domingo, 26 de fevereiro de 2012

A triste sorte de um pintor judeu!



Felix Nussbaum


Auto-retrato, mostrando a sua identificação judaica.


Felix Nussbaum (nascido em 11 de Dezembro de 1904 em Osnabrück, e falecido a 2 de Agosto de 1944 em Auschwitz). Foi um pintor alemão de religião judaica, com várias obras que ilustram os horrores do Holocausto, do qual ele foi vítima.

Estudou em Hamburgo e Berlim, arte, livre e aplicada (freie und angewandte Kunst). Entre os anos 1920 e 30 as suas exposições em Berlim tiveram um grande sucesso.
Com a chegada ao poder dos Nazis em 1933, foi obrigado a viver no exílio, em Itália, França e finalmente na Bélgica (Bruxelas), com a sua mulher, a polaca Felka Platek, com quem casou em 1937.



Com a ocupação pelos alemães e o regime de Vichy, foi internado num campo de concentração em França. Conseguiu no entanto fugir com a sua mulher e esconder-se na casa de um amigo, também um artista, em Bruxelas. 



Foi traído e denunciado em Junho de 1944 e imediatamente preso, e novamente com a sua mulher. Foi levado para campo de concentração de Malines (ou Mecheln) de onde foi levado posteriormente para Auschwitz, onde foi assassinado em 2 de Agosto de 1944, presumivelmente com a sua mulher.



Auschwitz





O ano 1944 foi o ano em que os planos da Alemanha nazi teve o maior impacto sobre a família Nussbaum. Philipp e Rahel Nussbaum foram mortos em Auschwitz, em fevereiro. Em julho, Nussbaum e sua esposa foram encontrados escondidos num sótão por forças armadas alemãs. Eles foram presos, enviados para o campo de trânsito Mechelen e dado o número XXVI/284 e XXVI/285. Em 2 de agosto chegaram a Auschwitz, e uma semana depois Felix foi assassinado com a idade de 39. 




A 3 de setembro, o irmão de Nussbaum foi enviado para Auschwitz, e em 6 de setembro a sua cunhada e sobrinha também lá foram assassinados. Em dezembro, seu irmão - o último da família - morreu de exaustão no campo de Stutthof. Dentro de um ano, a família inteira Nussbaum tinha sido assassinada.







Alassio, estação ferroviária. Nesta pintura Nussbaum mostra a tristeza que o aflige durante o exílio forçado causado pela perseguição dos nazis.








A placa em frente da antiga residência 
em Berlin-Wilmersdorf





Eliezer Burlá


"O Hazan e a musica na sinagoga"


Em sua aceção moderna, o termo hebraico de hazan designa o cantor que conduz o serviço das orações na Sinagoga. Nos tempos talmúdicos, ele era a pessoa que a comunidade designava para, entre outras coisas, preparar os rolos da Torá para serem lidos e tocava o shofar para anunciar o início do Shabat e os festivais do calendário judaico.
É preciso não confundir o hazan com o sheliah tzibur, literalmente um enviado da congregação e citado na Mishná. O sheliah tzibur, originalmente, era escolhido por sua maestria de lidar com os temas litúrgicos próprios ao Shabat e aos dias de festa e à sua capacidade de improvisar melodias durante o ofício. Ele recitava o Baruch, o Shemá e a Amidá. A partir do século XVIII o Hazan, que era quase sempre músico e cantor profissional, passou a substituí-lo nas mais importantes Sinagogas urbanas das grandes cidades.

Nem todos os hazanim cumpriam a função de rabinos, como ocorreu, por exemplo, durante a Idade Média, em certos países da Europa. O Hazan deveria ter as seguintes características: uma voz agradável, boa aparência, ser casado, usar barba, conhecer muito bem a liturgia. Além disso, deveria ter um comportamento irreprochável de forma a ganhar o respeito de sua comunidade. Estes atributos eram levados tão a sério que no século XVI o Código da Lei Judaica proibia os cantores de usarem a voz para se exibirem, como se estivessem numa casa de espetáculos. No decorrer do tempo, o canto na sinagoga asquenaze exercia a função musical, vocal e litúrgica. Na tradição sefardi o canto manteve-se fiel às melodias tradicionais e a proeza vocal ficou em segundo plano.
Há um comentário no Shulhan Aruch (a obra de Joseph Caro que já foi abordada num de nossos editoriais) segundo o qual o cantor deve ser, de preferência, jovem, com boa voz, capaz de compreender as orações que está recitando. Para Caro, isto era mais importante do que contratar um homem mais velho, de voz possante que não tivesse o domínio do hebraico e, portanto, incapaz de compreender as orações, isto é, o sentido das palavras que estaria pronunciando.
O estilo e a evolução da música litúrgica foram muito afetados pelas condições sociais nos quais viviam os judeus da Europa. No início do século passado muitos cantores adquiriram uma educação musical formal e passaram a transcrever as melodias tradicionais em arranjos mais modernos nas quais se podiam utilizar o coro. Daí nasceu a expressão Hazanut, caracterizada por uma linha melódica simples e clara, sem enfeites e adaptada aos serviços formais que se realizaram em Sinagogas maiores.
 

A dispersão dos judeus pelos quatro cantos do mundo e o seu contacto com culturas diversas também influenciaram o canto na sinagoga. Os judeus que viveram sob o império otomano, numa sociedade dominada pelo islamismo, introduziram em seus cantos muitas nuances das melodias árabes. Isto se nota, de forma mais acentuada nas canções em ladino. Os próprios poetas da Idade de Ouro, na Península Ibérica, produziam as suas obras utilizando o sistema de estrofes dos poetas muçulmanos. Nas canções hassídicas encontram-se componentes da música eslava, que está presente nas próprias danças. Nos Estados Unidos, sobretudo nos Yamim Noraim, criou-se o hábito de entregar a Hazanut a tenores e baixos originários da ópera.
 
Existem hoje discos gravados com cantores famosos dos palcos da Broadway e do Carnegie Hall. Em Israel Yoram Gaon, um cantor popular gravou inúmeros discos em Hebraico e em Ladino que recordam as melodias da Idade Média. Muitas delas são cantadas durante as nossas festividades, porque conservam o seu sabor original. Qual festa de casamento pode prescindir do Oyra e do Ava Naguila para induzir todo mundo a cantar e dançar?
 
Sem a presença de um bom Hazan, a Sinagoga perde grande parte de seu brilho. Com ele, a Sinagoga ganha uma alegria que se estende às próprias orações.
 

Fonte:
 
Or Torá Beth-El
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Os Senhores do desterro de Portugal.



Judeus portugueses em Ferrara em meados do Sec. XVI.



Em 1600, o judaísmo italiano tinha-se reduzido a pouco menos de 21.000 pessoas. Para acompanhar a política anti-judaica da península ibérica, os governantes das cinco maiores cidades italianas: Nápoles, Milão, Palermo, Génova e Bolonha escolheram a estratégia da expulsão dos judeus; enquanto os governantes de Veneza, Roma e Florença, preferiram a segregação nos guetos.

Os judeus remanescentes confluíam para as terras de refúgio, lugares especiais inseridos entre os maiores componentes do sistema geopolítico italiano. Estes territórios ofereciam uma solução para a instalação da população judaica italiana, garantindo sua continuidade no país, e pelos judeus expulsos de seus países de origem, como os espanhóis em 1492, os portugueses em 1498, e os alemães em 1530, que se refugiaram neles. Foi criada então, nos Estados Estenses, uma comunidade judaica forte e organizada.

A saída da Espanha e de Portugal sem dúvida constituiu, para os judeus ibéricos, uma penosa etapa, que nem todos cumpriram da mesma forma. Os caminhos trilhados pelos "Senhores do Desterro de Portugal", das margens do rio Tejo às margens do rio Pó, foram muitos e variados, mas nem sempre fáceis de acompanhar. De qualquer forma, estes judeus seguiam uma direção constante: o Império Otomano, com os portos seguros de Salónica, Constantinopla, Adrianópolis, Sarajevo, Valona e Belgrado e, em um segundo momento, Esmirna e Alexandria. A Itália serviu então, em muitos casos, como uma ponte entre a Península Ibérica e o Oriente.





O duque Ercole I D'Este, em 1492, havia convidado para Ferrara os judeus exilados da Espanha, prometendo que poderiam ter seus líderes espirituais e juízes, praticar o comércio e a medicina e lhes concedendo redução dos impostos. O grupo de judeus que aderiu à sua chamada formou uma pequena comunidade que fez reviver as antigas tradições culturais e religiosas do judaísmo sefardi e que se atribuiu o nome de Nação Portuguesa. Estes judeus mantiveram um bom relacionamento com os outros núcleos da Nação Portuguesa instalados nos grandes centros comerciais da Europa Ocidental, no Norte da África e no Império Turco ou que tinham permanecido na Península Ibérica. Mais difícil foi seu relacionamento com os judeus italianos residentes no lugar, devido aos privilégios que lhes eram oferecidos, como a isenção de impostos e a possibilidade de residir fora dos guetos. Estas hostilidades derivavam também do fato de que entre os refugiados sefarditas existia um discreto número de cristãos novos - provavelmente mercadores - que utilizavam a própria identidade judaica instrumentalmente, apresentando-se como judeus quando a ocasião era propícia, mas assumindo uma identidade cristã na maioria das vezes. Desculpavam este fato declarando que a dissimulação era de vital importância para sua sobrevivência.


Os cristãos novos portugueses tinham em toda a Europa uma inconfundível e inequívoca identificação no âmbito profissional, a dos grandes mercadores internacionais, e se não faltaram os médicos, os homens da lei, os agricultores, os que constituíram diferentes corporações - com os da lã, seda e diamantes - e até os empregados mais humildes, todos eles faziam parte do quadro comercial dominante.

Este fato explica como os exilados tiveram, como um dos seus primeiros pontos de chegada, a Antuérpia, uma grande cidade portuária à sombra da Coroa Espanhola, com livre acesso ao comércio em todo o mundo. Mas nos anos 30 do século 16, apesar da proteção política dada pelo governo aos mercadores que nela operavam, o governo espanhol não transigiu no plano da ortodoxia católica e a Inquisição tornou-se tão cuidadosa e rigorosa como em Portugal.

A origem dos estabelecimentos judaicos nos Estados Estenses está estreitamente ligada aos bancos de empréstimos sob penhor com juros baixos, ou, como se dizia naquele tempo, com "módica usura". Era difícil que a condução de um banco fosse entregue a uma única pessoa, mesmo nas cidades menores; mais frequentemente, a gestão era assumida por dois ou mais sócios, chamados "prestadores principais". O banqueiro principal tinha o direito de escolher até seis sócios, podendo revogar suas nomeações e substituí-los por outros. Os mais importantes clientes dos bancos judaicos eram constituídos por três entidades: o senhor, o município e a Igreja.

Os prestadores eram acompanhados por suas famílias, funcionários e domésticos. Muitas vezes estava presente também um professor particular com cultura rabínica que, além de exercer as funções religiosas da comunidade, era também tutor dos filhos, sobrinhos e netos dos banqueiros. Às vezes fazia parte do grupo um maestro de música e dança.

Apesar da profissão dos chefes da nação portuguesa ser declaradamente mercantil, muitos dos mercadores eram eruditos. Tratava-se de intelectuais, médicos, juízes e escritores que, além das relações de negócios e dos capitais de suas empresas, levaram consigo a Ferrara um vasto e diferenciado património de conhecimentos. No clima de fervor cultural e de fidelidade à religião de seus ancestrais, se insere a edição de Ferrara da Bíblia en Lengua Española.


No fim do verão de 1549, a peste explodiu no Grão-ducado Estense com graves consequências para os judeus portugueses, que foram expulsos.

Os portugueses foram levados, de noite, até o porto, provavelmente no rio Pó, e daí até o mar Adriático, onde antes de serem embarcados foram roubados de seus pertences. Outros portos italianos não os deixaram desembarcar, apesar de ninguém mostrar sintomas da peste. Alguns deles, depois de atacados e pilhados pelos corsários, dirigiram-se para a Turquia.


Nada menos que 320 judeus foram expulsos. Os que permaneceram em Ferrara foram mercadores e industriais amparados por seus privilégios. Apesar disso a comunidade portuguesa reconstituiu-se depois de alguns meses. Dois códigos de particular importância regulavam a vida dos judeus sefarditas nos Estados Estenses: o Livro de Corame Vermelho  (promulgado por Francisco I, que reunia todos os privilégios concedidos até aquele momento pelos vários príncipes italianos e pelo próprio Duque de Modena) e o Livro das Deliberações da Nação Judaica de Reggio Emília, que constituiu, na prática, o diário oficial daquela Comunidade no período entre 1652 e 1672.

A lista dos refugiados judeus em Ferrara é muito longa e inclui alguns entre os nomes mais conhecidos da diáspora judaica sefardita, como o de Dona Grácia Nasi.

Merece particular relevo a família de Don Isaac Abrabanel (1437-1508), que, saindo da Espanha após a expulsão, estabeleceu-se no reino de Nápoles, acolhida pelo rei Ferrante.

Quando os judeus foram expulsos do Reino, Isaac, depois de vários acontecimentos e migrações, refugiou-se em Veneza, onde viveu até sua morte. Seus três filhos, Judah, filósofo conhecido como Leão Hebreu; José, médico, e Samuel, importante banqueiro, representante da comunidade judaica de Nápoles, que havia casado com sua prima Benvenida, transferiram-se para Ferrara. Abraham Usque, estudioso e editor, imprimiu em Ferrara, além de trinta livros em hebraico, a Biblia en Lengua Española.

No campo dos estudos judaicos, podemos mencionar os poetas Jacob Fano e Abraham Dei Galicchi Jagel; os médicos Amatus Lusitanos, Moses e Azriel Alatino; o cronista Samuel Usque. Destes conversos que voltaram ao judaísmo nas terras de refúgio italianas, hoje são conservados muitos e variados testemunhos, em geral restaurados: antigos guetos, sinagogas, cemitérios e museus (como em Bologna, Ferrara e Sorana). Além disso, há também uma grande quantidade de objetos rituais e manuscritos.


Existem ainda escritos e documentos que testemunham as falas com as quais os judeus sefarditas se comunicavam entre si, misturando termos hebraicos, o espanhol e o português, com os dialetos italianos da região. Estas falas, que hoje estão sendo recuperadas, tinham até nomes particulares como o dialeto ghettaiolo  (dialeto do gueto) de Ferrara.





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Shabat Shalom



Shabat Shalom Lekulam!

 
 

Frase


Sabedoria



A sabedoria não é alcançada quando se tem a resposta, mas sim quando a resposta te trás sede de aprender mais!


Shabat


O que é o Shabat?


Para quem não conhece as tradições judaicas e possa ver o meu blog, e porque logo mais será Shabbat, venho oferecer-vos uma pequena explicação do que este dia da semana significa para todos os judeus, aqui e no mundo inteiro.

Faço-o, porque todos podemos aprender uns com os outros, e essa troca de conhecimentos irá tornar mais fácil o entendimento e respeito mutuo.
 

O Shabat é um presente Divino, um dia destinado a renovação de nossas forças e energias e diretriz da semana que irá começar. Para alcançar essa inspiração, e descanso espiritual, a Torá instituiu uma série de trabalhos (melachá, pl., melachot), os quais somos proibidos de fazer no Shabat.
Assim como D’us terminou a Criação em seis dias e "descansou" no sétimo, nós, que nos espelhamos n'Ele, nos privamos de "criar" no dia de Shabat, demonstrando claramente que acreditamos que só Ele é o Criador.


 
O Shabat é a alma do tempo e infunde santidade em qualquer aspecto da Criação.
 
D’us consagrou o Shabat, ao fazer de seu conteúdo a essência do Universo. Este é o conceito sugerido pelos sábios sobre o que motivou D’us a criar esse dia. Eles o explicam por meio de uma parábola.

Originalmente, D’us pensou em criar o homem no Shabat. D’us não é um construtor humano que se permite o luxo da improvisação. Sua intenção e Seu desempenho nunca se contradizem. Se parecem estar em conflito é só porque cada um representa uma faceta diferente da mesma unidade. A princípio, D’us pensou em criar o homem no Shabat porque sua alma pertence à santidade do dia. Mas Ele o criou no sexto dia por tratar-se de uma criatura cujo corpo físico pertence ao mundo dos animais, vegetais e minerais da terra. O ser humano, de fato, foi criado no sexto dia para entrar imediatamente no sétimo; era uma ponte entre os seis dias seculares e o sétimo, sagrado, porque essa aparente dicotomia é o propósito de sua existência. A intenção de D’us e de Sua obra completavam-se mutuamente: uma expressa a missão do homem; a outra refere-se às condições de sua vivência.
De todas as criaturas no Universo, somente o homem é capaz de conceber santidade. As formas de vida material e animal podem tornar-se sagradas, mas só se o homem consagrá-las. O Shabat é, na verdade, o selo de D’us, mas só o homem pode imprimir esta imagem sobre o Universo.
Por: Rabino Shabsi Alpern
 

Desejo a todos os meus leitores, independentemente da sua religião, um excelente dia de descanso.

Fonte:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O por-do-sol já partiu...




LAILA TOV






 
Musica Aleluia-Hebraico הללויה


Jacob de Castro Sarmento

Um médico judeu português
 
 
JACOB DE CASTRO SARMENTO
(Bragança, 1691 – Londres, 1762)
 
 
Médico português, de origem judaica, estudou Medicina na Universidade de Évora e, posteriormente, em Coimbra, onde se licenciou em Medicina. Fugido ao clima de intolerância religiosa que se vivia em Portugal, abandonou a Pátria em 1721, fixando-se em Londres como rabi dos judeus portugueses. Foi membro do Colégio Real dos Médicos de Londres, sócio da Royal Society e membro do corpo docente da Universidade de Aberdeen, na Escócia.
 

Em 1737, escreveu a Teórica verdadeira das marés, conforme à filosofia do incomparável cavalheiro Isaac Newton, o primeiro livro em português onde se introduzem as teorias de Newton.
 

Na matéria médica (1735) ele tratou detalhadamente do estudo químico das águas doces e minerais, sendo o primeiro autor português que se encontra a par dos mais recentes autores sobre esta matéria, como Robert Boyle, Martin Lister, Friedrich Hoffmann, Thomas Short e Peter Shaw, com quem trabalhou. Descreveu, também, o modo de utilizar vários reagentes e instrumentos para o exame das águas e descreveu vários tipos de águas minerais, referindo as suas propriedades terapêuticas e várias técnicas utilizadas na sua análise. Defendendo a necessidade de exame químico próprio, Sarmento procedeu, entre Junho de 1743 e Fevereiro de 1744, às primeiras análises químicas qualitativas das águas das Caldas da Rainha, as mais importantes termas portuguesas da época. Os resultados foram descritos no Apêndice ao que se acha escrito na Matéria Médica (...) sobre a natureza, contentos, efeitos, e uso práctico, em forma de bebida, e banhos, das Águas das Caldas da Rainha (1753).
 

SAÚDE E BANHOS CALDOS

Entre Junho de 1743 e Fevereiro de 1744, Jacob de Castro Sarmento procedeu às primeiras análises químicas das águas das Caldas da Rainha, as mais importantes termas portuguesas da época. Pela primeira vez, foi possível determinar com critérios de rigor os elementos constituintes das águas sulfúreas das Caldas da Rainha, a fim de descrever com exatidão as suas virtualidades terapêuticas e as suas contra indicações.

Definidas como sulfúreas, cálcicas, cloretadas e mais uma série de termos cujo significado só os entendidos são capazes de descodificar, as águas termais das Caldas da Rainha, que nascem a uma temperatura de 34,5 graus, são especialmente indicadas no tratamento de reumatismos (nomeadamente alterações do aparelho locomotor, dada a sua ação regeneradora das articulações) e doenças das vias aéreas superiores (como bronquite, sinusite, asma ou renite alérgica). Têm, também, uma ação benéfica sobre a pele, atenuando a psoríase e os eczemas. Parte do seu efeito deve-se à faculdade de produzir substâncias quase parecidas aos corticóides, os anti-inflamatórios mais potentes que se conhecem. Com tais propriedades, é natural que ao longo dos tempos tenham atraído inúmeros doentes de todo o país. A maioria chega ao hospital por iniciativa própria, normalmente seguindo o conselho de um familiar ou conhecido que ficou satisfeito com os resultados obtidos após os tratamentos. Outros vêm por indicação do médico de família.
 
Com os agradecimentos já habituais à minha amiga
Sónia Craveiro
 
 
Fontes:

Bibliografia:

Projetado na Terra, Armado nos Céus



Uma verdadeira estória de amor


Nossos sábios explicam que desde que D’us criou o mundo, Ele se ocupa fazendo shiduchim, arrumando casamentos – união entre duas pessoas. E arrumar um bom casamento uma boa união, é tão difícil quanto abrir o Mar Vermelho... Quarenta dias antes de uma criança nascer uma voz celestial é ouvida dizendo: essa pessoa está destinada para aquela pessoa. De algum modo nosso bashert, pessoa à qual estamos destinados, nos espera. Mas não quer dizer que a encontramos.

Guila e Ben se encontraram. E no dia do seu casamento, eles foram visitar o túmulo de Yossef Goodman para lhe agradecer e deixar seu convite de casamento no túmulo. Yossef tinha sido o seu shadchan, casamenteiro.
 
Essa é a sua história, Yossef foi da Maglan, unidade de combate de elite dos paraquedistas do Exército de Israel. Yossef gostava da liberdade e a ‘adrenalina’ do paraquedismo. Mesmo no dia de seu acidente, seus amigos contaram para a mãe de Yossef que enquanto estava saltando, ele estava feliz e gritava de alegria. Ele, junto com outros quatro companheiros eram os melhores daquela unidade, e estavam fazendo um treinamento especial.
 
Mas, dessa vez, no seu 36º salto, algo deu terrivelmente errado. A perna de seu comandante ficou enroscada na corda do paraquedas de Yossef. Eles começaram a girar em espiral rapidamente. Yossef tentou lhes salvar cortando a corda de seu paraquedas e se liberando enquanto rapidamente abria seu paraquedas de emergência. O comandante aterrisou com segurança. O paraquedas de emergência de Yossef se abriu sem problemas, mas já estava muito perto do chão para que abrisse completamente.
 

Yossef Goodman faleceu no dia 2 de Fevereiro de 2006, com apenas 20 anos. Ele era o segundo de 9 filhos. Yossef era generoso, um jovem muito amado, cheio de amor e vida, sem medo de nada. Era um irmão muito querido. Quando seu irmão mais velho quis entrar numa Yeshivá, seus pais perguntaram a seus outros filhos se estariam dispostos a sustentar seu irmão no futuro se estivessem trabalhando e seu irmão ainda estivesse estudando. Yossef foi o primeiro irmão a dizer sim.
De fato, um mês antes de falecer ele alterou seu seguro de vida do Exército, colocando seu irmão mais velho como beneficiário no lugar de seus pais.
 
Agora seu irmão mais velho, estudando na Yeshivá e casado, está usando o presente de Yossef para sustentar sua família.
 
Os pais de Yossef, Ann e Mordechai Goodman, imigraram dos EUA, Mordechai cresceu no Texas e Ann em Nova York. Ann é advogada e Mordechai é dono da Pizzaria Efrat. Se você for à pizzaria, geralmente verá os filhos trabalhando lá. Yossef por exemplo passou muito tempo lá fazendo pizzas, assando tortas e entregando pizzas. Ele era alto e magro, bonito e adorava sorrir.
 

Guila Wolbromsky mora na mesma quadra da família de Yossef. Seu irmão mais novo era muito amigo dele. Cresceram juntos; todas as suas histórias de infância foram comuns.
 
Numa sexta de tarde, quando Yossef voltava do Exército para casa para passar o Shabat com a família, foi na casa de Guila e lhe disse que queria o seu casamento com seu antigo comandante, Ben Berditchev. Embora Ben tivesse terminado seu período no exército, ele e Yossef se falavam sempre pelo telefone e eram muito próximos. Ela achou que era brincadeira, pois já tinha um relacionamento com outra pessoa. Portanto, não pensou muito sobre isso.
 
Duas semanas e meia depois desta conversa, aconteceu o acidente. O assunto da última conversa de Guila com Yossef tinha sido justamente sobre Ben.
 
No dia em que faleceu, Yossef ligou para Ben. “Então, já ligou para ela?” Ele perguntou. Ben respondeu. “Falaremos sobre isso depois.”
 
Ele não pensava em ligar, pois estava indo para a Austrália trabalhar numa escola judaica e não lhe fazia sentido tentar começar uma nova relação quando estava de partida.
 
Mas Yossef insistiu e Ben prometeu que ligaria... mas não ligou.
 
Depois que Yossef faleceu, durante a semana de Shivá, Ben passou muito tempo na casa dos Goodman. Ele queria estar lá, chorar e falar sobre Yossef. Guila o viu lá, mas ela não tinha ideia que ele era o ex-comandante de quem Yossef tanto lhe falou.
 
“No último dia da shivá, Ben veio e se desculpou comigo. Eu não sabia porque. Mas então percebi que ele era o Ben. Falei para ele que não tinha nada para se desculpar.”
 
“Eu prometi ao Yossef que te ligaria.” Ele respondeu.
 
Foi assim que começou a relação dos dois. Eles continuaram se encontrando, mesmo que fossem muito diferentes. Ben logo partiria para a Austrália. Guila cresceu numa casa ortodoxa. A família de Ben é secular. Guila não sabia por que Yossef tinha juntado os dois.
 
Ben foi para a Austrália e depois de seis meses Guila foi lhe visitar.
 
Ben voltou da Austrália após dez meses: queria estar perto da Guila.
 
Logo fizeram planos de se casar. “Nosso casamento foi em outubro. Era para ser ao ar livre, mas de repente caiu a maior tempestade com raios e trovões então, com a ajuda dos convidados, mudamos a cerimônia para dentro do salão. Na noite em que Yossef faleceu também choveu assim. Nos sentimos como se Yossef estivesse dançando conosco.” Falou Guila. O pai de Yossef, Mordechai, foi honrado com uma benção em baixo da Chupá, e falou, “estou recitando essa benção no lugar do responsável por este casamento: Yossef.”
 
Tanto Ben quanto Guila se sentem privilegiados por Yossef ter tido uma participação tão importante em suas vidas. Eles sabem que seu casamento foi verdadeiramente arrumado no céu.
 
 
Fonte:
 
 

A beleza das cores com o grande pintor :



LEONID AFREMOV

Acredito que a arte nos ajuda a estar livres de agressividade e depressão.”




Leonid Afremov é um pintor moderno que se caracteriza fortemente pela pintura de alto contraste, contraposição de cores e técnica de pintura a óleo com espátula. Nasceu em 1955 na Bielorrússia e mais tarde se estabeleceu em Israel. Graduou-se em 1978 em arte na Escola de Arte Fundação Vitebsk Art School, fundada por Marc Chagall em 1921, por onde também passaram Malevich e KandinskyAtualmente Afremov reside na Flórida.




Graduou-se em 1978 na Escola de arte de Vitebsk, fundada por Marc Chagall em 1921. Afremov é um dos mais notáveis membros da escola, assim como Kazimir Malevich e Wassily Kandinsky. Viveu trinta e cinco anos na União Soviética, onde trabalhava pintando pósteres de propaganda para o governo comunista. Descontente por ter o governo lhe ditando o que e como pintar, mudou-se para Israel em 1990.




Em Israel, conseguiu, em duas semanas, um emprego numa agência de publicidade, pintando outdoors. Pouco antes de uma exposição, invadiram, roubaram e vandalizaram o seu estúdio. A sua obra foi mal recebida: as pinturas de homens e mulheres nus chocaram a sociedade, assim como a representação de músicos de jazz negros foi mal vista por quem julgava que o artista deveria representar israelitas. Ademais, Leonid sentiu-se discriminado por não ser um israelita nato de modo que, em 2001, emigrou para os Estados Unidos da América.





Nos Estados Unidos, viveu primeiro em Nova Iorque, onde alcançou grande sucesso. Seus quadros estão expostos lado a lado com artistas como Rembrandt. As suas obras são expostas em mais de sessenta galerias da Nova Zelândia, Austrália, África, Israel e EUA. Após viver dois anos em Nova Iorque, mudou-se para Boca Raton, Flórida, onde vive actualmente com sua família, pois julgava que o clima frio estava a prejudicar o seu trabalho, tornando-o mais sombrio e menos vívido. 



Leonid é casado e sua esposa chama-se Inna. Têm dois filhos, David e Boris.




Na maioria das suas paisagens é noite, mas apesar disso todas as cores possíveis podem se encontrar ali, tornando o quadro numa noite carregada de luzes intensas, o que traz para a sua pintura um tom onírico.





As suas pinturas das noites parecem sempre ter acontecido depois de uma chuvada, daquelas que espantam todos da rua, e sobra apenas o cheirinho do mato molhado e eventualmente algum ser mais corajoso de guarda-chuva.




Os seus traços adoptam um sentimentalismo apaixonado, onde as cores, apesar de fortemente contrastadas e contrapostas furtivamente, carregam um tom de romantismo nocturno e húmido.





E por fim, deixo-vos com a confissão, que a minha maior dificuldade foi escolher que quadros colocar, porque todos eles me encantam. Assim sendo, fiquem com este último que faço acompanhar de um tango igualmente belo.




Ver mais nas fontes deste artigo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonid_Afremov e: http://www.google.pt/searchq=leonid+afremov&sa=Imagens&biw=1024&bih=641&sei=Ti9GT7jZM8iw0QXmxeCDDg&tbm=isch