quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Uma vila original com testemunho das nossas gentes!



MONSANTO DA BEIRA


Freguesia portuguesa do concelho de Idanha-a-Nova, região da Beira, com cerca de 850 habitantes.



Castelo de Monsanto




Ocupada pelos "Mouros", foi conquistada por Afonso Henriques em 1165, o lugar de Monsanto foi doado à Ordem dos Templários, que mandaram construir o castelo. 




Pouco se sabe sobre os judeus desta região, a judiaria de Monsanto já inclui os judeus existentes em Medelim, uma vez que os seus moradores estão descritos como pertencendo a Monsanto (Termo de Monsanto). Situação semelhante à que ocorria com São Vicente da Beira, cujos judeus eram considerados juntamente com os de Castelo Branco.



Interior da vila

O foral foi concedido pela primeira vez em 1174, e ratificado, sucessivamente por D. Sancho I em 1190 e D. Afonso II em 1217. Em 1308 o rei D. Dinis concede-lhe Carta de Feira.

Na altura de 1496 a Judiaria de Monsanto estava obrigada ao pagamento de 4.000 reais pela judenga.


Em 1510 o rei D. Manuel I outorga um novo foral, concedendo-lhe à aldeia a categoria de vila.

Agora, e porque fiquei completamente rendida à beleza desta vila, vou deixar-vos com algumas fotos:





Conhecida pela “Casa da Janela Solitária”






Fontes:


(Por Caeiro)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A Judiaria de Vila Real




VILA REAL


Cidade portuguesa na região de Trás-os-Montes e com cerca de 25.000 habitantes.


Em 1096, o conde D. Henrique atribui foral a Constantim de Panóias, como forma de promover o povoamento da região, desabitada logo depois da invasão árabe. Em 1272, como novo incentivo ao povoamento, D. Afonso III atribuiu o foral para a fundação -sem sucesso- de uma Vila Real de Panoias, fundação que apenas acontece em 1289, por foral do rei D. Dinis. 





A localização privilegiada, no cruzamento das estradas que iam do Porto para Bragança e de Viseu para Chaves, permite um crescimento sustentado. Assim sendo, Vila Real de Panóias, construída entre muralhas, inicia uma expansão progressiva para nordeste e norte do seu núcleo urbano fora das mesmas logo que se verifica haver condições de segurança para o fazer.

Esta expansão terá lugar ainda durante o séc. XIV, altura em que a comunidade judaica vê finalmente criada a sua Judiaria por carta de julho de 1392.



A Judiaria de Vila Real


A Judiaria de Vila Real situava-se no Arrabalde, não muito longe do arruamento mais tarde conhecido por Praça Velha (onde se estabeleceu a primeira praça fora de muralhas), com as Portas da Vila a norte e limitada a uma única rua: a Rua da Judiaria (hoje Rua Nova).



Rua Nova de Vila Real


A comunidade judaica de Vila Real participou activamente no comércio local, quer com estabelecimentos permanentes, em que dominam as actividades de alfaiate, sapateiro, ourives e gibiteiro, quer como almocreves e algibebes e, sobretudo, como frequentadores da feira de Vila Real com importante repercussão na fazenda real, já que a sua presença correspondia a 3000 réis anuais.



Rua Nova ou Rua da Judiaria de Vila Real


Existem muitos documentos dos séculos XV e XVI que testemunham a sua presença hebraica, entre os quais, um aprazamento de 1480 relativamente a uma cavalariça por trás da Judiaria, "na Viella que vay pera o Peno do Agurinho", que certamente será o poço [pego] ou a fraga [pena] do Agueirinho; ou, num outro prazo de 1456, uma referência ao “Jazigo velho dos judeus”.

Como no caso de Lamego e outras povoações portuguesas, a Judiaria vila-realense estendia-se até ao Rossio, ou melhor, a Judiaria promoveu o aparecimento de um novo Rossio (actual Largo de O Vilarealense, Rua Heitor Correia de Matos e parte das ruas adjacentes), o segundo arruamento com este nome em Vila Real. O primeiro, também no Arrabalde, é agora chamado do Tabolado.



Actual Largo de O Vilarealense


Após a expulsão dos Judeus, em 1496, aqueles que ficaram e os que se deslocaram (cristãos-novos) fixaram a sua actividade na Rua Direita (a segunda deste nome), cuja designação mais antiga é a de Rua dos Mercadores. O antigo Largo do Rossio era muito mais amplo do que o actual, abrangendo às actuais Rua Heitor Correia de Matos, Largo de O Vilarealense e parte das ruas adjacentes, sendo primitivamente conhecido por Rua Escura.




 Fontes:


(Por Caeiro)

GoogleMaps

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vamos seguir caminho? Desta vez até à Idanha-a-Nova!






Medelim foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX. Era constituído apenas pela freguesia da sede e tinha, em 1801, 492 habitantes.




Freguesia portuguesa do concelho de Idanha-a-Nova, na região da Beira, com 270 habitantes.


Repovoada por D. Sancho I, foi priorado da apresentação do marquesado de Cascais e sede de concelho, com Câmara e Justiça próprias, do que restam ténues vestígios. 


Até o século XVI viveu em Medelim uma comunidade judaica, que habitou a actual Rua da Judiaria.


Localização da R. da Judiaria de Medelim.




Segundo a tradição popular o bairro judeu de Medelim teria funcionado como um "guetto" por se tratar de uma rua fechada com dois portões, um ao cimo da rua, que fechava desde o antigo forno de cal e o outro portão no final da rua.




Rua da Judiaria de Medelim



Trata-se de um belo conjunto de casas de balcão, algumas das quais revelam o modo de vida dessa comunidade com vestígios de comunicação entre si, e com uma fasquia muito próxima da sua configuração original.




Na Rua da Judiaria existe um prédio, conhecido de Casa do Judeu, adquirido e recuperado pelo concelho de Idanha-a-Nova, e que funciona como sede do grupo de artesanato "O Arcaz".

Placa identificando a casa de um judeu em Medelim



Além disso, todo indica que na Judiaria de Medelim existiu uma Sinagoga, tão desajeitadamente desmantelada para a construção de uma moradia, que é hoje irreconhecível a sua fasquia original. Tratava-se de uma edificação cujo balcão, fora do vulgar, possuía dois vãos de escadarias que se encontravam num só patamar.




A casa que possivelmente terá sido a Sinagoga


Foi realmente pena que o Ti Mário, actual dono desta casa e neto do Sr.  Elias Xavier, ter sido notificado pelo poder autárquico a fazer obras nas ruínas que eram as casas e que não tenha tido até  à data o apoio competente para o desenvolvimento do projecto que transformou as duas casas numa só; tal teria sido possível, com competência e sensibilização arquitectónicas, respeitar minimamente a traça original mesmo sem a submissão à ditadura da arquitectura.



Reconstituição da antiga sinagoga de Medelim realizada por A.Pires.




Fontes:

GoogleEarth

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Stop Crying your Heart out!




Shavua Tov!



Pintura de Mayzel Viktoria



(Não faço ideia do conteúdo da conversa deles, 
mas a melodia é belíssima J)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

And... It´s Time to Pray



Shema Israel…

























Pintura de Anthony Falbo


Parashah da Semana:





Na Parsha desta semana Moisés fala com o Povo Judaico sobre as contribuições necessárias para o uso pela comunidade do Mishcan, o Tabernáculo.

"Tragam por vós próprios uma oferta para D-us; todas as pessoas de coração generoso," (Shemot 35:5)


Muitos comentaristas perguntam-se sobre a curiosa estrutura deste verso. Porque é que a Torá escolheu a palavra “tragam” ao descrever estas doações? Não seria o termo “deem” mais apropriado?

O Rabi Avraham Saba, no seu comentário Tzror Hamor, vê na escolha de palavras neste verso um paralelo com uma aparente peculiaridade que pode ser encontrada numa Mishna em Pirkei Avot.


A Mishna diz-nos que todas as “mesas” ou refeições devem ser acompanhadas de palavras da Torá. (Capitol 3, Mishna 3)


Ainda que esta seja uma maneira simpática de tornar a nossa experiencia com as refeições mais interessante, fica por saber porque é que isto é tão importante. Não seria melhor comer em silêncio para poder ter mais tempo para estudar depois da refeição?


O Rabi Saba explica que o acto de falar em matérias da Torá nos mantém concentrados, quando nos sentamos a comer, em como encarar a comida que temos à nossa frente. Atribuímos esta comida ao nosso talento e ambição ou reconhecemos D-us como a verdadeira fonte do nosso sucesso?


Falar em matérias da Torá durante a refeição é muito mais do que conversa de café. É o reflexo e expressão da nossa mais geral perspectiva sobre as possessões físicas que vamos acumulando.


Neste contexto, a escolha de palavras na Torá também se torna clara. Quando nos apercebemos qual é a verdadeira fonte da nossa riqueza material também reconhecemos que ao fazer uma doação e ajudar uma causa que nos transcende, não estamos meramente a “dar” mas estamos também a “trazer” para nós próprios um Mitzvah que estará connosco para sempre.


Ainda que os nossos bens sejam meramente temporários, o que nós damos, é na realidade o que temos e que fica connosco para sempre.


Shabat Shalom!

Cortesia do Rabino,
Eli Rosenfeld
chabadportugal.com




Fontes das imagens:
Anna Fine Foer
Vayakhel / Photo by Ilana DeBare

Uma vida difícil - Uma vida com êxito!


Entre o sofrimento e as cores...Há quem escolha 
lutar e ser feliz!

Sam Borenstein


Auto-retrato

Sam Borenstein (1908 - 1969) nasceu na Lituânia. Depois de uma infância na Polónia devastada pela guerra, ele imigrou para Montreal com o pai e uma de suas irmãs em 1921. 

Através de suas pinturas, ele capta o movimento do vento, o calor do verão, e as muitas cores de neve. Ele captura a personalidade por trás do rosto, e a fragrância de flores.
Ele é capaz de tornar visível o invisível.


Ferme, Saint-Bruno e Laurentian Autumn 


Perca 29 minutos do seu tempo com este mini filme, acredite que vale cada segundo do seu tempo; vale pela história, pela música e claro pelas imagens animadas: 




Early Sunflowers e The Pink Bouquet


Ele passou dois anos em Ottawa como um aprendiz de um vendedor de peles, e depois voltou para Montreal, onde trabalhou como cortador numa fábrica de roupas. Apesar de ter tido pouco estudo formal, Borenstein teve aulas de arte à noite, estudando escultura com Elzear Soucy e desenho com Adam Scott Sheriff e John Y. Johnstone, e associou-se a artistas locais, como, Alexandre Bercovitch, Fritz Brandtner, Herman Heimlich, e Louis Muhlstock.



Aldeia Laurentian


Descrito como um expressionista canadiano, Borenstein começou a pintar na década de 1930 e a partir de então, ele aplicou seu estilo exuberante de imagens de favelas de Montreal, aldeia Laurentian e retratos de sua família e amigos. As suas cores vivas, perspectiva distorcida, e sensação de movimento recordam as obras dos mestres europeus que ele admirava, sobretudo Van Gogh, Vlaminck, Utrillo, Soutine. 



Montreal West Winter

A sua primeira exposição individual ocorreu em 1934 no café Coffee House, em Montreal. Em 1939, viajou para Borenstein Bretanha, onde teve a oportunidade de ver o trabalho dos artistas que há muito admirava. A partir da década de 1940, ele pintou retratos, magníficas naturezas-mortas e paisagens nas aldeias Laurentian e Montreal. As suas pinturas energéticas e expressivas rapidamente deram nas vistas.



Summer

Em 1966, três anos antes de morrer, Borenstein foi o tema de uma exposição retrospectiva na nova Galeria de Arte de Sir George Williams University (agora Concordia University).  

A exposição que se segue, não é desta galeria de Arte e sim da descrita em baixo.



Galeria de Yeshiva University Museum





Fontes: