sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cartas de Lisboa | Chayei Sarah




Chayei Sarah


Shacharit


O Tálmude (Berachot 26b) diz-nos, que as três orações diárias, Shacharit, Minchá e Maariv, tiveram a sua origem com os Patriarcas.


O Tálmude liga cada uma das orações a um indivíduo específico. Na nossa Parsha, a Torá descreve o momento em que Rivka chegou para se encontrar com o seu futuro marido Yitschak. "Yitscak saiu para rezar nos campos quase ao chegar da noite." (Bereshit 24:63)



Encontro de Rivca/Isaac


Diz o Tálmude, que esta oração é a oração Mincha que fazemos hoje em dia, quase ao chegar da noite - antes de anoitecer.



Minchá


Dom Abarbanel, no seu comentário sobre a Parsha, aborda uma questão simples:


Por que é que foram escolhidos estes momentos específicos? Não seria qualquer altura boa altura para a oração?

Explica Dom Abarbanel, estes precisos momentos durante o dia foram escolhidos por uma razão.

Num ambiente onde o sol, a lua e as diferentes constelações eram objectos de culto, a família de Avraham queria mostrar ao mundo a falácia dessas crenças.

Ao fazer isso, eles escolheram as alturas do dia em que grandes mudanças ocorrem. O nascer do sol na parte da manhã, ou quando o dia escurece e se torna noite; apresentam extrema mudança e flutuação.



Noite - Maariv


À medida que estes corpos celestiais seguem nas suas orbitas e os seus efeitos sobre a Terra mudam, é essa a altura que os nossos antepassados escolheram para orar; ensinando ao mundo que apesar de que tudo o mais está em movimento, a fé e confiança em D’us essas são constantes.


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Pinturas/desenhos de:

Zvi Raphaeli – “Shacharit”
Gustave Doré – “Encontro com Rivka e Isaac”
Zvi Raphaeli – “Sinagoga”
Vincente Van Gogh – “Céu estrelado”

L'Dor Vador: from Generation to Generation




Shabat Shalom!


L'Dor Vador  - Como adquirir Sabedoria



L'Dor Vador  - O 1º passo é o Silêncio



L'Dor Vador  -  O 2ª passo é Ouvir



L'Dor Vador  -  O 3º passo é Lembrar



L'Dor Vador  -  O 4º passo é Praticar



L'Dor Vador  - E o 5º passo é Ensinar aos outros.


Nancy Current Art

domingo, 9 de novembro de 2014

MISHNÉ TORÁ





A obra magna de Maimónides


Mishné Torá, Introdução, fol. 11v-12, Lisboa, 1472,
British Library, Londres



          Na imagem acima podemos observar a Introdução à Misnhé Torá de Maimónides. Os fólios pertencem a um manuscrito sefardita produzido em Lisboa, no século XV. O fólio 11v (direito) com duas citações do Deuteronómio – 1:5 «Além do Jordão na terra de Moab, começou Moisés a explicação desta Lei», e 4:44 «E esta é a Lei que Moisés pôs diante dos filhos de Israel»; o fólio 12 (esquerdo) com a Introdução propriamente dita.

     Mishné Torá (Repetição da Torá) refere-se normalmente ao nome originalmente usado para o Livro de Devarim (Deuteronómio, o quinto livro do Pentateuco). Também se designa por Mishné Torá o código da Lei Judaica compilado por Maimónides, que conta com centenas de capítulos que descrevem todas as leis mencionadas na Torá. 




Escultura de Moisés ben Maimon, Antiga Judiaria de Córdova



     Moisés ben Maimon (Córdova, 1135-Cairo, 1204), mais conhecido por Maimónides, ou RaMBaM, o acrónimo hebraico para “Rabi Moshe ben Maimon”, foi a figura mais importante do judaísmo andaluz e uma das mais relevantes do judaísmo medieval. As suas obras sobre medicina, direito, teologia e filosofia, a maioria escrita em árabe e traduzida para o hebraico, o latim e outros idiomas, influenciaram tanto o mundo judeu como o não judeu. 




Mishné Torá, Secção dedicada às leis sobre a idolatria (Maimonides, De Idolatria), traduzida para o latim por Dionysius Voss, Amsterdão, 1641, Library of Congress, Washington




     De 1159 a 1164 Maimónides viveu em Fez, Marrocos, onde se refugiou com a família devido às perseguições religiosas dos fundamentalistas Almóadas, que haviam conquistado Córdova. Foi durante este período de cinco anos que realizou grande parte do trabalho para o seu comentário da Mishná. Novamente em fuga para escapar à perseguição religiosa, saiu de Fez, passou pela Terra Santa, estabelecendo-se posteriormente no Cairo, no ano de 1166, onde viveu até ao final da vida. Lá veio a ser Rabino-Mor da comunidade judaica e médico respeitado, chegando a servir como médico pessoal do Grão-Vizir al-Fadil. 




Mishné Torá, Livro do Conhecimento (Sefer Hamadá), Espanha, 1400
Biblioteca Nacional de Israel, Jerusalém




     Maimónides concluiu a Mishné Torá por volta de 1180. A obra é uma síntese magistral dos dois Talmudes (da Babilónia e de Jerusalém). Nela o autor considera todas as opiniões conhecidas até sua à época sobre a Halachá (Lei Judaica). Redigida em língua hebraica, descreve de forma muito clara todos os preceitos da vida judaica e está organizada em catorze livros. Por este motivo também é chamada “Yad Hachazacá” (“A Mão Forte”), sendo que a palavra yad significa “mão” e tem o valor numérico de catorze. 




Mishné Torá, Livro do Amor (Sefer Ahavá), Espanha, 1400




Sefer Ahavá (detalhe)



   O primeiro livro – Livro do Conhecimento (Sefer Hamadá), versa sobre os conhecimentos básicos da Torá, relacionados com a fé judaica. O segundo – Livro do Amor (Sefer Ahavá), é sobre as leis referentes à obrigação de amar D’us. 






Mishné Torá, Livro dos Tempos (Sefer Zemanim),Norte de Itália, 1475,
Biblioteca Apostolica Vaticana, Roma




      As duas iluminuras anteriores pertencem a um Mishné Torá produzido em Itália, entre 1451 e 1475. A segunda faz parte do Livro dos Tempos (Sefer Zemanim), que trata das festividades. À direita, um grupo de convivas celebra a Festa de Purim (estão fantasiados e dançam); à esquerda, celebra-se a Festa das Cabanas (Sukkot).




Mishné Torá, Livro dos Juízes (Sefer Shoftim), Norte de Itália, c. 1457,
Museu de Israel, Jerusalém




    O último livro, Livro dos Juízes (Sefer Shoftim), é sobre os direitos e os deveres dos magistrados, do Sinédrio e dos reis. A iluminura anterior, de um manuscrito em escrita asquenazita, apresenta a palavra Shoftim (Juízes) em letras douradas sobre fundo azul. Por baixo está um homem (o réu), ladeado de dois guardas, de frente para quatro juízes sentados. 



 Mishné Torá de Maimónides. Fólio 434v, cólofon do escriba, Escola de Iluminuras de Lisboa, 1472. Bristish Library, Londres. 




     O Talmude diz-nos que a Torá contém 613 mandamentos (248 positivos e 365 negativos), mas não providencia uma lista dos mesmos. Maimónides, à imagem de outros sábios antes dele, ordenou uma lista completa dos 613 mandamentos, que constam da sua Mishné Torá. Destes, o RaMBaM considerou treze fundamentais: são os “Treze Princípios da Fé Judaica”, hoje aceites por todos os judeus, que estabelecem os principais pontos de afirmação e crença no D’us único e na Sua revelação a Moisés, o profeta. Versões abreviadas dos “Treze Princípios da Fé Judaica” fazem parte da maioria dos livros de oração judaicos.

    Propomos agora a audição de uma melodia sefardita para Yigdal, um hino religioso que partilha com Adon Olam, de Shelomo ibn Gabirol (Málaga, 1020-1059), um lugar de honra no início do ofício da manhã e no final do ofício da noite. Yigdal – D’us é Grande, é baseado nos treze artigos de fé (13 Credos) formulados por Maimónides; os artigos foram versificados pelo juiz Daniel ben Yehudah Dayan, que os elaborou ao longo de oito anos, tendo-os terminado em 1404, na cidade de Roma. 



Avraham Perrera - YİGDAL     





Mishné Torá, Rambam, 1574, Veneza, Chabad Library



     São várias as correntes judaicas que estudam a Mishné Torá, destacando-se as do ramo Chabad que realizam um ciclo anual de estudos da obra.

     Em Tiberíades, o caminho que conduz ao túmulo de Maimónides é ladeado por 14 colunas, 7 de cada lado, onde estão inscritos os 14 capítulos da Mishné Torá.

     Entre os judeus o respeito infundido por Maimónides é tão grande, que sobre o grande pensador circula a máxima: «De Moisés a Moisés não houve outro como Moisés».



Mishné Torá, fol. 11v, barra inferior com dragão (direita), pavão (centro) e leão (esquerda), Lisboa, 1472





E resta-me agradecer mais uma vez por este artigo elaborado na integra por:  

Sónia Craveiro

Muito obrigada J 


Beijinhos






Fontes:

 http://geraladmin.wix.com/gloria#!flores-raras-e-espetaculares/cx1y 
https://www.youtube.com/watch?v=V24JtsMF6pc

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Journey of Innocence




Shabat Shalom!



Pintura de Izzik ben Noon


Cartas de Lisboa | Vayeira



Vayeira

A história de Sodoma, a malvada metrópole que acabou por ser destruída, é contada na Parsha desta semana.



Antes de D-us destruir Sodoma, os planos iminentes para a sua destruição são confidenciados a Abraão. O que se segue é um diálogo fascinante, a par e passo de uma negociação, na qual Abraão implora a D-us que volte com a sua palavra atrás.






Na Parsha da semana passada, há uma outra conversa em que D-us prediz a Abraão os seus planos futuros, o exílio e o caminho futuro do povo judeu, descendente de Abraão.


No entanto, ao contrário da nossa Parsha, nesse caso há apenas o silêncio.


Dom Abarbanel, bem como outros comentaristas, levantam uma questão gritante:

- Por que é que Abraão só rogou a D-us pelo bem-estar da população de Sodoma?

Por que não pedir a D-us que reconsiderasse no caso das dificuldades que a sua própria família teria de enfrentar?





Explica Dom Abravanel, que a família de Abraão era uma família com uma missão. Uma tarefa e um objectivo englobando elementos espirituais e físicos.

Para que os seus filhos se tornassem no povo judeu, o foco teria de ser não só em questões de ideias físicas e materiais, mas muito mais ainda, em assuntos do foro espiritual.




Com isso em mente, as ações de Abraão são mais fáceis de compreender. Quando falou sobre Sodoma, e o castigo que receberiam, Abraão imediatamente fala abertamente.

Ao ouvir sobre o exílio e tribulações dos seus filhos no entanto, Abraão entende que esse não é mais que o plano de D-us. Para uma nação voltada para o corpo e o espírito como uma unidade, os desafios temporários (físicos), não o iriam levar ao desânimo.




Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com



Imagens:
Bartolomé Esteban Murillo
O Sacrificio de Isaac  - Rembrandt

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Curiosidades Judaicas | Mogadouro




MOGADOURO


Actualidade | Nova Rotunda na Vila do Mogadouro


Mogadouro é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e sub-região do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 3 500 habitantes. O concelho recebeu foral de D. Afonso III em 27 de Dezembro de 1272. 


Nesta região, além do português, fala-se sua própria língua: a língua mirandesa.



Ruinas do Castelo de Mogadouro


Na vila do Mogadouro, existiu uma enorme comunidade judaica. A Professora Maria José Pimenta Ferro faz registo a esta comunidade do século XIV. 




A Judiaria de Mogadouro situava-se nas proximidades do Castelo (fotografia acima), incluindo o sítio da Pracinha, junto à Cadeia e à Rua Nova, pois era aí que se situavam as casas dos vários cristãos-novos.



Actual Largo da Trindade


Esta comunidade foi aumentando com a expulsão dos Judeus dos reinos de Espanha, foi-se desenvolvendo, acabando por ter uma enorme influência em todo o Trás-os-Montes. Era uma comunidade judaica era muito bem estruturada.

Após a expulsão dos Judeus de Portugal em 1496, a comunidade judaica de Mogadouro foi alvo da famigerada Inquisição, como testemunham os processos sofridos pela família Lopes Pereira.



Fonte do texto:


Por Caeiro



Edifício da Cadeia Velha




Fontes das fotografias: