domingo, 16 de junho de 2013

Shemá e a mensagem da parashat Balac.



O Talmud (Tratado Berachot 12b) declara que os Sábios queriam incluir a porção Balac desta semana da Torá em nosso recital diário da prece fundamental Shemá. 

E a questão, é claro: porquê? 

O que há de tão especial na Porção Balac da Torá para justificar que seja recitada diariamente em uma de nossas preces mais importantes? A resposta pode ser encontrada num versículo em particular:

 "Eles são uma nação que se levanta como um jovem leão"
(Bamidbar 23:24)


O Sfat Emet explica que os rabinos consideraram este versículo tão importante porque representa uma das mais elevadas aclamações do povo judeu. Como o leão, somos uma nação que sempre se levanta; não importa o quanto caímos, sempre nos levantamos. Isso é o que nós judeus somos, é o traço de caráter do qual mais nos orgulhamos. 

A estátua do Leão de Judá que está localizada em frente à estação 
ferroviária de Addis Abeba , capital da Etiópia.


Somos um povo que se ergue das cinzas. Essa é uma qualidade expressa por qualquer um que tenha alguma ligação com uma família que passou pelo Holocausto, e sobrevive hoje para chamar-se judeu.

Nos campos de concentração, Eichmann tirou a cortina de uma Arca Sagrada e colocou-a sobre a entrada da câmara de gás. Sobre ela estava escrito o versículo:

 "Este é o portão para D'us; os justos passarão por ele."

Fez isso por gozo - gozando de D'us, do povo judeu, e de tudo aquilo além do reino deste mundo físico. Porém a mensagem era bem verdadeira - os judeus que passaram por aquela cortina tornaram-se justos.

Câmara de gás em Auschwitz


Eichmann e os nazis desapareceram há muito tempo, mas colocamos de volta aquela cortina em nossas arcas. Erguemo-nos novamente como um leão, e existem agora mais cortinas e mais sinagogas para colocá-las do que jamais houve antes. Não importa quantas vezes possamos cair, sempre nos levantamos novamente.
Esta é a característica do povo de Israel. Os profetas chamam-nos:

 "Uma nação de sobreviventes."

Pintor: Alex Levin - Beit Kneset Hurva

Pintor: Alex Levin - Ligth-of-Tora


O Rei Salomão escreveu: 



"Um justo que cai sete vezes e levanta-se novamente" 
(Mishlê 24:16)

O que é, exatamente, um justo? Um indivíduo justo não é necessariamente quem jamais comete pecado, mas sim a pessoa que peca e se levanta de novo. 



Esta é a mensagem que Rabi Yitschac Hutner escreveu a um de seus alunos que estava desanimado sobre sua aparente falta de conquistas e desenvolvimento espirituais. Rabi Hutner disse-lhe: "Não desista". É disso que trata a vida - as batalhas, os conflitos. Nossos sábios dizem que o único modo de tornar-se um indivíduo justo é após a queda. Isso é o que o torna melhor. O crescimento vem apenas com conflito. Não é automático.


Às vezes você precisa perder algumas batalhas antes de vencer a guerra."


É disso que trata a teshuvá, retorno ao caminho de Torá e mitsvot. Haverá batalhas, retrocessos, conflitos e perdas. Mas temos de nos levantar outra vez. É uma lição na história judaica e uma lição a cada um de nós. Às vezes, nós, como judeus, podemos estar dormindo. Podemos passar anos sem cumprir mitsvot. E então despertamos como um leão e mudamos. Somos uma nação que não é derrotada, uma nação de sobreviventes. É devido a esta característica que ainda estamos aqui hoje.

Pintor: Alex Levin – Praying with Torah 





Fontes:



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Hoje, dia 12 de Junho em 1929 nascia Anne Frank!




Um pequeno resumo da vida de Anne Frank!



Anneliese Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank, nasceu em 12 de Junho de 1929, em Frankfurt, na Alemanha. Anne foi uma judia obrigada a viver escondida dos nazis durante o Holocausto. Segunda Guerra Mundial.



Em 1933, chega ao poder nesse país o partido nacional-socialista e anti-semita de Hitler. Edith e Otto Frank, os pais judeus de Anne, compreendem que o seu próprio futuro e o das filhas está fora da Alemanha. Por isso fogem para a Holanda nesse mesmo ano; Anne tinha então quatro anos. Durante sete anos levou uma vida despreocupada na relativamente segura Holanda. Mas a Alemanha ocupa o país em 1940, pondo fim à segurança que oferecia. As medidas anti-semita limitavam cada vez mais a vida dos Frank. Em 1942, começaram as deportações para os supostos campos de trabalho.






Os pais de Anne conseguiram, juntamente com mais quatro pessoas, esconder-se num anexo de quartos por cima do escritório do seu pai, em Amesterdão, na Holanda, denominado Anexo Secreto. Ali permaneceram 25 meses. 







Ao fim de longos meses de silêncio e medo aterrorizante, acabou por ser denunciada aos nazis e deportada para campos de concentração nazis. Primeiro foi levada juntamente com a família para Westerkerk, na Holanda, antes de serem deportados para o leste da Europa. Anne Frank foi deportada inicialmente para Auschwitz, juntamente com os pais, irmã e as outras pessoas com quem se refugiava na casa de Amesterdão (hoje casa-museu). Depois levaram-na para Bergen Belsen, juntamente com a irmã, separando-a dos pais. Ali, milhares de pessoas morrem diariamente por causa da fome e das enfermidades. 



Em 1945, nove meses após a sua deportação, Anne Frank morre de tifo em Bergen Belsen. A irmã, Margot Frank tinha falecido também vítima do tifo e da subnutrição um dia antes de Anne. Tinha quinze anos. Morre duas semanas antes de o campo ser libertado. Otto (pai de Anne Frank), foi o único dos escondidos que sobreviveu no campo de concentração.






Fonte:


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Henry Louis Mencken disse:


“Nada pode sair do artista que não esteja no homem.”


Pintura de Sherrf Haim

O dia de hoje na história judaica - 2 de Tamuz 5773




Marc Chagall


Yossef – Para mim, o homem de grandes exemplos a 
seguir nos dias de hoje. ZD J




Yossef, o filho do Patriarca Yaacov, nasceu em Charan (Mesopotâmia) a 2 de Tamuz de 2199 (1562 AEC), o primeiro filho da esposa mais querida de Yaacov, Rachel, nascido após sete anos de casamento. Ele faleceu na mesma data 110 anos depois, no Egito.



Quando Yossef tinha seis anos, Yaacov e sua família voltaram à Terra Santa, e se fixaram em Hebron. Embora mais jovem que dez dos seus onze irmãos, ele era o favorito do pai, e acabou sendo vendido como escravo por seus irmãos e levado ao Egito; quando recusou o assédio da esposa do seu amo, ela o mandou colocar na prisão, onde permaneceu durante 12 anos.


Yossef capturado pelos irmãos e vendido como escravo aos Egípcios.
Pintura de Konstantin Flavitsky


A grande escassez levou seus irmãos ao Egito e Yossef acabou revelando sua identidade e reconciliando-se com eles. Assentou seu pai e toda a família – um total de 70 pessoas – no Egito. O primeiro dos irmãos a morrer, Yossef transmitiu a eles a Divina promessa feita a Yaacov de que seus filhos seriam tirados do Egito e voltariam à terra natal, e fê-los prometer que levariam seus restos mortais com eles ao partirem do Egito.



Fontes:


quinta-feira, 6 de junho de 2013

"Passion of the Jew"


Laila Tov!
Pintura de Alex Arshansky

"O bem-estar na vida obtém-se com o aperfeiçoamento da convivência entre os homens."

Moisés Maimónides

Rodrigo Leão


Boker Tov!

Oferecido por Carlos Baptista

Pintura de  
Alfred Gockel

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma Tradição de Tomar - Aleluia!



Procissão das Cruzes ou a Matança dos Judeus 

Cavaleiros Guardiães de Santa Maria do Olival


Já se chamou a “Matança dos Judeus”. Agora é comum designar-se por Aleluia ou Cortejo das Cruzes. Acontece todos os anos em Cem Soldos, aldeia do concelho de Tomar. Há quem diga que a tradição tem mais de quinhentos anos. A Igreja Católica não se intromete.

Por: Elsa Ribeiro Gonçalves


Cortejo das Cruzes Cem Soldos


Os sinos repicam alegremente. É domingo de Páscoa e ainda não são dez horas. Pelas ruas de Cem Soldos, freguesia da Madalena, em Tomar, ouve-se gritar: “Aleluia, Aleluia. Já ressuscitou o Nosso Senhor”. Apesar do tom religioso o pároco não participa. A frase que anuncia a Ressurreição é repetida até à exaustão. As vozes vão ficando roucas à medida que o tempo passa.

Organiza-se um cortejo que integra pessoas de todas as idades. Os rapazes e os homens levam nas mãos cruzes feitas de cana, enfeitada com flores campestres como aleluias, goivos, malmequeres, lírios ou jarros. As raparigas e mulheres levam ramos de flores. Tudo começou a ser preparado na Sexta-feira Santa. 


Cruzes feitas de cana e enfeitadas com flores


No meio da multidão que se desloca em magote, e que durante hora e meia percorre todas as ruas da aldeia em passo acelerado destacam-se duas canas pela extravagância das suas dimensões e que, devido aos fios eléctricos, exigem redobrada atenção por parte de quem as transporta. Uma tem seis metros e meio, outra pouco menos. Mas no cortejo encontram-se canas de todos os tamanhos.

Carlos Godinho é um dos veteranos do “Cortejo das Cruzes” que sai à rua todos os anos em Cem Soldos e que termina com um ritual denominado “A matança dos Judeus”, no qual as canas e os ramos são destruídos com violência no portal da igreja da aldeia. É dele a cana mais alta, recolhida de véspera num canavial das redondezas e que demorou uma tarde a ficar pronta. A técnica é simples mas requer concentração: com um canivete limpa-se a cana, mete-se um arco em fio ou arame para colocar as flores de várias qualidades que foram separadas em raminhos e que, confessa, são apanhadas no campo ou “roubadas” em quintais de vizinhos. A cana em questão foi isolada, de propósito, de outras para que pudesse atingir tamanha dimensão. “Um incentivo para que os mais novos reconheçam a importância desta tradição”, explica a O MIRANTE.


“A matança dos Judeus”, no qual as canas e os ramos são destruídos com violência no portal da igreja da aldeia


Atento à conversa, Horácio Mourão segura a sua cana de 5 metros e meio. Também ele se entregou de corpo e alma à elaboração da sua cana, a mesma que no final da procissão vai destruir num ápice e com grande destreza em frente à igreja de S. Sebastião. Não o incomoda tanto trabalho para nada. A tradição fala mais alto.

O evento é essencialmente popular. Não é ordenada por nenhuma regra litúrgica e daí o distanciamento da Igreja. Para uns a destruição das cruzes significa a libertação de Cristo da Cruz. Para outros um gesto de vingança pela sua morte e daí a designação que tem vindo a ser abandonada de “Matança dos Judeus”. Há quem opte por não partir a cruz feita de cana e flores e a vá depositar à tarde no cemitério, em homenagem aos entes queridos que já partiram.

Os jovens que encabeçam a procissão são os que completam 20 anos. Jovens que noutros tempos estariam no ano “das sortes”, ou seja, o ano em que iriam fazer a inspecção militar, explica Francisca Costa. Actualmente o grupo é constituído por rapazes e raparigas. É o “pessoal do ano”. O rapaz mais velho leva uma cruz e os restantes pequenos sinos. Envergam as opas vermelhas da confraria do Santíssimo Sacramento de Cem Soldos. São eles que organizam tudo como de um momento iniciático para a vida adulta se tratasse. São eles que no final vão apanhar os restos das canas partidas que têm como destino o contentor do lixo.


A verdadeira Matança dos Judeus



A “Matança da Páscoa” ocorrida em Lisboa em 1506. Reza a história que o país atravessava uma seca prolongada e surtos de peste. A 19 de Abril, na Igreja de São Domingos, alguém afirmou que vira o rosto de Cristo iluminado num dos altares, ao que outra pessoa terá dito que seria um reflexo do sol. Identificado como cristão-novo, foi imediatamente agredido e espancado até à morte. O rastilho estava pronto: um frade dominicano prometeu indulgências a quem matasse os hereges. Durante três dias, em plena Semana Santa cristã, Lisboa assistiu a pilhagens, violações, mortes e duas fogueiras improvisadas no Rossio e na Ribeira, com o rei e a corte fora da capital. Com o regresso do rei D. Manuel a Lisboa, os bens dos responsáveis foram confiscados, o frade instigador foi condenado à morte e o convento fechado durante alguns anos. Mas o massacre estava consumado.

Publicado por Elsa Ribeiro Gonçalves

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bereshit Olam!

Laila Tov!

Pintura de Vie Dunn-Harr



Fontes:

Carta a Anne Frank!





 “O pior Anne, é que já existem leis para se combater tanta crueldade. Mas não existe lei que possa colocar amor dentro do ser humano.”




Lívia Fernanda de Souza Mendes tem 13 anos. Mineira, a garota foi vencedora da edição de 2013 de um concurso nacional que acontece anualmente na Rede de Escolas Anne Frank Brasil. A proposta? Os alunos teriam que escrever uma carta destinada à Anne Frank, a adolescente judia e alemã, vítima dos campos de concentração durante o Holocausto da Segunda Guerra Mundial.

A carta deveria abordar o tema “Anne Frank e a cultura da paz” e, pelo trecho retirado acima, ficou claro o porquê de Lívia se ter sobressaído no concurso.

Foi aqui nesta calçada, que Lívia leu esta carta.
Vamos ler também?



Belo Horizonte, 3 de Abril de 2013


Querida Anne,


Meu nome é Lívia Fernanda, tenho 13 anos, moro no bairro Confisco, Minas Gerais, Brasil. Estudo na Escola Municipal Anne Frank.

Anne, é com muita tristeza que recordo sua história, todo sofrimento nos campos de concentração, o extermínio nas câmaras de gás, a crueldade com que os nazistas tentaram exterminar o povo judeu.

Já não era fácil de entender o modo de pensar de Hitler, mas nos dias de hoje continuamos a pensar e agir como ele, pois o racismo continua nas cidades, no interior e, principalmente, no coração das pessoas.

É inaceitável pensar que sou melhor ou pior somente por ter nascido negro ou branco, por ter escolhido uma religião ou pertencer a uma tribo.

Você não acreditaria que até nas escolas existe preconceito. Mas ele vem disfarçado e o seu nome também é diferente. Não é racismo, ele se chama bullying.

O pior, Anne, é que já existem leis para se combater tanta crueldade. Mas não existe lei que possa colocar amor dentro do ser humano.

Conhecendo a sua história, vejo que há uma luz no fim do túnel. Espero que muitos ouçam-me falar de você. Espero que possam entender que o preconceito não leva a nada, apenas gera violência, separação e divisão.

Você, Anne, pode se orgulhar, pois o seu diário, que foi escrito em meio a tanto sofrimento, hoje serve de referência contra o racismo, contra a discriminação, em todas as suas formas. Seja através do preconceito, bullying e outros, podemos usar como exemplo as suas experiências.

Apesar das dificuldades, assim como você, acredito na esperança.

Abraços, Lívia


Fonte:

Enviada por Sónia Gama Mourão
Obrigada Sónia J

Western Marble Arch - The London Sinagogue






A Sinagoga Ocidental foi fundada em 1761 e foi uma das primeiras sinagogas Ashkenazi do país, foi a primeira a ser criada fora da cidade de Londres, em Westminster e foi originalmente conhecida como a Sinagoga de Westminster. Foi também a primeira Sinagoga de Londres a fazer serviços em Inglês. 




Apesar de aderirem aos princípios ortodoxos estritos, a sinagoga ocidental teve sempre e mantem uma atitude de tolerância religiosa para com todos os indivíduos e vê confirmada a sua tradição de independência administrativa por mais de duzentos anos.



A Marble Arch Sinagoga surgiu em 1957, sob os auspícios da Organização das Nações Sinagoga veio substituir a Grande Sinagoga, que foi destruída pela ação do inimigo durante a 2 ª Guerra Mundial.




A fusão, em 1991 entre estas duas grandes sinagogas centrais em Londres, sendo uma delas uma Sinagoga Independente e a outra a Sinagoga Unida, foi a primeira deste tipo a existir neste país. As duas ex-congregações alegremente misturadas numa só comunidade unida e dinâmica e para todas as faixas etárias.


Celebração de um casamento


Os pormenores do interior da sinagoga. 







Esta sinagoga está sob a liderança espiritual do rabino chefe do Império Britânico Sir Jonathan Sacks e o rabino residente, o Rabi Leonel Rosenfeld.




Fontes:



Fotos de Jewish photo library