O banquete que durou 180 dias realizado pelo Rei
Achashverosh acabou neste dia.
Achasverosh errou em seus cálculos sobre a data
inicial profetizada por Yirmiyahu sobre a promessa da reconstrução do Templo
Sagrado que se realizaria após 70 anos de exílio do povo judeu na Babilónia.
Quando a data expirou, segundo seus cálculos, e os judeus não foram redimidos,
ele divulgou que daria um grande banquete para celebrar a extinção dos judeus
“Povo escolhido”. Durante os dias destas celebrações ele exibiu diversos adornos
e utensílios que foram espoliados roubados do Templo Sagrado de Jerusalém pelo
exército babilónico.
Dois dias antes da conclusão do período de luto de 30
dias após o falecimento de Moshê em 7 de Adar, Yehoshua despachou dois
batedores – Caleb e Pinchas – ao outro lado do Rio Jordão para fazer o serviço
de inteligência e preparar a batalha dos israelitas com a primeira cidade na
conquista da Terra Santa. Em Jericó, eles foram ajudados e escondidos por
Rahab, uma mulher que vivia dentro dos muros da cidade. (Rahab mais tarde
casou-se com Yehoshua).
Elias, o Profeta, 1927, Fritz Kredel (Haggadah Offenbach)
Este artigo, que é apenas um
pequeno apontamento sobre Elias, abre com uma ilustração que representa Elias,
o Profeta (Eliyahu ha Navi) na sua qualidade de mediador de paz. Refere-se à
passagem de Malaquias 3: 23-24 – “Eis que vos
mandarei o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do Eterno. E ele
fará volver o coração dos pais (para o Eterno) através dos filhos, e o coração
dos filhos (para o Eterno) através dos pais, para que Eu não venha a desferir
sobre esta terra uma destruição completa.”
O
profeta Elias anuncia a chegada do Messias, Haggadah
de Veneza, 1609
Habitualmente a Haggadah descreve o profeta Elias soprando o shofar, enquanto conduz o Messias a Jerusalém. Na tradição judaica,
Eliyahu é conciliador e mensageiro de boas notícias, como a chegada do Messias
(Mashiach ben David) - “Aproximam-se
os dias – diz o Eterno – em que escolherei, de entre os rebentos de David, um
justo que governará como rei, que prosperará e saberá praticar a justiça e a
rectidão na terra.” (Jeremias 23:5).
O nome Eliyahu é composto pela palavra אלי (Eli, “meu D’us”), sendo as restantes letras יהו, o nome de D’us. No texto sagrado Elias é apresentado como um “Homem de
D’us”, recipiente de uma graça divina e dotado de poderes sobrenaturais, que realiza
milagres em várias ocasiões; alguns em lugares públicos, outros em ambientes
privados. Acima de tudo, Elias é um paradigma do mais puro zelo pela fé judaica.
Elias ocupa igualmente um lugar importante no Cristianismo e no
Islamismo.
Elijah meeting
Ahab and Jezebel in Naboth’s vineyard, 1876, Sir Francis Bernard Diksee
Elias, o Tesbita, de acordo com o “Livro
dos Reis” (Sefer Melachim – I Reis e
II Reis), foi um profeta da Terra de Israel (estava esta dividida em dois
reinos – o do norte – o reino de Israel, e o do sul – o Reino de Judá), que
viveu no século IX a. e. c., no reinado de Acab e da sua esposa fenícia, a rainha
Jezabel. Jezabel, determinada em erradicar o culto ao Senhor e em fazer da
adoração ao deus Baal a religião nacional de Israel, teve influência em Acab
que, evidenciando fraqueza de carácter, mergulhou o seu reino numa crise
espiritual profunda. Foi neste contexto que Elias e o seu discípulo Eliseu,
defenderam ousadamente a fé no D’us único.
Elias, convicto de que nenhum deus pagão
era superior ao D’us de Israel e dispondo apenas da oração e da fé em D’us como
armas para enfrentar o rei Acab e os 450 profetas de Baal, lutou corajosamente
para que os israelitas reconhecessem a sua apostasia e assim fossem
reconduzidos à fidelidade ao D’us de Israel. Já no Monte Carmelo podemos ouvir
o profeta:
«E
Elias dirigiu-se a todo o povo e disse: «Até quando ficareis saltitando entre
dois pensamentos? Se o Eterno é D’us, segui-O! Mas se é Baal, segui-o! – e o
povo não lhe respondeu nada. Então Elias disse ao povo: «Cá estou eu sozinho
como profeta do Eterno frente aos 450 profetas de Baal.»
I
Reis 18: 21-22
Elias e os profetas de Baal, 1545, Lucas Cranach, o Jovem
Numa atmosfera de grande
densidade dramática, Elias dirige uma prece a D’us, dizendo: «Ó Eterno, D’us de Abraão, de Isaac e de
Israel! Hoje será reconhecido que Tu és D’us e que eu sou Teu servo e que fiz
todas estas coisas conforme a Tua palavra. Responde-me, ó Eterno, responde-me,
para que este povo reconheça que só Tu, ó Eterno, és D’us, e assim Tu farás
voltar o seu coração desgovernado.»
I
Reis 18: 36-37
É precisamente este, o texto de uma das Árias mais famosas da Oratória
“Elijah, Op.70”, de Félix Mendelssohn, que o compositor alemão escreveu para o
Festival de Birmingham, Inglaterra, em 1846. Propomos a sua audição, na voz do
barítono Dietrich Fischer-Dieskau, no papel de Elias.
No.14: Aria (bass) ELIJAH: Lord God of
Abraham, Isaac and Israel, this day let it be known that Thou art God and I am
Thy servant. Lord God of Abraham, oh show to all this people that I have done
these things according to Thy word, oh hear me, Lord, and answer me. Lord God
of Abraham, Isaac and Israel, oh hear me and answer me, and show this people
that Thou art Lord God and let their hearts again be turned.
O episódio do Monte Carmelo
termina com o reconhecimento público do nome de D’us e a matança de todos os
sacerdotes de Baal, o que motiva a sanha vingativa de Jezabel. Elias é forçado
a fugir para o reino de Judá, para salvar a sua vida. Mas após ter caminhado um
dia no deserto, sem comida, nem bebida, cansado e fraco, senta-se à sombra de
uma árvore e, desmoralizado, pede a morte. É então visitado por um anjo, que o
conforta e lhe sacia a sede e a fome.
Mendelssohn utiliza neste episódio os três
primeiros versículos do Salmo 121, produzindo um coral memorável (a cappella), que ficará conhecido por
“Coro dos Anjos”. Vamos ouvi-lo, numa interpretação do coro de rapazes do
King’s College de Cambridge.
Salmo
121: 1-3 - Um Cântico de Ascensão. Ergo
meus olhos para o alto de onde virá meu auxílio. Meu socorro vem do Eterno, o
Criador dos céus e da terra. Ele não permitirá que resvale teu pé, pois jamais
se omite Aquele que te guarda.
No.28: Chorus ANGELS: Lift thine eyes to the mountains, whence cometh
help. Thy help cometh from the Lord, the Maker of heaven and esth. He hath said
thy foot shall not be moved; thy Keeper will never slumber.
O arrebatamento de Elias, Guiseppe Angeli (1712-1798)
“E
sucedeu que indo eles andando e falando, um carro de fogo, com cavalos de fogo,
os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num redemoinho. E Eliseu viu e
exclamou: «Meu pai, meu pai! Ó carros de Israel e seus cavaleiros!» - e não o
viu mais.”
II
Reis 2:11-12
Conforme se pode ler no texto bíblico,
Eliyahu ha Navi ao deixar o mundo dos vivos, não desaparece como um comum
mortal, mas sobe aos Céus numa carruagem de fogo.
Na piedade judaica, o profeta arrebatado
ao Céu vive no Paraíso, com os anjos, onde lhe é atribuída a responsabilidade
de escrivão celestial, escrevendo os nomes dos justos e as suas boas acções no simbólico
“Livro da Vida” (Sefer ha Chaim).
Eliyahu não é uma personagem do passado: está vivo e acompanha o longo
peregrinar de Israel, protegendo os judeus em cada geração; desce à terra em
socorro dos necessitados, para nos lembrar que temos direito à esperança na
justiça.
Sobre Vitebsk, 1913-1914, Marc Chaggal
Na pintura de Chaggal – Sobre Vitebsk (a cidade natal do pintor)
-, a imagem de Eliyahu emerge na figura do Judeu Errante, passando por uma majestosa
igreja russa e por um edifício vedado e encerrado (aparentemente uma sinagoga).
O artista expressa desta maneira a vulnerabilidade da condição dos judeus ao
tempo da sua infância, que como ele estavam na iminência de se tornarem
refugiados.
Mas Eliyahu não nos visita apenas em
tempos conturbados; está igualmente presente nas celebrações, observando de
perto as relações dos filhos de Israel com D’us. De acordo com a tradição
judaica, Eliyahu é o guardião de todas as crianças judias e acredita-se que
está presente em cada ritual de circuncisão – Brit Milah -, testemunhando a entrada de uma nova alma na Aliança
entre D’us e o povo de Israel.
A taça de Elias, 1935, Arthur Szyk
No Seder de Pessach, é
tradição reservar uma taça de vinho para Elias, a Kós Eliyahu, e deixar a porta aberta, para que o espírito do
profeta possa entrar. De acordo com a lenda, Eliyahu retira uma gota de vinho
de cada Seder no mundo,
engarrafando-o de seguida, para depois o distribuir aos judeus pobres que não podem
comprá-lo para os seus próprios Sidarim.
Havdalah (detalhe), Haggadah Kaufamn, Catalunha, séc. XIV
“Eliyahu ha Navi” é o título de
um hino que se canta nas cerimónias de Brit
Milah, do Seder de Pessach, mas também em Havdalah (separação), a cerimónia que é
celebrada após o Shabat, para dar
início à nova semana.
Eliyahu ha Navi simboliza um traço de
união entre gerações de judeus, através dos tempos.
Eliyahu ha Navi, Eliyahu
haTishbi/Eliyahu, Eliyahu, Eliyahu haGiladi/Bim-hera v’yameinu/Yavo eleinu/im
Mashiach ben David, im Mashiach ben David.
Elias,
o Profeta, Elias, o Tesbita, Elias, Elias, Elias, O Guiladita/Virá e
anunciará, virá e nos trará/O Messias, filho de David, o Messias, filho de
David.
Este magnífico artigo foi-nos oferecido pela nossa amiga
Talmud (Rosh Hashaná 10b-11a) cita duas opiniões
quanto à data da criação do universo: segundo Rabi Eliezer: “O mundo foi criado
em Tishrei” (i.e., o sexto dia da Criação – no qual Adam e Eva foram criados –
foi 1º de Tishrei, celebrado a cada ano como Rosh Hashaná); segundo Rabi
Yehoshua, “O mundo foi criado em Nissan.” Conforme a interpretação dos
cabalistas e mestres chassídicos, o significado mais profundo destas duas
opiniões é que o mundo físico foi criado em Tishrei, ao passo que o
“pensamento” ou ideia da Criação foi no mês de Nissan.
Segundo o Talmud, os três Patriarcas do povo judeu –
Avraham (1813-1638 AEC), Yitschac (1713-1533 AEC) e Yaacov (1653-1506 AEC) –
todos nasceram e faleceram em Nissan.
Hagadá em comemoração em Pessach, comemorado o mês de Nissan
como o primeiro mês do calendário judaico.
A 1º de Nissan de 2448 (1313 AEC – duas semanas antes
do Êxodo), “D’us falou a Moshê e Aharon no Egito”, instruindo-os sobre o
estabelecimento do Calendário Judaico e que “este mês será para vós a cabeça
dos meses, o primeiro mês do ano” (Shemot 12:1-2); esta foi a primeira mitsvá
dada ao povo de Israel. Naquela ocasião D’us também lhes ordenou sobre a
oferenda de Pêssach e as várias observâncias da Festa de Pêssach.
No dia em que o Mishcan foi inaugurado, “Nadav e
Avihu, filhos de Aharon, cada qual pegou seu incensador, ateou fogo e colocou
incenso nele, e ofereceram um estranho fogo perante D’us, o que Ele ordenou que
não fizessem. Um fogo partiu de D’us, e os consumiu, e eles morreram perante
D’us” (Vayicrá 10:1-2).
No oitavo dia após um período de 7 dias de treino e iniciação, o Mishcan portátil (Tabernáculo ou Santuário) construído pelos Filhos de Israel no deserto do Sinai foi erigido. Aharon e seus filhos começaram a servir como sacerdotes, e a Divina Presença veio habitar o Mishcan; oferendas especiais foram levadas, incluindo uma série de presentes por Nashshon ben Aminadav, Príncipe da Tribo de Yehuda (oferendas semelhantes foram levadas nos 12 dias seguintes pelas outras tribos de Israel).
Hoje é o primeiro dos dois Rosh Chodesh (Cabeça do
Mês), para Elul (quando um mês tem 30 dias, o último dia do mês e o primeiro do
mês seguinte servem como Rosh Chodesh do mês vindouro).
Porções especiais são acrescentadas às preces diárias:
Halel (Tehilim 113-118) é recitado – em sua forma “parcial” – após a prece
matinal Shacharit, e a prece Yaaleh V’yavo é acrescentada à Amidá e às Graças
Após as Refeições; a prece adicional Mussaf é recitada (quando Rosh Chodesh é
Shabat, adições especiais são feitas ao Shabat Mussaf). Tachanun (confissão dos
pecados) e preces similares são omissas.
Muitos têm o costume de marcar Rosh Chodesh com uma
refeição festiva e redução na atividade de trabalho. Este costume prevalece
entre as mulheres, que têm uma afinidade especial com Rosh Chodesh – o mês é o
aspecto feminino do calendário judaico.
Uma mitsvá especial, que pode ser cumprida somente uma vez ao ano, é
recitar a berachá (bênção ou prece) feita ao ver uma árvore frutífera em
floração:
“Bendito sejas, ó Eterno nosso D’us, Rei do universo, que não deixou
faltar nada em Seu mundo, e criou nele criaturas boas e árvores boas com as
quais Ele dá prazer às pessoas.”
Hoje é a primeira oportunidade de fazer esta bênção,
mas ela pode ser feita num dia qualquer durante o mês de Nissan (mencionado na Torá como
o “mês da primavera”). Muitos visitam jardins botânicos durante essa época,
para terem uma oportunidade de cumprir esta linda mitsvá.
Começando hoje, e continuando até 13 de Nissan,
recitamos os versículos (de Bamidbar cap. 8) descrevendo as oferendas feitas
pelos “príncipes” (nesi’im) das doze tribos de Israel (veja “o Mishcan é
inaugurado”, acima).
Hoje lemos sobre o presente comprado por Nachshon ben
Aminadav, o nasi da tribo de Yehuda, nesta data. Amanhã leremos sobre o
presente de Issachar, e assim por diante para as 12 tribos.
A 13 de Nissan lemos as instruções de D’us a Aharon sobre o acendimento
da menorá, que representa a participação da tribo sacerdotal de Levi. Após os
versículos ‘Nasi” do dia, recitamos uma curta prece na qual dizemos: “… se eu,
teu servo, sou da tribo de …, cuja secção de Nasi eu li hoje em Tua Torá, que
todas as centelhas sagradas e iluminações sagradas que estão incluídas na
santidade dessa tribo brilhem sobre mim, para me conceder entendimento e
inteligência em Tua Torá e minha reverência a Ti, para fazer Tua vontade todos
os dias da minha vida…”