domingo, 15 de setembro de 2013

A Presença dos Judeus em Carção!



Carção, Judeus e os que trabalhavam com animais 
usando o Cabresto…


Praça antiga de Carção

A partir do século XV os judeus expulsos de Espanha trouxeram outra alimentação para Carção e outra mentalidade. Tratava-se de uma comunidade rica e organizada duramente castigada pela Inquisição: havia 228 processos no Tribunal do Santo Ofício, aproximadamente metade da população da altura.


Representação de um Auto-de-Fé



 
“É uma aldeia com fortes tradições judaicas, conhecida como “Capital do Marranismo”, foi publicado um livro com esse título e para meados de Maio, com o apoio da Câmara Municipal de Vimioso, vai-se fazer as Jornadas do Judaísmo”. 





Um esforço para a recuperação da herança do judaísmo em termos do turismo cultural, a Rota do Marranismo é um dos anseios da população em geral e de Serafim João que escreveu “Memórias de Carção”.



Os carçonenses esperam também poder ter um Museu Judaico/Etnográfico e um monumento de invocação à Intolerância Religiosa e Étnica em homenagem aos judeus. 

Edifício que irá ser recuperado para o futuro Museu Judaico.



No brasão da freguesia está patente o candelabro de sete braços, um símbolo judaico, que figura a importância dos judeus para Carção. “Já existem muito poucos resquícios da história do judaísmo, mas nota-se mesmo nos habitantes de Carção que tinham uma característica importante: as pessoas que viviam na praça eram um bocadinho diferentes na maneira de ser e no aspecto cultural das que viviam nos arredores. Era tradição os da praça serem os Judeus e os outros serem os cabrões, porque eram os outros que trabalhavam com os animais, usavam o cabresto para melhor trabalharem”.


Brasão de Armas; Memória Sefardita


Também na missa não se misturavam cristãos novos com velhos e as paredes da Igreja de Santa Cruz, no século XVIII, estavam repletas de gravuras dos cerca de 25 judeus, desta terra, queimados na fogueira da Inquisição. Já nada resta dos sambenitos que deram lugar a paredes sóbrias que, se falassem, muitas histórias podiam contar.


Neste local, em 1651, foi justiçado Francisco Mendes, natural do lugar de Carção. Foi condenado à morte e enforcado na Vila de Outeiro, por ter assassinado Gaspar Gonçalves, juiz de Carção. O seu crime foi acrescido por ter despedaçado «com hua fouce roçadoura hua imagem de Christo». No meio do povo de Carção, numa grande lápide de granito cravada no solo, junto a uma fonte, está uma inscrição referente a Francisco Mendes. Naquele sítio estavam as casas de habitação do assassino, as quais foram mandadas arrasar e salgar pela barbaridade do crime. Os seus bens foram confiscados para a Coroa, ficaram também os seus descendentes incapazes de obter qualquer ocupação até à quarta geração.

Os cães da praça e os dos arrabaldes, judeus e cristãos, comerciantes e lavradores, em tempos separados por crenças e modos de vida, estão agora unidos para contar a história de Carção a quem os visita.


Adaptação da oração do Pai-Nosso, rezada pelos marranos/cristãos-novos de Carção, no século XX:


Senhor, que estais nas alturas,

Por Vossos altos favores,

Vos chamam os pecadores:

Padre-Nosso.

A Vós, Senhor, como posso

O Vosso nome invocarei,

Pois decerto, eu bem sei

Que estais nos céus;

Amparai, Senhor, um réu,

Que muito ver-vos deseja,

Que Vosso nome seja,

Santificado,

Eternamente sejais louvado,

Por tais modos:

A uma voz digamos todos:

Seja,

Do dizer ninguém se peja,

Nem o mais de Vos louvar;

Só deve triunfar,

O Vosso nome,

Matai-nos a nossa fome,

Com o bem da Vossa mão,

E do céu, meu Deus o pão

Venha a nós.

Amparai-nos sempre Vós,

Dando-nos pão e mais pão,

E por fim, em conclusão,

O reino Vosso.

Fazei que seja nosso

Esse reino da verdade;

Sempre a Vossa vontade

Seja feita.

Quando dermos conta estreita,

Convosco, meu Deus, me veja,

Para perdoar-me seja

A Vossa vontade.

Dai-nos lá, na eternidade,

À Vossa vista um lugar;

Já que andamos a peregrinar

Assim na terra,

É assim que se desterra

Uma dor como tal prazer,

Pois melhor lugar não pode haver

Como no céu.

Em tempo algum seja réu,

Por culpas que não cometi;

A todos daí, como a mim,

O pão nosso.

Eu prometo ser tão Vosso

Que por Vós morrerei;

Sempre Vos louvarei

Cada dia.

Dai-nos prazer e alegria,

Com poderes da Vossa mão,

E a todos o perdão

Nos dai hoje,

Que de Vós ninguém foge,

Antes se chegam a ti contritos;

Porque sois Deus dos aflitos,

Perdoai-nos

E por amor amparai-nos!

Felizes os que de Vós amparo têm;

Absolvei-nos, também,

As nossas dívidas,

Que por serem contraídas

Temos todos grande dor;

Perdoai-nos, Senhor,

Assim como nós

Havemos mister, e Vós,

Se acaso o perdão nos dais,

A perdoar nos ensinais,

Perdoamos.

Que é glória Vossa, e damos

O perdão por mui bem feito,

Pois perdoar é preceito,

Aos nossos,

Pois, por sermos todos Vossos,

É mui justo o perdão,

Para que não haja, não,

Devedores,

Assim como os Vossos favores,

Que qualquer é superior,

Agora, por Vosso amor,

Não nos deixeis.

Senhor, não desampareis

Barro que não é valente,

Pois se deixa facilmente

Cair;

Cuidai muito em nos acudir

Com auxílios eficazes,

Que de cair somos capazes

Em tentação;

Esteidei-nos a Vossa mão,

Senhor, com todo o cuidado,

De contrair o pecado

Livrai-nos

Meu Deus e Senhor, dai-nos

Zelo e serviço fecundo,

E livrai-nos neste mundo

De todo o mal,

Agora, diga já cada qual,

Com bem puro e firme amor:

Louvado seja o Senhor

Amem.


Carção; Símbolos sefarditas

Petroglifo cruciforme ladeado por duas figuras aladas
 Paulo Lopes - Imagem de 2009 




Fonte do texto:



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sábado, 14 de setembro de 2013

Depois de Yom Kippur!



Leis e Costumes


Tem início a construção da sucá.

É costume começar a trabalhar – ou pelo menos planear – a construção da sucá logo depois de Yom Kipur. De fato, o Midrash (Vayicrá Rabá 30:7) descreve os quatro dias entre Yom Kipur e Sucot como um tempo no qual o povo judeu está “preocupado com as mitsvot… um está ocupado com sua sucá, outro com seu lulav, etc”!


Fonte:


Esta festa, tal como todas as outras é passada na companhia de familiares e amigos e dentro ou fora de uma comunidade, escolhe-se um local ao ar livre (jardim de algum elemento, ou pátio de uma sinagoga), e depois é necessário traçar um plano de acção entre todos; é decidido quem trás e faz o quê, desde os materiais acima referidos, mas também os materiais de decoração da sucá e que geralmente ficam a cargo das crianças que se apressam a fazer enfeites; colher flores ou pinhas para pintar, desenhos coloridos ou colagens entre tantas outras actividades decorativas e algumas, é claro, com a participação dos adultos (é que esta parte da decoração é a minha parte favorita porque é a mais divertida J). 

Também e muito importante começar a pensar na lista dos alimentos que irão ser servidos nas refeições durante a Sucot. Enfim, é uma correria, mas muito, muito boa!

Bom trabalho! ZD 





'Eu perdoei, como tu pediste'



O dia de hoje na história judaica – 10 Tishrei 5774


As segundas Tábuas (1313 A.E.C.)


A 10 de Tishrei do ano 2449 da Criação, 82 dias depois de o povo de Israel trair seu recente pacto com D'us ao adorarem o bezerro de ouro, e após Moshê passar 40 dias sobre o Monte Sinai implorando por eles, "D'us restaurou sincera e alegremente Sua boa vontade com o povo judeu, dizendo a Moshê: 'Eu perdoei, como tu pediste', e deu-lhe as Segundas Tábuas" – estabelecendo assim o dia como um tempo de expiação, perdão e teshuvá para todas as gerações.



Fonte:

Rebeca - Hoje na história judaica – 10 Tishrei 5774



 Neste dia, no ano 1556 A.E.C. :




Nascimento de Rivka (1556-1677 AEC), mulher de Yitschac, mãe de Yaacov e Essav, e uma das Quatro Matriarcas de Israel.


Rivka - A grafia hebraica de Rebecca.




Rebeca (do hebraico רִבְקָה, transl. Rivká), personagem do Antigo Testamento, era filha de Betuel, irmã de Labão, mulher de Isaque e mãe de Jacó e Esaú. É também a sobrinha de Sara, da qual teria herdado a beleza.

Corajosa, decidida e generosa. Estas são algumas características da personalidade de Rebeca, esposa de Itzhak e segunda matriarca do povo judeu. Vinda de Aram, terra natal de Abraão, não hesitou em deixar seu lar e sua família para se casar com um homem desconhecido e viver em um lugar distante.

Movida por esta mesma coragem e inspirada pelo dom da profecia que, durante a difícil gravidez dos gêmeos Esaú e Jacó, lhe revelara que “o mais jovem reinaria sobre o mais velho”, Rebeca também não hesitou em interferir para que Itzhak abençoasse Jacó no lugar de Esaú, fazendo de seu filho menor o pai das Doze Tribos de Israel.

Isaque, e Jacó se apresentando como Esaú.
Gravura de Gustave Doré


O destino de Rebeca entrelaçou-se com o de Itzhak quando Abraão decidiu que era chegado o momento de seu filho se casar e dar continuidade a seu legado. Para isso, chamou Eliezer, seu mais fiel servo, e pediu-lhe que fizesse o seguinte juramento: “Quero que jures pelo Todo-Poderoso – Senhor dos céus e da terra – que não escolherás esposa para meu filho entre as filhas dos canaanitas, entre os quais me instalei. Nem escolherás uma dentre as filhas de Aner, Eshkol e Mamrai. Vai à terra onde nasci e escolhe uma esposa para Itzhak”. Abraão vivia então em Beersheva. (...)


Isaac e Rebecca
Pintura de Raphael Santi


Eliezer encontra Rebeca

(…) Parado no local, Eliezer observava as jovens. Queria ver a jovem destinada a ser a futura esposa de Itzhak longe da influência de sua família. Segundo o Midrash, quando Rebeca chegou ao poço com um cântaro nos ombros, Eliezer imediatamente notou que ela não se abaixava para pegar a água, como as demais, mas esta brotava milagrosamente das profundezas em sua direção, indicando ser ela possuidora de uma especial santidade.





Dirigindo-se a ela, ele então perguntou: “Permita-me tomar apenas um gole da sua jarra?” E ela respondeu gentilmente, sorrindo, apesar de não o conhecer: “Beba quanto desejar, meu mestre” (Gênese 24:18). 

Gravura de Gustave Doré






Depois que ele estava saciado, Rebeca acrescentou: “Eu também darei de beber a seus camelos até que estejam satisfeitos”. Novamente ela se aproximou do poço e encheu a jarra para servir os animais, não apenas de um gole, mas em quantidade suficiente para que satisfizessem o estômago. É sabido que os camelos têm capacidade de armazenar água para vários dias. E Rebeca os serviu dez vezes, observada por Eliezer. Além de extremamente linda, ela exalava bondade. Eliezer então teve certeza de que o Todo-Poderoso respondera a seu pedido: ele estava diante da jovem destinada a ser a esposa de Itzhak. Segundo alguns sábios, na época Rebeca tinha apenas 3 anos de idade, enquanto outros acreditam que ela já tivesse 14 anos.

Eliezer então tirou de seu bolso um aro e duas pulseiras de ouro e a enfeitou, perguntando-lhe quem era seu pai e se havia em sua casa um quarto para hospedá-lo por uma noite. Dizendo ser filha de Betuel – filho de Milcá e de Nachor, irmão de Abraão – ela afirmou que havia abrigo para os camelos e também um quarto para hospedá-lo por quanto tempo ele quisesse. Agradecendo ao Todo-Poderoso por tê-lo feito encontrar a jovem adequada, Eliezer exclama: “Abençoado seja o Senhor, D’us de meu mestre Abraão, que me guiou diretamente para a família de meu mestre”.

Rebeca correu para casa para contar à mãe o que havia acontecido, sendo ouvida por seu irmão Labão, que o convidou para sua casa. Eliezer, então, ao reunir-se com toda a família, falou de sua missão e de que maneira o Todo-Poderoso o conduzira até Rebeca. Tanto Labão quanto Betuel concordaram com o pedido de casamento, dizendo: “Isto é obra de D’us” (Gênese 24:50). “A questão foi pré-determinada e não podemos impedi-la. Leve Rebeca para ser a esposa do filho de seu mestre”. Ao ouvir a concordância de Labão e Betuel, Eliezer prostou-se ao chão, para agradecer a D’us, e entregou a Rebeca jóias e enfeites de ouro e prata como presentes de casamento.


Pedido da mão de Rebeca feito por Eliezer para Isaac
Pintura de Maarten de VosIsaac


No dia seguinte, Labão, irmão de Rebeca, e a mãe tentam impedi-la de partir com Eliezer, argumentando que Rebeca devia esperar um ano para preparar o enxoval e o casamento. Ao ver o anjo esperando por ele fora da casa, Eliezer afirmou que deveria partir imediatamente. A família então disse que a decisão cabia a Rebeca. Mesmo sabendo que seu irmão e sua mãe não concordariam, a jovem afirmou: “Eu irei”. Assim, como Abraão, ela estava pronta para deixar sua família, sua terra natal para tornar-se esposa de Itzhak. Rebeca desabrochara como “uma rosa entre espinhos”, entre pai e irmãos corruptos. Apesar de serem ambos perversos, ela permaneceu pura e boa.

Rebeca e Eliezer partiram de Aram ao meio-dia e chegaram a Beersheva na mesma tarde. Mais uma vez, segundo o Midrash, o Todo-Poderoso reduzira milagrosamente o tempo de viagem. Quando eles se aproximavam, Itzhak foi aos campos orar no local onde sentira a Presença Divina. Foi Itzhak quem instituiu o Minchá – a reza da tarde. Foi lá que Rebeca o viu pela primeira vez, envolto pela luz da Presença Divina e, sobre ele, um anjo a protegê-lo. E disse: “Este deve ser um grande homem. Quem é?” Ao que Eliezer respondeu: “É o meu mestre”. Imediatamente Rebeca agradeceu ao Senhor por ter sido destinada a ele. Segundo o Midrash, ao mesmo tempo, porém, teve a visão de que geraria um filho malvado (Esaú), estremecendo e caindo do camelo. Eliezer a recolhe do chão e a leva a Abrãao e Itzhak.


Encontro de Rebeca, Isaac e Essau
Friedrich Bouterwek


Casal único

Com Itzhak e Rebeca o texto bíblico relata o primeiro casamento que se conhece na história da humanidade. Foram o único casal monogâmico citado no Gênese, pois, por ter sido “escolhido como sacrifício ao Senhor no Monte Moriá”, Itzhak não podia ter uma outra mulher também como esposa. Itzhak e Rebeca se completavam e, como nos revela a Torá, amavam-se apesar das diferenças de personalidade. Itzhak era um pensador, um homem gentil e carinhoso, mas passivo. Rebeca, ao contrário, um carácter decidido, de muita presença. Ambos possuíam visão profética, mas Rebeca possuía também a intuição feminina.


O casamento de Isaac e Rebeca
Pintura de Claude Lorraine





Fontes:




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Yom Kippur!


G’mar Chatimá Tová!

Que sejam todos inscritos no livro da vida, são os desejos sinceros do Eterna Sefarad


Pintura de 
Frank Enger

O Hallel!



O Hallel é uma das orações mais famosas na liturgia Judaica, a qual é recitada várias vezes ao ano em louvor e agradecimento a D-us.

Isaac Abravanel


Dom Abrabanel, no seu comentário ao Hallel e ao Salmo 115, oferece uma nova e bonita interpretação do que de outro modo seria uma sequência de versos algo intrigante.

Ao contrastar a nossa crença em D-us com a de um idólatra, o verso diz: “Os seus ídolos são de prata e de ouro, artesanato de seres humanos.”

O Salmo continua depois com uma detalhada descrição de vários aspectos dos ídolos. “Eles têm boca mas não falam, têm olhos mas não vêem. Têm ouvidos mas não ouvem …”

Dom Abarbanel pergunta-se – porque é que precisamos de toda esta descrição? Porque é que o grosso de uma inteira canção dedicada a D-us, enfoca as deficiências dos ídolos?


A palavra em hebraico para descrever um ídolo é "Atzabeihem," a qual deriva ou tem a sua raiz “shoresh” na palavra "Atzav," a qual por sua vez significa triste ou deprimido.

Ainda que esta palavra seja de facto tipicamente interpretada com referência a ídolos, Dom Abarbanel oferece uma abordagem completamente diferente.

Em vez de meramente descrever os ídolos feitos de prata e de ouro, Dom Abarbanel interpreta a palavra "Atzabeihem" como descrevendo as pessoas em questão. Quão triste e infeliz é se o nosso “trabalho de artesão” for apenas na busca de “prata e ouro”.

Com esta leitura do verso, a sua continuação faz todo o sentido. “Eles têm boca” - D-us deu-lhes a capacidade de O louvar, mas infelizmente “Eles não falam”.


“Eles têm olhos”, ou seja a capacidade de ver a presença e as maravilhas Divinas, “mas eles não vêem”.


“Eles têm ouvidos” ou seja a capacidade de ouvir e seguir a vontade Divina “mas não ouvem”.


"Eles têm nariz," ou seja a capacidade de “cheirar” o que é certo e o que é errado "mas eles não cheiram."


"Eles têm mãos,” ou seja a oportunidade de cumprir os Mitzvot, "mas não sentem.”


"Eles têm pés," para dar os passos necessários a ajudar outrem, "mas não caminham."


A estra luz, o Salmo torna-se um muito pessoal e emocional diálogo interno, recordando a cada um de nós, as oportunidades e possibilidades que D-us nos deu.

À medida que nos aproximamos de Yom Kippur (e de Sukkot, altura em que recitaremos o Hallel todos os dias) vamos então fazer o possível para aproveitar ao máximo as capacidades que D-us nos deu para atingirmos o nosso potencial em termos da Torá e dos Mitzvot.



Gmar Chatima Tova!

Fonte:


Rabino Eli Rosenfeld


chabadportugal.com