quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O Purim das cortinas!



Dia 22 de Tevet na história judaica


Purim das Cortinas (1623)



Após um respeitado membro da comunidade judaica ter sido falsamente acusado de ter roubado as cortinas do palácio do governador, os judeus de Praga corriam perigo de vida. Depois de uma intervenção milagrosa, o verdadeiro culpado confessou seu crime fazendo com que os judeus da cidade celebrassem o evento que ficou conhecido como “O Purim das Cortinas” para agradecer a D’us pela milagrosa salvação.


Por Gershon Kranzler 
                      


Provavelmente você pensa que eu estou a brincar, e que o relacionamento entre Purim e cortinas não passa de uma anedota. Bem você está errado. Houve realmente um Purim das Cortinas, originalmente chamado "Purim Vorhang", e como o primeiro Purim de Shushan e os outros Purim celebrados em diferentes países, este celebra a miraculosa salvação de uma comunidade judaica das mãos de seus inimigos.




O Purim das Cortinas costumava ser celebrado no meio do inverno, a 22 de Tevet, dois meses antes do nosso Purim regular. Sua história aconteceu há mais de trezentos anos no outrora famoso Grande Gueto Judeu de Praga, na Boémia (…).



Clique no link abaixo para ler a história completa:

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

E porque já não falta muito...



TU BISHVAT

O ROSH HASHANAH DAS ÁRVORES


“Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, metendo nele o machado, porque dele comerás, pelo que não o cortarás…” (Deuteronómio 20:19).


     A Torah ensina-nos a proteger as árvores, especialmente as frutíferas, já que providenciam alimento. No entanto, em tempos de emergência é permitido o abate de árvores não frutíferas - “Somente a árvore que souberes que não é árvore que dá frutos que se comam, essa poderás destruir e cortar, e construirás baluarte contra a cidade que fizer luta contra ti até à sua rendição” (Deuteronómio 20:20)



Cheder Feminina (Escola Elementar Judaica), Laskarzew w Lubelskiem, 1920


   No Judaísmo a árvore que dá fruto é comparada ao homem frutífero, ou seja, àquele que não vive só para si, mas produz e providencia alimento para o próximo. O melhor exemplo é o professor que tem a responsabilidade de ser uma árvore frutífera, de produzir frutos doces, saudáveis, e, principalmente, que contenham a semente que levará por diante esta cadeia de conhecimento e de conduta. 




    Tu Bishvat (o décimo quinto dia do mês de Shevat do calendário hebraico) marca o início do novo ano agrícola em Israel, quando “A estação das chuvas já passou” (Talmude da Babilónia, Rosh Hashanah, 14 a) e os frutos das árvores amadureceram, prontos a serem colhidos.

     O 15 de Shevat é mencionado pela primeira vez na Mishnah, como o dia para o pagamento anual do imposto (dízimo) sobre as árvores de fruto. O imposto era chamado bikkurim, que significa “primeiros frutos”. Desde então, o 15 de Shvat é mencionado várias vezes nos Talmudes da Babilónia e de Jerusalém, não como uma festividade, mas como um dia regular de cobrança de impostos. 



Cortejo de Tito com os despojos de Jerusalém, Arco de Tito, Roma


   Após a destruição do Segundo Templo em 70 da EC pelos Romanos, quando a esmagadora maioria dos Judeus foi obrigada a partir para a Diáspora, o 15 de Shevat passou a lembrar Eretz Israel, com nostalgia e saudade. A tradição de comer frutos de Israel começou então, ainda nos inícios da Idade Média. 



O Cabalista, 1933, Moshe Castel


    Nos finais do século XVI, os cabalistas de Safed criaram uma cerimónia especial – “Tikkun” - para a véspera de Tu Bishvat; utilizando o seu modelo de Haggadah de Pessach, compilaram uma colecção de textos (passagens bíblicas, citações do Talmude, Midrashim), que louvam a terra de Israel e os seus frutos. Assim, o tempo de saudade de Israel transformou-se num tempo de aprendizagem sobre a Terra Prometida e os seus frutos. 



Pioneiros de Vilna, em Rohovot, 1925


    No século XIX os pioneiros sionistas que começaram a fixar-se na Palestina (ainda sob domínio otomano), encontraram uma terra arruinada, desertificada e praticamente estéril. Trabalhar a terra tornou-se um ideal. Deram então início a uma plantação maciça de árvores, com vista a vencer a desertificação. Mas a ligação oficial entre Tu Bishvat e a plantação de árvores, foi escrita pela primeira vez no manifesto de uma conferência de professores, que teve lugar em Zichron Yaakov, no ano de 1908, com a colaboração do Fundo Nacional Judaico (Keren Kayemet LeYisrael). 



Ben Gurion, Primeiro Ministro de Israel, em Tu Bishvat, no ano de 1949


   Em Tu Bishvat de 5709 (14 de Fevereiro de 1949), o Knesset reuniu pela primeira vez em Jerusalém. Desde então festeja o aniversário no Dia do Ano Novo da Árvore, e os seus membros participam em cerimónias de plantação de árvores por todo o país. 



Abertura das cerimónias de Tu Bishvat em Beersheva, Janeiro de 2013


   Actualmente, Tu Bishvat é um dos feriados mais populares em Israel. Na fotografia acima podemos observar alunos de várias escolas da região de Beersheva (“a capital do Negueve”) na abertura das celebrações do Ano Novo da Árvore, cantando “Hatikvah”, o Hino Nacional de Israel, numa iniciativa do Fundo Nacional Judaico - Keren Kayemet LeYisrael (KKL/JNF). 



Plantando árvores em Tu Bishvat, Comunidade Abayudaya, Uganda


   Na diáspora Tu Bishvat também é celebrado com entusiasmo e dedicação. Através desta simples cerimónia, os judeus em todo o mundo põem em práticas as lições da Torah, fortalecem laços de afecto com Israel, e fazem do nosso planeta um lugar melhor para viver.

      Terminamos este artigo com um pequeno vídeo sobre a criação de floretas no Deserto do Negueve – “Growing Forests in the Desert”. 



Com os agradecimentos à nossa
Sónia Craveiro,
Que nos presenteia com mais uma das suas obras.

Muito obrigada,
 
Bjs



Fontes:

TORÁ, A Lei de Moisés, editora & livraria Sêfer, São Paulo, Brasil

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Comentário da Parashá desta semana:


Shemot


Num famoso diálogo, encontramos na parashá desta semana, Moisés a questionar D-us sobre as especificidades do Seu nome.

 

Uns versos depois é a vez de D-us fazer perguntas – “O que tens na tua mão? Pergunta D-us a Moisés. Moisés respondeu que era a sua vara. Por solicitação Divina Moisés atira a vara ao chão e esta imediatamente se transforma numa serpente.




Enquanto a pergunta de Moisés faz possa parecer um pouco peculiar, a questão que D-us coloca, essa é totalmente incompreensível. Como é que D-us alguma vez precisaria de colocar questões para obter uma informação? Não estava Ele absolutamente consciente do que Moisés tinha nas suas mãos?


O Tzror Hamor explica que as duas questões estão na realidade directamente ligadas já que D-us na realidade está a responder à questão de Moisés com uma questão D’Ele próprio.


A pergunta de Moisés sobre o nome de D-us era na verdade uma tentativa de compreender a profundidade e os segredos do Divino.


A isto responde D-us com a pergunta sobre a vara “O que tens na mão?”


O que D-us esta a dizer a Moisés diz o Tzor Hamor, é o seguinte: se uma simples criação de D-us pode nem sempre ser o que verdadeiramente aparenta, obviamente a mente humana não tem a capacidade de compreender a Minha Essência.


E esta é a ligação entre as duas questões. O que à primeira vista parece ser uma questão óbvia contem uma profunda mensagem para cada um de nós.


Cortesia do Rabbi
Eli Rosenfeld


Shabbat Shalom!
chabadportugal.com 

Primeira Sinagoga em Nova Iorque (1728)



O dia de hoje na história judaica

 17 Tevet 5774


Sinagoga Shearit Israel

Em 1654, um grupo de judeus espanhóis e portugueses que fugiram da Inquisição fizeram um serviço de Rosh Hashaná em Nova Amsterdão, assim fundando a congregação Shearit Israel (Remanescente de Israel). Em 17 de Tevet de 1728, a congregação adquiriu um terreno em Lower Manhattan para construir a primeira sinagoga em Nova Iorque.





Quando chegaram em Nova Iorque (Nova Amsterdão), e depois de terem sido inicialmente rejeitados pelo então governador e antissemita Peter Stuyvesant, os judeus receberam permissão oficial para se instalarem na colónia em 1655. Este acontecimento marca a fundação da Congregação Shearith Israel. Apesar de sua permissão para ficarem em Nova Amsterdão eles continuaram a enfrentar a discriminação e não receberam permissão para praticar a sua religião em público ou numa sinagoga por algum tempo (durante todo o período holandês). A Congregação, entretanto, uniu esforços para a construção de um cemitério no início de 1656. Posteriormente foram construidos mais, este, o da foto que segue depois do texto, foi o terceiro desta congregação a ser construido. 




E só em 1728 a Congregação foi capaz de construir uma sinagoga de seu próprio país, que foi construída na Mill Street, em Lower Manhattan. Antes de 1728, como é evidenciado a partir de um mapa de Nova Iorque e a partir de 1695, a congregação reunia-se em quartos alugados na Beaver Street e, posteriormente, em Mill Street. Depois de 1728 a Congregação já construiu cinco sinagogas:


Mill Street, 1728
Mill Street re-construída e ampliada, 1818
Crosby Street, 1834
19th Street, 1860
Ocidente 70th Street, 1897 (actual edifício.)



Fontes:


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As Sinagogas de Marc Chagall!



Marc Chagall

Óleo de Chagall da sinagoga Kloyz em Vilna, 1935. Foto cedida por Sotheby.


Algumas obras de Mark Chagal datadas dos anos 30 estavam em exibição na Galeria de Arte Judaica em 1945, quando foi destruída pelos nazis, perdendo-se, assim, grande parte da riqueza nos seus detalhes da arquitetura.



Óleo de Chagall, 1931.



Fontes:

Oferecido por Carlos Baptista
Obrigada J


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dra. Rita Levi – Um dos Prémios Nobel da ciência.



Dra. Rita Levi-Montalcini


Presidente Honorária da Associação Italiana de Esclerose Múltipla

Infatigável, a cientista nascida em Turim a 22 de Abril de 1909 numa família judia sefardita (pai engenheiro, mãe pintora), foi nomeada em Agosto de 2001 senadora vitalícia pelo então Presidente da República italiana Carlo Ciampi, pelos seus “grandes méritos no campo científico e social”. Ela não parava. “Vou muito bem, física e moralmente, e nunca trabalhei com tanto entusiasmo como neste último período da minha vida”, garantia no seu 101º aniversário, meses depois de ter partido um fémur.




A cientista e senadora italiana Rita Levi-Montalcini, Prémio Nobel da Medicina de 1986, aos 103 anos, na sua casa, em Roma. Numa entrevista, quando cumpriu 100 anos, disse:

“O corpo faz aquilo que quer. Eu não sou corpo: eu sou a mente”


Pintura de Marie Curie 

A neurologista italiana, Dra. Rita Levi-Montalcini, que completou 100 anos no dia 22 de Abril de 2009, recebeu o Prémio Nobel de Medicina há 23 anos, quando tinha os seus 77.




Por causa da sua ascendência judia viu-se obrigada a deixar Itália um pouco antes do começo da II Guerra Mundial. Emigrou para os Estados Unidos onde trabalhou no Laboratório Victor Hambueger do Instituto de Zoologia da Universidade de Washington de San Louis.






Em 1951 foi ao Brasil para efectuar experiencias de culturas In Vitro no Instituto de Biofísica da Universidade do Rio de Janeiro, onde, em Dezembro deste mesmo ano, a pesquisadora consegue identificar o factor de crescimento das células nervosas (Nerve Growth Factor, conhecido por NGF). Esta descoberta valeu-lhe o Prémio Nobel para a Medicina em conjunto com Stanley Cohen.


Entrevista no dia 22 de Dezembro de 2005


- Como vai celebrar os seus 100 anos?

- Ah, não sei se viverei até lá, e além disso não gosto de celebrações. O que me mantém e interessada e que gosto é do que faço no meu dia-a-dia!




E o que é que a Dra. faz?

- Trabalho para dar uma bolsa de estudos para as meninas africanas para que estudem e prosperem…elas e os seus países. E continuo investigando, continuo pensando.

- E não pensa em aposentar-se?

- Jamais! Aposentar é destruir o cérebro! Há muita gente que se aposenta e se abandona, e isso mata o cérebro e adoecem.

- E como está o seu cérebro?

- Igual a quando tinha 20 anos. Não noto diferença nem nas ilusões e nem nas capacidades. Amanhã voo para um congresso médico.

- Mas terá algum limite genético?

- Não. O meu cérebro vai fazer um século…mas não conhece a senilidade. O corpo enruga-se, não posso evitar, mas não o cérebro!

- E como é que a Dra. consegue isso?

- Possuímos uma grande plasticidade neural; ainda quando morrem neurónios, os que restam reorganizam-se para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los.


- Ensine-me a fazê-lo.

- Mantenha o seu cérebro com ilusões, activo, faça com que ele trabalhe e em troca ele nunca se irá degenerar.

- E viverei mais anos?

- Viverá melhor os anos que viver e é isso que interessa. A chave é: manter as curiosidades, empenho, ter paixões e veja, não me refiro a paixões físicas especificamente, simplesmente tenha paixões.




-A sua paixão foi a investigação científica?

- Sim, foi e continua a ser.

- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso?

- Sim, em 1942, dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, factor do sistema nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas, até que foi reconhecida a sua validade e em 1986, deram-me o prémio por isso.

- Como foi para uma jovem de 20 anos tornar-se neurocientista?

- Desde menina que tive o empenho de estudar. O meu pai queria apenas que me cassasse bem, fosse uma boa esposa e uma boa mãe, mas eu não quis. Fui firme e confessei que apenas queria estudar.

- E o seu pai ficou magoado?

- Penso que sim, mas eu não tive uma infância feliz sentia-me feia, tonta e pouca coisa…Os meus irmãos mais velhos eram muito brilhantes e eu sentia-me tão inferior.

- Vejo que isso foi um estímulo…

- O meu estímulo foi o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava em África a ajudar com o problema da lepra. Eu desejava ajudar os que sofrem, e esse foi sempre o meu grande sonho.


- E o que tem feito com a sua ciência?

- Continuo a ajudar as meninas de África a estudar. Lutamos contra a enfermidade, a opressão da mulher nos países islâmicos por exemplo, além de outras coisas.



-Acha que a religião trava o desenvolvimento cognitivo?

- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões têm vindo a corrigir essa posição.

- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?

- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas em relação às funções cognitivas, não existe diferença nenhuma.

- Porque é que existem poucas mulheres cientistas?

- Não é verdade! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, foram na realidade feitos pelas suas irmãs, esposas e filhas.



- Esse facto é verdadeiro?

- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente existem mais mulheres do que homens na investigação científica, são as herdeiras da Hipácia!

- A sábia Alexandrina do século IV…

- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela foi. Claro, o mundo tem melhorado algo…






- Nunca ninguém tentou assassina-la?

- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar o Hitler na perseguição dos judeus, e tive que me recolher por algum tempo. Mas nunca deixei de investigar; tinha o meu laboratório no meu quarto e foi ai que descobri a apoptose, que é a morte programada das células.

- Como explica a alta percentagem de judeus entre os cientistas e os intelectuais?

- A exclusão estimula nos judeus os trabalhos intelectuais, podem-nos proibir de tudo, mas não de pensar. E sim, é bem verdade que existem muitos judeus entre os Prémios Nobel.




- Como cientista, como explica a loucura nazi?

Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional do neocortical, o intelectual. Eles conduziram emoções e não razões.






-Nunca se casou ou teve filhos?

- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar-lhe todo o tempo da minha vida.

- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?

- Curar? O que vamos lograr será o travar, atrasar e minimizar todas essas enfermidades.


- E hoje, qual é o seu grande sonho?

-Que um dia possamos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos cérebros.

-A ideologia é uma emoção, é sem razão?

- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado; são perfeitos. Nós não. E ao sermos imperfeitos, recorremos à razão, aos valores éticos; discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana.





- Quando deixou de se sentir feia?

- Ainda estou consciente das minhas limitações.


-O que é que tem sido para si o melhor da sua vida?

- Ajudar os outros.



Os meus especiais agradecimentos à minha amiga
Maria Augusta Pereira
Bjs 

Fontes: