sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Cartas de Lisboa | Shemot


Shemot


O segundo livro da Torá é chamado Shemot, o que significa Nomes. Este título é derivado do início de nossa Parsha, que lista os nomes dos doze filhos de Israel.


"E estes são os nomes dos filhos de Israel... Reuben, Shimon..." O verso, em seguida, continua, "Agora Joseph morreu, assim como OS seus irmãos e toda aquela geração." (Shemot 1: 1-6)



Muitos comentaristas da Torá manifestam-se intrigados com a necessidade de apresentar esta lista.



Por que é que a Torá considera necessário, mais uma vez, listar e nomear todos os doze filhos? A mesma lista já foi apresentada anteriormente no fim do Livro de Bereshit.

O Rabino Abraão Sabá, no seu comentário o Tzror Hamor, aborda estas questões com uma profunda introspecção.

Embora, José e seus irmãos já tenham falecido, eles ainda continuaram a existir. A sua influência e a sua presença permanecem.


 
A analogia que ele dá, é a das estrelas. Enquanto nós as vemos brilhando à noite, durante o dia, não podemos vê-las. No entanto, sabemos que elas continuam a existir.




Diz, o Rabino Sabá, quando os indivíduos que influenciaram positivamente muitos outros desaparecem desta vida, o que falta é a nossa capacidade física para vê-los.

Um versículo do livro de Daniel afirma esta muito bonita ideia; "Aqueles que trazem muitos para a justiça (são) como as estrelas sempre e eternamente presentes." (12: 3)

É por isso que José e os seus irmãos foram novamente mencionados; porque apesar de já terem partido fisicamente, a sua presença continuava a ser muito sentida entre o povo judeu.




Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com



Fontes:
Pintura de Ernest Descals
Pintura de Vincent Van Gogh

Iedid Nefesh | Ana El Na Refa Na La



Shabat Shalom!

In this special Healing artwork I wrote the Yedid Nefesh song that composed by Rabbi Elazar ben Moshe Azikri and Ana El Na Refa Na La an Ancient Jewish Healing Prayer Chant for Meditation.

Rabbi Elazar ben Moshe Azikri, was a student of Rabbi Isaac Luria (also known as "The Ari", "Ari-Hakadosh", or "Arizal). Rabbi Azikri expresses the importance of expressing ones love of the Divine through song. His song Yedid Nefesh is sung by many Jewish communities around the world Friday night and Shabbat afternoon.





Ana El Na Refa Na La, this prayer was said by Moses for his sister Miriam, in Numbers 12:13 “Heal her now, O God, I beseech you”. This artwork brings radiance of healing to its surroundings. This artwork was designed to open channels for Healing merely by possessing it and looking at the letters.

Roni


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ari Synagogue | Safed




Shabat Shalom!


Pintura de isaac Frenel


Cartas de Lisboa | Vayechi


Vayechi

”Jacob blessing Ephraim and Manasseh” por Wenceslas Hollar

Na parsha desta semana lemos sobre a formação de duas das futuras tribos do povo judeu, Menashe e Efraim.




Menashe e Efraim eram, naturalmente, filhos de José, e apenas netos de Jacó. No entanto, a partir deste ponto em diante eles são incluídos como líderes por direito próprio, como se fossem os filhos de Jacob.





O que intriga muitos comentaristas é a sequência da conversação que descreve esta nomeação.


Imediatamente depois de mencionar que Efraim e Menashe "são meus, como Reuven e Shimon," Jacó continua discutindo sobre a morte da sua esposa Raquel (a mãe de José) e o seu enterro "a caminho de Efrat". (Bereshit 42: 5-7)



Rachel's Tomb, 1931 por Ludwig Blum

Por que é que Jacó interrompe a sua discussão sobre Efraim e Menashe? Por que traz à baila a história de Raquel?




No Tzror Hamor, o Rabino Abraão Sabá oferece uma explicação muito prática; a morte prematura de Raquel impediu-a de ter mais filhos. Por conseguinte, a adição de Efraim e Menashe, (netos de Raquel) representam Raquel no destino da família como se fossem seus próprios filhos.





Dom Isaac Abravanel, no seu comentário, encontra uma outra dica para essa conexão entre a morte de Raquel e a ascensão dos filhos de José. Na narrativa de Jacó, a localização "Efrat" é mencionada duas vezes. Isto - diz Dom Abravanel, alude a Efraim, cujo nome é semelhante à palavra Efrat.




Jacob está efectivamente a dizer-nos que a inclusão de Efraim como líder, está ligada á morte de Raquel e o seu posterior enterro em Efrat. Menashe, filho mais velho de José teria sido o representante natural da tribo de José e portanto a sua presença não é literalmente falando, uma adição.




O Rebe Lubavitcher discorre sobre esta ideia, explicando que, em última análise, é no mérito de Raquel que Efraim e Menashe se tornaram "Shevatim", líderes do povo judeu.





Quando o povo judeu era levado para o exílio, no caminho e longe de suas casas, eles rezaram no lugar de descanso de Raquel – a sua matriarca.

Raquel, foi enterrada sozinha em Bet-Lechem, longe de Hebron e da caverna de Machpela, "no caminho para Efrat", e foi uma das razões que levaram à escolha de Efraim e Menashe.




Com efeito, Jacó não interrompe este episódio de todo em todo; ele está apenas a dar-nos a informação no cerne desta questão; que Efraim e Menashe foram nomeados, devido à abnegação e sacrifício da sua avó Raquel.




Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Fontes das Imagens:
Rebbe Lubavitcher por Yitzchak Molly

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Manuscritos Hebraicos da Biblioteca do Duque de Sussex




Um Tesouro da British Library


Pentateuco Italiano do Duque de Sussex, c. 1400



     A imagem anterior mostra o início do livro de Deuteronómio (Devarim), com destaque para a letra alef, א que aparece emoldurada por uma grinalda de flores. É a primeira letra da palavra Eleh - Deuteronómio 1:1: «Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, …». O manuscrito em questão, um Pentateuco produzido em Itália, por volta de 1400, pertenceu a uma colecção de manuscritos hebraicos da Biblioteca do duque de Sussex, adquiridos em 1884 pelo British Museum, agora British Library. 




Augusto Frederico, Duque de Sussex (1773-1843)



     Augusto Frederico, duque de Sussex, foi o nono dos quinze filhos do rei Jorge III de Inglaterra (1738-1820) e da rainha consorte Carlota Sofia de Mecklenberg-Strenitz (1744-1818). O mais velho veio a ser Jorge IV de Inglaterra (1762-1830).

     Augusto Frederico foi um bibliófilo apaixonado. Dos 50 000 exemplares catalogados na sua biblioteca, 12 000 eram teológicos; destes, 300 eram manuscritos, sendo 51 hebraicos. Neste breve artigo vamos conhecer alguns manuscritos hebraicos conhecidos pelo nome do seu último dono, o duque de Sussex. 



Pentateuco Alemão do Duque de Sussex, c. 1300




Folio 1, Génesis



Capa do livro de Génesis (Bereshit) - Painel com a palavra Bereshit (“e no início”), em letras douradas, incorporado numa estrutura de arcos góticos, com um leão, uma águia, um veado e quatro dragões aos cantos.




Folio 75v, Êxodo



Iluminura de estrutura gótica, com dragões. Ao centro a palavra V’eleh, em letras douradas, no início do livro do Êxodo (Shemot) – Êxodo 1:1: «E estes são os nomes dos filhos de Israel…». A circundar a palavra V’eleh, estão dispostos 16 pequenos medalhões, cada um com um animal diferente.




Folio 137, Levítico



Painel com losangos habitados por águias e leões coroados. Ao centro, em letras douradas sobre fundo azul, a palavra Vayikra (“E chamou a Moisés,…”), no início do livro de Levítico (Vayikra).




Folio 179v, Números



Painel com híbridos, dragões e quatro cavaleiros (com a aparência de cruzados) segurando estandartes com o símbolo das quatro tribos acampadas à volta do Tabernáculo (Judá, Rúben, Efraim e Dan), e ainda a palavra Vayedaber (“E falou o Eterno a Moisés no deserto do Sinai…”), no início do livro de Números (Bamidbar). 




Folio 238, Deuteronómio






 A palavra Eleh, no início do livro de Deuteronómio (Devarim) 1:1: «Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, …», em letras douradas, situada ao centro do painel, decorado com estruturas arquitectónicas góticas habitadas por híbridos e dragões. Em baixo, um elefante incorporado numa Estrela de David. 




Folio 397v, Livro de Esther



Iluminura da página de abertura do Livro de Esther, com a palavra Va’yehi (“Aconteceu nos dias…”), em letras douradas, incorporada numa cercadura com vários animais. 




Folio 296v, Cântico dos Cânticos



Iluminura da página de abertura de “Cântico dos Cânticos” (Shir Hashirim). A palavra Shir (Cântico) aparece em letras douradas, ladeada por um urso e um unicórnio. 




Folio 294, Livro de Rute



Painel com a palavra inicial do Livro de Rute – Va’yehi (“Aconteceu”), híbridos, um veado e um leão, com uma cercadura de flores.




Folio 302, Eclesiastes



Painel com Divrei (“Palavras”), no começo de Eclesiastes (Kohelet) – Eclesiastes 1:1: «Palavras de Kohelet, filho de David, rei de Jerusalém.» A palavra está cercada por pequenos medalhões, onde habitam vários animais, e incorporada numa estrutura arquitectónica gótica com o rei David a tocar harpa, ladeado por um leão e um cervo.



 Bíblia Espanhola do Duque de Sussex, Catalunha,
meados do século XIV



ff. 3v-4, Alfaias Litúrgicas do Templo



Os painéis, magnificamente pintados, exibem uma combinação de utensílios do Tabernáculo do Deserto (Mishkan), do 1º Templo (de Salomão), do 2º Templo (de Herodes) e do futuro Templo Messiânico, conforme descrição de Rashi e Maimónides. A Menorá (candelabro de 7 braços), a Arca da Aliança, o Jarro do Maná, e outras alfaias outrora existentes no Templo, são executadas a folha de ouro sobre fundo colorido.






Na página esquerda podemos observar um estilizado Monte das Oliveiras. É uma alusão à visão messiânica de Zacarias (Zacarias 14:4: «Naquele dia, Seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém…»)

O tema do messianismo, inerente às imagens desta Bíblia, é a resposta dos Judeus às perseguições e ao ódio que lhes eram movidos na Espanha cristã medieval. Como tal, retratar as alfaias do Templo pode ser interpretado como uma afirmação de continuidade, de resistência e de afirmação da identidade judaica.



Bíblia Italiana do Duque de Sussex (Ferrara?), 1448 ou 1498





Folio 313v, Crónicas



Iluminura com a palavra Adam, no início de Crónicas (Divrei Haiamim) – Crónicas 1: «Adão [Adam], Shet, Enosh,…»




ff. 49v-50, Cântico do Mar



Enquadrada numa cercadura floral com medalhões habitados por animais, surge o “Cântico do Mar” (Êxodo 15:1-18), o cântico de Moisés que é o documento poético mais antigo da literatura hebraica. No cântico do Mar Vermelho, Moisés e o Povo de Israel expressam o seu louvor ao Eterno em reconhecimento ao grande milagre que os libertou do cativeiro do Egipto.



 Êxodo 15:1-2: «Então cantaram Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Eterno, e disseram: Cantarei ao Eterno, que gloriosamente Se enalteceu; cavalo e cavaleiro atirou ao mar. Minha fortaleza e meu cântico é D’us, e Ele foi a minha salvação.»



Este artigo foi elaborado na íntegra por,
Sónia Craveiro


Muito Obrigada
Beijinhos J



  
Fontes:

Bíblia Hebraica, Editora & Livraria Sêfer;