segunda-feira, 5 de março de 2012

PURIM


APRESENTAÇÃO



Purim (פּוּרִים, plural de פּוּר pûr, "sorteio" em hebraico, do acadiano pūru) é um feriado judaico que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Persa tal como está escrito no Livro de Ester, um dos livros da Bíblia. Os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. A festa de Purim é caracterizada pela recitação pública do Livro de Ester por duas vezes, distribuição de comida e dinheiro aos pobres, presentes e consumo de vinho durante refeição de celebração (Ester 9:22); outros costumes incluem o uso de máscaras e fantasias e comemoração pública.


Purim é celebrado anualmente no 14º dia do mês hebraico de Adar, o dia seguinte à vitória dos judeus sobre seus inimigos (13 de Adar). Em cidades que eram muradas no tempo de Josué, incluindo Shushan (Susã) e Jerusalém, Purim é celebrado no 15º dia do mês, conhecido como Purim Shushan. Assim como todas festas judaicas, Purim tem início ao pôr-do-sol da véspera no calendário secular.


O nome "Purim" vem da palavra hebraica "pur", que significa "sorteio". Este era o método usado por Haman, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país.


Os eventos que levaram ao Purim foram registrados na Meguilat Ester (Livro de Ester), que se tornou um dos 24 livros do Tanach para ser canonizado pelos Sábios da Grande Assembléia. O Livro de Ester registra uma série de eventos aparentemente não relacionados que aconteceram em uma período de mais de nove anos durante o reinado do Rei Assuero. Esses eventos coincidentes, quando vistos juntos, devem ser vistos como evidência de intervenção divina, de acordo com interpretações por comentários Talmudicos e outros sobre a Meguilá.



O festival de Purim sempre foi muito estimado pelo judaísmo; alguns tem sustentado que quando todos os trabalhos proféticos e hagiográficos forem esquecidos, o Livro de Ester ainda será lembrado, e, portanto, o Jejum de Purim continuará a ser observado (Talmud de Jerusalém, Tratado Megilá 1/5a; Maimônides, Mishnê Torá, Megilá).
Assim como Chanucá, Purim tem mais um caráter nacional que religioso, e seu status como feriado tem um nível inferior àqueles comandados sagrados pela Torá. Assim, transações comerciais e mesmo trabalho manual são permitidos em Purim, apesar que em certos lugares restrições foram impostas sobre o trabalho (Shulchan Aruch, Orach Chaim, 696). Uma prece especial ("Al ha-Nissim"—"Pelos Milagres") é inserida na Amidá durante o serviço da noite, manhã e tarde, assim como é incluída no Birkat Hamazon ("Bênção após as Refeições").



As quatro principais mitzvot do dia são:

  1. Ouvir à leitura pública, geralmente na sinagoga, do Livro de Ester de noite e novamente na manhã seguinte (kriat meguilá)
  2. Mandar presentes de comida para amigos (mishloach manot)
  3. Dar caridade aos pobres (matanot le'evionim)
  4. Comer uma refeição festiva (seudá)




A História completa do Purim.


Fonte:


Achashverosh Sobe ao Trono da Pérsia
Achashverosh Sobe ao Trono da Pérsia 
O rei Achashverosh sobe ao trono da Pérsia. Apesar de não ser o herdeiro legítimo da coroa, conseguiu impressionar o povo pelas suas riquezas e poder, estabelecendo seu reinado sobre todos os territórios persas.
O Trono do Rei Salomão
O Trono do Rei Salomão 
Este trono era o mais maravilhoso, sobre o qual um rei jamais se sentara. Era construído de marfim recoberto de ouro, encrustado de rubis, safiras, esmeraldas e demais pedras preciosas que lançavam faíscas multicoloridas.
A Festa Real
A Festa Real 
Todos os representantes das nações do seu vasto império foram convidados a participar. Após esses seis meses, ele organizou um festejo especial para toda a população de Shushan, que durou sete dias.
A Condenação à Morte
A Condenação à Morte 
No fundo do coração Vashti possuía um ódio terrível contra os judeus, ira que havia herdado do rei Nevuchadnetsar, seu avô. Tinha o prazer de torturar meninas judias, mandando trazê-las no Shabat e forçando-as a fazer todos os tipos de trabalho.
Mordechai e Ester
Mordechai e Ester 
A maioria dos pais teria considerado o casamento de sua filha com o rei uma honra rara e um grande privilégio. No entanto, Mordechai temia o dia no qual Ester seria chamada a se apresentar à corte. Ele sabia que não poderia escondê-la por muito tempo.
A Conspiração é Descoberta
A Conspiração é Descoberta 
Um dia Mordechai ouviu uma conversa entre dois servos do rei, Bigtan e Teresh. Descobriu que tinham a intenção de envenenar o rei, pois ele os havia destituído do seu cargo de camareiros-mor e os colocado abaixo de Mordechai.
O Novo Primeiro Ministro
O Novo Primeiro Ministro 
O cruel Haman descendia de Amalec, o inimigo implacável dos judeus. Era o homem mais rico do seu tempo. Ele adquirira suas riquezas desonestamente, apossando-se dos tesouros dos reis de Yehudá.
A Trama de Haman
A Trama de Haman 
Haman aproximou-se do rei, dizendo-lhe que o povo estava impaciente e para tanto era preciso encontrar uma diversão apropriada. Acrescentou afirmando que havia chegado o tempo de perseguir os judeus.
Mordechai entra em Ação
Mordechai entra em Ação 
Vestido com um saco e com cinzas espalhadas pela cabeça, Mordechai chegou aos portões do palácio. Os fiéis servidores de Ester, avisaram-na do estado no qual se encontrava Mordechai. Estas notícias a preocuparam muito.
O Jejum de Ester
O Jejum de Ester 
Era difícil para Mordechai aceitar este legítimo e sábio pedido de Ester, pois o jejum coincidia com a festa de Pêssach. Porém, como se tratava do futuro do povo inteiro, ele decidiu proclamá-lo oficialmente.
Ester Intercede Perante o Rei
Ester Intercede Perante o Rei  
Neste momento, o rei viu Ester na entrada da sala. Ela estava pálida e tinha um ar preocupado, mas sua face irradiava um charme angelical. Achashverosh imediatamente estendeu-lhe seu cetro e a rainha aliviada e cheia de esperança, aproximou-se e tocou na sua ponta.
O Conselho de Zeresh
O Conselho de Zeresh
Haman rapidamente dirigiu-se à sua casa e convocou um conselho de família. Rodeado pelos seus filhos, mulher e conselheiros, gabou-se da honra que o rei lhe concedera.
A Queda de Haman
A Queda de Haman 
Haman sabia que não deveria fazer pouco caso das palavras do rei. De mais a mais ele já temia a sua impaciência. Assim sendo inclinou-se de má vontade, para permitir a Mordechai apoiar-se nele a fim de montar no cavalo.
O Fim de Haman
O Fim de Haman
O rei, trêmulo com o horrível pensamento que a vida de sua amada rainha estivesse em perigo, em seu próprio palácio, tomou a palavra e disse à sua esposa: "Quem ousa cometer tamanha inépcia?"
A Festa de Purim
A Festa de Purim 
Assim foi decidido que o dia 14 de Adar seria escolhido como o dia da festa de Purim, em comemoração à milagrosa salvação do nosso povo e a queda do perverso Haman.


As raizes da arte judaica






Judaica, arte A arte judaica tem suas raízes históricas na arte hebraica da palestina antiga e manteve suas características ao longo dos séculos no seio da diáspora do seu povo. O contato com tão díspares culturas levou, naturalmente, essa arte a assimilar os estilos locais, mas conservando sempre uma essência própria, profundamente religiosa.

Nos tempos bíblicos e durante a ocupação romana, os hebreus foram influenciados pelas artes da Mesopotâmia, que englobava os países vizinhos: Assíria, Babilônia e Fenícia. Desse período só restaram vestígios arqueológicos ou literários, como acontece com o mais citado dos monumentos, o Templo de Salomão, construído em Jerusalém no séc. 10º AC; em ruínas de edifícios na localidade Megido; e no palácio de Ahab, em Samaria, datados de um séc. depois.



O período da ocupação romana levou suas influências para a arquitetura local. Na Palestina foram erguidas numerosas edificações, registrando-se maior atividade durante o reinado de Herodes, como o templo do mesmo nome em Jerusalém (séc. 1º AC) e o Muro Ocidental, que ficou conhecido como “das Lamentações”. Este muro é parte daquele que rodeava o Templo. Nesta época surgiram na cidade o Palácio Massada e um anfiteatro romano. No ano 70 os romanos destruíram o templo de Herodes e obrigaram os hebreus a se dispersar, o que deu origem ao aparecimento de numerosas sinagogas fora da Palestina, edificadas segundo o modelo das basílicas romanas. Nos templos se adotou o costume de separar homens e mulheres,além de haver um santuário reservado à Thora.


Estas duas características passaram para as igrejas cristãs primitivas e persistiram nas igrejas orientais.



Nesses tempos prevalecia a crença de que criar arte para reproduzir seres humanos, fosse com desenhos ou esculturas,era idolatria e uma violação dos Mandamentos (o mesmo sucedeu com a arte islâmica). Esta imposição encaminhou os artistas para a criação de ornamentos, representações de modelos vegetais estilizados, objetos de culto e aprimorou o grafismo. Porém, a reprodução naturalista de humanos permaneceu vedada.
As sinagogas antigas possuíam mosaicos, colunas esculpidas, com capitéis de inspiração clássica, frisos cinzelados na pedra e, em seu interior, pinturas de fundo religioso. Consoante os locais onde foram edificadas, adotaram gostos locais, caso da sinagoga Doura-Europos (séc. 3ª, Síria) exemplo do gosto persa mesclado com a tradição helenística da Grécia. Outro remanescente da arte judaica antiga são os mosaicos de Beth Alpha, em Israel. A partir do séc. 11º, além de números testemunhos literários e científicos, restaram livros iluminados, ou seja, ilustrados preciosamente com gravuras coloridas, verificando-se neste campo atividades artísticas consideráveis na Palestina, Egito e Síria.
Os judeus, em sua condição de exilados em muitas partes do mundo, só tardiamente puderam fundar escolas de ensino das artes, resultando as perseguições em grande falta de documentação artística judaica até o séc. 16º. Dois sécs mais tarde, a ênfase na educação e os ventos da emancipação religiosa levaram numerosos judeus para Academias oficiais.Entre estes, muitos interessados nas artes da sua tradição hebraica.


Ao longo da Idade Média européia, a diáspora judaica se espalhou pela Europa, por todo o Oriente Médio e África, onde numerosas escolas e sinagogas foram erguidas, com especial suntuosidade na Europa Oriental, recheadas de murais e esculturas, mas nesta região muitas foram destruídas durante a II Guerra (1939-45), restando raros exemplos antigos, como em Praga, República Checa (Alt-Neuschul – Antiga Escola Nova); e outra em Toledo, Espanha, em estilo mudéjar (onde hoje é o Museo Sefardi d’ El Transito); no séc. 16º foi edificada,em estilo barroco, a sinagoga de Veneza (Itália). Limitações ditatoriais proibiam os judeus de dedicar-se às artes, o que explica sua ausência das listas de artistas do Renascimento.



Paralelamente, a partir de Castela, na Espanha, desenvolveu-se uma escola de arte judaica que se disseminou por toda a Península Ibérica, o mesmo acontecendo na Renânia (Alemanha), após o séc. 13º. Depois, o povo judeu conheceria o drama das perseguições da Inquisição da Igreja. Entre este séc. e o 18º, isto é, atravessando o final da Idade Média, o Renascimento e a Idade Moderna européia, as artes se deslocaram para objetos de culto, como lâmpadas para as sinagogas, pratos, taças, caixinhas, menorahs, etc. Nestes períodos se enriqueceram extraordinariamente os objetos feitos com metais preciosos, como a prata e ouro, além da tapeçaria.



O desenvolvimento do sionismo trouxe alento para a volta a Israel como terra-mãe dos judeus.Em 1906 foi fundada em Jerusalém a Escola de Artes Bezael, que teve como seu fundador Boris Schatz (o nome da Escola evoca o de um lendário artista,escultor, arquiteto e designer, que teria feito o Tabernáculo que continha a Arca Sagrada). A Escola Bezael foi responsável por um primeiro movimento para criar uma arte judaica de caráter internacional.




Ao longo do séc. 20º alguns artistas se notabilizaram com uma arte tipicamente judaica, como o pintor russo Marc Chagall (1887-1985) e o escultor lituano Jacques Lipchitz (1891-1973). Atualmente, de uma maneira geral, os artistas judeus, mesmo aqueles radicados em Israel, adotaram os estilos internacionais, como acontece via de regra mundo afora.





Fonte:

domingo, 4 de março de 2012

Emma Lazarus





















Ela é mais conhecida por escrever The New Colossus ("O Novo Colosso"), um soneto escrito em 1883, que foi gravado em 1912 numa placa de bronze no pedestal da Estátua da Liberdade. O soneto foi solicitado por William Maxwell Evarts como uma doação para um leilão realizado pela Art Loan Fund Exhibition in Aid of the Bartholdi Pedestal Fund for the Statue of Liberty para angariar fundos para construir o pedestal.








Lazarus foi a quarta de sete filhos de Moses Lazarus e Esther Nathan, judeus sefaraditas portugueses cujas famílias já estavam por muito tempo assentadas em Nova Iorque, e é relacionada através de sua mãe para Benjamin N. Cardozo, um notável e influente juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Desde a infância, ela estudava literatura européia, como também varias línguas, incluindo o alemão, francês e italiano. Suas escritas atraíram a atenção de Ralph Waldo Emerson, que se correspondia com ela até a sua morte.


Ela escreveu seus próprios poemas originais e editou varias adaptações de poemas alemães e italianos, notavelmente aqueles de Johann Wolfgang von Goethe e Heinrich Heine. Ela também escreveu um romance e duas peças teatrais.



O Novo Colosso
Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; Os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gémeas.
"Mantenham antigas terras sua pompa histórica!" grita ela
Com lábios silenciosos "Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado."
Emma Lazarus, 1883
Lazarus manteve um judaísmo latente que foi despertado ainda mais depois de ler o romance de George Eliot, Daniel Deronda, e que foi depois fortalecido pelos pogroms na Rússia durante a década de 1880. Isso levou Lazarus a escrever artigos no assunto e a começar a traduzir as obras de poetas judeus para o inglês. Quando judeus asquenazitas, que foram expulsos em grande número da Zona de Assentamento russa, começaram a aparecer em multidões empobrecidas em Nova Iorque no inverno de 1882, Lazarus se interessou ativamente em providenciar educação técnica para fazê-los autónomo.

Ela viajou duas vezes à Europa, primeiro em maio de 1885 depois da morte de seu pai em Março e novamente em Setembro de 1887. Ela retornou a Nova Iorque muito doente depois de sua segunda viagem e morreu dois meses depois em 19 de Novembro de 1887, provavelmente por causa de  um linfoma de Hodgkin.

Emma Lazarus é conhecida como a precursora do movimento sionista. De fato, ela argumentou para a criação de um estado judeu treze anos antes que Theodor Herzl começou a usar o termo Sionismo.

Lazarus está enterrada no cemitério Beth-Olom em Brooklyn.

Elias Canetti






Elias Canetti (Ruse, 25 de julho de 1905Zurique, 14 de agosto de 1994) foi um romancista e ensaísta de nacionalidade turca e britânica que escrevia em alemão.


Elias Canetti nasceu em 25 de julho de 1905 em Rustchuk (hoje Ruse), na margem sul do Danúbio, na Bulgária, na fronteira com a Romênia. Seus pais, Jacques Elias (Elieser) Canetti e Mathilde Arditti, originam-se de famílias ricas de comerciantes judeus Sefarditas.






A primeira língua que ele falou em família foi o espanhol dos sefarditas, o ladinoDepois que a Bulgária obteve sua independência total do Império Otomano em 1908, Canetti conservou a nacionalidade turca. Dois irmãos nasceriam em 1909 e 1911, respectivamente Nissim e Georg.


Estabeleceu-se em Viena, na Áustria, em 1913, mas em sua juventude viveu também em Manchester, Zurique e Frankfurt am MainEm 1929, graduou-se em Química. Teve como modelo, no âmbito da literatura e da crítica da linguagem, o escritor e ensaísta austríaco Karl Kraus. Em 1934, casou-se com Veza Canetti. Emigrou em 1938, e passou a viver em Londres a partir de 1939, recebendo a nacionalidade britânica em 1952.


Sua primeira obra literária foi o romance Die Blendung (Auto de Fé) (1935). Os dramas Hochzeit (O Casamento) (1932), Komödie der Eitelkeit (Comédia da vaidade) (1950) e Die Befristeten (Os que têm a hora marcada) (1964) desmascaram o rosto de uma sociedade profundamente corrompida. Colocou o fundamento teórico de sua obra no ensaio Massas e Poder (Masse und Macht) (1960), que põe em relevo o significado fundamental dessa fenomenologia para a realidade política. Suas obras posteriores - Die gerettete Zunge (A Lingua Absolvida), 1977; Die Fackel im Ohr (Uma luz em meu ouvido), 1980; Das Augenspiel (O Jogo Dos Olhos), 1985 - tecem comentários e interpretam uma história de vida e trabalho muito singulares.






Recebeu o Grande Prêmio Estatal Austríaco de 1967, bem como o Prêmio Georg Büchner de 1972 e a Condecoração Austríaca de Ciência e Arte de 1972. Também recebeu o Nobel de Literatura de 1981.




Fonte:


Ditos judaicos



A beleza está no olho do observador.



Não envergonhes os outros e não serás envergonhado por eles.


A beleza pode abrir portas, mas somente a virtude entra.


sábado, 3 de março de 2012

sexta-feira, 2 de março de 2012



Shabat Shalom










Marrocos



A cidade azul

Chefchaouen




Vamos conhecer a bela  cidade de Chefchaouen.  Fica em Marrocos, e é um dos destinos turísticos mais populares do país.  Esta cidade tem uma história incrível.

Chefchaouen é famosa pelos seus edifícios e ruas azuis, relíquias de uma velha tradição da população judaica da cidade.



A cidade foi fundada pelos mouros exilados da Espanha, em 1471, como uma pequena fortaleza para repelir os ataques dos invasores portugueses no norte do Marrocos. Após a reconquista espanhola, a pequena vila tornou-se um dos maiores locais de refúgio para mouros e judeus e, durante sua estada, eles conseguiram deixar sua marca na cidade, o que a tornou muito especial hoje em dia.




O nome Chefchaouen vem de “chauen”, que significa chifres em espanhol. Isso se refere ao formato das duas montanhas com vista para a cidade. Mas o seu nome não é estranho, nem o artesanato original dos artistas locais, ou o queijo de cabra delicioso do lugar que atrai a maioria dos turistas para Chefchaouen. São as casas e edifícios pintados de azul, uma tradição herdada dos antigos moradores judeus.




Na Bíblia, os israelitas recebiam ordens para tingir um dos fios de seu talit (xale de oração) de azul, com tekhelel. Tekhelel era uma velha tintura natural, processada a partir de uma espécie de marisco. Com o tempo, sua produção entrou em colapso e o povo judeu eventualmente se esqueceu de como fabricá-la.
Mas, em homenagem ao mandamento sagrado, a cor azul ainda estava entrelaçada ao tecido de seus talits. Quando eles olham para a esta coloração, pensam no céu azul, e no D'us que fica acima de tudo e de todos.

Hoje, a população judaica de Chefchoauen não é tão numerosa como foi naquela época. Ainda assim, a cidade moderna preserva os atributos da antiga: praticamente todos na cidade ainda seguem essa tradição e, frequentemente, renovam a pintura azul de suas casas.

Judeus Marroquinos


Marrocos é o único país árabe a preservar uma comunidade judaica. Os primeiros judeus vieram a Marrocos há mais de dois mil anos atrás e, muitos bérbers se converteram ao judaísmo nos séculos subseqüentes.
A comunidade judaica foi muito diversificada por refugiados da Inquisição espanhola e por imigrantes durante a ocupação francesa. Desde os anos sessenta, cerca de trezentos mil judeus marroquinos emigraram principalmente para Israel, permanecendo ainda no país, provavelmente, cerca de dez mil.
Os judeus são a única minoria religiosa reconhecida oficialmente a quem é permitido levar a nacionalidade marroquina. O rei Hassan II desempenhou um papel significativo atrás dos holofotes no processo de paz no Oriente Médio, e a maior delegação estrangeira que compareceu a seu funeral era a de Israel.
Existe um sentimento anti-judaísmo entre os marroquinos e muitos sentem maior desconfiança e antipatia pelos judeus do que pelos cristãos. Como na Europa, os judeus em Marrocos sofreram discriminação e experiências de massacre durante a idade média e posterior. Entretanto, muitos marroquinos se orgulham da marca de sua nação quanto à relativa tolerância com a minoria judaica.
Hoje os judeus gozam de plenos direitos como cidadãos e alguns ocupam altas posições no reino. Sua contribuição para a economia é significante.
Judeus marroquinos observadores tendem a ser ortodoxos e imunes às tendências liberais do Ocidente.


Descrição da preparação de um casamento judeu em Marrocos no ano de 1832



Jewish Sephardic wedding song from Morocco


Fontes:


quinta-feira, 1 de março de 2012



LAILA TOV



Ofra Haza - Yerushalayim Shel Zahav 

Ordenações Afonsinas




"A Comuna dos Judeos da dita Cidade de Lixboa..."




A situação de crise vivida pelos Judeus em Portugal no século XV prendeu-se com motivações religiosas, sem dúvida; mas estas devem ser acrescidas de razões de ordem económica. O próprio pogrom de 1391 que chacinou milhares de hebreus em Castela, sobretudo no Sul (Andaluzia), fez sentir as suas ondas de choque, mais tarde, em Portugal.
Contudo, para os que se convertiam, as provações não acabavam, uma vez que bastava que alguém testemunhasse que, em segredo, continuavam a desenvolver os ritos hebraicos, para que, de imediato, os seus bens fossem confiscados e os “infractores” fossem condenados a prisão ou escravatura.




Vejamos uma passagem das Ordenações Afonsinas:




“A Comuna dos Judeos da dita Cidade de Lixboa nos enviou dizer, que nos regnos de Castella, e d’Aragom forom feitos muitos roubos, e males aos Judeos, e Judias estantes aquella fazom nos ditos Regnos, matando-os, e roubando-os, e fazendo-lhes grandes premas, e costrangimentos em tal guisa, que alguus delles se faziam Christaaõs contra suas vontades, e outros se punham nomes de Christaaõs nom seendo bautizados com padrinhos, e madrinhas, segundo o direito quer; e esto faziam por escapar da morte ataa que se podessem poer em salvo; e que alguus desses Judeos, e Judias se vierom aos ditos nossos regnos, e trouverom suas molheres, e filhos, e fazendas, dos quaes moram, e vivem alguus delles em esta Cidade, e alguus em outras Cidades, e Villas, e Lugares do nosso Senhorio” (L.º II, tít. LXXVII).

A medida legislativa para o confisco ou penhora dos bens judeus estava assim ardilosamente autorizada. Ódios, invejas e outros sentimentos menos dignos de Cristãos e relativamente a Judeus transformavam facilmente os primeiros nas testemunhas difamatórias dos segundos. Pontualmente, o rei interveio para sanar este tipo de atritos, cedendo privilégios a determinadas comunas, mas o crescendo das perturbações anti-semitas foi fazendo sentir-se até culminar no século XV, com o Édito de Expulsão promulgado por D. Manuel I que se seguiu ao Édito de Expulsão emitido por Fernando e Isabel de Castela e Aragão.


João Silva de Sousa



Moritz Daniel Oppenheim - Pintor






Oppenheim, pintou os humildes, mas foi também pintor dos grandes. Dele se diz que foi o pintor dos Rothschild e o Rothschild dos pintores. Mas a sua grande façanha, foi ter vingado numa sociedade que negava a cidadania aos judeus – havia os alemães e havia os judeus -, e ter permanecido fiel à sua herança judaica.

 Auto retrato do artista ainda jovem
 Moritz Daniel Oppenheim
(1800-1882)




Moritz Daniel Oppenheim, auto-retrato, 1822

     Moritz Daniel Oppenheim foi um pintor e impressor judeu alemão, nascido em 1800 no ghetto de Hannau, na Alemanha, numa família humilde de judeus ortodoxos. Foi o primeiro pintor judeu a ganhar aceitação na sociedade alemã.

     Enquanto que muitos judeus, ao longo dos séculos XVIII e XIX, se converteram ao cristianismo em ordem a serem aceites pela sociedade não judaica, Moritz Daniel Oppenheim permaneceu até ao fim da vida um judeu observante e dedicado aos valores da sua fé, da sua cultura e dos seus, nomeadamente através da divulgação de usos e costumes judaicos.

     Até à emancipação dos judeus na Europa, os artistas judeus estavam confinados aos seus ghettos e proibidos de estudar nas escolas clássicas com os grandes mestres. Moritz Daniel Oppenheim foi o primeiro pintor judeu a receber formação artística clássica, a ganhar projeção e reconhecimento oficial na sociedade não judaica.

     Em 1825 estabeleceu-se em Frankfurt e em 1832, Goethe, a figura máxima da cultura alemã da sua época, recomendou-o ao Grão-Duque Karl Friedrich de Saxe-Weimar e Eisenach, que lhe concedeu o título honorífico de professor. Foi também por intermédio de Goethe que Oppenheim, em 1839, recebeu a encomenda para pintar os retratos do Kaiser Otto IV e de Joseph II. Em 1852, foi-lhe concedida a cidadania de Frankfurt, uma conquista ímpar para um judeu daquele tempo.

      Na sua qualidade de retratista, Oppenheim foi ao longo de vinte anos o pintor da família Rothschild.


Felix Mendelssohn Bartholdy toca para Goethe, 1864


Charlotte von Rothschild e o seu primo Lionel Nathan von Rothschild (retratos de casamento), 1836




O Iluminismo do século XVIII, entre outras coisas, abriu caminho à emancipação dos judeus na Europa – a Haskalah. Neste quadro – “O Regresso do Voluntário” (1833-34), Oppenheim mostra-nos um soldado judeu ferido em combate, que regressa ao seio da família, depois de ter ajudado a Alemanha na guerra contra as forças de Napoleão.


Shavuot (A Festa das Semanas), 1880

Este artigo foi uma trabalho efectuado pela minha amiga Sónia Craveiro, a quem deixo desde já o meu muito obrigada.

Fontes:

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Itzhak Perlman



Schindler's List Theme by Itzhak Perlman in Chile 




Itzhak Perlman (em hebraico: יצחק פרלמן; Iafo, 31 de agosto de 1945) é um maestro e violinista virtuoso israelita e foi considerado um dos maiores violinistas do século XX e XI. É o solista do filme A lista de Schindler, trabalhando em conjunto com o compositor John Williams. É famoso pela sua interpretação do concerto de Mendelssohn quando tinha apenas 13 anos e pela sua interpretação mágica do concerto de violino de Beethoven com a Orquestra Filarmônica de Berlim. Perlman contraiu poliomielite aos quatro anos, razão pela qual utiliza muletas para andar e toca violino somente sentado.



 Itzhak Perlman


Fonte: