segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Judiaria de Almada!



A centralidade da Rua da Judiaria na transição para o século XX


Vista do tejo a partir da cidade velha de Almada


A Rua da Judiaria é uma das artérias reconstruídas após o terramoto de 1755, localiza-se no núcleo da antiga vila de Almada. Os materiais existentes e excedentes da recuperação de Lisboa serviram a técnica da “gaiola pombalina” na construção das novas habitações: os materiais derrocados foram usados para o enchimento das alvenarias e as paredes foram reconstruídas utilizando a pedra e a cal.



No século XIX, a Rua da Judiaria era lugar de passagem para a Calçada da Barroca onde estavam localizadas a sede da Administração do Concelho (até cerca de 1890) assim como, a Repartição de Finanças de Almada. 


Foto: Escadaria da Rua da Judiaria para o elevador




Paralela à Rua da Judiaria localiza-se a antiga Rua do Açougue, actual Rua Henriques Nogueira, conhecida por albergar o antigo matadouro e a abegoaria municipal, que, a partir de 1913, serviu de sede aos Bombeiros de Almada.



Desenho de Pedro Cabral da Rua da Judiaria


Durante o século XX, o crescente dinamismo urbano de Almada com o consequente alargamento da malha urbana, loteamentos e novas construções na estrutura antiga da cidade levantou, na década de 1980, a discussão municipal sobre a preservação, protecção, valorização e estudo patrimonial de núcleos antigos com importância histórica para o Concelho.




A Rua da Judiaria continua a ser hoje uma zona maioritariamente residencial. Ao longo do século XX, entre os residentes mais conhecidos, destacam-se o professor, associativista e preso político tarrafalista, Alberto de Araújo e Isaura Pereira, conhecida como Isaura “do João da Lenha”, por, no período de ditadura salazarista, ter sido constante no apoio aos presos políticos e famílias de Almada, visitando-os, levando e trazendo correspondência.


Este artigo serve apenas como informação da existência de judeus nesta cidade que ali viveriam essencialmente, mas não só na Rua da Judiaria na parte velha da cidade de Almada, na altura ainda Vila. Caso alguém tenha mais informações precisas desta judiaria, agradeço o favor de me contactar através do email: zivavsarah@gmail.com. Eu não consegui reunir informação suficiente. Desde já o meu muito obrigada. ZD 



Mapa de Almada Velha


Fontes:


Yehudah Aryeh Leib Alter




Também conhecido pelo título da sua principal obra, o Sfat Emet ou Sefat Emet, foi um rabino hassídico que sucedeu ao seu avô, o rabino Yitzhak Meir Alter.



Yehudah Aryeh Leib Alter (1847-1905)


Ele nasceu em 1847 e deram-lhe o nome de Yehuda Leib, mas era conhecido pelos familiares e amigos como Leybl. O seu pai, o rabino Avraham Mordechai Alter, morreu quando Yehuda Leib tinha apenas oito anos de idade, e sua mãe morreu antes disso. Órfão de ambos os pais, ele foi criado por seus avós, o rabino Yitzhak Meir Alter (conhecido como o Chiddushei Harim) e sua esposa. Quando tinha cerca de 10 anos de idade, o seu avô o levou para visitar o Rebe Kotzker, um encontro que o influenciou ao longo de toda a sua vida.

Quando seu avô, o rabino Yitzhak Meir, morreu em 1866, muitos dos Hasidim tentaram dar a Yehudah Aryeh Leib o manto da liderança, tinha ele dezoito anos de idade. Ele recusou essa posição, e a liderança do hassidismo foi para o Rabino Chanokh Heynekh HaKohen Levin de Aleksander. Após a morte deste último, em 1870, o hassidismo conseguiu por fim o parecer favorável do Yehudah Aryeh Leib para se tornar o seu Rebe.



Rabino Yehuda Leib Aryeh foi um dos maiores estudiosos da Torá da sua geração, ensinou alunos como o rabino Nachman Shlomo Greenspan e muitos outros. A sua produção foi prodigiosa e ficou gravada nas suas obras, Sefat Emet, lidar com o Talmud, a ética do Midrash, e misticismo do Zohar.

A obra Sfat Emet


Durante a Guerra Russo-Japonesa muitos de seus jovens seguidores foram convocados para o exército russo e enviados para os campos de batalha na Manchúria. O Rebe estava muito preocupado com os seus devotos e escrevia-lhes constantemente. Mas a sua saúde foi ficando muito frágil e ele morreu com a idade de 57 no dia 11 de Janeiro de 1905 (5 Shevat 5665). Faz precisamente hoje 109 anos da data do seu falecimento.



Túmulo de Yehudah Aryeh Leib Alter 
e de Yitzchak Meir Alter (second left)


Mal se espalhou a notícia do seu falecimento, muitas pessoas correram para Ger nessa mesma manhã. Muito embora a ferrovia tivesse disponibilizado alguns comboios extras não havia quase nenhum espaço dentro dos mesmos e milhares de pessoas ficaram mesmo qualquer transporte para viajar. Um elétrico com capacidade para 44 pessoas levou mais do dobro, não havia nem um mínimo intervalo entre os viajantes. Num outro algumas pessoas desmaiaram, como resultado das condições de superlotação.

O Rabino Yehuda Leib Aryeh foi sucedido como Rebe Gerrer por seu filho, o rabino Avraham Mordechai Alter.


Esta foto é da Yeshiva Sfat Emet em Jerusalém que inclui os seus ensinamentos no currículo até aos dias de hoje.


Fontes:


domingo, 5 de janeiro de 2014

Rabi Yisrael Abuhatzeira ou Baba Sali!




O dia de hoje na história judaica! 

(4 Shevat 5774)


Pintura de Esther Touson


Filho de uma ilustre família, Rabi Israel Abuchatzera (1890-1984), conhecido como “Baba Sali”, nasceu em Tafillalt, Marrocos.




Desde muito jovem que se tornou famoso como sábio e mestre cabalista. Em 1964 mudou-se para a Terra Santa, estabelecendo-se no assentamento sul que ele tornaria famoso, Netivot. 






Faleceu em 4 de Shevat de 5744 (1984). Seu túmulo em Netivot tornou-se um local sagrado, visitado anualmente por milhares de pessoas.

Pintura de EK Tiefenbrun






Túmulo de Baba Sali



Fontes:




Rabi Abraham, (1741-1810)



Falecimento de Rabi Abraham Kalisker (1810)



Rabi Abraham (1741-1810) foi uma figura polémica da terceira geração de líderes chassídicos. Na sua juventude, foi companheiro de estudos de Rabi Elihahu, o “gaon de Vilna”, que liderou a oposição inicial contra o movimento chassídico; mas veio mais tarde a unir-se ao proibido kat ("seita", como era chamado o movimento chassídico por seus oponentes a fim de ridicularizá-lo) tornando-se discípulo de Rabi DovBer, o Maguid de Mezeritch, sucessor do fundador do chassidismo, Rabi Israel Baal Shem Tov.

Em 1777, Rabi Abraham uniu-se à primeira aliyah chassídica, na qual um grupo composto de mais de 300 chassidim liderados por Rabi Menachem Mendel de Vitebsk emigraram para a Terra Santa. Rabi Abraham faleceu em Tiberias em 5570 (1810 EC).



Fontes:

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

E chegou o dia mais esperado da semana!



Shabat Shalom!


Pintura de Shoshannah Brombacher


Cartas de Lisboa | Bo



Parashat Bo



O calendário judaico é lunar, baseando-se nos continuados ciclos da lua. Ainda que isto nos permita definir os dias e os meses, o que dizer sobre os anos? Quando é que é o momento natural para a conclusão de cada ano e o início do ano seguinte?


Na parashah desta semana, um verso diz-nos o seguinte: “Este mês será para vós o começo de todos os meses.” Shemot (12:1)




"Este mês," refere-se ao mês de Nissan, o mês no qual teve lugar o Êxodo do Egipto. Dom Abarbanel, no seu comentário sobre esta parashah, oferece-nos uma visão fascinante sobre o modo como o Povo Judaico marca a passagem do tempo.




Cada dia, explica ele, tem um início e uma conclusão natural, definidos claramente pelo completar dos períodos de noite e  dia. O mesmo acontece com o mês lunar, já que o completar de um novo ciclo lunar é a medida que usamos para aferir da passagem de outro mês.

Contudo, como é que um conjunto de ciclos lunares forma um ano? Isto, explica Dom Abarbanel, é ao que a Torá se refere neste verso. 

O mês de Nissan não é o começo natural do nosso calendário mas sim um começo de natureza transcendente. Entrosado na nossa forma de contar o tempo está a constante lembrança do mês do Êxodo.

De facto, na Torá não existem nomes para os diferentes meses. O primeiro mês é o de Nissan, o mês da redempção do Egipto, o segundo mês é o segundo a contar da redempção do Egipto e assim por diante.

O modo como cada mês é referido e contado, serve de lembrança constante do nosso princípio como nação e do cuidado e protecção Divina para connosco.



Este tema é também evidente, diz Dom Abarbanel, nos nomes que que são usados actualmente pelo Povo Judaico. Os nomes, Nissan, Iyar, etc., são nomes que foram introduzidos pelo Povo Judaico durante o exílio na Babilónia. A razão pela qual estes nomes continuam a ser usados, explica ele, é para nos lembrar da redempção também desse exílio. Ainda que tenhamos estado exilados na Babilónia, D-us trouxe-nos de volta a Israel.




Neste sentido, quer o método original da contagem dos meses, quer os nomes que usamos actualmente, são uma recordação constante das redempções do passado e uma nota de esperança ao olharmos em frente no sentido da redempção final com a vinda para breve do Moshiah.


Cortesia do
Rabino Eli Rosenfeld
 chabadportugal.com
Shabat Shalom!



Fontes das imagens:

Mestre Chassídico Rabi Meshulam Zusha



Rabi Zusha de Anipoli (1800)

Dia 2 de Shevat é o aniversário de falecimento do Mestre Chassídico Rabi Meshulam Zusha de Anipoli (1718?-1800), discípulo do segundo líder do movimento chassídico, Rabi DovBer de Mezeritch. Apesar de sua erudição e grande piedade, distinguiu-se pela sua auto-anulação e humildade. Um de seus conhecidos ditos: "Se me fosse oferecido trocar de lugar com Avraham, nosso Patriarca, recusaria. O que D’us ganharia com isto? Ele ainda teria um Zusha e um Avraham …”


Túmulo do Rabi  Zusha de Anipoli


Os seus colegas descreviam-no como alguém literalmente incapaz de enxergar algo negativo num companheiro judeu.


Rabino Shmelke de Nicholsburg uma vez perguntou a Mezeritcher Magid: "O Talmud diz que devemos sentirmo-nos abençoados por D'us com o  infortúnio com a mesma alegria como quando somos abençoados com coisas boas!

Como é que isso é possível?"

O Magid disse-lhe para ir fazer essa pergunta ao rabino Zusha, que era extremamente pobre e que nem tinha em sua posse as necessidades básicas. Mesmo depois de ter tido muitas dificuldades na sua vida, ele estava sempre feliz.

Ele foi até onde R 'Zusha que estava estudando, e disse-lhe o que o Magid o aconselhou a fazer e se de facto ele podia esclarecer a sua dúvida. 





"Estou surpreso que ele o tenha enviado a mim", 
respondeu o rabino Zusha.

"Seria melhor pedir a alguém que já tenha sofrido um infortúnio. Eu nunca passei por nada de ruim em toda a minha vida. Só me aconteceram coisas boas."






Esta foi a marca registrada da vida de Reb Zusha. O Alter Rebe tinha o Reb Zusha em tão alta estima que antes de imprimir o Tanya, ele enviou por um mensageiro uma cópia do mesmo para que o Reb Zusha desse a sua aprovação.



Livro do Rabbi Zosha de Anapoli “Menorat Zahav” 
Candelabro de Ouro Edição de 1902.



Fontes:

O dia de hoje na história judaica - 2 Shevat 5774



Celebração da morte do Rei Alexandre Janeu
 (76 AEC)


Maquete no Centro Cultural de Jerusalém 
do túmulo de Alexandre Janeu



Alexandre – o rei hasmoneu conhecido por Yannai, inimigo declarado dos sábios judeus, faleceu nesta data. Tão grande era sua crueldade agindo com total falta de escrúpulos em sua obstinada perseguição aos sábios e aos seus seguidores que o dia de sua morte foi comemorado e declarado feriado (cerca de 50.000 foram mortos entre os anos 82-76 AEC).




Fonte:

Ler mais sobre Alexandre Janeu:

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Revisão da Torah!



No dia de hoje na história judaica – 1 Shevat 5774

Moisés repete a Torá (1273 AEC)


No dia 1º de Shevat do ano 2488 da criação, Moshê reuniu o povo judeu e deu início a 37 dias de uma “revisão da Torá” conforme consta em Devarim. Concluiu no dia do seu falecimento, 7 de Adar daquele ano.


Fontes:

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Descobrindo o passado judaico da Jamaica




Foto por Cynthia Edorh / Getty


No grande caldeirão do Caribe, um grupo é largamente ignorado: os refugiados judeus que lá se instalaram há séculos atrás. Os seus descendentes estão agora a desenterrar cemitérios para recuperar um pedaço da história.



Fragmento de uma Lápide
Foto de Debra A. Klein


Aqui, juntei-me a um punhado de voluntários, não para percorrer as águas do Caribe, mas sim para reencontrar o passado. Passamos metade da semana a documentar um dos mais antigos cemitérios judaicos da ilha, e em seguida, iniciámos uma aventura ao estilo do Indiana Jones até à costa para encontrar um cemitério escondido que tínhamos boas razões para acreditar que se encontrava num quintal de uma pacata cidade de Savanna-La-Mar.

Concentrando-me na aventura tornou-se mais fácil encobrir o fato perturbador de que a primeira metade da semana eu estaria no centro de Kingston, notoriamente um dos mais perigosos lugares do Caribe.

Kingston também é o lar da maioria da população judaica da Jamaica, como tem sido ao longo dos séculos. Antes dos ingleses chegarem, Jamaica pertencia à família Columbus, figura importante na comunidade judaica, de acordo com os estudiosos.

Eles eram refugiados da Inquisição, os judeus que emigraram para a prática de religião nas tolerantes colónias holandesas e inglesas do Novo Mundo. Alguns fundaram uma sinagoga no Recife, Brasil , depois espalharam-se por todo o Caribe. Além dos conhecidos sítios históricos judaicos em Barbados, Curação e St. Thomas, também houve outrora prósperas comunidades em Cuba, St. Kitts & Nevis, St. Eustatius e, ainda, tal como na Jamaica, a maioria das evidências históricas também se têm perdido através do crescimento excessivo de novas gerações e muitas negligências.

Ainsley Henriques, habitante e filho de uma quarta geração jamaicana de descendência judaica atraiu Rachel Frankel, uma arquiteta de Nova Iorque, levou-a a visitar a ilha e acabou por a envolver, mostrando-lhe o mais antigo cemitério judaico, que remonta a 1672, na Baía de Hunt. 








"Foi um arquivo ao ar livre, mas tão ou mais importante que muitos documentos", Frankel, uma pessoa acessível deixou-se levar pelo conselheiro do acampamento, diz. "Não há arte na forma como o cemitério está colocado mas ele diz-nos muito sobre a comunidade." E o que disse Frankel, agora vice-presidente do Inquérito Internacional dos Monumentos judeus, foi que ela teve que voltar para documentar os cemitérios estabelecidos, e olhar para aqueles que se mantinham perdidos no tempo e na memória. Ela está trazendo pequenos grupos para a Jamaica desde 2007, mas que nem são suficientes para um minian (quorum de dez).




Nosso trabalho começou em Kingston, no Cemitério Orange Street no calor do dia. Descobrimos o significado das escritas nas lápides e de seguida, pudemos ler alguns sobrenomes familiares: De Costas, De Cordova, e Lopez. A maioria das pedras tinha inscrições em Inglês e hebraico. As pedras mais antigas foram aqui colocadas mas vieram de um cemitério diferente e têm também algumas inscrições em português. 



Dentro Orange Street Cemitério. 
Foto deDebra A. Klein


Enquanto descansávamos na sombra do santuário, David Matalon, um membro da comunidade, juntou-se a nós e afirmou: "Este é o futuro do povo judeu ", disse ele, olhando através da Estrela de David nas barras da janela. "Se você não gerenciar o seu passado, como poderá cuidar do seu futuro?"

Já ao anoitecer partimos para Alligator Pond, uma pequena comunidade a pouca distância de Rowe Corner, onde existe um cemitério que o grupo de Rachel tinha documentado no ano anterior.

Esse local de enterro parecia algo saído de um filme, uma selva que se percorria vagando-se por túneis de arbustos junto à estrada e subindo escadas sem identificação. Era difícil não pensar nele como um útero, especialmente quando vi que muitas das lápides salientes tinham nomes de crianças que morreram antes dos dez anos.

Rachel voltou com as direções e um nome, alguém do escritório de advocacia que poderia reconhecer o dono da casa mistério. Chegamos a um prédio, e minutos depois, a Sra. Williams, dona da casa, juntou-se a nós. Ela parecia estranhamente alegre para alguém cujo quintal estava prestes a ser “levemente escavado”.

Ela sabia sobre o cemitério, disse-nos, e dirigiu-nos para fora da estrada principal por uma rua estreita. Paramos em frente a um prédio de escritórios de dois andares, e ruidosamente descemos do autocarro com pacotes e ferramentas.

Uma volta rápida por um pequeno stand de bananeiras e plantas de mandioca levou-nos a uma clareira e em seguida de volta os outros séculos. 

De acordo com o nosso livro, em 1768, um jamaicano chamado José Da Silva doou dinheiro para uns portões de ferro e um muro delimitador, parte deste ainda estava de pé em 1930. Não havia portas, apenas esgrima, separando-nos dos homens de uma garagem ao lado que pararam o que estavam a fazer para observar os estranhos que descem pelas ervas daninhas da sua vizinha. Um grande monte de recortes nítidos dominou o resto do quintal que se estendia a uma cerca de madeira.

Ali, cantos e outros fragmentos de lápides desgastadas furavam um tapete de mato muito denso. Como o chão sob os pés crescia extraordinariamente de forma irregular, eu tive cuidado e preocupei – me pois percebi que podia estar a pisar em túmulos.



Foto deDebra A. Klein


Os moradores rapidamente se juntaram ao esforço para ajudar a desenterrar os caroços e desvendar as primeiras curvas, e em seguida lajes inteiras de lápides.

Com luvas de trabalho, pás e graxa os nódulos voltaram-se para as pedras e as pedras contavam-nos as histórias das pessoas que lá descansavam e que não eram perturbadas há séculos. Mais três homens surgiram no quintal. Um disse que tinha ouvido falar sobre um cemitério.

Logo, os únicos sons eram o barulho de uma pá e pancadas do lixo ao ser movido. Uma intensa explosão do canto dos pássaros parecia perfeitamente programada para acompanhar o nosso ritmo acelerado.

"Sarah! Encontrei Sarah! "Gritou um membro do nosso grupo… As lápides insinuavam a sua história, e o nosso livro ia ficando cheio de detalhes.

Em 1700, o marido de Sarah correspondia-se com um comerciante em Newport, RI (com o mesmo sobrenome) e disse-lhe que a sua esposa morreu ao dar à luz o seu nono filho, a 26 de março de 1767. "A esposa Sarah Lopes de Abraão Lopes, 26 de Marco de 1767" foi inscrito na pedra em Português. Sara e Abraão, mesmo sem educação religiosa formal, eu reconheci a importância que tinha para eles encontrarem este casal. E se ele tivesse estado neste mesmo lugar, pensando na sua esposa, enquanto escrevia esta carta? Centenas de anos depois, aqui estamos nós, lembrando-nos dela novamente.

Nós polvilhámos farinha sobre as outras pedras e fragmentos gravados para facilitar as suas inscrições e ficarem mais fáceis de decifrar, assim, os tradutores de hebraico poderiam fazer o seu trabalho. O que não precisava de tradução eram as datas: 03 de outubro de 1780. Alguém mencionou um furacão. Nós pegamos nos nossos telemóveis e fomos ao Google que nos deu uma resposta: Em 1780, uma enorme tempestade tinha golpeado a região, junto com uma onda de 20 pés. O furacão de Savanna-La-Mar mudou-se de seguida para Cuba, matando mais de 1.000 pessoas no total. Foi uma das piores temporadas de furacões do Atlântico. As idades das vítimas variaram entre vinte e poucos anos e os cinquenta.

Nós trabalhamos rapidamente para gravar as nossas descobertas. No nosso livro de décadas tínhamos apenas listadas três pedras completas e dois fragmentos, e de repente em algumas horas, tínhamos descoberto mais cinco.

Formamos um círculo, inclinamos as nossas cabeças e num círculo de dez, apenas metade dos quais eram judeus, alguém recitou as palavras do Kaddish, a oração judaica para os mortos.


Por Debra A. Klein



Fontes: