quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A beleza das cores com o grande pintor :



LEONID AFREMOV

Acredito que a arte nos ajuda a estar livres de agressividade e depressão.”




Leonid Afremov é um pintor moderno que se caracteriza fortemente pela pintura de alto contraste, contraposição de cores e técnica de pintura a óleo com espátula. Nasceu em 1955 na Bielorrússia e mais tarde se estabeleceu em Israel. Graduou-se em 1978 em arte na Escola de Arte Fundação Vitebsk Art School, fundada por Marc Chagall em 1921, por onde também passaram Malevich e KandinskyAtualmente Afremov reside na Flórida.




Graduou-se em 1978 na Escola de arte de Vitebsk, fundada por Marc Chagall em 1921. Afremov é um dos mais notáveis membros da escola, assim como Kazimir Malevich e Wassily Kandinsky. Viveu trinta e cinco anos na União Soviética, onde trabalhava pintando pósteres de propaganda para o governo comunista. Descontente por ter o governo lhe ditando o que e como pintar, mudou-se para Israel em 1990.




Em Israel, conseguiu, em duas semanas, um emprego numa agência de publicidade, pintando outdoors. Pouco antes de uma exposição, invadiram, roubaram e vandalizaram o seu estúdio. A sua obra foi mal recebida: as pinturas de homens e mulheres nus chocaram a sociedade, assim como a representação de músicos de jazz negros foi mal vista por quem julgava que o artista deveria representar israelitas. Ademais, Leonid sentiu-se discriminado por não ser um israelita nato de modo que, em 2001, emigrou para os Estados Unidos da América.





Nos Estados Unidos, viveu primeiro em Nova Iorque, onde alcançou grande sucesso. Seus quadros estão expostos lado a lado com artistas como Rembrandt. As suas obras são expostas em mais de sessenta galerias da Nova Zelândia, Austrália, África, Israel e EUA. Após viver dois anos em Nova Iorque, mudou-se para Boca Raton, Flórida, onde vive actualmente com sua família, pois julgava que o clima frio estava a prejudicar o seu trabalho, tornando-o mais sombrio e menos vívido. 



Leonid é casado e sua esposa chama-se Inna. Têm dois filhos, David e Boris.




Na maioria das suas paisagens é noite, mas apesar disso todas as cores possíveis podem se encontrar ali, tornando o quadro numa noite carregada de luzes intensas, o que traz para a sua pintura um tom onírico.





As suas pinturas das noites parecem sempre ter acontecido depois de uma chuvada, daquelas que espantam todos da rua, e sobra apenas o cheirinho do mato molhado e eventualmente algum ser mais corajoso de guarda-chuva.




Os seus traços adoptam um sentimentalismo apaixonado, onde as cores, apesar de fortemente contrastadas e contrapostas furtivamente, carregam um tom de romantismo nocturno e húmido.





E por fim, deixo-vos com a confissão, que a minha maior dificuldade foi escolher que quadros colocar, porque todos eles me encantam. Assim sendo, fiquem com este último que faço acompanhar de um tango igualmente belo.




Ver mais nas fontes deste artigo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonid_Afremov e: http://www.google.pt/searchq=leonid+afremov&sa=Imagens&biw=1024&bih=641&sei=Ti9GT7jZM8iw0QXmxeCDDg&tbm=isch

HUMOR



ONTEM, HOJE E AMANHÃ...


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Justiça muito lenta



Num café local...



Fonte:

Tesouro judaico em Lisboa


 
BÍBLIA DE LISBOA


A Bíblia de Lisboa é o códice mais completo da Escola Medieval Portuguesa de Iluminuras Hebraicas. Completada em 1482, a Bíblia de Lisboa é o testemunho de uma vida cultural de elevado nível intelectual no seio da comunidade judaica portuguesa, até à expulsão e às conversões forçadas que tiveram lugar em 1496, no reinado de D. Manuel I.

 Bíblia Hebraica (Tanach)
 
A primeira parte da Bíblia Hebraica (Tanach) é a Torah, também chamada “Os Cinco Livros de Moisés” ou Pentateuco. A Torah é a parte mais sagrada do Tanach, porque segundo a tradição Deus ditou-a diretamente a Moisés. Os Cinco Livros que compõem a Torah são Be-reshit, Shemot, Va-Yikrah, Be-Midbar e Devarim, que na Bíblia Cristã correspondem a Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuterónimo. A segunda e terceira partes contêm Profetas (Neviim) e Escritos (Ketuvim), respetivamente.
Como complemento, constam listas dos Mandamentos (Mitzvot) da Torah, bem como textos massoréticos (exame crítico do texto da Bíblia, com notas sobre a escrita, vocabulário, pronúncia e outros comentários).

 Lista dos 613 mandamentos da Torah, vol.1, folios 7v e 8r

(Estas páginas contêm os Mandamentos 164-183, que se referem, principalmente, a rituais de purificação da família)





Lista dos mandamentos, vol.1, folios 13v e 16r
(A página direita contém os Mandamentos 338-351, e a esquerda contém os 403-415, dos 613 mencionados na Torah. Estas leis cobrem uma variedade de regras que dizem respeito ao tratamento a ter com os escravos, ou a ofensas punidas criminalmente).





Início dos Livros de Isaías e de Jeremias, vol.2, folios 136v e 168r







Os autores da Bíblia de Lisboa


Samuel ben Samuel Ibn Musa, conhecido como Samuel o Escriba, copiou o texto bíblico numa escrita elegante, para o patrono Yosef ben Yehudah al-Hakim, que encomendou este manuscrito. As decorações sumptuosas têm influências dos estilos italiano, espanhol e flamengo e foram criadas por uma equipe de artistas altamente especializados.
 


No colofón do copista podemos ler, não só, o nome do escriba, como também a data em que terminou a obra – o mês judaico de Kislev do ano de 5243, que corresponde a Novembro/Dezembro de 1482 da era comum. Um segundo escriba não identificado, o copista da massorah escreve minuciosos comentários e notas nas margens do texto bíblico. O escriba anónimo, em vez de escrever estritamente em linhas retas, criou desenhos circulares com as linhas do texto, uma técnica conhecida por micrografia.

O manuscrito pertence à British Library desde 1882. A presente encadernação é de 1954, substituindo a capa de couro do século XVI.




Com os agradecimentos sinceros a Sónia Craveiro.
 
 
 
Fonte:

Um pintor judeu



Marc Chagall






Nascido em 1887 de uma família pobre judaica na Rússia. Ele era o mais velho de nove filhos. Chagall começou a mostrar seu talento artístico, enquanto estudava em uma escola secular russo, e apesar da desaprovação de seu pai, em 1907 ele começou a estudar arte com Leon Bakst em São Petersburgo. Foi nessa época que seu estilo distinto que nós reconhecemos hoje começou a surgir. Como seus quadros começaram a centrar-se imagens de sua infância, o foco que guiaria sua motivação artística para o resto de sua vida tornou-se realidade.





Em 1910, Chagall, se mudou para Paris por quatro anos. Foi durante este período que ele pintou algumas de suas pinturas mais famosas da aldeia judaica, e desenvolveu as características que se tornaram marcas reconhecíveis de sua arte. Cores fortes e brilhantes começaram a retratar o mundo em um estado de sonho. Fantasia, nostalgia, e a religião começou a se fundir para criar imagens sobrenaturais.





Em 1914, antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Chagall realizou uma exposição individual em Berlim, exibindo o trabalho dominado por imagens judaicas. Durante a guerra, ele residia na Rússia, e em 1917, apoiando a revolução, foi nomeado comissário de Belas Artes em Vitebsk e então director da recém-criada Academia Livre de Arte. Em 1922, Chagall deixou a Rússia, estabelecendo-se em França um ano depois. Ele viveu lá permanentemente, excepto para os 1941 anos - de 1948, quando, fugindo da França durante a Segunda Guerra Mundial, residiu nos Estados Unidos. Horror Chagall sobre a ascensão dos nazistas ao poder se expressa em obras retratando mártires judeus e refugiados.


Além de imagens do mundo judaico, pinturas de Chagall são inspirados em temas da Bíblia. Seu fascínio pela Bíblia culminou em uma série de mais de 100 gravuras que ilustram a Bíblia, muitos dos quais incorporam elementos do folclore e da vida religiosa na Rússia. Israel, que Chagall visitou pela primeira vez em 1931 para a abertura do Museu de Arte de Telavive, é igualmente dotado de algumas das obras de Chagall, mais notavelmente a 12 vitrais do Hospital Hadassah e decorações  de parede no Knesset.


Chagall recebeu muitos prémios e muito reconhecimento por seu trabalho. Ele também foi um dos poucos artistas a apresentar trabalhos no Louvre, em sua vida.



Marc Chagall do Windows - Leia sobre a série de 12 janelas de Marc Chagall criado para a sinagoga na Hadassah-Hebraico Medical Centre em Jerusalém em 1960.

Marc Chagall foi, sem dúvida, um génio artístico que se envolveu em quase todas as artes médio, a partir de impressões de arte, para tapeçarias, ilustrações de livros, cerâmicas, pinturas, cenários e, mais tarde em sua carreira, janelas de vitrais.

Janelas Chagall são bem conhecidas por suas cores vibrantes e sua beleza deslumbrante. Sua primeira incursão no trabalho vitrais foi em 1960 quando ele iniciou uma série de 12 janelas para a sinagoga na Hadassah-Hebraico Medical Center, em Jerusalém. As doze vidraças levaram dois anos para ser concluído. Sua inspiração foi tirada da Bíblia, mais especificamente, a bênção de Jacó de seus 12 filhos e bênção de Moisés uma das 12 tribos. Cada janela de tirar o fôlego consiste de uma cor dominante e uma citação de cada bênção.

Charles Marq, um assistente de Chagall na época, implementou um processo especial de aplicar a cor ao vidro. Este procedimento permitiu inovador Chagall para usar tantos como três cores sobre um painel, em vez de ter de separar cada cor com uma tira de chumbo, que foi o método tradicional usado na criação de vidro colorido no momento.



Chagall Windows em All Saints Church


Outra série espetacular de 12 de Chagall janelas pode ser visto no All Saints Church em Tudeley, um vilarejo na Inglaterra. Eles são uma homenagem a Sarah D'Avigdor-Goldsmid, a filha do falecido Sir Henry e D'Lady Avigdor-Goldsmid. Sarah foi morto em 1963, aos 21 anos de idade, em um trágico acidente de barco.

Após a morte prematura de Sarah, seus pais encomendado Chagall para começar a trabalhar no memorial vitrais, por Sarah tinha tanto admirava aqueles que ela havia visto durante sua visita ao Louvre com sua mãe em 1961. A janela memorial primeira foi instalada em 1967. As janelas restantes foram concebidas ao longo dos 15 anos seguintes, de novo com a ajuda de Charles Marq.


Chagall no Lobby
Em 1964, uma janela de Chagall impressionante vitral foi instalada no saguão do prédio das Nações Unidas, um presente da ONU e de Marc Chagall si mesmo. É um tributo memorial de Dag Hammarskjold, o segundo secretário da Organização das Nações Unidas. Hammarskjold, juntamente com outros 15, foi morto em um trágico acidente aéreo em 1961. A janela de Chagall mostra símbolos de paz e amor, uma criança que está sendo beijada por um anjo, e massas de flores vibrantes. O fundo azul elétrico exibe um símbolo musical, o que é dito para representar Nona Sinfonia de Beethoven, um dos favoritos Hammarskjold de peças clássicas.


Ver mais:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sinagoga de Amsterdão - Holanda




Naftali Herstik, Alberto Mizrachi, Benzion Miller with the Neimah Singers


Tumbalalaika




Após a expulsão dos judeus de Espanha pelos "Reis Católicos" através do Decreto de Alhambra de 1492, cerca de 130.000 fugiram para Portugal, onde haveria um número semelhante de judeus portugueses.
Em 1496/1497, no reinado de D. Manuel I, todos eles seriam obrigados à conversão ao catolicismo, quer fossem judeus portugueses ou espanhóis. Começava a perseguição ativa aos judeus em Portugal, que se iria consolidar com a entrada em funcionamento em 1540 do Tribunal da Inquisição, que perdurou até 1821.

Foi a partir daqui que se falou dos chamados "cristãos-novos", ou seja, os descendentes dos judeus convertidos à força. Foram perseguidos e oprimidos, por várias razões. Muitas vezes por inveja do seu poder económico — a Igreja Católica desempenhava um papel desencorajador da atividade económica, proibindo a usura — ou cultural — grande parte dos judeus sabia ler, ao contrário a esmagadora maioria dos católicos era analfabeta.


Por volta de 1596, muitas famílias portuguesas de ascendência judaica, cansadas da opressão em Portugal e desejosas de voltar a praticar abertamente a sua religião, rumaram a Amsterdão (entre muitos outros destinos de refúgio).

Nessa altura, entre 1580 e 1640, Portugal pertencia à União Ibérica da Dinastia Filipina, uma aliança de tradição católica, em guerra aberta com a Inglaterra (ver: Armada Invencível) e a Holanda, países protestantes. A Holanda, país onde a Reforma Protestante ganhara muitos adeptos, tinha sido um território dependente da Espanha católica, e lutava agora pela independência política e religiosa (ver: Guerra dos 80 Anos, a guerra da independência holandesa).

Os judeus ibéricos (os chamados Sefarditas) em breve se tornariam uma minoria, com o afluxo de judeus dos territórios da Europa de Leste (os chamados Asquenazis), mais numerosos mas normalmente mais pobres do que os "Portugueses", que ganharam na Holanda um rótulo de gente de cultura, de dinheiro e influência política. Hoje, os nomes de família portugueses na Holanda (muito poucos, depois da invasão pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial mais de 80% dos judeus holandeses foram exterminados pelos nazis) têm ainda uma aura de prestígio, intimamente ligado ao afluxo de judeus portugueses nos séculos XVI e XVII.
Os judeus portugueses desempenharam um papel importante no desenvolvimento cultural e económico da República dos Países Baixos. Desfrutaram ali da liberdade de culto e de expressão, invejáveis para a maioria dos judeus nas restantes partes do mundo.


A 12 de Setembro de 1670 o terreno foi comprado para a construção da Sinagoga Portuguesa de Amsterdão. Foi projectada pelo arquitecto holandês Elias Bouman.




As obras começaram a 17 de Abril de 1671. A esnoga seria inaugurada a 2 de Agosto de 1675. Ainda hoje o Sefardi é utilizado como língua litúrgica.


Interior da sinagoga



A comunidade judaica portuguesa produziria muitas figuras de renome nacional e internacional, rabinos, eruditos, filósofos, banqueiros, fundadores de companhias de comércio internacional: Grácia Nasi, Isaac de Pinto, David Ricardo, Menasseh ben Israel, Isaac Aboab da Fonseca, Uriel Acosta, Baruch de Espinoza, entre outros.




Ver mais em:  

Garcia de Orta



Garcia de Orta (c1500-1568)







Garcia Abraão de Orta nasceu por volta de 1500 em Castelo de Vide. Era filho de Fernando Isaac de Orta e de Leonor Gomes, judeus de ascendência castelhana que vieram fugidos para Portugal, aquando da expulsão de mouros e judeus de Espanha, em 1492, pelos Reis Católicos. Estudou nas Universidades de Salamanca e Alcalá de Henares, diplomando-se em Artes, Filosofia Natural e Medicina.

Em 1523 regressou a Portugal, recebendo autorização para exercer medicina e em 1530 assumiu a cadeira de Lógica na Universidade de Coimbra.

A partir de 1531 ensinou Filosofia Natural na Universidade de Lisboa, acumulando o professorado com o exercício da medicina e em 1534 embarcou para Goa, na armada capitaneada por Martim Afonso de Sousa.


Já em Goa, continuou a exercer medicina e foi aí físico-mor, sendo muito requisitado por algumas cortes hindus para prestar assistência a Reis e grandes senhores. Interessou-se por estudar a medicina indiana e árabe, com destaque para o uso das plantas medicinais e seus fins terapêuticos. Trabalhou igualmente no comércio das drogas orientais e pedras preciosas.


Em 1563 publicou a obra «Colóquio dos Simples e Coisas medicinais da Índia», com informações fundamentais para a medicina, botânica, química, farmacologia e biologia. «Colóquio dos Simples e Coisas medicinais da Índia» é o primeiro registo científico de plantas do Oriente feito por um europeu, escrito em português e não em latim, como era costume na época, chegando assim a um público não erudito.

Em 1543, Orta participou da primeira autópsia realizada em Goa, por ocasião de uma epidemia de cólera, tendo aliás feito a primeira descrição (europeia) da cólera-asiática.


A edição original indo-portuguesa teve uma circulação muito limitada e praticamente desapareceu graças à intervenção do Santo Ofício. Em 1564, o botânico flamengo Charles de L'Escluse ou Carolus Clusius, de visita a Portugal, adquiriu o livro, traduziu-o para latim e publicou-o em 1567 numa versão que foi amplamente divulgada por toda a Europa. Em Portugal, a obra de Orta foi reeditada em português no séc. XIX pelo Conde de Ficalho.


Os últimos anos de vida de Garcia de Orta foram difíceis. Enfrentou dificuldades financeiras e assistiu à perseguição feroz da sua família por parte da Inquisição. A sua irmã Catarina foi acusada de judaísmo e condenada à fogueira. Garcia de Orta faleceu em 1568. Em 1580 foi condenado post-mortem pelo Tribunal do Santo Ofício pelo “crime de judaísmo” e os seus ossos desenterrados e queimados.


Este trabalho foi oferecido para este Blogue por,

Sónia Craveiro.


Muito obrigada
Fonte:
Garcia de Orta, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa; http://dererummundi.blogspot.com/2007/05/garcia-da-orta.html

E foi assim que aconteceu...




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Emuná





Pintura de Myriam Yugoslavia


Quando se ama não é preciso entender o que acontece lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós.



Yehuda Amichai




Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

                                                                                                  
                         

Um Homem e a Sua Vida.
 
 
Um homem não tem tempo na sua vida
para ter tempo para tudo.
Não tem momentos que cheguem para ter
momentos para todos os propósitos. Eclesiastes
está enganado acerca disto.
Um homem precisa de amar e odiar no mesmo instante,
de rir e chorar com os mesmos olhos,
com as mesmas mãos atirar e juntar pedras,
de fazer amor durante a guerra e guerra durante o amor.
E de odiar e perdoar e lembrar e esquecer,
de planear e confundir, de comer e digerir
que história
leva anos e anos a fazer.
Um homem não tem tempo.
Quando perde procura, quando encontra
esquece, quando esquece ama, quando ama
começa a esquecer.
E a sua alma é erudita, a sua alma
é profissional.
Só o seu corpo permanece sempre
um amador. Tenta e falha,
fica confuso, não aprende nada,
embriagado e cego nos seus prazeres
e nas suas mágoas.
Morrerá como um figo morre no Outono,
Enrugado e cheio de si e doce,
as folhas secando no chão,
os ramos nus apontando para o lugar
onde há tempo para tudo.



Fonte:
 
 
(Tradução de Shlomit Keren Stein e Nuno Guerreiro)

Salomão Nunes Carvalho (1815-1897)




Salomão Nunes de Carvalho



Os Nunes Carvalho -  daguerreotipias sefarditas



A 22 de Agosto de 1853, o americano Salomão Nunes Carvalho (1815-1897), judeu sefardita de origem portuguesa, pintor e fotógrafo, com atelier inaugurado a 1 de Junho de 1849 em Baltimore, encontrou-se com o coronel John Charles Frémont (1813-1890), astrónomo, geógrafo e expedicionário de prestígio, que fora incumbido de organizar uma expedição que fizesse o levantamento orográfico para a execução do futuro traçado da primeira linha de caminho-de-ferro transcontinental que atravessaria o Kansas, as montanhas rochosas do Colorado, Utah até Los Angeles, entre o rio Mississípi e a Costa do Pacífico. Frémont procurava um desenhador e fotógrafo para acompanhá-lo na expedição. Salomão Nunes Carvalho aceitou de imediato o convite e assim juntou-se à expedição como desenhador e fotógrafo oficial. Teve apenas dez dias para preparar todo o material fotográfico necessário para esta viagem arrojada, que lhe apresentava problemas acrescidos pela necessidade de cumprir com as orações da religião que professava e com regras muito especificas quanto aos alimentos kosher, e ainda, as adversidades climatéricas de um Inverno impiedoso, que se imporia no cume das montanhas com temperaturas que chegariam a rondar os 30 graus negativos e que previa fizessem alterar todo o processo comum das aplicações correntes para a preparação, revelação e posterior conservação de todas as chapas de daguerreótipos.

As suspeitas de S. N. Carvalho quanto à morosidade do processo fotográfico naquelas circunstâncias climatéricas viriam a concretizar-se. O fotógrafo fez-se valer dos seus conhecimentos em química e estudos sobre a incidência da luz, dedicando-se diariamente à preparação de todo o material fotográfico e obrigando à paragem da expedição por um período de 12 horas em cada local, onde eram efetuadas as tomadas de vista, para que efetivamente se tivesse a certeza que as imagens haviam sido bem captadas e resistiriam às vicissitudes das intempéries. Isto contribuiu para uma sucessão de atrasos na expedição, o que veio a revelar-se desastroso pois para além de ter trazido um maior desgaste físico ao grupo fez com que este chegasse às Montanhas Rochosas do Colorado numa altura em que o clima era mais severo.

A Expedição viria a revelar-se um desastre. Salomão Nunes Carvalho, depois de ter suportado o frio e a neve, a fome e a doença, enfrentado índios e animais selvagens, ter quebrado as regras rígidas da alimentação da religião judia (Kashrut), numa aventura em que nem todos chegaram ao fim e que para muitos o preço foi a morte; em Utha, o fotógrafo sefardita viu-se obrigado a abandonar a expedição por motivos de saúde.

Salomão Nunes Carvalho regressa desta aventura com 300 daguerreótipos tornando-se o primeiro daguerreotipia a fotografar o Kansas. Segundo Robert Faft “...As mais antigas fotografias feitas no Kansas que eu tenha conhecimento e que sejam mencionadas são atribuídas a Salomão Nunes Carvalho – durante a expedição Frémont em 1853/54” in A Photographic Históry of Early Kansas. Antes da expedição ao Far Weste, Salomão Nunes de Carvalho trabalhou na Broadway em New York City para Mathew Brady (1823-1896) e também para o atelier fotográfico de Jeremiah Gurney (1812-1886), provavelmente, na mesma altura em que aí se encontrava o fotógrafo português Joaquim José Pacheco (Joaquim Insley Pacheco), ver Registo Daguerreian de Craig (Pesquisa sobre os fotógrafos americanos entre 1839-1860), John S. Craig atualização de 2003. Acrescento agora, ao que aqui tenho vindo a escrever, o comentário de Carlos Miguel Fernandes do blog No Mundo http://no-mundo.weblog.com.pt/, e ao qual aproveito para agradecer:

 "There was another young newcomer to Broadway's photography row within the next few months. Brady undoubtedly saw him, S.N. Carvalho, a brisk young man with a short black beard, probably the first American to penetrate America's Wild West with a camera. “
In Mathew Brady - Historian with a Camera, Bonanza Books, New York, 1955.




Em 1856, Salomão Nunes Carvalho descreve as suas experiências durante a expedição, num livro intitulado “Incidents of Travel and Adventure in the Far West”, publicado por Derby e Jackson, Nova Iorque 1859. 

http://www.jewish-history.com/WildWest/Carvalho/index.html. 


Nestes testemunhos, é mencionado que as primeiras vistas foram captadas perto de Westport a 17 ou 18 de Setembro de 1853.



Desta expedição que ficou para a história norte americana como um feito para a época, onde Salomão Nunes Carvalho viu reconhecida a sua habilidade e mestria profissional e John Charles Frémont alicerçou condições para se lançar na corrida ao Senado, não foi feito relatório escrito e a memória da expedição registada por S. N. Carvalho, assim como as cópias feitas pelo conhecido fotógrafo norte-americano Mathew B. Brady, perdeu-se para sempre aquando de um incêndio em Nova Iorque em 1881, num armazém onde estavam guardados os daguerreótipos desta epopeia e grande parte das cópias de Brady. Ao que se sabe, de 300 daguerreótipos restaram apenas 3 que estão conservados e preservados pela Biblioteca do Congresso, em Washington. Conhece-se ainda 34 gravuras que haviam sido abertas a partir dos daguerreótipos feitos durante a expedição.



Fonte:

Blogue Grand Monde