quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Rabino Moshe Feinstein



Ainda e pela influência do artigo anterior, aproveito para dar a conhecer um pouco mais deste que foi um grande ser humano.






Rabino Moshe Feinstein foi um dos maiores judeus que já viveram neste país. Ele sabia tudo da Torá (em grande parte pelo coração). As pessoas vinham a ele de todo o mundo para lhe perguntar o que fazer e como viver de acordo com a Torá e ele sempre as ajudou. Reb Moshe viveu até muito tarde e era muito respeitado pelos judeus em todo o mundo. Mas, Reb Moshe nunca se apercebeu o quanto era grandioso na forma como ajudava o seu próximo.




Moshe Feinstein ( hebraico: משה פיינשטיין ; 03 de Março de 1895 - 23 de Março de 1986) foi um rabino lituano ortodoxo, estudioso e posek (um árbitro autoritário de questões relacionadas com a lei judaica), que era mundialmente conhecido por sua perícia em Halakha e foi considerado por muitos como a autoridade suprema halakhic para os judeus ortodoxos da América do Norte. No mundo ortodoxo, ele é amplamente referido simplesmente como "Reb Moshe", e suas decisões haláchicas são amplamente citados na literatura rabínica contemporânea.



Feinstein nasceu, de acordo com o calendário hebraico, no dia 7 de Adar , 5655 (tradicionalmente a data de nascimento do bíblico Moisés) em Uzda , perto de Minsk , Bielorrússia, então parte do império russo. Seu pai foi o rabino David Feinstein, rabino de Uzdan e era descendente de rabino Yom Tov Lipman, o rabino de Kapolye, cujas glosas sobre o Talmud foram publicados na parte de trás do Gemará , e também o autor de outras obras talmúdicas.




Ele estudou com seu pai e também em yeshivas localizadas em Slutsk, Shklov e Amstislav, antes de ser nomeado rabino de Lubań onde serviu por 16 anos. Ele se casou com Shima Kustanovich em 1920 e teve quatro filhos (Pessach Chaim, Fay Gittel, Shifra, e David), antes de deixar a Europa. Sob a crescente pressão do regime soviético, ele mudou-se com sua família para Nova Iorque em 1936, onde ele viveu o resto de sua vida.



Mais tarde foi o rosh yeshivá de Mesivtha Tifereth Jerusalém e estabeleceu um ramo da yeshivá em Staten Island, Nova Iorque, agora dirigido por seu filho, o rabino Reuven Feinstein. Seu filho Rabi Dovid Feinstein lidera uma yeshivá do mesmo ramo em Manhattan.


 Feinstein foi reverenciado por muitos como o Hador Gadol (o maior sábio da Torá desta geração), incluindo por rabinos Yaakov Yisrael Kanievsky, Steif Yonasan, Lopian Elyah, Aharon Kotler, Kamenetsky Yaakov e Yosef Shalom Elyashiv, apesar de que alguns deles eram muito mais velhos do que ele. Ele foi solicitado por pessoas de todo o mundo para responder às questões haláchicas mais complicadas.






Feinstein faleceu em 23 de Março de 1986 (13 de Adar II, 5746 no calendário hebraico). Tem sido apontado que o verso 5746 da Torá diz: 


"E aconteceu que, depois de Moisés tinha acabado de escrever as palavras desta Torá num livro até o fim." 

(Deuteronômio 31:24). Esta frase é considerada por alguns como um epitáfio apropriado para ele.





O seu funeral foi em Israel mas foi adiado por um dia devido a problemas mecânicos com o avião que transportava o caixão e que teve de voltar para Nova Iorque. Porém este funeral em Israel diz-se ter sido o maior entre os judeus desde a época do Mishnaic, com uma participação estimada de 300.000 pessoas. Entre os elogiadores da América estiveram os rabinos Yaakov Yitzchak Ruderman, Dovid Lifshitz, Shraga Moshe Kalmanowitz, Nisson Alpert, Moshe David Tendler, Michel Barenbaum e Mordechai Tendler e Rebe Satmar. O filho do falecido, o rabino Reuven também falou.





Feinstein era tido em tão grande estima e de tal forma que o rabino Shlomo Zalman Auerbach, que foi considerado como um gigante da Torá, se recusou a fazer-lhe um elogio, dizendo:

"Quem sou eu para elogiar a ele, eu que era seu discípulo?”









Fonte:



O Médico e o Rabino




Uma história para a Parashá Bô




Nesta Parashá vemos como, antes de tirar os judeus do Egito, D’us diz a Moshé para ordenar aos judeus fazer a circuncisão, sacrificar um carneiro (ou cabrito), então assar a carne e comer. Tudo isto pode parecer muito estranho. Mas para que possa perceber melhor, vamos contar-lhe uma história.

Dr. Stein era um excelente médico. Ele tinha uma atividade promissora, uma casa feliz, uma boa reputação e aparentemente não lhe faltava nada. Até se encontrar com o Sr. Greenbaum (nome fictício).

O Sr. Greenbaum era um homem religioso com quase 80 anos e, quando foi visitar o Dr. Stein, estava indo em direção ao caminho que o levaria à “sinagoga do céu”. Seu coração estava em condições terríveis, ele quase não conseguia respirar e tinha também outras complicações que impediam seu corpo de funcionar normalmente.





O médico pediu um check-up completo e o prognóstico não foi muito animador. Então ele se consultou com alguns de seus colegas e concluíram que a única chance que o velho senhor tinha de viver era passar por uma delicada operação. Mas, de forma realista, sua probabilidade de sobreviver à mesa de operações era muito remota.

Dr. Stein reportou tudo devidamente ao paciente, mas ficou surpreso ao ver como seu paciente absorveu a notícia calmamente e respondeu depois de pensar um pouco.





“Veja doutor, não posso tomar uma decisão como esta sozinha. Se está bem para o senhor, poderíamos ir juntos até o rabino e falar com ele?”


Ele contou que seu rabino era o famoso Rabino Moshe Feinstein, cuja sede não era muito longe do seu consultório.  


 Quadro do Rabino Moshe Feinstein





Dr. Stein ficou muito interessado em conhecê-lo, afinal de contas tinha muita curiosidade em saber como um rabino responderia a isso, além do fato de já ter visto o nome do Rabino Feinstein nos jornais algumas vezes e queria conhecê-lo. Mas havia mais fatos que o levariam a concordar: ele era judeu, mas somente de nome, pois não tinha nenhuma ideia do que se trata o judaísmo. Tinha sido educado numa típica família americana assimilada em que a religião estava associada a algo morto e sem praticidade... mais interessante no mundo vindouro do que no nosso ‘de verdade’. Ele foi ‘forçado’ a ser um médico, e conseguiu ter sucesso.

Mas aqui teria uma chance de investigar algo mais...

No encontro no dia seguinte o médico tentou explicar ao Rabino Feinstein com os meios mais didáticos possíveis como seria realizada a cirurgia, qual era a sua proposta, tendo o cuidado para usar o menor número de termos técnicos.

Ele imaginou que seria discriminado por não ser um judeu religioso... mas, pelo contrário, ficou surpreso positivamente pelo calor genuíno e a amizade demonstrada pelo Rabino. Também ficou surpreso como o Rabino Feinstein parecia entender tudo, até mesmo as ideias mais complicadas e perguntava exatamente o que era realmente pertinente ao caso.

Mas o que realmente o impressionou foi que após terminada sua explicação, pensou que o Rabino sorriria e diria algo do tipo, “Ora Sr. Greenbaum, realmente não importa se o senhor está nesse mundo ou no vindouro, certo? Então para que arriscar!”

No entanto, o Rabino virou o rosto e começou a... chorar!

O Rabino Feinstein chorou com tanta sinceridade e sem controle que, embora tentasse, não conseguiu falar por quase vinte minutos. Ali estava um homem que simplesmente não podia tolerar ver os outros sofrerem. Jamais o médico presenciara algo semelhante em sua vida.

Mas o que realmente lhe deu o nocaute foi o que aconteceu em seguida…

Rabino Feinstein desculpou-se e pediu-lhe um dia para pensar. No dia seguinte os dois voltaram, o Rabino agradeceu o médico calorosamente por ter vindo e então virou-se para o Sr. Greenbaum e disse: “decidi que o senhor deve realizar a operação. Agora o senhor não se sente bem e não consegue funcionar normalmente. Mas se a operação der certo, melhorará sua saúde e terá a possibilidade de fazer mais mandamentos, falar mais bênçãos e responder ‘amém’ às bênçãos de outras pessoas. Tudo isso criará anjos, e eles o protegerão, e o senhor terá o mérito de uma vida longa.”

Poucos dias depois o Sr. Greenbaum foi operado, voltou a ter boa saúde e viveu por mais anos. Assim mesmo como o Rabino Feinstein lhe havia dito.
Mas talvez o maior milagre tenha sido a mudança que ocorreu com o médico. O ateu Dr. Stein começou a tornar-se um judeu ‘religioso’. De repente ele percebeu que a Torá é maior do que a vida; de fato, é a origem da vida. O Rabino Feinstein viu o Sr. Greenbaum de um jeito que deu vida a ele. Hoje o Dr. Stein é um judeu observante e entusiasmado.





Isto responde à nossa pergunta:




O êxodo do Egito foi apenas uma preparação para a redenção futura. D’us ‘não’ podia tirar os judeus do Egito sem lhes dar os mandamentos... Os judeus prepararam-se para a redenção futura onde seu Único desejo será agradar a D’us fazendo a Sua vontade.







Fontes:

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

! לילה טוב

Laila Tov!



Fontes:
http://www.youtube.com/watch?v=QgaTQ5-XfMM

Tema - Abstinência


"Não há bastantes coisas proibidas pela lei? Precisa de proibir para você mesmo as outras?"

 
Fontes:
 Talmude de Jerusalém, Nedarim, 41
Pintura de Esther Zibell - "Cantor"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Música do Holocausto - Parte I




Orquestra de prisioneiros de Auschwitz


         Os judeus, perseguidos e obrigados a viver em condições sub-humanas na Europa sob domínio nazi, lutaram com todos os meios ao seu alcance para preservar a sua humanidade. A fome, a doença e o medo da morte eram uma constante nos guetos e nos campos de concentração. Foi na música, enquanto linguagem universal que tem o poder de expressar o que não pode ser dito ou explicado por palavras, que muitos encontraram a força espiritual para resistir aos horrores que os rodeavam.

     A música que era composta ou interpretada durante o Holocausto, proporcionava às pessoas uma sensação de conforto emocional, ao mesmo tempo que as distraía da sua horrível condição. 



AS CANÇÕES DO GUETO


Cantiga de rua no gueto


         A canção de gueto, além de permitir uma fuga à realidade, documenta a vida no gueto e mantém a tradição de um género musical - a canção yiddish, nascida nos guetos da Polónia, Rússia ou Roménia. A canção de gueto revela ainda uma enorme capacidade de sofrimento, mas também uma vontade indómita de sobreviver, uma urgência em criar, cantar e até de rir.



ARBETLOSE
(“A MARCHA DO DESEMPREGADO”)
Einjs, tswej, draj, fir,/Arbetlose senen mir!
Um, dois, três, quatro,/os desempregados somos nós!





         A canção Arbetlose (“A Marcha do Desempregado”), com música e letra de Mordechai Gebirtig, grita a revolta de um povo condenado ao desemprego e à miséria, que deambula pelas ruas sem nada poder fazer. 




Mordechai Gebirtig (1877-1942)


         Mordechai Gebirtig é um dos nomes mais importantes ligados à canção popular yiddish. Com simplicidade e humor, Gebirtig documenta através das suas canções a história de Kazimierz, o bairro judaico de Cracóvia onde o poeta nasceu, viveu e trabalhou como carpinteiro. Nas suas canções, Gebirtig fala da pobreza, do desespero e da miséria, mas também do amor, da felicidade e da esperança. 

         Mordechai Gebirtig dedicou os poemas às suas três filhas, criando para eles melodias que improvisava numa flauta pastoril. Nunca quis publicar o seu trabalho, mas tinha um diário onde anotou grande parte das canções. Esse diário, salvo por uma amiga que sobreviveu ao Holocausto, encontra-se hoje no YIVO Institute for Jewish Research em Nova Iorque. 




UNDZER SHTETL BRENT!
(“A nossa cidade está a arder!”)
Es brent!Briderlekh, s’brent!
Oy undzer orem shtetl, nebokh, brent!

Tudo está em chamas, irmãos! Tudo está em chamas!
Oh, a nossa pobre cidade, irmãos, está em chamas!




         Em 1936, a comunidade judaica da pequena cidade polaca de Przytyk foi vítima de um pogrom. Em resposta, Gebirtig escreveu em 1938 uma canção revolucionária que se tornaria na famosa – “Undzer shtetl brent!” (“A nossa cidade está a arder!”). A canção revelou-se uma profecia do Holocausto. Não muito tempo depois, os nazis destruíram as comunidades judaicas polacas e em 1941, Gebirtig e a sua família foram obrigados a viver no gueto de Cracóvia.


          Em 1942, Gebirtig foi assassinado pelos nazis quando se recusou a obedecer a uma ordem de deportação. A mulher e as filhas pereceram em campos de concentração. 




Capa de S’Brent, primeira edição das “Canções de Gueto” 
de Mordechai Gebirtig (Cracóvia, 1946)



         “Undzer shtetl brent!” viria a ser uma canção de Resistência nos guetos da Polónia, durante a Segunda Guerra Mundial, e ainda hoje é uma das músicas mais cantadas nas cerimónias de comemoração do Holocausto, pelo mundo inteiro.



“ZOG MIT KEYNMOL”
HINO DOS PARTISANOS

     

         Apesar da vigilância apertada, foram muitos os judeus que conseguiram fugir dos guetos e campos, formando os seus próprios grupos de resistência armada.



            O autor do Hino dos Partisanos é Hirsh Glik, um jovem internado no gueto de Vilna, que em 1943 escreveu o poema “Zog mit Keynmol”, para a Organização Unida dos Combatentes Judeus de Vilna (FPO). O título do poema significa “Nunca digas” e deriva da primeira frase da canção - “Nunca digas que chegaste ao fim da linha”. O poema foi adaptado a uma melodia russa escrita em 1935, tornando-se no Hino de Resistência dos partisanos judeus do Leste Europeu. “Zog mit Keynmol” é cantada em Israel e no estrangeiro, nas cerimónias do Dia da Memória do Holocausto.



Terminamos este artigo com a audição do Hino dos Partisanos - “Zog mit Keynmol”, na interpretação da cantora israelita Chava Alberstein. 




Este é o primeiro de um conjunto de artigos sobre este tema e todos eles resultado das preciosas pesquisas da nossa querida amiga,


Sónia Craveiro.

Muito obrigada
Beijinhos J



Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/Zog_Nit_Keynmol
http://tatucya.com/2011/08/29/octavian-florescu/