sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"A alma do homem é a vela de D'us".





Shabat Shalom!


Fonte:
Tolonensis Creation

Cartas de Lisboa | Toldot





A Anatomia de uma Bênção


Um dos temas centrais na Parasha desta semana é a bênção dada por Yitschak. Depois de tentar abençoar Esau, Ya'akov é quem, em última instância, acaba por receber a bênção.


Um dos elementos peculiares desta história é o pedido de Yitschak a Esau. Como pré-requisito para receber a bênção, Yitschak pede a Esau para primeiro lhe preparar uma refeição.



Porque seria a preparação de uma refeição, uma condição para ser abençoada?


Em hebraico, a palavra para bênção é "Beracha." O que é uma bênção, e como é que ela funciona?


Dom Abarbanel na nossa Parashá, diz-nos que há três tipos de bênçãos:

1)   A bênção de D-us para com as Suas criações.
2)  Bênçãos em que os seres humanos abençoam D-us.
3)  A bênção de uma pessoa para outra.

Embora a palavra usada para descrever todas estas situações seja a mesma, "beracha", cada um dos casos acima mencionados tem características e qualidades muito distintas.



A bênção de D-us, é em si, um acto de bondade que está sendo concedido diretamente ao destinatário da bênção.






Quando um indivíduo abençoa D-us no entanto, diz Dom Abarbanel que é mais uma expressão de louvor e apreço.








A terceira bênção, de uma pessoa para outra, diz Dom Abarbanel, é um esforço para melhorar o estatuto do destinatário de modo a tornar mais digno de receber a benevolência de D-us.





Com isso em mente tornam-se mais clara as instruções dadas por Yitschak a Esau. Pedindo-lhe para que primeiro lhe prepare uma refeição, e em seguida, para que o abençoe.




O que Yitschak queria através do cumprimento do mandamento de honrar os seus pais, era que Esau, se tornasse mais digno da dita bênção ao tornar-se um destinatário mais adequado.



Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Imagens de:

Jacob Deceives Isaac (watercolor circa 1896–1902 by James Tissot)
The Mess of Pottage (watercolor circa 1896–1902 by James Tissot)
Hanna Fluk;  Elena Flerova; Boris Dubrov

terça-feira, 18 de novembro de 2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A Invenção do Nariz Judeu!



Por Sara Lipton




Museu da Diáspora, Tel Aviv
Uma miniatura representando a expulsão dos judeus da França. Os judeus não são todos mostrados com o nariz adunco, no entanto, o homem de nariz adunco nesta imagem retrata um sargento real, cujas características brutas indicam o seu baixo estatuto social. Cortesia de: “Grandes Chroniques de France, 1182”.




Em 1940, os nazis lançaram um filme de propaganda chamado “The Eternal Jew”. O filme tinha como intuito mostrar os judeus em seu "estado original", "em vez da imagem de europeus civilizados." Uma série de rituais judaicos foram ironizados com cenas em que os judeus usavam as sua kipot e tinham como vestuário, roupas sujas e esfarrapadas, onde estes mesmos judeus eram arrastados para becos lotados. Tudo isto para mostrar a natureza da vida judaica como sinónimo de ignorância. Acima de tudo, os cineastas salientavam os rostos dos judeus. Eles focavam as suas câmaras nos seus olhos, narizes, barbas, e bocas, confiantes de que a visão de certas características estereotipadas iria despertar reacções de ódio e desprezo.




Um cartaz para o filme, Der Jude Ewige



O designer de cartaz do filme evidentemente concordou, mas aqui, evitando os símbolos mais óbvios da identidade judaica (kipot (solidéu), peyot (patilhas longas e encaracoladas) e estrelas de David) em favor de um único e escuro, nariz adunco e rosto carnudo. Na verdade, o cartaz não precisava do título que o acompanha. Na Europa, em 1940, esta representação do judaísmo era generalizada: representações semelhantes de judeus podiam ser vistos em cartazes e em panfletos, jornais, até mesmo livros infantis.

Esta imagem do judeu, no entanto, estava longe de ser "eterna". Embora o anti-semitismo seja notoriamente "o ódio mais longo," não foram facilmente distinguíveis judeus de qualquer tipo no imaginário ocidental, muito menos o homem moreno estereotipado com o seu nariz adunco próprio de judeu. Monumentos e manuscritos anteriores representaram profetas hebreus, exércitos israelitas, e os reis judaicos, mas eram identificáveis apenas pelo contexto, de maneira nenhuma apontada como diferente de outros sábios, soldados, ou reis. Até mesmo as personagens de judeus nefastos, tais como os sacerdotes (pontífices) que relatam a sua insistência com Pilatos para crucificar Cristo no Egbert Codex (cerca de 980), eram visualmente normais; e aqui sim, eram necessários títulos para identificá-los como judeus.
















Jesus diante de Pilatos, os sacerdotes, e os soldados (João 19: 5), Egbert Codex, por volta de 985



Quando os artistas cristãos começaram a destacar os judeus, não foi através dos recursos dos seus corpos, nem mesmo nas particularidades dos rituais, mas sim, com chapéus. Por volta do ano 1100 da E.C., um momento de erudição bíblica intensificou o interesse crescente no passado, bem como a grande inovação artística, os artistas começaram a prestar mais atenção nas imagens do Antigo Testamento, que tinham sido relativamente negligenciadas a favor das ilustrações na arte mediaval do Novo Testamento. Profetas hebreus começaram a aparecer nas páginas da Bíblia ricamente iluminadas e nas fachadas esculpidas das igrejas românicas usando chapéus de pontas distintas, imagens estas que foram crescendo em toda a cristandade ocidental.




Kikirpa, Bruxelas
Uma carta com a imagem do profeta Sofonias, da Bíblia Lobbes, 1084



No entanto, a chapelaria dos profetas não tinha nada a ver com a roupa judaica real (não há nenhuma evidência de que os judeus da época usassem esses chapéus, ou quaisquer chapéus de tudo, até porque os judeus religiosos não cobrem regularmente as suas cabeças até o século XVI). O "chapéu de pontas judeu" é baseado nas mitras dos sacerdotes persas antigos e na simbologia da autoridade religiosa.

Ao contrário, este tipo de chapéu tinha aparecido nos manuscritos, afrescos, mosaicos e esculturas de marfim sobre as cabeças dos três Reis Magos, aqueles "sábios do Oriente que levaram os presentes para o menino Jesus”, e tão claramente não tinha nenhuma conotação negativa. Em vez disso, o chapéu deu azo a obras de arte inovadoras em que Hebreus apareciam com uma aura de antiguidade sagrada. Este facto acabou por ajudar a defender a construção de uma nova imagem nas novas obras de arte e manuscritos carregados de acusações de "inovações", uma acusação grave, na cristandade medieval e numa sociedade conservadora que temia a mudança. Pela mesma razão, os profetas usam barbas, símbolos de maturidade, sabedoria e dignidade. (Assim como os chapéus, as barbas têm um pouco a ver com a aparência de judeus reais ou de práticas religiosas, apesar que os homens judeus não eram de forma uniforme barbudos nesta altura.)

Mas a aparência e o significado dos judeus na arte ocidental iria mudar ao longo do tempo consoante as preocupações cristãs e as necessidades devocionais. Além disso, a arte afecta, bem como reflete ideias. O uso da imagem de hebreus na arte influenciou a forma como os cristãos imaginavam e pensavam sobre os judeus, logo as atitudes cristãs e políticas em relação aos judeus, foram consequentemente transformadas. Num caso notável de arte imitando a vida, em 1267, dois conselhos da igreja ordenaram que os judeus fossem obrigados a usar chapéus pontudos ", como os seus ancestrais costumavam fazer.

"Na ausência de álbuns de fotografias centenárias, deve-se concluir que a evidência primária aponta que a forma como “eles se vestiam”, provém da arte cristã.




Pierpont Morgan Library, Nova Iorque
A Imperatriz Helena obriga Judas para revelar o local da Verdadeira Cruz, um detalhe da Stavelot Tríptico, circa 1155



Depois do aparecimentos das obras cristãs de profetas hebreus a usarem chapéu por várias décadas, por volta de 1140, a associação persa original acabou por ser esquecida.
Os chapéus pontudos tornaram-se assim um dos símbolos do judaísmo. Eles começaram a aparecer numa ampla gama de figuras judaicas, e não apenas os profetas e patriarcas do Antigo Testamento, mas também personagens judaicas da literatura e lendas. Nestes novos contextos, as qualidades anteriormente positivas da antiguidade e autoridade tinha agora conotações negativas. Num tríptico esmalte datado de cerca de 1155, agora na Biblioteca Morgan, o judeu chamado Judas Ciríaco, que pela Imperatriz romana Helena foi forçado a revelar a localização da Verdadeira Cruz, não é um profeta reverenciado. Aqui, o seu chapéu e barba servem para confirmar a antiguidade, e assim a confiabilidade, da sua informação. Mas existe uma outra interpretação que se prende a uma lei estéril e substituída em que, “ O chapéu serve como uma representação da doutrina cristã, da superação, que considerou que as regras e ritos hebraicos foram tornados obsoletos pelas práticas cristãs "espirituais".




Réunion des Musées Nationaux / Art Resource, Nova Iorque
Jesus pregado na cruz, sob a direção de carrascos judeus e gentios, moldura em esmalte relicário, circa 1170



Na segunda metade do século XII, uma nova tendência devocional promove a contemplação compassiva do mortal; a do Cristo sofredor, assim os artistas voltam a sua atenção para os rostos dos judeus. Na obra de arte acima colocada, o judeu central no grupo à esquerda do Cristo crucificado tem um grande nariz adunco completamente fora da proporção, tanto em relação ao seu rosto, como em relação aos rostos das outras figuras nesta moldura. Embora este perfil grotesco se assemelhe a uma caricatura antissemita racialista moderna, não parece ainda assim, ter o mesmo significado. Não há textos cristãos escritos até esta altura que atribuam quaisquer características físicas específicas para os judeus, muito menos que se referiram à existência de um peculiar "nariz judeu." Em vez disso, esta imagem é a da sinalização do ódio étnico, e o rosto feio deste judeu apenas reflete as preocupações cristãs contemporâneas. De acordo com as novas devoções, as obras de arte tinha apenas começado a retratar Cristo como homem humilhado e a morrer. Alguns cristãos lutaram contra as novas imagens e desta visão do sofrimento divino, mas os defensores das novas devoções criticaram tal resistência. Não sendo propriamente movidos por representações da aflição de Cristo, os judeus eram identificados com formas de olhar de “ coração duro". Nesta e muitas outras imagens, o nariz proeminente do judeu serve principalmente para chamar a atenção para o ângulo da sua cabeça, virada para que fique longe da vista de Cristo.


No restante século, e durante várias décadas para além deste, a forma do nariz dos judeus na arte permaneceu muito variada mas sempre para constituir marcadores de identidade. Ou seja, os judeus ostentavam muitos tipos diferentes de "maus" narizes - alguns compridos e afilado, outros semelhantes a um focinho, mas os mesmos narizes apareciam igualmente em muitos "maus, mas não-judeus”, bem como, e assim sendo, este tipo de nariz continuava a não ser uma identificação dos judeus, apesar de sempre aparecer com uma má conotação. Até o final do século XIII, no entanto, um movimento em direção ao realismo na arte e um aumento do interesse na fisionomia, acaba por estimular os artistas a elaborarem sinais visuais de etnia nas suas obras. A gama de recursos atribuídos aos judeus eram agora consolidadas e interpretadas de forma restritiva simultaneamente, com o rosto grotesco e naturalista, o nariz adunco, barba, chapéu pontudo, nasce a caricatura dos judeus. 




Foto Marburg / Art Resource, Nova Iorque
Imperador Henrique VII aceita um pergaminho da lei de um judeu romano, Codex Trevirensis, 1341



Esta imagem serviu alguns propósitos. Sendo vivida de forma carnal e realista, o rosto do judeu era para os cristãos a imagem secular e física do mundo material, num reino em que os judeus tinham sido sempre associados à polémica cristã. Isso explica porque esta ilustração é projetada para exibir a soberania mundana do imperador alemão Henrique VII, na qual é retratada a aceitação de um rolo de papel que lhe é oferecido por um fisionomicamente caricaturado judeu.

Noutros outros casos, a caricatura associada ao erro e à infidelidade. Numa ilustração do Salmo 52 do século XIV ("Diz o insensato no seu coração:" Não há Deus "), não é necessário um chapéu para identificar o louco e beberrão de vinho como um judeu; ele é evidente através das suas próprias acções. No entanto, a iluminura não indicia exclusivamente a incredulidade dos judeus. O Salmo 52 refere-se a todos os idiotas alcoolizados, homens com as mãos em punho, um pecador, ou um bobo da corte; Podemos, portanto, identificar a outra figura na página como sendo um louco. Mas na companhia do nosso judeu caricaturado, e à luz dos seus muito diferentes (isto é, perfeitamente genéricos) recursos, somos obrigados a lê-lo como um "cristão" especificamente (ou pelo menos Gentile) Louco descrente. Apesar de sua caricatura anti-judaica desagradável, esta imagem dificilmente age para diferenciar os judeus dos cristãos. Na verdade, ela une a ideia do judeu, com a moral dos cristãos, os “Outros", enfatizando a natureza defeituosa da fé de ambos; a fé judaica e a cristã.




No Museu Metropolitano de Arte de Recursos | Nova Iorque
Uma ilustração do Salmo 52: "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus '", um detalhe do Saltério de Bonne de Luxemburgo, por volta de 1340



É difícil ter conforto neste moralismo ecumênico. O poder das imagens, o vivamente "real", a diferença carnuda do rosto caricaturado do judeu, num rosto oprimido e a sua subtil mensagem espiritual.

Atitudes cristãs em relação a eles próprios, á fé, e D’us mudaram visivelmente menos até o final da Idade Média do que as atitudes cristãs em relação aos judeus. Quatro séculos de judeus retratados na arte com um chapéu pontudo, nariz grande e barbudos acabou por induzir os cristãos a considerarem os judeus como seres diferentes e socialmente distantes. Quando os cristãos na realidade e de perto não conseguiram encontrar essas diferenças físicas e sociais, eles impuseram-nas na lei e nos estatutos notórios, como os emblemas para judeus, e em leis que obrigavam ou empurravam os judeus para bairros marginais, até que no final e através dos soberanos, acabaram por expulsar os judeus de todos os reinos.

O "judeu eterno" e "o ódio mais longo" são rótulos igualmente enganosos. Nem os próprios judeus, nem as atitudes para com os judeus eram estáticas ou imutáveis. Apesar de imagens idênticas, estas podem ter significados radicalmente diferentes. Mas a história da iconografia anti-judaica revela uma constante na cultura ocidental bem conhecida; a propaganda nazi e a força visceral da imagem visual.




Mais recente livro de Sara Lipton, Dark Mirror: As origens medievais de Iconografia Anti-judaica foram publicadas este mês pela Metropolitan Books.

Fonte:




O link deste artigo foi-me enviado carinhosamente pela minha amiga,

Fernanda de Sá Couto
Muito obrigada


Beijinhos J

sábado, 15 de novembro de 2014

L'Dor Vador: from Generation to Generation II



Shavua Tov!

“As My Father Planted For Me,  So Do I Plant 
For My Children”




“Know Whence You Came and Whither You Go”

Nancy Current Art

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cartas de Lisboa | Chayei Sarah




Chayei Sarah


Shacharit


O Tálmude (Berachot 26b) diz-nos, que as três orações diárias, Shacharit, Minchá e Maariv, tiveram a sua origem com os Patriarcas.


O Tálmude liga cada uma das orações a um indivíduo específico. Na nossa Parsha, a Torá descreve o momento em que Rivka chegou para se encontrar com o seu futuro marido Yitschak. "Yitscak saiu para rezar nos campos quase ao chegar da noite." (Bereshit 24:63)



Encontro de Rivca/Isaac


Diz o Tálmude, que esta oração é a oração Mincha que fazemos hoje em dia, quase ao chegar da noite - antes de anoitecer.



Minchá


Dom Abarbanel, no seu comentário sobre a Parsha, aborda uma questão simples:


Por que é que foram escolhidos estes momentos específicos? Não seria qualquer altura boa altura para a oração?

Explica Dom Abarbanel, estes precisos momentos durante o dia foram escolhidos por uma razão.

Num ambiente onde o sol, a lua e as diferentes constelações eram objectos de culto, a família de Avraham queria mostrar ao mundo a falácia dessas crenças.

Ao fazer isso, eles escolheram as alturas do dia em que grandes mudanças ocorrem. O nascer do sol na parte da manhã, ou quando o dia escurece e se torna noite; apresentam extrema mudança e flutuação.



Noite - Maariv


À medida que estes corpos celestiais seguem nas suas orbitas e os seus efeitos sobre a Terra mudam, é essa a altura que os nossos antepassados escolheram para orar; ensinando ao mundo que apesar de que tudo o mais está em movimento, a fé e confiança em D’us essas são constantes.


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabbi


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Pinturas/desenhos de:

Zvi Raphaeli – “Shacharit”
Gustave Doré – “Encontro com Rivka e Isaac”
Zvi Raphaeli – “Sinagoga”
Vincente Van Gogh – “Céu estrelado”

L'Dor Vador: from Generation to Generation




Shabat Shalom!


L'Dor Vador  - Como adquirir Sabedoria



L'Dor Vador  - O 1º passo é o Silêncio



L'Dor Vador  -  O 2ª passo é Ouvir



L'Dor Vador  -  O 3º passo é Lembrar



L'Dor Vador  -  O 4º passo é Praticar



L'Dor Vador  - E o 5º passo é Ensinar aos outros.


Nancy Current Art

domingo, 9 de novembro de 2014

MISHNÉ TORÁ





A obra magna de Maimónides


Mishné Torá, Introdução, fol. 11v-12, Lisboa, 1472,
British Library, Londres



          Na imagem acima podemos observar a Introdução à Misnhé Torá de Maimónides. Os fólios pertencem a um manuscrito sefardita produzido em Lisboa, no século XV. O fólio 11v (direito) com duas citações do Deuteronómio – 1:5 «Além do Jordão na terra de Moab, começou Moisés a explicação desta Lei», e 4:44 «E esta é a Lei que Moisés pôs diante dos filhos de Israel»; o fólio 12 (esquerdo) com a Introdução propriamente dita.

     Mishné Torá (Repetição da Torá) refere-se normalmente ao nome originalmente usado para o Livro de Devarim (Deuteronómio, o quinto livro do Pentateuco). Também se designa por Mishné Torá o código da Lei Judaica compilado por Maimónides, que conta com centenas de capítulos que descrevem todas as leis mencionadas na Torá. 




Escultura de Moisés ben Maimon, Antiga Judiaria de Córdova



     Moisés ben Maimon (Córdova, 1135-Cairo, 1204), mais conhecido por Maimónides, ou RaMBaM, o acrónimo hebraico para “Rabi Moshe ben Maimon”, foi a figura mais importante do judaísmo andaluz e uma das mais relevantes do judaísmo medieval. As suas obras sobre medicina, direito, teologia e filosofia, a maioria escrita em árabe e traduzida para o hebraico, o latim e outros idiomas, influenciaram tanto o mundo judeu como o não judeu. 




Mishné Torá, Secção dedicada às leis sobre a idolatria (Maimonides, De Idolatria), traduzida para o latim por Dionysius Voss, Amsterdão, 1641, Library of Congress, Washington




     De 1159 a 1164 Maimónides viveu em Fez, Marrocos, onde se refugiou com a família devido às perseguições religiosas dos fundamentalistas Almóadas, que haviam conquistado Córdova. Foi durante este período de cinco anos que realizou grande parte do trabalho para o seu comentário da Mishná. Novamente em fuga para escapar à perseguição religiosa, saiu de Fez, passou pela Terra Santa, estabelecendo-se posteriormente no Cairo, no ano de 1166, onde viveu até ao final da vida. Lá veio a ser Rabino-Mor da comunidade judaica e médico respeitado, chegando a servir como médico pessoal do Grão-Vizir al-Fadil. 




Mishné Torá, Livro do Conhecimento (Sefer Hamadá), Espanha, 1400
Biblioteca Nacional de Israel, Jerusalém




     Maimónides concluiu a Mishné Torá por volta de 1180. A obra é uma síntese magistral dos dois Talmudes (da Babilónia e de Jerusalém). Nela o autor considera todas as opiniões conhecidas até sua à época sobre a Halachá (Lei Judaica). Redigida em língua hebraica, descreve de forma muito clara todos os preceitos da vida judaica e está organizada em catorze livros. Por este motivo também é chamada “Yad Hachazacá” (“A Mão Forte”), sendo que a palavra yad significa “mão” e tem o valor numérico de catorze. 




Mishné Torá, Livro do Amor (Sefer Ahavá), Espanha, 1400




Sefer Ahavá (detalhe)



   O primeiro livro – Livro do Conhecimento (Sefer Hamadá), versa sobre os conhecimentos básicos da Torá, relacionados com a fé judaica. O segundo – Livro do Amor (Sefer Ahavá), é sobre as leis referentes à obrigação de amar D’us. 






Mishné Torá, Livro dos Tempos (Sefer Zemanim),Norte de Itália, 1475,
Biblioteca Apostolica Vaticana, Roma




      As duas iluminuras anteriores pertencem a um Mishné Torá produzido em Itália, entre 1451 e 1475. A segunda faz parte do Livro dos Tempos (Sefer Zemanim), que trata das festividades. À direita, um grupo de convivas celebra a Festa de Purim (estão fantasiados e dançam); à esquerda, celebra-se a Festa das Cabanas (Sukkot).




Mishné Torá, Livro dos Juízes (Sefer Shoftim), Norte de Itália, c. 1457,
Museu de Israel, Jerusalém




    O último livro, Livro dos Juízes (Sefer Shoftim), é sobre os direitos e os deveres dos magistrados, do Sinédrio e dos reis. A iluminura anterior, de um manuscrito em escrita asquenazita, apresenta a palavra Shoftim (Juízes) em letras douradas sobre fundo azul. Por baixo está um homem (o réu), ladeado de dois guardas, de frente para quatro juízes sentados. 



 Mishné Torá de Maimónides. Fólio 434v, cólofon do escriba, Escola de Iluminuras de Lisboa, 1472. Bristish Library, Londres. 




     O Talmude diz-nos que a Torá contém 613 mandamentos (248 positivos e 365 negativos), mas não providencia uma lista dos mesmos. Maimónides, à imagem de outros sábios antes dele, ordenou uma lista completa dos 613 mandamentos, que constam da sua Mishné Torá. Destes, o RaMBaM considerou treze fundamentais: são os “Treze Princípios da Fé Judaica”, hoje aceites por todos os judeus, que estabelecem os principais pontos de afirmação e crença no D’us único e na Sua revelação a Moisés, o profeta. Versões abreviadas dos “Treze Princípios da Fé Judaica” fazem parte da maioria dos livros de oração judaicos.

    Propomos agora a audição de uma melodia sefardita para Yigdal, um hino religioso que partilha com Adon Olam, de Shelomo ibn Gabirol (Málaga, 1020-1059), um lugar de honra no início do ofício da manhã e no final do ofício da noite. Yigdal – D’us é Grande, é baseado nos treze artigos de fé (13 Credos) formulados por Maimónides; os artigos foram versificados pelo juiz Daniel ben Yehudah Dayan, que os elaborou ao longo de oito anos, tendo-os terminado em 1404, na cidade de Roma. 



Avraham Perrera - YİGDAL     





Mishné Torá, Rambam, 1574, Veneza, Chabad Library



     São várias as correntes judaicas que estudam a Mishné Torá, destacando-se as do ramo Chabad que realizam um ciclo anual de estudos da obra.

     Em Tiberíades, o caminho que conduz ao túmulo de Maimónides é ladeado por 14 colunas, 7 de cada lado, onde estão inscritos os 14 capítulos da Mishné Torá.

     Entre os judeus o respeito infundido por Maimónides é tão grande, que sobre o grande pensador circula a máxima: «De Moisés a Moisés não houve outro como Moisés».



Mishné Torá, fol. 11v, barra inferior com dragão (direita), pavão (centro) e leão (esquerda), Lisboa, 1472





E resta-me agradecer mais uma vez por este artigo elaborado na integra por:  

Sónia Craveiro

Muito obrigada J 


Beijinhos






Fontes:

 http://geraladmin.wix.com/gloria#!flores-raras-e-espetaculares/cx1y 
https://www.youtube.com/watch?v=V24JtsMF6pc