara, deixando de poder trabalhar, e a família enfrentava agora graves dificuldades económicas. Herculano decide então frequentar a Aula de Comércio – um estabelecimento de ensino técnico profissional criado pelo Marquês de Pombal-, pensando conseguir o mais brevemente possível um lugar no funcionalismo público.




Alexandre Herculano. Gravura a buril de Louis Auguste Darodes.Séc. XIX.
Casa de Sarmento, Guimarães.



       Uma das disciplinas da Aula do Comércio, ministrada no próprio Arquivo Real da Torre do Tombo, era a Diplomática, na qual Herculano aprendeu a valorizar papéis antigos e se familiarizou com várias ciências auxiliares da história, da paleografia e da epigrafia à numismática ou ao estudo dos selos utilizados para autenticar documentos. É neste período que conhece João Pedro Ribeiro, professor da Universidade de Coimbra e um dos seus raros precursores na pesquisa, e na abordagem científica, das fontes documentais espalhadas pelos arquivos portugueses. O homem que iria revolucionar a historiografia portuguesa nunca chegou, portanto, a frequentar a universidade.




Marquesa de Alorna. Auto-retrato.

     Estes anos servem-lhe também para adquirir um conhecimento sólido de várias línguas estrangeiras – espanhol, italiano, inglês e alemão, além do francês – e para alargar a sua formação literária, que ficou muito a dever ao convívio com a poetisa pré-romântica Leonor de Almeida, marquesa de Alorna, casada com um aristocrata alemão e tradutora de Goethe e de poetas ingleses. 


Vista da praia do Arnosa de Pampelido, onde desembarcou D. Pedro à frente do exército libertador. Gravura publicada no Elogio Histórico do Rei D. Pedro IV, pelo Marquês de Resende. Palácio Nacional de Queluz.



      Com apenas 21 anos, participou na revolta de 21 de Agosto de 1831 contra o absolutismo miguelista, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a fugir para Inglaterra, passando daí para a França, onde frequentou a Biblioteca de Rennes (1831-1832). Fará parte dos “Bravos do Mindelo”, como ficaram conhecidos os membros da expedição comandada por D. Pedro IV, que desembarcou na praia de Arnosa de Pampelido, alguns quilómetros a norte do Porto, no dia 8 de Julho de 1832. 




O Senhor D. Pedro restituindo Sua Augusta Filha a Senhora D. Maria Segunda, e a Carta Constitucional aos Portugueses. Litografia de Nicolas-Eustache Maurin, 1832 (Pormenor). Museu Nacional Soares dos Reis, Porto.



     Em 1834, ainda durante o cerco do Porto, D. Pedro IV retira-o das trincheiras, ordenando-lhe que ajudasse o bibliotecário do Paço Episcopal a criar a futura biblioteca pública do Porto, que viria a ser formalmente instituída em Julho de 1833. Herculano foi nomeado segundo bibliotecário e, ao assumir a função, prestou juramento à Carta Constitucional, um voto que nunca trairá e que lhe irá trazer problemas a partir de 1836, com a ascensão da ala esquerda do movimento liberal e o triunfo do chamado Setembrismo.

     Em 1837 vem para Lisboa, onde assume a direcção da revista Panorama (1837-1868), um jornal ilustrado de carácter artístico e científico, patrocinado por D. Maria II. A publicação foi um êxito e terá chegado a atingir tiragens de quase cinco mil exemplares, num país cuja taxa de analfabetismo rondaria então os 90 por cento. É aqui que Herculano publica originalmente boa parte das suas obras de ficção histórica depois reunidas no volume Lendas e Narrativas, como O Bispo Negro ou A Dama do Pé de Cabra, e ainda parte de O Monge de Cister, que, com O Bobo e Eurico, o Presbítero, introduzem em Portugal o romance histórico.






     Em 1840 é eleito deputado, tendo proposto um plano de ensino popular. Desaprovando o golpe de Estado de Costa Cabral, desliga-se da actividade parlamentar, abandonando a vida política, para se dedicar às Bibliotecas Reais das Necessidades e da Ajuda, cuja direcção lhe tinha sido confiada por D. Fernando.




Domingos Sequeira, O Milagre de Ourique, 1793. Musée Louis-Philippe 
du château d’Eu, França



     Entre 1846 e 1853 publica os quatro volumes da História de Portugal, revelando um nível de investigação que, para além de lúcida, inteligente e rigorosa, foi revolucionária, fundando a historiografia científica em Portugal. Com a História de Portugal, Herculano inicia uma série de “provocações” com o Clero português por não admitir como verdade histórica o célebre Milagre de Ourique, segundo o qual Cristo aparecera a D. Afonso Henriques naquela batalha. Aos ataques do Clero, Herculano responde com a carta intitulada “Eu e o Clero” e com o opúsculo Solemnia Verba.


Apocalipse do Lorvão (1189). Abertura do sexto selo, fl. 115r
(Livro do Apocalipse 6:12). Torre do Tombo.



      A Academia das Ciências de Lisboa nomeou-o seu sócio efectivo em 1852 e encarregou-o do projecto de recolha dos Portugaliae Monumenta Historica, projecto que realizou em 1853 e 1854. Para tal percorreu o país, recolhendo enorme porção de documentos de todos os arquivos eclesiásticos e seculares. Desta empresa resultou a entrega de valiosa documentação à Torre do Tombo, entre a qual o Apocalipse do Mosteiro do Lorvão. 




João Pedroso, Retrato de Alexandre Herculano, 1877

     Os anos 50 marcam também uma última fase de intervenção mais directa na vida política. Envolvido na revolta militar de 1851, liderada pelo marechal Saldanha, que encerrou o ciclo do cabralismo e deu início à Regeneração, Herculano rapidamente se desiludiu com a política regeneradora e, em diversos jornais, atacou o novo governo. Em 1852, ainda foi eleito presidente da câmara do entretanto extinto concelho de Belém, mas a partir de meados da década deixou definitivamente a política activa. Nos anos seguintes, vai tornar-se célebre pelas sucessivas recusas de lugares políticos, cargos públicos e honrarias. 


Auto-de-Fé no Terreiro do Paço, em Lisboa.
Juan de Alvarez de Colmenar, Gravura de Les Delices d’Espagne & du Portugal, 1707



     Entre 1854 e 1859 publica História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, III vols., com mais de uma dezena de reedições, tendo sido traduzida para inglês em 1926 por John C. Branner (Standford University Publications), reeditada em 1972 em Nova Iorque (com um prólogo de Yosef Hayim Yerushalmi, Ktav Publishing House).

     No prólogo da obra, Herculano esclarece o leitor acerca dos seus objectivos historiográficos e políticos, dizendo: «facto e época em que a tirania, o fanatismo, a hipocrisia e a corrupção nos aparecem na sua natural hediondez […] Podemos comparar isso tudo com os tempos modernos de liberdade». Do exemplo dado, conclui-se que a intenção do autor era ajudar os que ainda vacilavam nas crenças da liberdade política e da tolerância religiosa a decidirem entre o obscurantismo e a liberdade. 






    Em 1866 casa-se com Mariana Hermínia Meira, e retira-se para a quinta de Vale de Lobos, que adquirira em Azóia de Baixo, Santarém. Mas, enquanto vai aprimorando a sua produção de azeite (o premiado azeite Herculano), continua a exercer, nesses seus últimos anos, um contínuo magistério moral sobre o país. Em 1871, por exemplo, toma posição pública contra a supressão das Conferências do Casino, pesem embora as muitas divergências que tinha com Antero de Quental. A sua proibição, escreve, “é pior do que uma ilegalidade, porque é um despropósito”.
     Em 1877, querendo agradecer a visita que o imperador do Brasil, D. Pedro II, lhe fizera em Vale de Lobos, desloca-se a Lisboa, de onde regressa doente, vindo a morrer com uma pneumonia no dia 13 de Setembro. Ficou sepultado no adro da igreja de Azóia de Baixo até à sua trasladação para os Jerónimos, em 1988. 


Retrato de Alexandre Herculano, por José Leite. Torre do Tombo.

    Num folheto comemorativo do primeiro centenário do escritor, publicado no Porto em 1910, Guerra Junqueiro descreve o que a historiografia nacional deve a Herculano: «A História de Portugal era um enorme palácio desmantelado, com as janelas trancadas, as paredes fendidas pelos raios (…), e onde ninguém ousara penetrar com medo que desabassem aquelas podres escadarias monumentais, que contavam já setecentos anos de existência. Inspirava terror. Andavam lá dentro lobisomens, aparições lúgubres, fantasmas com sudários (…) Foi então que apareceu um homem extraordinário – Alexandre Herculano -, que abriu a porta desse pardieiro monumental, que andou lá dentro durante vinte anos consecutivos a levantar as escadas, a limpar os móveis, a abrir as gavetas, a consultar os livros, a erguer as paredes, os tectos, as colunas, e que, depois de um trabalho incalculável, sobre-humano (…), veio à rua dizer com simplicidade aos transeuntes estupefactos: “Podem entrar”».
     Como primeiro grande historiador da Inquisição e do Judaísmo, Herculano teve ainda o grande mérito de chamar a atenção para dois temas essenciais para a compreensão da História de Portugal. 




Este artigo foi elaborado na integra por:

 Sónia Craveiro


Muito obrigada

BeijinhosJ




Fonte:

Texto adaptado de “Os 200 do nascimento de Alexandre Herculano” de Luís Miguel Queirós, in Público de 27-3-2010.

Outras Fontes:

HERCULANO, Alexandre, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, vol.1, Publicações Alfa;
HERCULANO, Alexandre, Dicionário do Judaísmo Português, Editorial Presença;


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TU BISHVAT | O ROSH HASHANÁ DA ÁRVORE




DÉCIMO QUINTO DIA DO MÊS DE SHEVAT




A ÁRVORE NA RELIGIÃO JUDAICA





As Escrituras proíbem expressamente o abate de árvores frutíferas, mesmo em tempos de guerra. Não é apenas a vida do Homem que é importante no Judaísmo, mas também a das árvores, especialmente a das árvores frutíferas, já que providenciam alimento - “Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, metendo nele o machado, porque dele comerás, pelo que não o cortarás…” (Deuteronómio 20:19).


A EXCEPÇÃO



No entanto, em tempos de emergência, é permitido o abate de árvores não frutíferas - “Somente a árvore que souberes que não é árvore que dá frutos que se comam, essa poderás destruir e cortar, e construirás baluarte contra a cidade que fizer luta contra ti até à sua rendição” (Deuteronómio 20:20).


O Homem é comparado à árvore



A Torá compara a árvore que dá fruto ao homem frutífero, ou seja, àquele que não vive só para si, mas produz e providencia alimento para o próximo. O melhor exemplo é o professor que tem a responsabilidade de ser uma árvore frutífera, de produzir frutos doces, saudáveis, e, principalmente, que contenham a semente que levará por diante esta cadeia de conhecimento e de conduta.


TU BISHVAT NA MISHNÁ


Mishná, séc. X ou XI, Palestina, colecção Dávid Kaufman


O dia 15 de Shevat é mencionado pela primeira vez na Mishná (Torá oral), como o dia para o pagamento anual do imposto (dízimo) sobre as árvores de fruto. O imposto era chamado bikkurim, que significa “primeiros frutos”.

Desde então, o 15 de Shevat é mencionado várias vezes nos Talmudes da Babilónia e de Jerusalém, não como uma festividade, mas como um dia regular de cobrança de impostos. 


A DESTRUIÇÃO DO SEGUNDO TEMPLO


Francisco Hayez, A Destruição do Templo de Jerusalém, 1867


Após a destruição do Segundo Templo (ano 70 da e. c., pelos Romanos), quando a esmagadora maioria dos Judeus foi obrigada a partir para a Diáspora, o 15 de Shevat passou a lembrar Eretz Israel, com nostalgia e saudade. A tradição de comer frutos de Israel começou então, ainda nos inícios da Idade Média.


OS CABALISTAS DE SAFED


Moshe Castel, O cabalista, 1933


No século XVII, os cabalistas de Safed criaram uma cerimónia especial – “Tikkun”, para a véspera de Tu Bishvat. Utilizando o seu modelo de Hagadá de Pessach, compilaram uma colecção de textos - passagens bíblicas, citações do Talmude, Midrashim -, que louvavam a terra de Israel e os seus frutos. Assim, o tempo de saudade de Israel transformou-se num tempo de aprendizagem (limud) sobre a terra de Israel e dos seus frutos.


OS PIONEIROS SIONISTAS E TU BISHVAT



Quando os pioneiros sionistas se instalaram na, então, Palestina do Império Otomano, encontraram uma terra arruinada e desertificada há anos, começando a plantar árvores para a revitalizar. Em Tu Bishvat de 1884 teve lugar uma plantação maciça de árvores na moshav Yasod Maale, na Galileia. Mas a ligação oficial entre Tu Bishvat e a plantação de árvores, foi escrita pela primeira vez no manifesto de uma conferência de professores, que teve lugar em Zichron Yaakov, no ano de 1908. 


DIA DA ÁRVORE EM ISRAEL


Ben Gurion, Primeiro Ministro de Israel, em Tu Bishvat, no ano de 1949


Em Tu Bishvat de 1949, Jerusalém foi cercada pela "Floresta dos Defensores", em memória dos que tombaram na Guerra da Independência. A primeira árvore desta floresta foi plantada pelo então primeiro-ministro David Ben Gurion. Este dia também marcou o início da primeira sessão do Knesset.


Tu Bishvat é celebrada saboreando frutos



No seder de Tu Bishvat é costume comer, especificamente, frutos pelos quais Eretz Israel é enaltecida: os shivat haminim (os sete frutos), nomeados na Torá. 

     …“terra de trigo e de cevada, de parreira, de figueira e de romãzeira; terra de oliveira que dá azeite, e de tamareira” (Deuteronómio 8:8). 




    Também é costume apreciar várias espécies de fruta, algumas da nova estação, para poder recitar a brachá  “shehechianu”


O SEDER DE TU BISHVAT



O seder de Tu Bishvat deve começar com um bolo ou outro alimento que leve farinha, recitando a brachá “borei minei mezonot”.




Seguidamente deve servir-se vinho ou sumo de uva, com a brachá “borei peri hagafen”.




Por fim, recita-se a brachá da fruta da árvore– “borei peri haetz”, saboreando, em primeiro lugar, as frutas pelas quais Eretz Israel é enaltecida, seguidas pelos frutos, conforme a ordem dos 12 primeiros, que se seguem:


CHITA (TRIGO)



O trigo é a base do sustento; requer trabalho para crescer, ser colhido e processado. (Seora, (cevada), embora não incluída neste seder, é uma das sete espécies pelas quais Israel é abençoada).


ZAIT (AZEITONA)



A azeitona fornece o melhor shemen (óleo) quando o fruto é esmagado. O azeite flutua sobre os outros líquidos.


TAMAR (TÂMARA)



A tâmara é frequentemente uma metáfora para a rectidão, pois a tamareira é alta e frutífera. Ademais, a tamareira resiste à mudança de ventos, assim como o povo judeu.


GUEFEN (UVA)



A uva pode ser transformada em diferentes tipos de alimentos (passas) e bebidas (vinho); assim, também, cada judeu tem o potencial de êxito em algum aspecto da Torá e cumprimento das mitzvot, e pode ser especial à sua maneira.


TEENA (FIGO)



O figo deve ser colhido assim que amadurece, pois logo se estraga. Do mesmo modo, devemos ser rápidos nas mitzvot que se nos deparam, antes que a oportunidade se vá.


RIMON (ROMÃ)



A romã tem 613 sementes, coincidentes com o número de mitzvot da Torá. Tente contar! Mesmo o judeu menos cumpridor de mitzvot está repleto de méritos, assim como uma romã cheia de sementes.


ETROG (FRUTA CÍTRICA)



Estes frutos são considerados extremamente belos, sendo importantes na época de Sukot. O etrog permanece na árvore durante todo o ano, beneficiando-se de todas as estações. Assim, ensina que o judeu deve ser judeu durante o ano inteiro.


TAPUACH (MAÇÃ)



A maçã leva 50 dias para amadurecer. Também os judeus amadureceram durante os 50 dias entre Pessach e Shavuot. Assim como a macieira produz frutos antes das folhas, assim os judeus cumprem mitzvot, sem o pré-requisito da compreensão, como disseram na outorga da Torá: naasse venishma (“faremos” e, depois, “entenderemos, escutaremos”).


EGOZ (NOZ)



 A noz divide-se em quatro partes, correspondentes às letras do tetragrama (do nome de D’us) e às quatro “rodas da Carruagem Divina”. Como as nozes têm duas cascas, uma dura, outra mole, que devem ser removidas, assim também devemos proceder à circuncisão física e espiritual.


SHAKED (AMÊNDOA)



A amêndoa significa entusiasmo em servir a D’us, pois a amendoeira é sempre a primeira a florescer. É por isso que brotou uma amendoeira do cajado de Abraão.


CHARUV (ALFARROBA)



A alfarroba demora mais a crescer do que qualquer outra fruta. Lembra-nos da necessidade de investirmos muitos anos no estudo da Torá, para alcançarmos um entendimento claro e valioso.


AGASIM (PERAS)



As peras de diferentes cepas mantêm entre si uma grande afinidade. Ensinam-nos assim a importância da união.


BIBLIOGRAFIA

Texto adaptado de :
http://www.koshermap.com.br/upload/download/2011/01/20/download_129554675652.pdf;
Outras fontes:
TORÁ, Editora & Livraria Sêfer, São Paulo, Brasil;
PELAIA, PETER, The Seven Species - Produce of the Land of Israel;
Tu Bishvat - http://eretzisraelmv.blogspot.com/2011/01/tu-bishvat.html;
http://kaufmann.mtak.hu/en/study04.htm
Nota: Imagem do diapositivo nº6—Francisco Hayez, A Destruição do Templo de Jerusalém, 1867.

Trabalho realizado por Sónia Craveiro



Mês de Shevat de 5775 (Fevereiro de 2015).