quinta-feira, 9 de maio de 2013

António de Montezinos - Um Judeu de Vila Flor...




…e as dez tribos perdidas de Israel.


Mapa de 1759 com a divisão clássica das  doze tribos de Israel


António de Aharon Levi Montezinos, nasceu na Vila Flor no seio de uma família cristã-nova. Até 1644 viveu nas Índias Ocidentais. Por esta altura viaja para Amesterdão e após uma estadia de seis meses retorna ao Recife, acabando por falecer dois anos depois.

Vila Flor

Em Amesterdão, a 18 de Julho de 1644, perante Menasseh bem Israel e de outros membros da nação Portuguesa, relata o seu encontro, dois anos e meio antes com os índios dos planaltos da actual Colômbia. Segundo António de Montezinos seriam os descendentes da tribo de Rúben. Este relato foi inserido na obra messiânica de Menasseh ben Israel, “Esperança de Israel”, escrita em 1650, obra que inflamaria os espíritos dos judeus e prepararia o terreno para o movimento messiânico de Sabatai Zvi. 

“Esperança de Israel”
Menasseh ben Israel

De acordo com o seu relato, esta aventura teve lugar após a sua prisão nos carceres da Inquisição de Cartagena, nas Índias. Teria sido o seu guia índio, Francisco, que lhe fizera alusão a um “povo escondido”.



Montezinos e Francisco iniciam uma viagem de montanha e ao cabo de uma semana chegam às margens de um grande rio, (suspeita-se que seja o Rio Cauca), que Montezinos, na sua Relação, compara ao Douro. Do outro lado do rio encontram uns índios estranhos que vêm ao seu encontro e lhe recitam a profissão de fé judaica em hebraico: “ Escuta Israel, o Senhor é o nosso D’us, o Senhor é Um”. Afirmam pertencer à posteridade de Abraão, Isaac, Jacob e Rúben e esperam a chegada de doze homens que saibam escrever para deixarem o seu refúgio. Para Montezinos não havia dúvidas. Aqueles índios eram descendentes de uma das dez tribos perdidas e do seu retorno dependia a redenção de Israel. E tal, foi o entendimento de Menasseh bem Israel.


“O Desembarque”
Alfredo Roque Gameiro e António Conceição Silva


Tribos Perdidas foi o nome porque ficaram conhecidas as dez tribos de Israel (Rúben, Simeão, Dan, Neftali, Gad, Aser, Isaacar, Zabulão, Efraim e metade de Manassés) que constituíam o reino de Israel após a sua separação de Judá, depois da morte do Rei Salomão. Em 722 a.e.c., o reino de Israel foi conquistado pelos assírios que deportaram os israelitas para Hala, sobre o Habor, rio de Gozan, e para as cidades dos medos. A crença no seu regresso é um elemento de escatologia judaica e assenta nas palavras dos profetas Isaías (Is: 11,12) e Ezequiel (Ez 27, 15-28), no Talmude e no Midrash. As lendas sobre elas são numerosas e delas existem elementos em escritos de Benjamim de Tudela (séc. XII). O tema é retomado no séc. XVII pelo Padre António Vieira na obra “Esperanças de Portugal”. Sobre o assunto existem numerosas obras que podem ser consultadas. A este tema, Arthur Koestler dedicou anos de pesquisa.


“Esperanças de Portugal”



Este artigo foi-me oferecido pela minha amiga
Dora Caeiro
Muito obrigada
Pintura de Ryszard Tyszkiewicz

Beijinhos


Fonte:




quarta-feira, 8 de maio de 2013

28 Iyar - Yom Yerushalayim




Jerusalém é libertada (1967)

Pintura de Resh (Reznikov Y. Shkred


A Cidade Velha de Jerusalém e o Monte do Templo foram libertados durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. O dia é marcado em Israel como o “Dia de Jerusalém”.


Yom Yerushalayim ou dia de Jerusalém (em hebraico יום ירושלים), é um feriado nacional em Israel e celebrado anualmente no dia 28 de Iyar. De acordo com o plano de Partilha da ONU de 1947, Jerusalém deveria de ser uma cidade internacional, não pertencendo nem a um estado judaico, nem a um estado árabe. Mesmo assim, durante a guerra árabe-israelita de 1948, o controle da cidade foi dividida entre Israel e Jordânia.


No entanto, Jerusalém Oriental foi reconquistada por Israel em 1967, como resultado da Guerra dos Seis Dias. No dia 12 de Março de 1968, o governo israelita proclamou o dia 28 de Iyar como o feriado do Dia de Jerusalém. Em 23 de Março de 1968, o Knesset aprovou a Lei do Dia de Jerusalém como um feriado nacional Israelita.


Pintura de Yochanan bem Zakai  
Old Jerusalem





Fontes:



terça-feira, 7 de maio de 2013

Os primeiros quatros dias da criação!




Nascida na Polónia, Malla Carl, é filha do rabino Blumenkrantz e imigrou apenas por um tempo com sua família para a Suíça. Depois de se formar no Kunstgewerbeschule em Lucerna, em 1969, ela decidiu viajar e estabelecer-se em Israel. 


O primeiro trabalho caligráfico por Malla Carl foi o convite para o bar Mitzvah de seu filho em 1976. Depois outros trabalhos se seguiram e Malla Carl não parou de escrever e de desenhar desde então.





















Primeiro e segundo dia da esquerda para a direita




















Terceiro e quarto dia da esquerda para a direita


Malla Carl é fascinada pelas histórias da Bíblia e adora desenhar cenas que mostram os parágrafos retratando as histórias que ouvimos. A especialidade da Malla é a Bíblia na arte e letras. Em seus trabalhos sobre pergaminho que muitas vezes inclui a paisagem de Jerusalém, retratos de família e vizinhos, ou os rostos interessantes de estranhos que ela vê no ponto de ônibus, a quem convida para casa com o modelo.


Shaar Shchem  


Bone


Jerusálem


Abshaloms Tomb


Churva Keshet


Shaar Ha Rahamim




Fontes:



sábado, 4 de maio de 2013

Discussão entre judeus!



Shavua Tov!
As discussões são como velas acesas na escuridão.


Pintura de: Suffrin Roee

sexta-feira, 3 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Imortalizados nos nossos corações e agora na música!




Amichtav Haacharon – Idan Amedi




A letra desta canção baseia-se em trechos de cartas que o soldado Moshe Ochayon enviou para a sua namorada enquanto cumpria o serviço militar no Tzahal, (exército israelita).

Moshe faleceu em 1995 no sul do Líbano. A canção faz parte do projecto “Od meat nahafoch leshir”( iremos virar canções), da rádio militar Galei Tzahal.

Livros judaicos são confiscados (1731)




O dia de hoje na história judaica  
22 de Iyar de 5773


Giovani António Constanzi, responsável pela biblioteca e autoria do catálogo dos manuscritos hebraicos do Vaticano, direcionou buscas em todos os bairros judeus do Estado do Vaticano confiscando todos os livros sagrados judaicos. O confisco iniciou-se em 22 de Iyar de 1731 e continuou por mais vinte anos.



Fonte:


Deportação de judeus húngaros (1944)



O dia de hoje na história judaica  
22 de Iyar de 5773


Após dois meses de ocupação nazi na Hungria, onde a população antes da II Guerra Mundial era de 750.000, os nazis iniciaram a deportação dos judeus para o campo de concentração de Auschwitz.






Eichmann, encarregou-se pessoalmente do início do processo de extermínio. 







Oito dias mais tarde 100.000 já tinham sido assassinados.



Fonte:


O cumprimento do Shabat (1313 a.e.c.)



O dia de hoje na história judaica  
22 de Iyar de 5773




Logo após o recebimento do maná, “Pão celestial” que alimentou os judeus milagrosamente no deserto, D’us ordenou ao Povo que cumprisse o Shabat. Este Shabat ocorreu no dia 22 de Iyar do ano 2448.




Na manhã de sexta-feira, caiu maná em porção dupla, pois passava a ser proibido recolher maná durante o Shabat. As duas chalot que colocamos na mesa de Shabat celebram esse milagre.



Fonte:

quarta-feira, 1 de maio de 2013

21 Iyar 5773 - O dia de hoje na história judaica




Fundação de Kefar Chabad (1949)

Rabino Yosef Yitzchak Schneersohn

A casa original do Rebe Lubavitcher  
em Brooklin-EUA


Kfar Chabad, é fundada pelo sexto Rebe de Lubavitch, Rabino Yosef Yitzchak Schneersohn, nesta data. Os primeiros moradores eram na sua maioria imigrantes da União Soviética, sobreviventes dos horrores da II Guerra Mundial e da opressão de Stalin. Kfar Chabad, está localizada próximo de Tel Aviv, abriga inúmeras instituições educacionais e tornou-se sede do Movimento Chabad- Lubavitch na Terra Santa.


A réplica da casa do Rebe - Kfar Chabad em Israel, 
situada entre Tel-Aviv e Jerusalém



Fontes:


O dia de hoje na história judaica - 21 Iyar 5773



Frank é enforcado em Praga (1946)


Karl Hermann Frank, oficial alemão nazi da   Checoslováquia durante a II Guerra Mundial foi enforcado nesta data. Frank rendeu-se ao exército americano no dia 09 de Maio de 1945, extraditado e julgado pela corte de Praga. Foi sentenciado a pena de morte e enforcado no pátio da prisão de Pankrac na presença de cinco mil testemunhas pelos seus crimes de guerra.



O som deste vídeo não está em condições, pelo facto aconselho a baixar o volume do mesmo antes de iniciar a sua visualização.



Fonte:

Ver mais:

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Frase do dia: Friedrich Nietzsche




“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.”


Pintura de Lena Karpinsky

Música Judaica - Uma herança com quase 5800 anos!



A música judaica


A Música judaica constitui uma herança cultural com quase 5800 anos e tem vindo a transformar-se constantemente. Das raízes comuns vindas dos rios Eufrates e Tigre, Médio Oriente, os judeus são encontrados na América do Norte, Central e Sul, Europa, Ásia, Austrália, Nova Zelândia e África, com populações que variam de algumas centenas a milhões.



Neste vídeo pode ouvir um dos primeiros instrumentos a ser utilizado: O Shofar.



Levando em consideração essa difusão global, seria possível dizer que há uma música que possa ser chamada de música judaica? O que determina uma música judaica? Seus instrumentos, seus elementos musicais, o “quão judeu” é o autor, a mensagem do contexto? O que tem a ver a música dos judeus da Etiópia, com a dos Sefarditas (judeus da Península Ibérica), e a dos iemenitas (Yémen), ou os judeus de Cochim, na Índia, e a dos judeus de Israel, assim como a música dos judeus das Américas, judeus ortodoxos e judeus da Reforma que representam o mundo contemporâneo judeu. 


Em primeiro lugar, poderíamos considerar que há uma herança bíblica que se configura como o principal cerne da tradição judaica e que é preservada na sua importância e uso, sempre e em qualquer lugar do mundo. Em segundo lugar, a filiação espiritual-humanística ligada ao seu país de origem. A Torah, as Haftarot, as fontes do Talmude, funcionam como elemento de coesão entre os diferentes judeus e representam o pensamento judeus, tanto esteticamente como eticamente. Também na música, faz todo o sentido dizer que os judeus são o Povo do Livro.



Origens e Tendências actuais


A maior contribuição musical dos antigos hebreus foi a elevação do status da música litúrgica junto aos rituais cerimoniais. O que se sabe sobre a música tocada no tempo de Salomão e o seu segundo Templo reconstruído, depois do exílio da Babilónia, sob o reino de Darius, o Rei da Pérsia 516 a.e.c é um indicativo do alto nível de organização musical litúrgica



No Templo de Salomão existiam 24 grupos corais formados por 288 músicos utilizados nos 21 serviços semanais. Actualmente as principais tendências da música judaica são a da tradição Sefardita e o estilo Klezmer, além das músicas do cerimonial litúrgico. As restantes, como por exemplo, os judeus Portugueses e Africanos ainda aguardam pesquisa e levantamento sistemático de material. 


Os Sefarditas

Os Sefarditas são judeus que viveram na Península Ibérica até ao fim do Séc. XV. Quase toda a cultura tem uma forte influência dos mouros, pois estes invadiram e dominaram a Península Ibérica durante cerca de 700 anos. Depois da expulsão de 1492, muitos judeus sefarditas foram viver para a Palestina, Egipto, Síria, Balcãs e nas Américas, espalhando um dos reportórios mais vastos da cultura judaica. No século XIX, muitos desses judeus sefarditas migraram para a América do Sul.




A Música sefardita possui três géneros poéticos musicas principais: romanças, as coplas e as líricas. Eles se diferenciam pela temática, por sua estrutura poética musical, pela sua execução e a sua função social. As canções sefarditas têm categorias e funções relacionadas aos grandes ciclos: O ciclo da vida (nascimento, casamento e morte) e o ciclo anual (correspondente às festas do calendário judaico). Os sefarditas falam ladino, que é uma língua que mistura o hebraico com o espanhol de Castela. Há vários grupos e cantoras de música sefardita espalhados pelo mundo que se dedicam a preservar e até a recriar o cancioneiro sefardita





A música Klezmer e os Ashkenazim


Os ashkenazim são os judeus que viviam na Rhineland (Renânia, ou região do Rio Reno) – actual Alemanha e no nordeste da França, no Séc. IX e que migraram para a Europa Central e para o Leste depois das perseguições das Cruzadas. Alguns foram também para a Grécia e Turquia. Muitos formaram colónias grandes na Rússia e na Polónia. Falam Yiddish que é uma mistura do hebraico antigo com as línguas germânica e eslavas.

A música Klezmer tem origem no Leste Europeu, Europa Central, passando pelos Balcãs até ao Mar Negro e cruza oceanos e continentes até chegar ao novo mundo, isto é, a América. Ela nasceu nas vilas judaicas da Europa central (“shtetels”) e espalhou-se pelo resto da Europa, adquirindo as características da música romena, polaca, ucraniana e húngara, e tinha por objectivo principal acompanhar as festas e cerimónias, como os casamentos, os barmitzvot, os jogos de Purim, etc.








Até à Primeira Guerra Mundial, as bandas Klezmer são caracterizadas pela predominância do violino e do címbalo, (espécie de piano ambulante). Com o crescimento do teatro Yiddish e do aparecimentos do gramofone, os instrumentos de cordas foram substituídos pelos de sopro. O violino foi substituído pelo clarinete e o contrabaixo pela tuba, assim como o címbalo cedeu o seu espaço ao xilofone, piano ou banjo. O florescimento da cultura yiddish na Europa foi brutalmente interrompido pelo Holocausto e foi na América e em Israel que a tradição do Klezmer conseguiu sobreviver, acabando por se transformar numa característica do quotidiano nas comunidades da Diáspora.





Fontes: