terça-feira, 4 de março de 2014

Mais um pintor Judeu - צחק פרנקל







Yitzhak Frenkel (hebraico: יצחק פרנקל , foi um pintor israelita, nasceu a 1899, morreu em 1981), também conhecido como Alexandre Frenel.

Auto-retrato do artista no seu estúdio.



Yitzhak Frenkel nasceu em Odessa, Ucrânia, no Império Russo. Ele era neto do famoso Rabino Levi Yitzchok de Berditchev. Em 1917, estudou com Aleksandra Ekster na Academia Belas Artes de Odessa. 



Sinagogas em Safed




Frenkel imigrou para a Palestina em 1919 fazendo parte da primeira onda de colonos da Terceira Aliyah. O artista morreu em Tel Aviv em 1981 e foi sepultado em Safed.

Placa memorial em Tel Aviv


Em 1920, ele estabeleceu a 'cooperativa dos artistas de Jaffa e dos artistas 'estúdio em Herzliya. Mais tarde naquele ano, ele viajou para Paris, onde estudou com os École des Beaux-Arts e na Académie de la Grande Chaumière nos estúdios do escultor Antoine Bourdelle e pintor Henri Matisse. Ele foi um dos principais artistas judeus da École de Paris. Frenkel voltou para a Palestina em 1925 e abriu a Histadrut Art School, em Tel Aviv. 



Figuras de Safed


Entre seus alunos, Shimshon Holzman, Mordechai Levanon, David Hendler, Joseph Kossonogi e Siona Tagger. Ele foi um mentor para os estudantes de Bezalel Avigdor Stematsky, Yehezkel Streichman, Moshe Castel, e Arieh Aroch.




Figuras de Safed


O estilo de Frenkel estava mais perto da pintura abstrata que expôs em Paris, que o orientalismo que era popular na Palestina naquela época. Em 1934, estabeleceu-se em Safed. Ai, ele pintou as sinagogas antigas, ruas estreitas, os habitantes locais e paisagens envolventes. Em 1973, reabriu a sua casa como um museu mostrando seu trabalho. Em julho de 1978, Frenkel tinha uma exposição individual na Orangerie, em Paris.



Boda em Safed

Frenkel ganhou o Prémio Dizengoff por duas vezes, a primeira em 1938 e novamente em 1948. Ainda, o artista participou na primeira e na segunda exposição Veneza Bienais.



Músicos Klezmer


Músicos


E deixo-vos com algumas paisagens, de Safed e  de Jerusalém e ainda algumas urbanas.





Jerusalém




Safed  em cima e Paisagens urbanas em baixo.





Para não terminar abruptamente: “Simchá Torah”


E podia continuar todo o dia a adicionar mais obras deste pintor…mas vou guardar para outro dia. J


Fontes:


O dia de hoje na história judaica - 2 Adar 5774




Terremoto em Agadir


Centenas de judeus, incluindo alguns estudantes da Yeshivá Chabad local, estavam entre as vitimas que pereceram no terremoto devastador que atingiu Agadir, Marrocos, em 2 de Adar do ano 5720 da era Judaica.



O terremoto de 1960 Agadir ocorreu numa segunda-feira, no dia 29 Fevereiro às 23:40Hrs. Apesar de sua moderada magnitude de 5,7 na escala de intensidade Mercalli, na sua intensidade máxima, tornou-se extremamente devastador. Cerca de 12 mil pessoas (um terço da população da cidade) morreram e outros 12 mil ficaram feridos, pelo menos, 35.000 pessoas ficaram desabrigadas, tornando-se o mais destrutivo e mortífero terremoto marroquino da história. A proximidade com o porto da cidade de Agadir, e métodos de construção insatisfatórios foram os motivos declarados pelos engenheiros e sismólogos para a razão de tanta destruição.




Fontes:

segunda-feira, 3 de março de 2014

E ainda no Sul de Portugal



FARO

Muralhas da cidade velha de Faro


A cidade portuguesa com cerca de 44.000 habitantes, capital do Algarve, albergou na época medieval, como outras localidades da região, uma comunidade judaica.

Conquistada pelos Mouros em 718, esteve sob o domínio muçulmano até 1249, em que é "reconquistada" pelas tropas de D. Afonso III, que lhe viria a conceder duas cartas forais em 1266 e 1269.


Na altura do século XIII existia já uma importante comunidade judaica, tal como testemunha uma pedra tumular datada de 1315 com o nome de Josef Dotomb, que se supõe ter sido rabino, e que foi encontrada num espaldão militar onde se situa hoje o Centro Histórico Judaico de Faro. Extramuros situava-se a Judiaria de Faro, a sul da R. de Santo António e confinava com a Alagoa.


Porém, a chegada maioritária dos Judeus a Faro, na sua maioria mercadores, dá-se na época dos Descobrimentos Marítimos Portugueses.


A judiaria de Faro ficava situada no local onde hoje se encontra o Convento de Nª. Srª. da Assunção (Museu Infante D. Henrique).




A comunidade judaica de Faro foi sempre uma das mais distintas da região algarvia e das mais notáveis de Portugal, contando com muitos artesãos e gente empreendedora e destacada por ter sido o berço da imprensa em Portugal.



De facto, possuía uma oficina de copistas (1391). Uma das suas figuras mais relevantes foi o tipógrafo Dom Samuel Gacon (ou Porteiro), quem em 1487 editou o primeiro livro impresso em Portugal, o Pentateuco, uma obra em língua hebraica fundamental nas sinagogas. O único exemplar conhecido desta edição ainda em existência encontra-se na colecção permanente da Brittish Library, em Londres.

O primeiro livro impresso em Portugal imprensou-se em Faro em 1487 e foi uma edição do Pentateuco (Torá) escrito em língua hebraica. (Facsimile do Pentateuco hebraico da oficina de Samuel Gacon)


Em 1492 D. Samuel Porteiro editou também o Talmud, constituído pelo "Tratado do Divórcio" e o "Tratado dos Juramentos".

A manifesta prosperidade dos Judeus farenses no século XV é interrompida pelo Édito emitido por D. Manuel I, em Dezembro de 1496, no qual os expulsa de Portugal, caso não se convertessem ao catolicismo. Assim, oficialmente, e só neste sentido, é que em Faro, como em Portugal, deixaram de existir Judeus.

Ato contínuo, em 1519, no local onde estava implantada a Judiaria de Faro, na Vila Adentro, foi erigido o Convento de Nossa Senhora da Assunção.



Vila Adentro


 Traços da comunidade judaica de Faro encontram-se também em Fez (Marrocos). Sabe-se também que Judeus expulsos originários de Faro viveram em Baiona, Londres, Dublim e Jamaica durante os séculos XVII e XVIII.

Após o terramoto de 1755 o Marquês de Pombal convidou os seus descendentes, homens de negócio e mercadores que moravam em Gibraltar e no norte da África, para regressar a Portugal e ajudar a recuperar a economia portuguesa. 

É deste jeito que no século XIX se estabelece uma nova comunidade judaica na zona da Rua de Santo António, composta por aproximadamente 60 famílias, contribuindo para o crescimento do comércio local. Com a passagem do tempo membros desta comunidade emigrariam para outras cidades.

Assim sendo, cerca de 1830, esta comunidade judaica edificou duas Sinagogas, de que já não existem vestígios, e um cemitério.

 Intitulando-se «retornados», chamaram à cidade de Faro a Nova Jerusalém, e depressa se tornaram a principal comunidade, fruto da sua capacidade financeira e da preparação para os negócios. Para além do comércio, os membros desta nova comunidade judaica de Faro investiram na indústria, com a instalação de várias fábricas que empregavam centenas de pessoas no fabrico de rolhas de cortiça, cigarrilhas e conservas de peixe. Importavam carvão da Inglaterra e exportavam produtos do campo (nomeadamente figos, amêndoas e alfarrobas) para França, Inglaterra e Gibraltar.

Prova da prosperidade da comunidade ressuscitada é que o edifício onde hoje está instalado o Colégio Algarve (Rua Filipe Alistão), foi residência-palácio de Abraão Amram. A sua importância ficou também patente aquando a visita do rei D. Carlos e da restante família real a Faro, para a inauguração da estação ferroviária da cidade. Como o Bispo carecia de condições para receber o rei, foi Samuel Amram quem emprestou tudo o que ele precisava, mesmo empregados para o servirem.



Fachada do Colégio Algarve


Com o advento do século XX, começa também o declínio da pujante comunidade judaica de Faro. As novas gerações de Judeus começaram a sair da cidade para concluir os seus cursos superiores, indo para Lisboa, Londres ou os EUA para jamais regressar. Ao mesmo tempo, aconteceu a grande depressão do final da década de 1920, que levou à falência de muitas das empresas da região que eram propriedade de famílias judias. Destarte, no primeiro terço de século a comunidade judaica mal compreendia 50 famílias. Em 1965, vendo o esmorecimento, Semtob Deiblatt Sequerra, o último líder da comunidade, acertou com a Câmara local a manutenção do espaço do cemitério, para garantir a dignidade da necrópole. Em 1970 apenas havia cinco judeus a morar em toda a província, esmorecendo as duas Sinagogas existentes.

O Cemitério Judaico de Faro, classificado como local de interesse público no registo de monumentos nacionais, é a única mostra hoje existente da passagem desta comunidade judaica. O espaço, localizado na zona norte da cidade de Faro, entre o hospital distrital e o estádio de São Luís, é, ao mesmo tempo, Centro Histórico Judaico de Faro, que é gerido pela Comunidade Israelita de Lisboa.




O terreno do cemitério foi adquirido em 1851 pelos líderes da comunidade: Joseph Sicsu, Moisés Sequerra e Samuel Amram, sendo o primeiro enterramento o do Rabbi Joseph Toledano (em 1838) e o último o de Abrahám Ruah, em 1932.

O cemitério foi votado ao abandono até 1990, quando Isaac Bitton, descendente da comunidade de Faro mas radicado nos Estados Unidos, visitou o cemitério e ficou chocado com a sua degradação. Ao seu regresso os EUA, criou a Faro Cemetery Restoration Fund, Inc., organização que no terreno era gerida por Ralf Pinto, descendente de judeus que fugiram para a Holanda. Em 1993 o cemitério foi reaberto ao público numa cerimónia de rededicação que contou com a presença do então presidente da República, Mário Soares, que homenageou assim o contributo da comunidade judaica para o desenvolvimento do Algarve.




Na ocasião, o Presidente da República portuguesa plantou o primeiro dos dezoito ciprestes existentes na fachada do cemitério, como homenagem viva a Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português de Bordéus que salvou 30.000 pessoas do Holocausto.

Em 2003 o cemitério renomeado passando a designar-se Centro Histórico Judaico de Faro.



Ciprestes na fachada do Cemitério da Colónia Judaica de Faro.




Fontes:

(Por Caeiro)


domingo, 2 de março de 2014

Porquê nomear o Purim?




No primeiro vídeo da série, o rabino Fohrman levanta a questão de por que é chamado de Purim ao Purim, enfatizando quão estranho é nomear um feriado depois do dispositivo que Haman usou para tentar destruir os judeus.

Ele ressalta que o texto da própria Megillah parece indicar que há mais para o nome do feriado do que tradicionalmente se acredita.


Assista ao vídeo:





Imagens:


sábado, 1 de março de 2014

Por Terras de Sefarad - A Sul de Portugal.



Tavira

Vista de Tavira a partir do Castelo
Cidade portuguesa da região do Algarve, com cerca de 15.200 habitantes.


Em Tavira existiu uma Judiaria, que recebeu carta de confirmação dos Reis D. Pedro I (1357-67) e D. Fernando (1367-83). A Judiaria de Tavira estava localizada no Largo de Juremim, a antiga cerca do Convento da Graça, anteriormente Mosteiro de Santo Agostinho e hoje em dia transformado em Pousada de Portugal da Enatur.





A caminho do Largo Juremim


Antigo largo de Juremim


Em 2009 foi divulgada uma planta de Tavira do século XVIII (mas com base numa outra planta do século XVI) na que se pode espreitar o antigo espaço onde seria o cemitério hebraico, como o lugar da antiga sinagoga e respectiva judiaria.



Planta aproximada de Tavira do século XVI.


Em 1542 a sinagoga foi transformada na Igreja de Nossa Senhora da Graça, construída como templo anexo ao Convento dos Frades Eremitas de Santo Agostinho.



Hoje em dia transformada em Pousada de Portugal da Enatur. 





Fontes:
(Por Caeiro)
Google Maps

Shavua Tov Lekulam!



Levantarei os meus olhos na direcção

das Montanhas (...)


Pintura de Susie Lubell